Saúde
Colunistas
Saúde feminina e equilíbrio hormonal são destaques em novo episódio do podcast Vida em Equilíbrio
Hepatologista explica relação entre canetas emagrecedoras e pancreatite e critica uso sem orientação
Vida em Equilíbrio: Exaustão emocional e burnout - o impacto da mente acelerada e como o mindfulness pode ajudar
Últimas notícias
Cientistas da UFRB de Amargosa descobrem novo potencial analgésico em estudo com peixe-zebra
Por Redação
Uma colaboração científica liderada por pesquisadores de universidades públicas brasileiras, incluindo a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), alcançou resultados no desenvolvimento de um novo analgésico e anti-inflamatório. O estudo utilizou o peixe-zebra (zebrafish) como modelo biológico para testar um complexo metálico derivado do lapachol, substância extraída de plantas da flora brasileira.
O composto investigado, denominado [Eu(dbm)?.LAP], demonstrou capacidade de atuar diretamente em mecanismos nervosos ligados à percepção da dor, abrindo caminho para tratamentos com menos efeitos colaterais que os fármacos atuais.
A pesquisa focou no canal nervoso TRPA1, uma proteína essencial na transmissão de sinais de dor e processos inflamatórios. Para os testes, os cientistas utilizaram o peixe-zebra, um modelo biológico avançado na farmacologia moderna por possuir semelhanças genéticas e fisiológicas significativas com os seres humanos.
Ao observar o comportamento de hiperlocomoção dos animais, a equipe constatou que a administração do novo composto reduziu drasticamente as respostas inflamatórias. A eficácia foi comparada a substâncias consagradas na medicina, como a morfina e a cânfora, confirmando que a nova molécula modula com precisão o canal TRPA1.
Além da redução da dor, o estudo revelou benefícios adicionais:
-
Ação anti-inflamatória: diminuição significativa de edemas (inchaços).
-
Proteção Celular: Redução do estresse oxidativo em tecidos do fígado e do sistema nervoso.
-
Segurança Farmacológica: Simulações computacionais indicaram boa absorção pelo organismo, capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica (necessária para dor central) e baixo risco de toxicidade cardíaca.
O projeto é fruto de um esforço conjunto entre a UFRB, a Universidade Estadual do Ceará (Uece), a Universidade do Vale do Acaraú (Uva) e a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).
A supervisão científica, revisão e edição final foram apresentadas em forma de artigo com a liderança dos pesquisadores Jorge Fernando Silva de Menezes (UFRB / Amargosa), Aluísio Marques da Fonseca e Maria Izabel Florindo Guedes. O trabalho envolveu uma equipe multidisciplinar responsável desde a conceituação original até a captação de recursos e simulações de modelagem molecular.
MPF instaura inquérito para investigar irregularidades em unidade de saúde de Barreiras
Por Aline Gama
O Ministério Público Federal (MPF) instaurou, nesta terça-feira (31), um inquérito civil com o objetivo de apurar possíveis irregularidades na inscrição do Centro Municipal de Saúde Leonídia Ayres de Almeida e de sua direção técnica perante o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb).
A portaria, assinada pelo procurador da República Robert Rigobert Lucht, foi publicada no âmbito de um Procedimento Preparatório e determina a continuidade das investigações, agora sob o rito do inquérito civil, vinculado à 1ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF.
De acordo com o documento, a medida foi adotada após a constatação de que o prazo do procedimento preparatório havia se esgotado, mas as investigações ainda careciam de aprofundamento. O objeto do inquérito é apurar, na esfera cível, a regularidade do cadastro da unidade de saúde e de seu diretor técnico junto ao Conselho Regional de Medicina, tendo como parte investigada o município de Barreiras, no oeste da Bahia.
Na portaria, o órgão determinou a autuação, o registro e a publicação do ato, além da reiteração de um ofício já enviado anteriormente ao Cremeb. O órgão deverá se manifestar no prazo de dez dias, informando a situação atual do centro de saúde, com ênfase na situação da inscrição da unidade e na regularidade do profissional indicado como diretor técnico pelo município.
Saúde feminina e equilíbrio hormonal são destaques em novo episódio do podcast Vida em Equilíbrio
Por Redação
A busca por uma saúde mais equilibrada e consciente tem ganhado cada vez mais espaço entre as mulheres — e foi exatamente esse o tema central do mais recente episódio do podcast Vida em Equilíbrio, apresentado por Andrea Cunha. A convidada da vez foi a ginecologista Dra. Grazielle Carvalho, que trouxe uma abordagem profunda e integrativa sobre o cuidado com o corpo feminino.
Durante a conversa, a especialista destacou que sintomas como cansaço constante, falta de energia, baixa libido e alterações hormonais nem sempre indicam doenças isoladas, mas podem ser sinais de um organismo em desequilíbrio. Segundo ela, é fundamental olhar para a saúde da mulher de forma ampla, considerando não apenas os aspectos físicos, mas também emocionais, metabólicos e até espirituais.
Com formação em clínica médica, ultrassonografia e medicina integrativa, Grazielle Carvalho defende uma prática que vai além do tratamento de sintomas.
Criadora do método Mulher Cheia de Vida, ela propõe investigar a raiz dos problemas, promovendo transformação real na vida das pacientes. “Não se trata apenas de tratar doenças, mas de restaurar vitalidade, clareza mental e qualidade de vida”, reforça.
No episódio, também foram abordados temas como o impacto do desequilíbrio hormonal no humor e na energia, além de condições recorrentes como candidíase de repetição. A médica explicou como fatores como alimentação, saúde intestinal, estilo de vida e emoções influenciam diretamente o funcionamento do corpo feminino.
Outro ponto destacado foi o papel da medicina integrativa no resgate da vitalidade. A abordagem combina ciência, prática clínica e uma visão mais consciente do cuidado, incentivando as mulheres a assumirem o protagonismo da própria saúde.
O episódio se apresenta como um convite à reconexão com o próprio corpo e à construção de uma vida com mais equilíbrio, presença e bem-estar — pilares que, segundo a especialista, são essenciais para uma verdadeira alta performance feminina.
Nesta segunda-feira (30), os municípios baianos foram contemplados com 70 novas ambulâncias do SAMU 192, 26 unidades odontológicas móveis (UOM), além de 36 combos de equipamentos para as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e outros 111 para saúde bucal. Também foram assinadas ordens de serviço para início das obras de 55 novas UBS e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). No total, são R$ 146,8 milhões em investimentos no SUS local.
Os equipamentos e as unidades móveis de saúde reforçarão a capacidade de atendimento em mais de 70 municípios baianos e beneficiarão cerca de 11 milhões de pessoas. Viabilizadas pelo Novo PAC Saúde, as iniciativas estão alinhadas ao programa Agora Tem Especialistas, que busca ampliar a capacidade de atendimento do SUS, reduzir filas e ampliar o acesso a consultas, exames e cirurgias.
O governo federal ainda anunciou a conclusão de UBS no município de Mairi, com investimento de R$ 163,4 mil por meio do Programa de Retomada de Obras. Já a assinatura das autorizações para início da execução física das obras de 55 UBS e CAPS totalizam R$ 110,6 milhões na modalidade Fundo a Fundo (FAF) destinados a projetos apresentados pelos municípios selecionados no Novo PAC Saúde.
Para o fortalecimento da atenção primária, o Governo do Brasil investiu R$ 2 milhões na aquisição de 36 combos de equipamentos, que estão sendo parcialmente entregues. Os kits são compostos por câmara fria, dinamômetro digital, retinógrafo portátil e tábua de propriocepção. Durante o evento, parte dos equipamentos foi destinada a 36 municípios, incluindo Serra Preta, Euclides da Cunha e Monte Santo.
Os municípios da Bahia estão recebendo este ano 1.030 combos de equipamentos, que vão melhorar o atendimento em 1.030 UBS, com investimento total de R$ 162,7 milhões.
O serviço de urgência e emergência também recebeu um reforço importante com a chegada de 70 novas ambulâncias do SAMU 192, com investimento de R$ 22,9 milhões. Dos veículos entregues, 10 são destinados à renovação de frota, 6 são Unidades de Suporte Avançado e 54 são Unidades de Suporte Básico.
Na capital baiana, os ministros Alexandre Padilha e Rui Costa participaram da inauguração da primeira etapa do ambulatório do Hospital da Mulher Maria Luzia Costa dos Santos, incluindo obra, equipamentos e mobiliários.
A nova unidade vai ampliar a oferta de especialidades como ginecologia, cirurgia oncológica e mastologia, áreas prioritárias do Agora Tem Especialistas. No total, serão 35 novos consultórios, sendo 12 já entregues nesta primeira etapa, além da brinquedoteca, serviço social, acolhimento familiar, triagem, recepção e sala de espera.
Para reforçar ainda mais o atendimento especializado no Hospital da Mulher, o governo ainda assinou a autorização de licitação para novas obras de reforma e ampliação, com investimentos de R$ 20 milhões. Estão previstos 10 novos leitos de UTI, centro cirúrgico com 5 salas cirúrgicas, 2 salas de endoscopia e requalificação geral dos sistemas de climatização e de combate a incêndio.
Para o estado da Bahia, foram selecionadas 2.845 propostas nos seguintes eixos do programa: água para quem mais precisa, atenção especializada, complexo industrial da saúde, preparação para emergências sanitárias e telessaúde. Com esses projetos, o Novo PAC Saúde investirá R$ 2,4 bilhões em obras e equipamentos, beneficiando a população baiana de forma descentralizada, com a ampliação da rede de saúde pública.
Com R$ 32,2 bilhões em investimentos, o Novo PAC Saúde trata-se do maior programa de infraestrutura da saúde, com recursos destinados a 2.609 UBSs, 334 CAPS, 101 policlínicas, 4.643 ambulâncias do SAMU, 824 UOMs e diversos outros tipos de obras e equipamentos.
Niltinho defende Ivana Bastos como vice na chapa de Jerônimo Rodrigues: "Uma mulher de fibra"
Por Liz Barretto
O deputado estadual Niltinho (PSD) comentou as articulações para a vaga de vice na chapa governista liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues. Em entrevista ao projeto Prisma, o parlamentar defendeu o nome da correligionária Ivana Bastos.
O PSD, aliado histórico do PT na Bahia, não deve indicar candidato ao Senado, especialmente após a saída do senador Angelo Coronel. Para Niltinho, a legenda - que reúne o maior número de prefeitos no estado - tem legitimidade para pleitear a vice-governadoria.
"Na medida que o PSD perde a posição de ter a vaga do senado, naturalmente você tirou do PSD um posto da majoritária", afirmou.
Como sugestão, ele reforçou o nome de Ivana Bastos. Segundo o deputado, a presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) representa uma escolha acertada e simboliza o fortalecimento da presença feminina na política.
“A chapa que abrilhantaria muito ao lado do governador seria da nossa presidente, Ivana Bastos. Seria bom ter uma mulher do perfil dela, resiliente. Ela já perdeu 3 eleições por dez votos, por 15 votos. Ali tem uma mulher de fibra, acho que é um grande nome”, disse Niltinho.
Apesar de defender as negociações, o parlamentar também comentou a possibilidade de manutenção da atual composição, com o vice-governador Geraldo Júnior. “Existe uma possibilidade real de mantê-lo. Mantendo os princípios do respeito, da coerência, porque está todo mundo no mesmo grupo, a gente não precisa dar cotovelada”, ponderou.
A Bahia aplicou 208.109 doses da vacina contra a influenza no Dia D de mobilização realizado no último sábado (28). O balanço parcial contabiliza dados repassados por 379 dos 417 municípios baianos e reforça a força da campanha estadual, em meio ao aumento das síndromes respiratórias.
A vacinação segue até 30 de maio e integra a estratégia nacional de combate à influenza. A meta é imunizar 90% do público prioritário, com a expectativa de reduzir em quase 60% os casos graves da doença. A vacina é uma das principais medidas para diminuir complicações, internações e óbitos no período de maior circulação do vírus.
O estado deverá receber 6.022.574 doses, distribuídas proporcionalmente ao público-alvo dos 417 municípios. A vacinação é destinada a crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, puérperas, idosos a partir de 60 anos, trabalhadores da saúde e professores.
Também fazem parte do público prioritário indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua, pessoas com comorbidades ou deficiência permanente, caminhoneiros, motoristas e cobradores de transporte coletivo, trabalhadores portuários e dos correios, integrantes das forças de segurança e das Forças Armadas, trabalhadores do sistema prisional, pessoas privadas de liberdade e jovens em medidas socioeducativas.
O cenário epidemiológico reforça a importância da imunização. Na Bahia, as solicitações de UTI pediátrica saíram de 55 na primeira semana de janeiro para 141 na semana de 12 a 18 de março. No mesmo período, os pedidos de enfermaria pediátrica passaram de 44 para 102.
Os dados indicam aumento da circulação de vírus respiratórios e maior pressão sobre a assistência, o que torna a vacinação ainda mais necessária. Produzida pelo Instituto Butantan, a vacina trivalente de 2026 protege contra os vírus influenza A/H1N1, A/H3N2 e B/Victoria.
Mais de 24 mil doses contra a influenza são aplicadas em Salvador durante Dia D de vacinação
Por Redação
Mais de 24 mil doses foram aplicadas em Salvador, durante o Dia D de vacinação contra a influenza, neste sábado (28). O ato reforça a proteção da população em um período crítico de maior circulação de síndromes gripais.Com uma operação estruturada pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a estratégia contou com mais de 90 pontos de vacinação distribuídos por toda a capital, garantindo capilaridade e acesso ampliado.
As equipes também levaram o imunizante para locais de grande fluxo, como mercados e shoppings, aproximando o serviço da rotina da população e facilitando o acesso de quem enfrenta dificuldades durante a semana.
A escolha do sábado como dia de intensificação reforça o compromisso em ampliar o alcance das ações e garantir que mais pessoas tenham a oportunidade de se proteger. A mobilização envolveu dezenas de profissionais de saúde, que atuaram com dedicação, acolhimento e senso de missão, assegurando um atendimento ágil e humanizado à população.
Para o secretário municipal da Saúde, Rodrigo Alves, o resultado evidencia a força da mobilização e o compromisso da gestão com a ampliação do acesso aos serviços de saúde.
“Esse resultado expressivo demonstra a capacidade de organização da nossa rede e o compromisso permanente em cuidar das pessoas. Estamos levando a vacina para mais perto da população, ampliando o acesso e fortalecendo a prevenção como eixo central da nossa atuação”, destacou.
Já a coordenadora de imunização da SMS, Doiane Lemos, reforçou a importância da vacinação neste período do ano.
“Com a chegada do outono e a aproximação do inverno, há um aumento significativo na circulação de vírus respiratórios. A vacinação contra a influenza é fundamental para reduzir casos graves, internações e óbitos, especialmente entre os grupos mais vulneráveis. Por isso, é essencial que o público prioritário busque a imunização o quanto antes”, alertou.
A SMS ressalta que a campanha de vacinação contra a influenza segue ativa em Salvador. As doses continuam disponíveis nas salas de vacinação da rede municipal para o público elegível, das 8 às 16h.
Governo anuncia isenção de componentes de canetas emagrecedoras no Brasil; entenda
Por Marcos Hermanson e Mateus Vargas | Folhapress
O governo federal anunciou na última quinta-feira (26) a isenção do imposto de importação 58 milhões de componentes usados na fabricação de canetas emagrecedoras. A decisão atende a um pleito da farmacêutica nacional EMS, que aguarda autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para lançar um produto rival ao Ozempic.
A isenção decidida pelo Comitê-Executivo da Camex (Câmara de Comércio Exterior) tem validade de 365 dias. Com isso, fica renovado benefício já concedido à EMS em agosto do ano passado, mas para um número bem menor de componentes –9,9 milhões. Antes, a tarifa era de 14,4%.
Estão incluídos na decisão componentes como vidro, tampa e corpo da caneta, mas não o medicamento em si. Dentre estes componentes, EMS solicitou a isenção para 7,4 milhões de corpos de caneta de semaglutida (mesmo princípio ativo do Ozempic), o que dá uma ideia do número de canetas que a empresa pretende produzir.
Procurado, o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) disse que a Camex levou em consideração as projeções de crescimento do mercado de canetas e destacou que o medicamento não tem produção nacional. A pasta também destacou que a medida vale para todas as importações, e não apenas para aquelas realizadas pela EMS.
A EMS afirmou que o pleito pela isenção da tarifa foi apresentado com base na inexistência de produção nacional dos insumos. "Trata-se de um instrumento legítimo, previsto na regulação brasileira, e amplamente utilizado pela indústria para garantir competitividade e viabilizar a produção local", disse a farmacêutica.
O laboratório nacional afirmou que os componentes das canetas são essenciais para a "futura fabricação nacional", "reforçando o compromisso da EMS com a ampliação do acesso e a internalização da produção".
A empresa comercializa desde 2025 as canetas Lirux e Olire, de liraglutida, primeiras versões nacionais de emagrecedores injetáveis e concorrentes do Saxenda e Victoza, marcas da dinamarquesa Novo Nordisk.
A farmacêutica brasileira pretende lançar neste ano concorrentes do Ozempic e Wegovy, as canetas que também são fabricadas pela Novo Nordisk. A semaglutida, princípio ativo dos medicamentos, perdeu a patente em 20 de março, mas ainda não há novos produtos aprovados pela Anvisa.
A EMS é uma das empresas nacionais em melhor posição no mercado dos emagrecedores. A farmacêutica investiu mais de R$ 1 bilhão para montar uma fábrica de peptídeos sintéticos em Hortolândia (SP), tecnologia aplicada na produção das canetas.
A empresa também recebeu créditos de R$ 736 milhões desde 2020 do BNDES relacionados à planta.
A Anvisa afirma que a análise dos novos produtos é um desafio técnico, pois os produtos "compartilham características" de medicamentos sintéticos e biológicos.
"A avaliação dos análogos sintéticos de semaglutida tem sido tratada como um desafio técnico para as agências reguladoras em todo o mundo. Até o momento, nenhuma das principais agências de medicamentos do mundo, como as do Japão, Europa e EUA, registrou análogos sintéticos da semaglutida", diz a Anvisa em nota.
As canetas são medicamentos agonistas de GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo corpo humano e que atua no controle dos níveis de glicose no sangue e nos mecanismos de saciedade. As principais marcas no mercado são compostas por semaglutida (Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk) e tirzepatida (Mounjaro, da Lilly), que também atua no receptor do hormônio GIP e tem patente até 2036.
Existe forte pressão de consumidores, de parte da indústria e do mundo político para ampliar a oferta e baixar custos dos emagrecedores. O aumento do consumo para fins estéticos ou fora da bula, além da popularização de versões manipuladas desses medicamentos, porém, são pontos que preocupam associações e sociedades médicas.
A nota técnica da Camex que embasou a decisão desta quinta-feira recomenda o deferimento parcial do pedido da EMS, feito em novembro passado.
Os técnicos do órgão entederam que a inexistência temporária de fabricação do produto e a função social que ele exerce justificavam a isenção de tarifas, mas consideraram excessiva a cota de 58 milhões proposta pela EMS.
"A quota originalmente solicitada de 58,2 milhões unidades não se mostrou aderente ao consumo informado pela própria pleiteante, tampouco à efetiva utilização da quota atualmente vigente", disseram os técnicos do órgão. Com isso, propuseram uma cota de 30 milhões de unidades, o que, segundo eles, já teria impacto fiscal superior a US$ 1 milhão, valor de referência para pleitos do tipo.
Mesmo assim, a Camex manteve os 58 milhões de componentes solicitados pela EMS, por sugestão do Comitê de Alterações Tarifárias. O Mdic não explicou os motivos de ter discordado da recomendação que consta da nota técnica.
A Anvisa tem oito pedidos de registros de produtos contendo semaglutida em análise, sendo sete sintéticos, incluindo o da EMS, e outro biológico. Nenhum dos casos é enquadrado como genérico, categoria em que o preço deve ser ao menos 35% inferior ao do produto de referência. Ainda assim, o mercado avalia que a concorrência deve baratear as canetas.
No ano passado, a disputa pelo mercado dos emagrecedores ganhou novo rumo com atuação direta do governo Lula (PT). A Anvisa atendeu a um pedido do Ministério da Saúde e passou na frente da sua fila de análise 20 pedidos de remédios emagrecedores contendo liraglutida ou semaglutida.
O movimento do governo se deu dias após o ministro Alexandre Padilha (PT) fazer uma espécie de propaganda dos emagrecedores de liraglutida que a EMS havia lançado.
"Aquelas canetinhas que o pessoal está usando direto por aí, mais um produto na área, baixando o preço para a população", disse o ministro em vídeo gravado após evento da farmacêutica.
O plano de passar à frente a análise das canetas foi criticado pela Interfarma e o Sindusfarma, que apontaram risco de insegurança jurídica e de atraso em outras avaliações.
Já a PróGenéricos disse que havia aumento exponencial da procura pelos fármacos e que a medida tem "razões excepcionais de interesse público".
Em documentos internos revelados pela Folha de s.Paulo, técnicos da Anvisa afirmam que a prioridade dada aos emagrecedores pode atrasar o lançamento de terapias mais importantes, incluindo para doenças graves, como câncer, epilepsia, Parkinson avançado e AME (Atrofia Muscular Espinhal).
A Anvisa diz que definiu um limite de processos acelerados para que não haja prejuízo a outras terapias. Ainda afirma que havia risco de desabastecimento das canetas. A decisão da Anvisa ainda prioriza produtos com etapas de fabricação nacional.
Integrantes do governo ainda dizem que existe o plano de levar o tratamento ao SUS. Nas primeiras análises, a incorporação foi barrada por causa do custo bilionário. Uma das frentes abertas para levar o produto à rede pública é a parceria firmada entre a EMS e a Fiocruz para transferir à fundação a tecnologia de produção das canetas.
Médico é preso suspeito de cobrar R$ 2 mil por cirurgia de paciente do SUS no Rio Grande do Sul
Por Redação
Um médico boliviano foi preso em flagrante na noite da última sexta-feira (27) por suspeita de cobrar por cirurgia de paciente do Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Sul. O caso aconteceu no Hospital Universitário de Canoas, na cidade de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Segundo a Polícia Civil, o ortopedista teria exigido o pagamento de R$ 2 mil após o procedimento. A família do paciente gravou uma ligação em que o médico faz a cobrança e orienta que o caso não seja contado a outras pessoas.
A denúncia chegou à polícia por meio do setor jurídico do hospital, que recebeu o relato sobre a cobrança.
O suspeito foi identificado como Pablo Rojas Romero, de 34 anos, e foi preso dentro da unidade de saúde.
Em nota divulgada nas redes sociais, o hospital afirmou que não realiza cobranças por atendimentos. “O Hospital Universitário é uma instituição 100% SUS e não cobra por qualquer tipo de procedimento. Práticas assim deve ser denunciadas imediatamente”, disse a instituição.
De acordo com a polícia, o médico disse que o valor seria destinado à compra de materiais. Após os procedimentos legais, ele foi encaminhado ao Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), centro de triagem de presos.
Casos de baixo peso aumentam na Bahia e superam média do país
Por Victor Hernandes
A Bahia obteve um crescimento no número de pessoas que estão com baixo peso. Um relatório acessado pela reportagem mostra que entre 2024 e 2025, o estado registrou índices de baixo peso superiores às médias regional e nacional. Segundo o levantamento do Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Atenção Primária à Saúde, o aumento chega mesmo após uma redução na prevalência percentual entre os dois anos.
No ano de 2024, o estado registrou 50.521 indivíduos com baixo peso, o que representava 2,56% da população adulta acompanhada. Este índice era superior à média do Nordeste (2,3%) e do Brasil (2,06%) no mesmo período. Já em 2025, o número absoluto subiu para 52.100 indivíduos, mas a prevalência percentual caiu para 2,22%. Apesar da queda, o índice baiano continuou acima da média do Nordeste (1,98%) e do Brasil (1,81%)
Entre as cidades que apresentaram maiores taxas proporcionais no estado estão Ibotirama com 3,05% em 2024 e 2,72% em 2025, Guanambi com 2,93% de baixo peso em 2024, caindo para 2,53% em 2025; Santa Maria da Vitória, que manteve índices elevados, com 2,87% (2024) e 2,66% (2025).
Já Salvador, em termos absolutos, concentra o maior número de pessoas nessa categoria, com 5.518 indivíduos em 2024 (2,42%) e 6.213 em 2025 (2,18%). Feira de Santana teve 4.228 pessoas (2,64%) em 2024 e 4.272 (2,27%) em 2025. Entre os municípios baianos com menores prevalências estão Paulo Afonso (1,72%), Teixeira de Freitas (1,86%), Jequié (1,92%) e Santo Antônio de Jesus (1,97%).
COMPARATIVO DE TAXAS
Mesmo sendo visto esse aumento de baixo peso, a condição não superou a de outras no estado. A de Sobrepeso ficou em 34,87% (688.877 pessoas), o Peso Adequado ficou em 32,47% (641.552 pessoas) e o Baixo Peso alcançou 2,56% (50.521 pessoas). Já no ano de 2025 a taxa de Sobrepeso ficou em 35,43% (833.305 pessoas), a de Peso Adequado 30,57% (718.958 pessoas) e a de Baixo Peso alcançou 2,22% (52.100 pessoas). Enquanto a taxa de sobrepeso aumentou de 34,87% para 35,43%, as taxas de peso adequado e baixo peso diminuíram no mesmo período.
Em entrevista ao Bahia Notícias, a nutricionista Beatriz Nogueira, revelou que o aumento de pessoas com baixo peso é atribuído principalmente ao ritmo de vida atual, caracterizado pela falta de tempo e cargas exaustivas de trabalho.
“As pessoas estão tendo cargas exaustivas de trabalho e acaba que isso impacta diretamente na forma como ela se alimenta, na disposição que ela tem para praticar algum tipo de exercício físico, que vai promover um ganho de massa muscular, de músculo e aí, consequentemente, reduzir esse baixo peso que a gente vê na população.
A especialista contou ainda que a insegurança alimentar é outro problema presente que impacta neste problema na Bahia.
“Outro ponto também muito importante é a insegurança alimentar, que é uma questão muito presente aqui na Bahia. A gente tem diversos programas, como o Bahia Sem Fome, que tenta reverter essa situação de insegurança alimentar, que é justamente a pessoa não ter acesso, de fato, à alimentação. E quando tem acesso, é através de alimentos ultraprocessados, que tem um baixo valor nutritivo e muito calórico. Então acaba que fazem poucas refeições ao dia e essas poucas são extremamente pobres em nutrientes e ricas em calorias gorduras.
A profissional explicou também quando é considerado sobrepeso por médicos.
“Recém-nascido, quando ele nasce com menos de 2,5 quilos, é considerado com baixo peso. Muito baixo peso seria menor que 1,5 quilos. Então, o baixo peso na mulher adulta gestante também pode ter impacto para que esse neném nasça com baixo peso”, informou.
A nutricionista deu algumas dicas para ganho de peso saudável em contexto de escassez alimentar.
“Fazer o consumo adequado de proteína para preservar a massa muscular que é o mais importante para se locomover e manter uma boa funcionalidade do corpo. Então investir em fontes de proteínas, carnes, ovos, frango e sardinha também. Além disso, proteínas vegetais e arroz, feijão e salada”, contou Nogueira.