Levantamento detalha disputa ao Senado e oposição ainda não tem número para impeachment de ministro do STF
Por Edu Mota, de Brasília
Em meio à maior crise já vivida em seus 135 anos de história, o Supremo Tribunal Federal (STF) está no centro dos debates em meio à campanha eleitoral de 2026. Decisões judiciais, investigações policiais e conflitos entre ministros passaram a produzir consequências políticas praticamente diárias, enquanto candidatos e partidos incorporam cada novo episódio às suas estratégias eleitorais.
A crise, fomentada principalmente pelo escândalo do Banco Master e a revelação de relações entre Daniel Vorcaro e diferentes personagens e autoridades do país, elevou o STF ao posto de principal protagonista desta eleição. E em meio às acusações que envolvem alguns dos ministros da Corte, o debate sobre a abertura de processos de impeachment se tornou o combustível que alimenta muitas das candidaturas para as 54 cadeiras em disputa para o Senado nestas eleições.
Eleger uma numerosa bancada no Senado e, com isso, obter a presidência da Casa e dar prosseguimento a pedidos de impeachment de ministros do STF é, por exemplo, uma das principais estratégias do maior partido de oposição, o PL. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, diz que o PL deve entrar em 2027 com uma bancada de 28 senadores, entre os eleitos neste ano e os que ainda possuem quatro anos de mandato.
A estratégia do PL e de outros oposicionistas espalhados por partidos como Republicanos, PP e União Brasil, foi traçada desde o ano passado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O candidato do partido à presidência, Flávio Bolsonaro, também vem defendendo o esforço para aumentar a representatividade da direita no Senado, com objetivo de facilitar ações como a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF.
Entretanto, para ter uma margem segura que permita a aceitação de pedidos de impeachment, a oposição e os partidos de direita precisam controlar um mínimo de 54 cadeiras no Senado. Isso porque encontra-se válida uma decisão tomada em dezembro do ano passado pelo ministro Gilmar Mendes que impacta diretamente as estratégias dos partidos referentes ao Senado.
Em uma decisão monocrática tomada na apreciação das ADPFs 1259 e 1260 apresentadas pelo partido Solidariedade e pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Gilmar Mendes que suspendeu trechos da Lei do Impeachment de 1950. A suspensão, que se deu em decisão com caráter liminar, estabeleceu que o quórum para iniciar processos de impeachment é o de dois terços dos senadores (54).
A mudança de entendimento elevou a maioria simples exigida anteriormente, de 41 votos pela admissão do processo de impeachment. Com isso, a estratégia do PL e de demais partidos se tornou ainda mais desafiadora.
Para alcançar os 54 apoios necessários, portanto, a oposição e os partidos de direita terão que alcançar uma expressiva votação nas urnas de outubro de 2026. Levantamento realizado pelo Bahia Notícias revela como pode ficar o Senado Federal após as eleições de 2026.
O levantamento levou em consideração as pesquisas mais recentes realizadas nos estados, com os nomes que estão no momento mais bem colocados para a disputa. Esses nomes ainda podem mudar até outubro de 2026, portanto a simulação é apenas com base no cenário existente no momento, a partir de pesquisas de institutos nacionais.
Confira abaixo como está a disputa e os dois primeiros colocados, com os estados divididos por região:
REGIÃO NORDESTE
BAHIA
Rui Costa (PT) - 26%
Jaques Wagner (PT) - 19%
(Real Time Big Data - 09/9)
ALAGOAS
Arthur Lira (PP) - 20%
Renan Calheiros (MDB) - 18%
(Quaest - 24/8)
CEARÁ
Cid Gomes (PSB) - 24%
Capitão Wagner (União Brasil) - 20%
(Datafolha - 04/9)
MARANHÃO
Roseana Sarney (MDB) - 18%
Fufuca (PP) - 15%
(Real Time Big Data - 10/9)
PARAÍBA
João Azevêdo (PSB) - 53,1%
Veneziano Vital do Rego (MDB) - 33,9%
(Instituto Data Ranking - 10/9)
PERNAMBUCO
Marília Arraes (PDT) - 17%
Humberto Costa (PT) - 14%
(Quaest - 08/9)
PIAUÍ
Marcelo Castro (MDB) - 22,4%
Júlio César (PSD) - 17,2%
(AtlasIntel - 03/9)
RIO GRANDE DO NORTE
Styvenson Valentim (Podemos) - 18%
Samanda de Lula (PT) - 16%
(Real Time Big Data - 10/9)
SERGIPE
Delegado André David (Republicanos) - 18%
André Moura (União Brasil) - 12%
(Real Time Big Data - 04/9)
REGIÃO NORTE
ACRE
Gladson Camelli (PP) - 38%
Jorge Viana (PT) - 34%
(Instituto Travessia - 06/9)
AMAPÁ
Rayssa Furlan (Podemos) - 33%
Randolfe Rodrigues (PT) - 20%
(Real Time Big Data - 09/9)
AMAZONAS
Eduardo Braga (MDB) - 50%
Capitão Alberto Neto (PL) - 39,3%
(Paraná Pesquisas - 04/9)
PARÁ
Helder Barbalho (MDB) - 36%
Delegado Éder Mauro (PL) - 17%
(Real Time Big Data - 08/9)
RONDÔNIA
Dr. Fernando Máximo (PL) - 17%
Silvia Cristina (PP) - 11%
(Quaest - 25/8)
RORAIMA
Teresa Surita (MDB) - 25%
Nicoletti (PL) - 17%
(Real Time Big Data - 10/9)
TOCANTINS
Eduardo Gomes (PL) - 39,2%
Alexandre Guimarães (MDB) - 27,8%
(Instituto Veritá - 09/9)
REGIÃO CENTRO-OESTE
DISTRITO FEDERAL
Michelle Bolsonaro (PL) - 26%
Leila Barros (PDT) - 17%
(Quaest - 08/9)
GOIÁS
Gracinha Caiado (União Brasil) - 46%
Gustavo Gayer (PL) - 36,4%
(Instituto Goiás Pesquisas - 08/9)
MATO GROSSO
Mauro Mendes (União Brasil) - 55%
Janaina Riva (MDB) - 31,5%%
(Paraná Pesquisas - 09/9)
MATO GROSSO DO SUL
Reinaldo Azambuja (PL) - 32%
Capitão Contar (PL) - 23%
(Real Time Big Data - 10/9)
REGIÃO SUDESTE
ESPÍRITO SANTO
Renato Casagrande (PSB) - 28%
Sergio Meneguelli (PSD) - 12%
(Real Time Big Data - 09/9)
MINAS GERAIS
Marília Campos (PT) - 13%
Aécio Neves (PSDB) - 10%
(Quaest - 08/9)
RIO DE JANEIRO
Benedita da Silva (PT) - 15%
Marcelo Crivella (Republicanos) - 8%
(Quaest - 08/9)
SÃO PAULO
Marina Silva (Rede) - 34,9%
Simone Tebet (PSB) - 32,7%
(Futura/100% Cidades - 08/9)
REGIÃO SUL
PARANÁ
Deltan Dallagnol (Novo) - 30,8%
Alexandre Curi (Republicanos) - 28,4%
(Paraná Pesquisas - 03/9)
RIO GRANDE DO SUL
Marcel van Hattem (Novo) - 22%
Manuela D´Ávila (Psol) - 18%
(Real Time Big Data - 10/9)
SANTA CATARINA
Esperidião Amin (PP) - 19%
Carlos Bolsonaro (PL) - 16%
(Quaest - 24/8)
Se a eleição confirmar esses resultados de momento, a distribuição das 54 cadeiras entre os partidos ficaria da seguinte forma:
PL - 10
MDB - 9
PT - 8
PP - 5
PSB - 4
UNIÃO BRASIL - 4
REPUBLICANOS - 3
PDT - 2
PSD - 2
PODEMOS - 2
NOVO - 2
PSDB - 1
REDE - 1
PSOL - 1
Dos 27 senadores que seguem no mandato até 2031, e aos quais se somarão os 54 eleitos em outubro, dez são do PL, quatro do Republicanos, três do PSD, três do PT, três do PP, dois do União Brasil, um do MDB e um do PSB. Essa situação pode sofrer alterações, já que nove dos parlamentares que estão em meio de mandato concorrem aos governos de seus estados.
Contando os candidatos que, no momento, estariam conquistando as duas vagas ao Senado em seus estados, e mais os 27 que ainda cumprirão quatro anos de mandato (sem separar os que podem sair caso se elejam governadores), a divisão das cadeiras mostra que o PL chegaria a 2027 como a principal força do Senado, com 20 cadeiras.
Veja abaixo como ficaria a divisão do Senado entre os partidos, caso as urnas confirmem as pesquisas atuais:
PL - 20
PT - 11
MDB - 10
PP - 8
REPUBLICANOS - 7
UNIÃO BRASIL - 6
PSD - 5
PSB - 5
PDT - 2
PODEMOS - 2
NOVO - 2
PSDB - 1
REDE - 1
PSOL - 1
Os partidos que declaradamente pedem o impeachment de ministros do STF são o PL e o Novo. Há diversos senadores em outros partidos que também abraçam essa causa, mas não é possível contabilizar a bancada inteira de siglas como União Brasil, PP e PSD a favor da abertura de processos.
Se a integralidade das bancadas dos partidos de oposição e de direita se colocassem a favor da abertura do processo de impeachment de um ministro, e nessa conta entrassem PL, PP, Republicanos, União Brasil e Novo, a quantidade de votos chegaria a 43 senadores. Um número, portanto, bem abaixo dos 54 necessários para que seja aprovada a abertura de um processo.
