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Saúde feminina e equilíbrio hormonal são destaques em novo episódio do podcast Vida em Equilíbrio

Saúde feminina e equilíbrio hormonal são destaques em novo episódio do podcast Vida em Equilíbrio
Foto: Bahia Notícias
A busca por uma saúde mais equilibrada e consciente tem ganhado cada vez mais espaço entre as mulheres — e foi exatamente esse o tema central do mais recente episódio do podcast Vida em Equilíbrio, apresentado por Andrea Cunha. A convidada da vez foi a ginecologista Dra. Grazielle Carvalho, que trouxe uma abordagem profunda e integrativa sobre o cuidado com o corpo feminino.

Hepatologista explica relação entre canetas emagrecedoras e pancreatite e critica uso sem orientação

Hepatologista explica relação entre canetas emagrecedoras e pancreatite e critica uso sem orientação
Fotos: Bahia Notícias
O hepatologista Raymundo Paraná criticou médicos sem qualificação profissional por prescreverem canetas emagrecedoras sem indicação clínica e sem informar de forma clara os riscos envolvidos no uso da substância. O alerta foi feito durante a participação do especialista no podcast Saúde 360°, que vai ao ar quinzenalmente, às terças-feiras, no canal do Youtube do Bahia Notícias.

Vida em Equilíbrio: Exaustão emocional e burnout - o impacto da mente acelerada e como o mindfulness pode ajudar

Vida em Equilíbrio: Exaustão emocional e burnout - o impacto da mente acelerada e como o mindfulness pode ajudar
Foto: Bahia Notícias
A mente acelerada, o excesso de estímulos e as cobranças constantes têm levado cada vez mais pessoas à exaustão emocional. O que antes era visto como “fase de estresse” hoje se revela como um problema mais profundo, que afeta diretamente a saúde mental, o foco e a produtividade no trabalho e na vida pessoal.

Artigos

Março Amarelo alerta para a prevenção e o diagnóstico precoce das doenças renais
Foto: Divulgação

O Março Amarelo reforça a importância da conscientização sobre as doenças renais e da realização do diagnóstico precoce. No Brasil, mais de 172 mil pessoas dependem de diálise para sobreviver, e a estimativa é de que os casos cresçam 170% até 2032. Além disso, mais de 80% das pessoas com Doença Renal Crônica (DRC) em estágio 3 não sabem que têm a doença, segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). Muitas vezes silenciosa nos estágios iniciais, a doença pode ser identificada precocemente por meio de exames simples, como a dosagem de creatinina no sangue e o exame de urina.

 

De acordo com a médica nefrologista Manuela Lordelo, os rins desempenham funções vitais para o organismo: filtram o sangue, eliminam toxinas pela urina, controlam a pressão arterial, equilibram sais minerais e ajudam na produção de hormônios. Quando esses órgãos perdem a capacidade de filtrar adequadamente, todo o corpo é impactado. “A doença renal pode evoluir de forma silenciosa. Diabetes e hipertensão são as principais causas, mas infecções urinárias de repetição, uso excessivo de anti-inflamatórios e histórico familiar também são fatores de risco importantes”, explica. Entre as doenças mais comuns estão a doença renal crônica, cálculos renais e infecções urinárias.

 

A especialista conta que a prevenção passa, principalmente, pelo controle rigoroso da pressão arterial e da glicemia, alimentação equilibrada com redução de sal, prática regular de atividade física, hidratação adequada e acompanhamento médico periódico. Segundo Manuela Lordelo, o diagnóstico precoce é determinante para evitar a progressão da doença. “Quando identificamos alterações renais no início, conseguimos intervir com medicação, ajustes no estilo de vida e monitoramento contínuo, retardando ou até impedindo a evolução para estágios mais graves”, destaca Manuela Lordelo.

 

Hemodiálise: o que é e qual sua importância

A hemodiálise é um tratamento indicado quando os rins perdem grande parte de sua função. O procedimento funciona como um “rim artificial”, filtrando o sangue e removendo toxinas e excesso de líquidos do organismo. Embora seja essencial para manter a vida em casos avançados de insuficiência renal, a nefrologista reforça que o objetivo da campanha é justamente evitar que os pacientes cheguem a essa etapa. “A hemodiálise é um recurso fundamental e salva vidas, mas a informação e o cuidado preventivo ainda são as melhores estratégias”, conclui.

 

*Manuela Lordelo é Médica formada pela Faculdade de Medicina de Campos - RJ em 2017. Especialista em Clínica Médica pela Universidade Federal de Viçosa (2018-2020). Especialista em Nefrologia pelo Hospital Ana Nery (2020-2022). Membro do corpo clínico do Hospital Alayde Costa, Hospital Ana Nery, Hospital Geral Roberto Santos e Clínica Senhor do Bonfim.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Mulheres ganham 21% menos e representam 60% dos casos de burnout no país

Por Ana Paula Teixeira

Mulheres ganham 21% menos e representam 60% dos casos de burnout no país
Foto: Divulgação

Com o Brasil registrando recorde de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, a desigualdade de gênero no mercado de trabalho desponta como fator de risco para o adoecimento feminino. Diferenças salariais, penalização da maternidade e ausência de políticas voltadas às especificidades biológicas das mulheres estão entre os principais gatilhos.

 

No Brasil, a desigualdade de gênero não é apenas um número no contracheque; é um fator de risco epidemiológico. Segundo dados do IBGE e do DIEESE, mulheres recebem, em média, 21% menos que homens na mesma função. Entre mulheres negras, a diferença pode chegar a 47%.

 

O reflexo aparece nos indicadores de saúde mental. Estudos recentes apontam que mulheres concentram cerca de 60% dos diagnósticos de Síndrome de Burnout. O cenário é resultado da sobrecarga, muitas vezes marcada por jornada tripla e da pressão constante para provar competência em ambientes predominantemente masculinos.

 

Na Bahia, o quadro é ainda mais sensível diante do racismo estrutural. A mulher negra, que ocupa a base da pirâmide produtiva, enfrenta maior precarização e menor rede de apoio. Sob pressão contínua, a saúde física e mental entra em colapso.

 

A dor invisível nas empresas
O adoecimento feminino revela um modelo corporativo que exige produtividade linear de corpos que não funcionam de forma linear. O trabalho não pode ser o lugar onde a vida adoece. Ignorar o impacto emocional e as especificidades femininas compromete a própria sustentabilidade da gestão.

 

Maternidade e biologia ainda são tabus
A penalização da maternidade é outro ponto crítico. Dados da Fundação Getúlio Vargas indicam que 48% das mulheres perdem o emprego até dois anos após o parto. A maternidade, segundo a especialista, ainda é tratada como custo, o que leva muitas profissionais a silenciarem dores e necessidades por medo de demissão. Muitas mulheres ainda têm receio de engravidar, adiam ou cancelam o sonho de ser mãe para privilegiar a carreira.

 

Além disso, questões como período menstrual seguem fora das políticas corporativas. A ausência de flexibilidade ignora que a saúde feminina envolve ciclos e flutuações hormonais. Não se trata de privilégio, mas de garantir produtividade sustentável.

 

Mudança estrutural
Especialistas defendem que enfrentar o problema exige revisão estrutural nas organizações. Entre as medidas apontadas estão auditorias salariais com recorte de raça e gênero, programas de acolhimento no pré e pós-parto, políticas de flexibilidade para períodos de maior vulnerabilidade física e ações efetivas de combate ao racismo corporativo.

 

O sofrimento no trabalho não pode ser naturalizado. Acolher as especificidades femininas não é benefício; é estratégia de sobrevivência econômica e humanitária. Além disso, é importante destacar que o acolhimento feminino só é possível com uma liderança que consiga unir performance e competências socioemocionais.

 

*Ana Paula Teixeira (CRMBa 12797 / RQE 7237) é médica do trabalho, especialista em Saúde e Bem-Estar, consultora empresarial e autora do livro Quando o Trabalho Dói.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Esgotamento feminino: quando dar conta de tudo deixa de ser força e passa a ser sobrecarga
Foto: Divulgação

A sensação constante de cansaço, sobrecarga e exaustão emocional tem se tornado cada vez mais presente na vida de muitas mulheres, inclusive daquelas que, à primeira vista, parecem dar conta de todas as demandas. Entre trabalho, responsabilidades domésticas, relações pessoais, autocuidado e a cobrança contínua por desempenho, forma-se um cenário propício ao esgotamento silencioso.

 

Esse fenômeno vai além de uma rotina intensa ou exaustiva. Um dos seus principais fatores está na repetição de padrões familiares e culturais que são internalizados desde cedo. Muitas mulheres aprendem, de maneira direta ou sutil, a ocupar o papel de quem cuida, acolhe e sustenta o outro, frequentemente deixando suas próprias necessidades em segundo plano. Com o tempo, esse comportamento deixa de ser uma escolha consciente e passa a operar como uma exigência interna automática.

 

Existe uma construção cultural muito forte da mulher que prioriza o outro e só olha para si se “sobrar tempo”. Esse movimento não nasce apenas das demandas atuais, mas de aprendizados emocionais antigos, muitas vezes herdados da própria dinâmica familiar e ancestral. Nesse contexto, abordagens terapêuticas que integram a psicologia científica e a psicologia profunda tornam-se fundamentais. Enquanto a psicologia baseada em evidências oferece uma compreensão estruturada sobre comportamento, emoções e funcionamento mental, a psicologia profunda permite acessar camadas mais inconscientes, como padrões repetitivos, conflitos internos e marcas emocionais que não são imediatamente visíveis.

 

Não basta apenas entender o que está acontecendo no presente. É preciso acessar a origem desses padrões, dar significado às experiências e integrar emocionalmente essas vivências. É nesse ponto que o processo terapêutico se torna mais efetivo e transformador. A partir dessa integração, torna-se possível reconhecer limites, ressignificar o lugar ocupado nas relações e construir formas mais saudáveis de se posicionar , sem a culpa e a sobrecarga que, por tanto tempo, pareceram inevitáveis.

 

Se você não precisasse dar conta de tudo para ser valorizada, quem você seria?

 

*Ajurymar Santtos é Psicóloga e PhD Internacional em Psicologia Clínica e da Saúde
 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Dor crônica e saúde mental: as dificuldades de romper um ciclo

Por Lúcio Gusmão

Dor crônica e saúde mental: as dificuldades de romper um ciclo
Foto: Divulgação

A dor crônica vai muito além de um sintoma físico persistente. Cada vez mais, a ciência tem demonstrado que ela está conectada à saúde mental, formando um ciclo de retroalimentação que impacta a qualidade de vida e a autoestima dos pacientes. Um estudo global publicado em 2025 na JAMA Network Open, conduzido por pesquisadores da Johns Hopkins Medicine, aponta que cerca de 40% dos adultos com dor crônica apresentam sintomas clinicamente relevantes de depressão ou ansiedade. 

 

Os dados apontaram que 37% dos pacientes convivem com transtorno depressivo maior e 17% com transtorno de ansiedade generalizada, No Brasil, a dor crônica afeta aproximadamente 37% da população com mais de 50 anos, segundo o Ministério da Saúde.  

 

Na prática clínica, é evidente que a dor persistente tende a gerar frustração, isolamento social e sentimentos de desesperança, o que aumenta o risco de adoecimento psíquico. Por outro lado, ansiedade, estresse e depressão amplificam a percepção da dor, tornando-a mais difícil de controlar e deixando o organismo em um estado inflamatório constante. 

 

É comum que o paciente chegue ao consultório focado exclusivamente no alívio imediato da dor local, e isso é compreensível dado imensa estafa gerada pela própria condição. A experiência clínica, no entanto, mostra que abordagens integradas, que incluem acompanhamento psicológico e, por vezes, psiquiátrico, aumentam a adesão do paciente ao tratamento e melhoram os resultados. 

 

Um estudo publicado em 2024 no Journal of Clinical Psychology aprontou que a terapia cognitivo-comportamental (TCC) pode reduzir sintomas de depressão em cerca de 25% e diminuir a intensidade da dor em até 15% em pacientes com dor crônica. Os médicos e psicólogos trabalham para combater o fenômeno da “catastrofização da dor”, estado em que o paciente passa a acreditar que seu sofrimento é permanente e sem solução. É um trabalho conjunto para que os pacientes possam reestruturar padrões de pensamento e abrir espaço para estratégias mais saudáveis de convivência com as próprias adversidades físicas. 

 

A escuta ativa é fundamental nesse processo, sobretudo diante da dificuldade de identificação da dor crônica em exames. Uma avaliação abrangente, que considere o histórico clínico, familiar e emocional, permite um cuidado mais assertivo e individualizado. Sem esse olhar ampliado, cresce o risco de uso prolongado de medicamentos, pois na falta de suporte adequado, a automedicação se torna uma dependência do paciente para aliviar o próprio sofrimento emocional. 

 

Romper o ciclo entre dor e sofrimento mental depende de uma relação de confiança entre paciente e os profissionais de saúde, pois, para um bom resultado, o paciente permanece no tratamento para além das horas marcadas na clínica. Ele deve ser estimulado a implementar estratégias de regulação do sono, buscar atividades de lazer e ajustar a rotina. Dessa forma, tratamento deixa de ser episódico e passa a produzir efeitos mais consistentes para a vida inteira.  

 

*Lúcio Gusmão é Sócio fundador do Centro Avançado da Dor e Especialidade (Rede CADE) é médico ortopedista especialista em dor crônica e em Medicina Regenerativa. Dr. Lúcio foi o presidente do primeiro congresso do comitê de dor da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e atualmente faz parte da diretoria.  (CRM: 16363 /  RQE: 8673)

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Um quarto da população mundial já teve contato com a bactéria da tuberculose
Foto: Divulgação

O mês de março traz um importante alerta para a saúde pública global: o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, celebrado em 24 de março. A data reforça a necessidade de ampliar a conscientização, estimular o diagnóstico precoce e garantir acesso oportuno ao tratamento de uma doença que, apesar de conhecida há séculos, ainda representa um desafio significativo em todo o mundo.

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de um quarto da população mundial já teve contato com o Mycobacterium tuberculosis, bactéria causadora da tuberculose. Na maioria dos casos, a infecção permanece latente, ou seja, sem manifestação de sintomas. No entanto, a possibilidade de progressão para a forma ativa mantém a doença como um relevante problema de saúde pública.

 

No Brasil, esse cenário se reflete em números expressivos. O país registra mais de 85 mil novos casos por ano, segundo o Ministério da Saúde, o que impacta diretamente os serviços de saúde e a qualidade de vida da população. Um dos principais entraves para o controle da doença ainda é o diagnóstico tardio, que contribui tanto para a continuidade da cadeia de transmissão quanto para o aumento do risco de complicações respiratórias.

 

A tuberculose pulmonar é caracterizada por um processo inflamatório que pode levar à destruição do tecido pulmonar e à perda progressiva da função respiratória. Quando não identificada precocemente, pode resultar em sequelas permanentes e comprometimento significativo da capacidade pulmonar.

 

Do ponto de vista clínico, a tosse persistente por três semanas ou mais continua sendo o principal sinal de alerta. Outros sintomas, como febre baixa, sudorese noturna, perda de peso, produção de secreção — por vezes com presença de sangue — e falta de ar, também devem ser considerados e investigados.

 

Ainda assim, a doença segue cercada por estigmas que dificultam sua identificação e abordagem. Existe uma percepção equivocada de que a tuberculose está restrita a grupos específicos, quando, na realidade, pode acometer indivíduos de diferentes perfis. O fator determinante está relacionado à exposição à forma ativa da doença e à resposta imunológica de cada pessoa.

 

Alguns grupos, no entanto, apresentam maior vulnerabilidade, como pessoas em situação de fragilidade social, indivíduos privados de liberdade e pessoas vivendo com HIV. Além disso, condições que comprometem o sistema imunológico — como diabetes, desnutrição ou uso de medicamentos imunossupressores — também aumentam o risco de adoecimento.

 

Mesmo após o tratamento e a cura bacteriológica, a tuberculose pode deixar sequelas estruturais importantes. Entre elas estão a fibrose pulmonar e as bronquiectasias, que podem gerar sintomas persistentes e aumentar a predisposição a infecções respiratórias recorrentes.

 

Felizmente, os avanços tecnológicos têm contribuído para uma abordagem mais eficiente da doença. A tomografia computadorizada de tórax, por exemplo, ampliou a capacidade de identificação de alterações sugestivas, especialmente em casos mais complexos. Já os testes moleculares rápidos representam um marco na prática clínica, permitindo a detecção do material genético da bactéria em poucas horas, além de identificar precocemente possíveis resistências aos medicamentos.

 

Apesar dessas inovações, o principal desafio permanece sendo clínico e assistencial: reconhecer os sinais precocemente e garantir que o paciente tenha acesso rápido aos serviços de saúde.

 

A tuberculose tem cura, mas o sucesso no seu controle depende de uma combinação essencial: informação de qualidade, vigilância dos sintomas, diagnóstico ágil e adesão adequada ao tratamento. Ampliar a conscientização e reduzir o estigma são passos fundamentais para enfrentar a doença de forma mais eficaz e diminuir seus impactos a longo prazo.

 

*Juliana Matos é pneumologista e integra o Centro Integrado do Tórax (CRM 26334 / RQE 18996)

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Novo Relatório Mundial da Felicidade 2026 é divulgado e revela um paradoxo brasileiro
Foto: Divulgação

No mesmo dia em que o mundo celebra o Dia Internacional da Felicidade, foi divulgado o World Happiness Report 2026, principal estudo global sobre bem-estar, produzido por instituições como a Universidade de Oxford, Gallup e a ONU. Não se trata de opinião. Trata-se de dados consistentes sobre como as pessoas, em diferentes países, avaliam suas próprias vidas.

 

E, ainda assim, toda vez que esse relatório sai, eu me faço a mesma pergunta: será que esses números traduzem o que, de fato, estamos vivendo?

 

O Brasil aparece na 32ª posição. Há uma recuperação recente, é fato. Mas o dado, isoladamente, não conta a história inteira. E é exatamente aqui que mora a interpretação.

 

O relatório mede algo chamado avaliação de vida. As pessoas respondem, em uma escala de zero a dez, o quanto consideram sua vida boa. E essa resposta é explicada por seis fatores principais: renda, saúde, suporte social, liberdade de escolha, generosidade e percepção de corrupção.

 

Sim, a percepção de corrupção é um dos critérios usados para explicar por que alguns países são mais felizes do que outros. E aqui eu faço uma pausa importante, porque não estamos falando apenas de corrupção concreta, aquela que vira manchete, mas sim do que as pessoas sentem sobre o ambiente em que vivem: se acreditam que as regras são justas, se confiam nas decisões, se sentem que o jogo é limpo.

 

Na prática, no meu trabalho com líderes e organizações, eu vejo isso o tempo todo. Não é o fato isolado que mais impacta as pessoas. É a sensação de incoerência. É quando o discurso não bate com a prática e o mérito parece não valer. Isso desgasta. E desgasta muito.

 

Os países que lideram o ranking, como Finlândia, Islândia e Dinamarca, têm algo em comum que vai além da renda. Existe confiança, previsibilidade, uma percepção de justiça que organiza a vida.

 

O Brasil, por outro lado, vive um cenário de desgaste institucional evidente. Isso não é novidade para ninguém. O que chama atenção é que, mesmo assim, não estamos entre os países com pior avaliação de vida. E isso diz muito sobre quem somos.

 

O que sustenta o Brasil, olhando para os dados e para a vida real, não é a estrutura. São as relações. É o vínculo. É a capacidade de criar proximidade, apoio, conexão, mesmo quando o entorno não colabora.

 

Eu vejo isso com muita clareza: em empresas, em grupos, em comunidades. Quando a estrutura falha, as pessoas tentam compensar no relacionamento. E, por um tempo, isso funciona, mas eu também vejo o outro lado.

 

Resiliência cansa. E talvez esse seja o ponto que mais me chama atenção neste relatório. O Brasil não está bem estruturado, está adaptado. E adaptação, por melhor que seja, não sustenta crescimento por muito tempo. Sustenta sobrevivência.

 

A percepção de corrupção entra exatamente aqui como um fator silencioso. Ela não aparece no dia a dia de forma explícita, mas influencia decisões, reduz a confiança, aumenta o cansaço emocional. É como um ruído de fundo constante, e isso não acontece só no campo público.

 

Dentro das organizações, quando há favoritismo, decisões pouco claras e incoerência de liderança, o efeito é o mesmo. As pessoas se retraem, perdem energia e passam a fazer o mínimo necessário. A felicidade no trabalho, que é onde eu atuo há anos, não resiste a ambientes percebidos como injustos. Ela pode até aparecer, pontualmente, mas não se sustenta.

 

O relatório de 2026 também reforça outro ponto que tenho observado com frequência: o impacto das redes sociais, especialmente entre os mais jovens. Não é a tecnologia em si, é o uso. Quando vira comparação constante, o efeito é negativo. Quando vira conexão real, o efeito muda.

 

Mais uma vez, não é sobre ferramenta. É sobre contexto e uso.

 

No fim, o que esse relatório me confirma não é algo novo, mas algo que precisa ser dito com mais clareza. O Brasil tem um ativo poderoso: sabe se conectar, criar vínculos, sustentar relações. Mas ainda não transformou isso em sistema.

 

Ainda operamos muito no “apesar de”: apesar da instabilidade, apesar da desconfiança, apesar da percepção de injustiça. E viver “apesar de” não é o mesmo que viver “a partir de”.

 

Se há uma provocação que eu deixo, neste Dia Internacional da Felicidade, é esta: não basta que a gente consiga manter algum nível de bem-estar mesmo quando tudo oscila.

 

A pergunta que fica é outra: quando é que vamos construir um ambiente em que não seja preciso se adaptar o tempo todo para viver bem?

 

Porque a felicidade sustentada não vem do esforço constante de compensar o que falta. Ela vem da coerência entre o que se vive e o que se espera.

 

*Sandra Teschner é especialista em ciência da felicidade, fundadora do Instituto Happiness do Brasil, capacitando centenas de profissionais na área de bem-estar corporativo. Autora de diversas obras sobre o tema, palestrante e feliz praticante.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Maioria negra, mas com poucos especialistas: mulheres ainda enfrentam dificuldade para tratar a pele em Salvador
Foto: Divulgação

Mesmo sendo um dos estados mais negros do Brasil, a Bahia ainda enfrenta uma contradição quando o assunto é o cuidado com a pele negra: a escassez de profissionais especializados nesta área. A discussão ganha força neste 21 de março, Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, data que convida à reflexão sobre desigualdades estruturais que ainda impactam o acesso à saúde.

 

Segundo dados do IBGE, cerca de 79,7% da população da Bahia se declara preta ou parda, o que faz do estado um dos territórios com maior presença da população negra no país. Ainda assim, mulheres negras relatam dificuldade para encontrar profissionais capacitados para lidar com as especificidades dermatológicas e estéticas desse tipo de pele. O problema começa ainda na formação de base. Grande parte dos estudos dermatológicos, historicamente, foi baseada em peles claras. Isso faz com que muitas doenças ou reações na pele negra sejam menos reconhecidas ou tratadas de forma inadequada. 

 

Embora a pele negra possua maior quantidade de melanina — o que garante proteção natural contra o envelhecimento precoce — ela também apresenta características próprias que exigem atenção específica. Segundo ela, entre os problemas mais recorrentes estão hiperpigmentação pós-inflamatória, melasma, acne com manchas persistentes, foliculite e queda capilar. Inclusive, ela ressalta que, em muitos casos, tratamentos inadequados ou procedimentos estéticos realizados sem conhecimento técnico podem agravar o quadro. Uma acne maltratada, um peeling inadequado ou um laser mal indicado podem provocar manchas difíceis de reverter.

 

Cuidados essenciais com a pele negra
Para evitar complicações, destaco alguns cuidados fundamentais:
* Protetor solar diariamente – mesmo em peles mais escuras, a radiação solar pode provocar manchas.
* Tratamento precoce da acne – inflamações tendem a deixar marcas mais visíveis.
* Hidratação constante da pele – ajuda a preservar a barreira cutânea.
* Evitar procedimentos sem avaliação especializada – principalmente peelings profundos e lasers inadequados.
* Cuidado com métodos de depilação agressivos, que podem provocar foliculite e manchas.

 

*Danìelà Hermes é médica, especialista em Saúde Pública e proprietário da Clidany - clínica situada em Salvador. Também acumula formações nas áreas de Fisioterapia e Enfermagem.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

A dor invisível que ganhou visibilidade após relato de Lívia Andrade

Por Priscila Rosa

A dor invisível que ganhou visibilidade após relato de Lívia Andrade

Nos últimos dias, o relato da apresentadora Lívia Andrade sobre o diagnóstico de neuralgia do trigêmeo trouxe visibilidade a uma condição ainda pouco compreendida pelo público, mas que pode ser profundamente incapacitante. Conhecida por provocar uma das dores mais intensas da medicina, a doença impacta diretamente a qualidade de vida de quem convive com ela.

 

A neuralgia do trigêmeo é uma condição neurológica que afeta o nervo responsável pela sensibilidade da face. Na prática, o que observamos é que esse nervo pode sofrer uma compressão, levando a uma lesão. A partir daí, ele passa a responder de forma exagerada a estímulos, desencadeando crises de dor intensa, muitas vezes descritas pelos pacientes como choques elétricos.

 

Essas dores costumam surgir de forma súbita, com duração de segundos ou minutos, podendo se repetir várias vezes ao longo do dia. É comum que o quadro seja confundido com dor de dente, sinusite ou até enxaqueca, o que pode atrasar o diagnóstico. No entanto, há características importantes que ajudam a diferenciar: a dor da neuralgia do trigêmeo é rápida, intensa, não costuma responder a analgésicos comuns e pode ser desencadeada por estímulos simples, como falar, mastigar ou até um toque leve no rosto.

 

Embora possa acometer diferentes perfis de pacientes, a condição é mais frequente em mulheres acima dos 50 anos. Ainda assim, é importante reforçar que homens e pessoas mais jovens também podem ser afetados.

 

Em alguns casos, a neuralgia do trigêmeo pode estar associada a outras condições neurológicas. A Esclerose múltipla, por exemplo, é uma doença autoimune que pode estar relacionada ao surgimento desse tipo de dor. Além disso, processos inflamatórios que atingem os nervos, como algumas infecções virais, também podem desencadear o quadro.

 

Apesar da intensidade dos sintomas, é importante destacar que existem tratamentos eficazes. O manejo da doença pode incluir o uso de medicamentos específicos para estabilizar a atividade do nervo e reduzir os impulsos de dor, como a carbamazepina. Em situações selecionadas, também lançamos mão de procedimentos minimamente invasivos, como a compressão do gânglio por balão e a aplicação de toxina botulínica. Já nos casos mais complexos, a cirurgia de descompressão microvascular pode ser indicada para aliviar a pressão sobre o nervo.

 

Para além do tratamento da dor, o grande desafio é devolver qualidade de vida ao paciente. A neuralgia do trigêmeo afeta a rotina, o emocional e até a autonomia de quem convive com crises recorrentes.

 

Por isso, nosso principal alerta é que dores intensas e recorrentes na face não devem ser ignoradas nem tratadas apenas com automedicação. O diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado fazem toda a diferença no controle da doença e na recuperação do bem-estar. Trazer esse tema à tona, como fez recentemente Lívia Andrade, é um passo importante para ampliar o conhecimento sobre a condição e incentivar mais pessoas a buscarem ajuda médica adequada.

 

*Priscila Rosa, neurologista da Clínica IBIS (CRM 19055 | RQE 9565)

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Mulheres devem suspender medicamentos emagrecedores injetáveis antes de tentar engravidar

A obesidade atinge cerca de 40% das mulheres em idade reprodutiva, segundo dados epidemiológicos recentes. Nesse contexto, a busca por um peso saudável antes da gestação é não apenas recomendada, mas estratégica: a redução do excesso de peso está diretamente associada à diminuição de riscos como diabetes gestacional, hipertensão e pré-eclâmpsia.

 

Nos últimos anos, uma nova geração de medicamentos tem ganhado protagonismo no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2: os agonistas do receptor GLP-1. Popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, esses fármacos — que incluem substâncias como semaglutida e tirzepatida — demonstram alta eficácia, especialmente nos primeiros meses de uso, promovendo perda de peso significativa e melhora de parâmetros metabólicos.

 

Com a ampliação do acesso a essas medicações, impulsionada inclusive pela quebra de patentes em alguns mercados internacionais, cresce também o número de mulheres em idade fértil que fazem uso desses tratamentos. Esse cenário torna ainda mais essencial o acesso à informação qualificada e ao acompanhamento médico criterioso, sobretudo para aquelas que desejam engravidar.

 

Embora estudos pré-clínicos em animais tenham apontado possíveis riscos gestacionais, incluindo efeitos teratogênicos, os dados em humanos ainda são limitados e inconclusivos. Até o momento, não há evidências consistentes de aumento de malformações graves após exposição inadvertida no início da gestação. Ainda assim, a ausência de dados robustos de segurança impede a recomendação do uso dessas medicações durante a gravidez. Por esse motivo, sua utilização é formalmente contraindicada no período gestacional, sendo também indicada a adoção de métodos contraceptivos eficazes durante o tratamento.

 

Diante disso, o planejamento reprodutivo torna-se peça central. Mulheres que utilizam essas medicações e desejam engravidar devem, necessariamente, conversar previamente com seu médico. Cada substância possui um tempo específico de eliminação do organismo, e, de forma geral, recomenda-se a suspensão entre quatro e oito semanas antes da tentativa de concepção, reduzindo potenciais riscos ao desenvolvimento embrionário.

 

Outro ponto de atenção, frequentemente negligenciado, é o impacto desse processo no tempo reprodutivo. A fase de maior perda de peso costuma ocorrer nos primeiros seis meses de uso, somada ao período necessário de “washout” (eliminação da medicação do organismo). Esse intervalo pode adiar a tentativa de gravidez — uma questão particularmente sensível para mulheres acima dos 35 anos, quando o declínio natural da fertilidade se torna mais acentuado.

 

Além disso, a interrupção do uso dessas medicações exige acompanhamento próximo e individualizado. Existe risco de reganho de peso, piora de parâmetros cardiometabólicos e até ganho excessivo durante a gestação, fatores que elevam os riscos tanto para a mãe quanto para o bebê. Soma-se a isso o fato de que, durante o uso, pode haver redução do apetite e da variedade alimentar, o que, em alguns casos, leva a deficiências nutricionais — um aspecto crítico no preparo para uma gestação saudável.

 

O período pré-concepcional é, por natureza, uma fase de grande vulnerabilidade e exige vigilância integral. Planejamento é fundamental — e, na reprodução, o tempo é um fator biológico que não pode ser ignorado. Segurança e agilidade não são conceitos opostos; ao contrário, devem caminhar juntos.

 

É plenamente possível estruturar estratégias de redução de peso com responsabilidade, alinhando saúde metabólica e planejamento reprodutivo. Para isso, é indispensável uma abordagem individualizada, que considere não apenas o peso corporal, mas também a fertilidade como um recurso biológico dependente do tempo.

 

Planejar com estratégia é, portanto, a forma mais segura de equilibrar cuidado, saúde e o desejo de engravidar.

 

*Wendy Delmondes é médica especialista em Reprodução Humana (CRM 17629), com atuação em Ginecologia e Obstetrícia (RQE 23958) e Reprodução Assistida (RQE 23959).

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

A Reconquista da Saúde e da Autoestima Começa na Bahia

Por Carla Gordilho

A Reconquista da Saúde e da Autoestima Começa na Bahia
Foto: Divulgação

Neste Dia Internacional da Mulher, uma reflexão se impõe: a jornada da mulher moderna é marcada por inúmeras conquistas, mas também por batalhas silenciosas. Uma das mais duras é a luta contra a balança, que vai muito além da estética e toca profundamente na saúde, na autoestima e na qualidade de vida. Em um mundo que exige cada vez mais de nós, cuidar de si mesma tornou-se um ato revolucionário. E na Bahia, um farol de esperança tem se destacado nesse cenário: o Hospital da Obesidade.

 

Os números são alarmantes e revelam a urgência do tema. No Brasil, a obesidade afeta desproporcionalmente as mulheres, que representam 62,6% dos casos. A prevalência da obesidade feminina atingiu a marca de 30,2%, um crescimento vertiginoso em comparação com anos anteriores. Na Bahia, o cenário não é diferente, com um aumento contínuo das taxas de sobrepeso e obesidade, especialmente entre as mais jovens. Em Salvador, a prevalência de obesidade entre as mulheres é 2,7 vezes maior que entre os homens.

 

Mais do que um número na balança, a obesidade é uma condição de saúde crônica com sérias consequências. Ela está associada a uma série de comorbidades que minam a saúde da mulher, como a síndrome dos ovários policísticos (SOP), infertilidade, lipedema, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. O lipedema, em particular, é uma condição frequentemente negligenciada e confundida com obesidade, que afeta predominantemente as mulheres e causa acúmulo anormal de gordura nas pernas e braços, gerando dor, desconforto e impacto significativo na qualidade de vida. A obesidade não apenas compromete a saúde física, mas também a saúde mental, gerando um ciclo de sofrimento e isolamento.

 

É nesse contexto que o Hospital da Obesidade, localizado na Bahia, surge como uma referência nacional no tratamento da obesidade. Fundado em 2008, o hospital oferece uma abordagem transdisciplinar e humanizada, que vai além da simples perda de peso. Com uma equipe multidisciplinar composta por médicos, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e educadores físicos, o tratamento é individualizado e focado nas causas da doença, compreendendo também as comorbidades específicas que afetam cada paciente.

 

O método do Hospital da Obesidade é um sucesso comprovado. Estudos realizados com mais de 800 pacientes ao longo de quatro anos mostram uma taxa de sucesso de 96% no tratamento, com 98% de redução nas comorbidades associadas. O hospital oferece um ambiente acolhedor e uma estrutura de ponta, permitindo que as pacientes se dediquem integralmente à sua recuperação, longe das pressões e gatilhos do dia a dia.

 

Neste Dia da Mulher, a mensagem que fica é de esperança e empoderamento. A decisão de buscar tratamento para a obesidade é um ato de amor-próprio, uma reconquista da sua saúde e da sua vida. Para as mulheres da Bahia e de todo o Brasil, o Hospital da Obesidade representa uma oportunidade de reescrever suas histórias, com mais saúde, autoestima e felicidade. Porque toda mulher merece viver uma vida plena e saudável. A mudança começa com um passo, e esse passo pode ser dado hoje.

 

*Carla Gordilho é Diretora de Operações do Hospital da Obesidade e especialista em gestão hospitalar.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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