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O sonho americano: Estados Unidos atropela Paraguai no primeiro tempo e vence na estreia da Copa
Por Carlos Matos
Os Estados Unidos fecharam com chave de ouro a abertura dos países-sedes na Copa do Mundo de 2026, nesta sexta-feira (12). Os norte-americanos derrotaram o Paraguai por 4 a 1, no SoFi Stadium, na Califórnia, com uma noite iluminada de Christian Pulisic – para os mais íntimos, Lebron James do ‘soccer’ – e Folarin Balogun, que marcou duas vezes. Mesmo com o gol de Maurício, brasileiro naturalizado que joga no Palmeiras, já era tarde demais para uma revolta sul-americana.
Com a presença de famosos artistas norte-americanos – além da californiana Katy Perry, que se apresentou na cerimônia de abertura –, os Estados Unidos precisaram “apenas” de um ótimo primeiro tempo para construir a vitória na estreia da Copa. Com sete minutos de jogo, Pulisic fez uma bonita jogada e passou no meio da área. Damián Bobadilla, do São Paulo, tentou cortar o passe, mas acabou ateando contra o próprio patrimônio, deixando 1 a 0 para os donos da casa.
Aos 31 minutos, Christian Pulisic, camisa 10 dos EUA, fez nova jogada de efeito e passou para Folarin Balogun, que balançou as redes. Nos acréscimos do primeiro tempo, foi a vez de Malik Tillman dar um bom lançamento para Balogun driblar o zagueiro e fazer 3 a 0.
Na segunda etapa, após a parada para a hidratação, o Paraguai conquistou a posse depois de uma dividida e o atacante Júlio Enciso, com um passe, encontrou Maurício progredindo na área. O camisa 11 bateu cruzado e diminuiu para Os Guaranis. Nos acréscimos, ainda deu tempo de Giovanni Reyna fazer um golaço de trivela e fechar a conta por 4 a 1 na estreia do Grupo D da Copa.
Agora o cronograma da primeira fase da Copa do Mundo volta para sua programação normal neste sábado (13) e o Catar enfrenta a Suíça, no segundo jogo da primeira rodada do Grupo B, ás 16h, no Levi's Stadium, em Santa Clara, nos Estados Unidos. Às 19h, vai ser a vez da Seleção Brasileira, que pega Marrocos no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
STF nega recurso da Bahia e mantém reintegração de PM demitido por usar arma da corporação como garantia de empréstimo
Por Aline Gama
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em decisão monocrática do ministro Edson Fachin, presidente da Corte, negar seguimento a um recurso extraordinário com agravo interposto pelo Estado da Bahia contra a reintegração de um policial militar demitido por ter dado como garantia de um empréstimo pessoal uma pistola calibre .40 pertencente à corporação.
Com a decisão, fica mantido o entendimento do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), que havia anulado a penalidade máxima aplicada ao militar sob o argumento de desproporcionalidade e falta de individualização da sanção.
O caso teve origem em processo administrativo disciplinar que resultou na exclusão de um policial das fileiras da Polícia Militar da Bahia. A demissão foi determinada pelo comandante-geral da corporação, que discordou das conclusões da comissão processante e aplicou a pena máxima ao soldado. A acusação era de que o militar havia oferecido uma pistola .40 de propriedade da PM-BA como garantia de um contrato de empréstimo, conduta considerada grave pela administração.
DECISÃO DO TJ-BA
Ao julgar o mandado de segurança impetrado pelo policial, o TJ-BA entendeu que a punição foi desproporcional à falta cometida. Segundo o acórdão do tribunal baiano, a autoridade processante não observou os princípios da individualização da pena e da proporcionalidade, deixando de avaliar elementos como os antecedentes funcionais do servidor, seu grau de culpabilidade, as circunstâncias objetivas do fato e as consequências da infração para a administração pública.
O colegiado ressaltou ainda que não foi formado um conjunto probatório suficiente para justificar a penalidade máxima de demissão, razão pela qual anulou o ato administrativo e determinou a reintegração imediata do policial aos quadros da corporação. A decisão, contudo, assegurou à administração a possibilidade de aplicar outra pena, desde que respeitados os princípios da individualização, proporcionalidade e razoabilidade.
RESPOSTA DO ESTADO
O Estado da Bahia recorreu ao STF, alegando, em síntese, que a decisão do tribunal local teria desrespeitado normas constitucionais relativas ao devido processo legal, ao direito de petição e à disciplina das polícias militares.
Ao analisar o recurso, o ministro Edson Fachin entendeu que a controvérsia foi decidida pelo TJ-BA com fundamento na legislação infraconstitucional local aplicável ao caso e no conjunto fático-probatório dos autos. O ministro destacou que o reexame de tais elementos é inviável em sede de recurso extraordinário, invocando dois entendimentos consolidados do STF por meio de súmulas.
Fachin negou seguimento ao recurso e determinou a majoração dos honorários advocatícios fixados nas instâncias anteriores em 10%, incidente sobre o valor já estipulado.
Com a decisão, fica mantida a reintegração do policial militar, cabendo à administração estadual, se assim entender, aplicar nova sanção ao servidor, desde que devidamente fundamentada e proporcional à falta cometida.
Destaque do São João em 2026, Rey Vaqueiro teve aumento de 76,7% no cachê; artista fará 19 shows na Bahia
Por Bianca Andrade
Wesley Safadão não apostou no escuro. Se em 2024 Rey Vaqueiro tinha apenas um show na Bahia durante o período do São João, em 2026 o artista se tornou um dos destaques dos festejos juninos, integrando o ranking de atrações mais contratadas para a festa no estado e sendo um dos artistas com a maior variação percentual em cachê.
Natural de São Paulo, David Linhares Pereira de Sousa, de 26 anos, nome de batismo de Rey, que criou raízes na cultura nordestina, aparece como a 11ª atração mais contratada para o ano de 2026, com 19 shows no estado e um cachê que varia entre R$ 450 mil e R$ 500 mil.
No total, o cantor irá faturar R$ 9.400.000,00 com todas as apresentações. Valor que chega a ser 100 vezes mais do que o "menino de ouro" de Wesley Safadão recebeu pelo seu único show no estado em 2024, na cidade de Serra do Ramalho.
Apaixonado pelo forró desde muito novo, o jovem saiu de São Paulo em 2022 rumo ao Rio Grande do Norte, onde se transformou em Rey Vaqueiro, um dos fenômenos da música feita no Nordeste.
Com referências da nova e da antiga geração, a exemplo de Luiz Gonzaga e, fora do forró, Tim Maia, Rey Vaqueiro já conta com mais de 5 milhões de ouvintes mensais no Spotify.
De acordo com dados do Ministério Público da Bahia, por meio do Painel de Transparência dos Festejos Juninos, Rey teve uma variação de 211,1% de 2024 para 2025, saindo de R$ 90 mil para R$ 280 mil. E, em 2026, a variação foi de 76,7%, tendo uma média de contrato de R$ 494.737,00.

A variação do artista é uma das mais altas do ano e já entrou na mira do Ministério Público da Bahia (MP-BA). O órgão recomendou à Prefeitura de Conceição do Jacuípe a suspensão imediata do contrato firmado com o cantor Rey Vaqueiro para a apresentação no Arraiá Berimbau 2026, pelo show no dia 21 de junho.
Para o MP, o valor, corrigido pela inflação medida pelo IPCA, demonstra uma diferença muito superior em relação ao cachê firmado em outros anos.
COMO FUNCIONA A NOTA TÉCNICA DO MP-BA?
O Ministério Público da Bahia (MP-BA), em parceria com o Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA), produziu um material com diretrizes para a contratação de artistas durante os festejos juninos de 2026.
De acordo com o MP, o documento é orientativo, ou seja, é para sugerir que o Município utilize os critérios como referência para as contratações deste ano, como uma forma de evitar o crescimento expressivo das despesas de um ano para o outro sem justificativa técnica ou financeira.
O órgão reforça que a Nota Técnica não tem o propósito de impedir a realização dos festejos juninos, mas sim reduzir riscos institucionais, evitar sobrepreços e reforçar o cumprimento da Lei de Licitações, da Constituição Federal e da Lei de Responsabilidade Fiscal.

A orientação é para que os municípios utilizem como parâmetro os valores pagos aos artistas no São João de 2025 no mesmo estado. Caso não haja registros para serem utilizados como referência, a recomendação é ampliar a pesquisa para os últimos 12 meses.
Caso o artista tenha ficado famoso apenas em 2026, o MP-BA justifica, em sua cartilha, que é possível explicar o valor maior com documentos que comprovem a mudança de mercado.
POLÊMICA COM FLÁVIO JOSÉ
O cantor Flávio José surpreendeu o público ao anunciar o cancelamento de apresentações na Bahia durante o São João. A decisão do veterano teve como motivação a redução do valor do contrato para os festejos em 2026.
De acordo com o veterano, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) teria sugerido a redução do cachê, que em 2026 aumentou R$ 100 mil, saindo de R$ 250 mil para R$ 350 mil.
"Este ano a Bahia ficará sem minha presença. Às vésperas da maior festa de manifestação cultural do Nordeste, eu recebo a notícia de que o MP da Bahia resolveu diminuir o meu cachê! Enquanto outros artistas, que nada têm a ver com forró, ganham rios de dinheiro. É de um desrespeito sem tamanho. Por esse motivo, não irei à Bahia este ano. Lamentável, deixei de vender minhas datas para estados que realmente me valorizam. Priorizei a Bahia durante toda a minha carreira e hoje recebo essa informação como gratidão que o estado me devolve."

De acordo com o levantamento feito pelo Bahia Notícias, artistas de outros gêneros que não o forró, estilo que deveria predominar na festa junina, irão faturar mais do que atrações do forró. A dupla sertaneja Zé Neto e Cristiano, por exemplo, irá faturar um total de R$ 2.715.000,00 por três shows no estado.
O cachê de R$ 905 mil por show chega a ser cerca de 3 vezes maior do que o cobrado por Flávio José por show, R$ 350 mil.
Em resposta enviada ao Bahia Notícias, a assessoria do MP-BA afirmou que, "nas últimas quatro edições dos festejos juninos na Bahia, observou-se uma significativa escalada nos valores das contratações artísticas, com a média dos contratos passando de aproximadamente R$ 200 mil para cerca de R$ 700 mil".
Por isso, o órgão informou ter encaminhado recomendações aos municípios para que adequem as contratações de atrações artísticas aos parâmetros estabelecidos pela instituição e pelos Tribunais de Contas, os quais são atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O MP-BA também destacou que seus critérios consideram a notoriedade e a projeção dos artistas, reconhecendo que atrações de maior relevância no mercado podem justificar valores contratuais superiores aos parâmetros médios, desde que haja fundamentação técnica para os valores contratados.
BN na Copa: Entenda o protesto por trás do lance que pareceu "piada" em Brasil x Zaire na Copa de 74
Por Carlos Matos
Em 22 de junho de 1974, no Parkstadion, em Gelsenkirchen, na Alemanha Ocidental, Brasil e Zaire entraram em campo para disputar uma partida que, à primeira vista, parecia apenas mais um confronto da fase de grupos da Copa do Mundo. O Brasil era o atual campeão mundial e ainda carregava parte da geração que encantou o planeta em 1970. O Zaire, por sua vez, fazia sua estreia no torneio e representava um marco histórico: era a primeira seleção da África Subsaariana a disputar uma Copa do Mundo. O que aconteceria naquela tarde, porém, transformaria um lance de poucos segundos em uma das imagens mais conhecidas da história do futebol. Durante décadas, ela seria interpretada de forma equivocada. Para compreender aquele momento, é preciso voltar alguns meses.
O Zaire chegava à Copa cercado de expectativas. O país, atualmente chamado República Democrática do Congo, era governado desde 1965 por Mobutu Sese Seko, líder de um regime autoritário que buscava utilizar o esporte como instrumento de prestígio nacional. O futebol ocupava papel central nesse projeto. O governo investiu recursos significativos na seleção nacional, conhecida como Os Leopardos, e os resultados apareceram. O Zaire conquistou a Copa Africana de Nações em 1968 e novamente em 1974, além de garantir vaga para o Mundial ao superar o Marrocos nas eliminatórias. Para muitos observadores da época, tratava-se da seleção africana mais forte já vista até então.
A classificação para a Copa foi celebrada como um feito político e esportivo. O governo transformou os jogadores em símbolos nacionais. A participação no Mundial era vista como uma oportunidade de projetar internacionalmente a imagem de um país moderno e forte. As expectativas internas, contudo, rapidamente se transformaram em uma fonte de pressão.
A campanha começou com uma derrota relativamente honrosa por 2 a 0 para a Escócia. O resultado não foi considerado desastroso, mas os problemas nos bastidores já haviam começado. Segundo diversos relatos posteriores dos próprios jogadores, eles descobriram durante a competição que os bônus prometidos pela classificação e pela participação na Copa não chegariam às suas mãos. Os atletas afirmaram que dirigentes e intermediários ligados ao regime haviam se apropriado dos valores. A indignação foi imediata.
O clima piorou antes da segunda partida. Anos depois, o capitão Raoul Kidumu e o defensor Mwepu Ilunga relataram que os jogadores cogitaram não entrar em campo contra a Iugoslávia como forma de protesto. Segundo Ilunga, houve ameaças para que a equipe jogasse. O resultado foi uma atuação desastrosa e uma derrota por 9 a 0, até hoje uma das maiores goleadas da história das Copas do Mundo.
O impacto daquela derrota foi enorme. O time que havia chegado à Alemanha como campeão africano tornou-se alvo de críticas internacionais. Dentro do Zaire, a situação era ainda mais delicada. A humilhação esportiva era interpretada como um constrangimento para um governo que havia apostado sua projeção internacional na equipe. Segundo relatos dos próprios jogadores, após o desastre diante da Iugoslávia, representantes do regime transmitiram uma mensagem clara: uma nova goleada contra o Brasil poderia trazer consequências graves. Diferentes versões mencionam limites distintos, três ou quatro gols de diferença, mas todas convergem para a existência de ameaças e intimidação.
Foi nesse contexto que o Zaire entrou em campo para enfrentar a Seleção Brasileira. O placar final de 3 a 0 sugere um jogo relativamente controlado, mas a partida foi marcada pela tensão. O Brasil precisava vencer para manter vivas as chances de avançar. O Zaire, por sua vez, jogava sob o peso da derrota anterior e das notícias que circulavam dentro da delegação.
Aos 33 minutos do segundo tempo, ocorreu o episódio que entraria para a história. O Brasil preparava uma cobrança de falta próxima à área africana. Enquanto a barreira se organizava e os brasileiros discutiam a cobrança, o defensor Joseph Mwepu Ilunga saiu correndo da formação defensiva e chutou a bola para longe antes que a falta fosse cobrada. O árbitro mostrou cartão amarelo.
Durante décadas, a cena foi repetida em programas esportivos e documentários como exemplo de desconhecimento das regras. Em muitos países, consolidou-se a narrativa de que Ilunga não sabia como funcionava uma cobrança de falta. A imagem reforçou estereótipos sobre a participação africana naquele Mundial.
A verdadeira explicação só ganharia ampla divulgação muitos anos depois. Em entrevista ao jornal francês L'Équipe, reproduzida pela ESPN em 2014, Ilunga rejeitou a ideia de que desconhecia as regras do futebol. Ele lembrou que era um jogador experiente e integrante de uma equipe campeã africana. Segundo seu relato, o gesto foi deliberado.
Sobre a situação da equipe durante o torneio, afirmou: “Duas horas antes do pontapé inicial, ainda não queríamos jogar. Depois vieram as ameaças. Disseram-nos para jogar, caso contrário, seríamos enviados para uma masmorra. Então fomos para o campo, mas sabotamos o jogo. Um pouco como uma greve. Foi por isso que perdemos por 9 a 0.”
Ao explicar especificamente o lance contra o Brasil, Ilunga declarou: “Ao mesmo tempo, também foi uma oportunidade que aproveitei para provocar o árbitro. Eu queria que ele me desse um cartão vermelho. Disse para mim mesmo: ‘Não vou jogar mais. Por que permanecer em campo e correr o risco de não voltar para casa, enquanto as pessoas que pegaram nosso dinheiro nos observam tranquilamente das arquibancadas?’”.
Em outras palavras, o chute na bola não foi fruto de ignorância. Segundo o próprio protagonista, tratou-se de um ato de protesto, desespero e tentativa de expulsão voluntária. Ele queria deixar o campo. Estava revoltado com a questão dos bônus, frustrado com a situação da equipe e assustado com as ameaças que os jogadores acreditavam sofrer. O árbitro, porém, aplicou apenas cartão amarelo, obrigando-o a continuar na partida.
O Brasil venceria por 3 a 0. O resultado ficou exatamente no limite mencionado em alguns dos relatos posteriores dos jogadores, evitando uma derrota ainda mais pesada. O Zaire foi eliminado sem marcar gols e com 14 sofridos em três partidas. A imagem do lance de Ilunga acabaria sobrevivendo por muito mais tempo do que qualquer análise sobre as circunstâncias que cercavam aquela seleção.
Nas décadas seguintes, muitos integrantes daquela equipe afirmaram sentir-se injustiçados pela forma como foram retratados. Para eles, a história do Zaire em 1974 não era a de um grupo de atletas despreparados, mas a de uma seleção campeã africana que chegou ao maior palco do futebol envolvida em disputas políticas, promessas financeiras não cumpridas e pressões incompatíveis com a normalidade esportiva.
Assim, o chute de Mwepu Ilunga permanece como uma das imagens mais famosas da história das Copas do Mundo. Porém, à luz dos relatos posteriores, o episódio deixa de parecer uma simples curiosidade folclórica. Ele se torna o retrato de um momento em que futebol, política, medo e protesto se encontraram dentro de campo, diante de milhões de espectadores que, durante muitos anos, acreditaram estar vendo apenas um erro grotesco de um jogador que não conhecia as regras do jogo. Na realidade, segundo o próprio Ilunga, era exatamente o contrário: ele sabia muito bem o que estava fazendo.
MP-BA amplia fiscalização no transporte aquaviário e já mapeia irregularidades em terminais e embarcações na Bahia
Por Aline Gama
Após anunciar uma ação inédita para fiscalizar terminais, portos e atracadouros em regiões turísticas como Morro de São Paulo, Valença, Maraú, Camamu e Porto Seguro, o Ministério Público da Bahia (MP-BA), em entrevista ao Bahia Notícias, informou novos avanços no diagnóstico do transporte aquaviário baiano.
Em abril de 2025, a promotora Thelma Leal, do Departamento do Consumidor, havia alertado para a falta de informações sobre a regulamentação e operação desses locais, muitos dos quais funcionavam de forma irregular ou sem segurança adequada para os consumidores.
Na ocasião, ela criticou a lacuna na fiscalização, apontando que a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) não vinha cumprindo seu papel e que a Capitania dos Portos enfrentava limitações legais. O estopim para a iniciativa foi um acidente entre duas lanchas no trajeto entre a Gamboa e Morro de São Paulo, em Cairu, no dia 7 de abril de 2025. Vale ressaltar, que a promotora destacou que o projeto já estava em desenvolvimento há meses.
Agora, em atualização fornecida na quarta-feira (03/06), o MP-BA informou que o mapeamento detalhado do setor já está em curso e abrange operadores, rotas, tarifas, tipos de embarcações, condições estruturais dos terminais e a situação contratual de concessionárias e permissionárias.
Segundo a coordenadora do Centro de Apoio Operacional do Consumidor (Ceacon), promotora Thelma Leal, esse diagnóstico já tem permitido identificar irregularidades, riscos e lacunas regulatórias em diversas regiões. Com base nessas informações, o MP passou a articular ações corretivas e preventivas junto a órgãos como Agerba, Procon, Vigilância Sanitária, Anvisa, Corpo de Bombeiros e Capitania dos Portos, com foco no fortalecimento da fiscalização e na melhoria das condições de segurança e transparência do serviço.
Entre as medidas já adotadas, destacam-se fiscalizações conjuntas em áreas prioritárias, como a inspeção realizada nos terminais marítimos e embarcações de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália no dia 25 de março deste ano, ainda antes do anúncio público, mas já dentro do planejamento do projeto.
Além disso, foram instaurados procedimentos administrativos em promotorias locais de municípios como Salvador, Porto Seguro, Santa Cruz de Cabrália, Valença, Taperoá, Maragogipe, Cairu, São Francisco do Conde, Camamu e Itacaré, oficiando os órgãos responsáveis para que adotem ações corretivas e preventivas.
O MP também elaborou minutas de recomendações, portarias e termos de ajustamento de conduta, que servirão de referência para uniformizar a atuação institucional em todo o estado, e definiu planos de ação locais, priorizando regiões com maior criticidade.
Apesar dos avanços, o órgão ressalta que a implementação de normas mais rígidas depende da atuação dos órgãos reguladores e das administrações municipais, mas afirma que continuará fomentando ajustes, cobrando providências formais e promovendo articulação interinstitucional para assegurar que o transporte aquaviário opere com padrões adequados de segurança, regularidade e respeito aos direitos dos usuários.
“O Ministério Público continuará acompanhando o tema de forma permanente, reforçando a atuação integrada e priorizando medidas que preservem a vida e garantam um serviço mais seguro, transparente e eficiente para a população baiana e para os visitantes do estado”, concluiu a promotora Thelma Leal.
VÍDEO: Torcedores brasileiros fazem festa na Times Square antes da estreia da Seleção na Copa do Mundo de 2026
Por Leonardo Baran, dos Estados Unidos / Thiago Tolentino
Começou a contagem regressiva para a estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026. Nesta sexta-feira (12), torcedores brasileiros tomaram a Times Square, em Nova York, e transformaram um dos cartões-postais mais famosos dos Estados Unidos em um verdadeiro ponto de encontro verde e amarelo. Os registros são do correspondente do Bahia Notícias nos Estados Unidos, Leonardo Baran. Assista:
A mobilização foi organizada pelo Movimento Verde e Amarelo, tradicional grupo de apoio à Seleção Brasileira, que promoveu um bandeiraço na véspera da partida contra Marrocos. O confronto acontece neste sábado (13), às 19h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, pela primeira rodada do Grupo C do Mundial.
Entre as músicas entoadas pelos torcedores esteve o tradicional "Brasil Olê Olê Olê", canção que costuma embalar as arquibancadas da Seleção em competições internacionais desde a Copa do Mundo de 2018.
A festa aconteceu poucas horas depois do último treinamento da equipe brasileira antes da estreia. O elenco encerrou a preparação na manhã desta sexta e agora concentra as atenções no duelo diante dos marroquinos, considerado um dos mais difíceis da fase de grupos. O grupo das duas equipes também tem Haiti e Escócia.
O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou nesta sexta-feira (12) uma nota em resposta às críticas feitas pela Justiça italiana à atuação do ministro Alexandre de Moraes no processo envolvendo a ex-deputada federal Carla Zambelli. A manifestação ocorre após a Corte Suprema de Cassação da Itália negar o pedido de extradição da parlamentar e determinar sua liberação. Na decisão, magistrados italianos fizeram observações críticas sobre a condução do caso no Brasil.
Assinada pelo presidente do STF, Edson Fachin, a nota ressalta que a Corte brasileira acompanha com preocupação os fundamentos apresentados pela Justiça italiana e reafirma a independência e a imparcialidade do Judiciário nacional. O processo contra Carla Zambelli teve início após denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. A denúncia foi aceita por unanimidade pela Primeira Turma da Corte.
“No caso em questão, foi oferecida denúncia pela Procuradoria-Geral da República pela prática de crimes de invasão a dispositivo informático e falsidade ideológica. A denúncia foi recebida por unanimidade pela Primeira Turma, que referendou as decisões monocráticas do eminente Relator, Ministro Alexandre de Moraes”, afirma trecho da nota.
A manifestação do Supremo amplia o embate institucional gerado após a decisão da Justiça italiana, que rejeitou o envio da ex-deputada ao Brasil. O caso segue repercutindo tanto no cenário jurídico quanto político, envolvendo autoridades dos dois países.
Petróleo desaba mais de 5% e atinge menor valor em três meses após Trump dizer que acordo com Irã está próximo
Por Folhapress
O preço do petróleo despencou mais de 5% nesta sexta-feira (12) após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado na quinta-feira que um acordo de paz com o Irã está próximo de ser anunciado, o que as autoridades iranianas não confirmam.
O barril Brent chegou a ser vendido a US$ 85,82 (R$ 436,33), queda de 5,04%, por volta das 5h30 (horário de Brasília). Foi o valor mais baixo desde 10 de março, quando estava em US$ 81,16. Um dia antes, a cotação havia atingido o seu ápice desde que começou a guerra, sendo vendido a US$ 119,42.
Depois disso, a cotação voltou a subir e estava em US$ 86,87 (R$ 441,67), desvalorização de 3,88%, às 15h50, para o contrato de agosto. Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, caía 3,77%, a US$ 84,40 (R$ 429,11), para entrega em julho.
Na quinta, Trump disse que os dois países devem assinar um tratado de paz em breve. "Acabamos de chegar a um acordo muito bom para acabar com a guerra com o Irã e, uma vez finalizados os documentos, o que deve acontecer nos próximos dias... provavelmente teremos uma assinatura, talvez na Europa", afirmou.
A diplomacia iraniana, no entanto, afirmou pouco depois que Teerã ainda não decidiu se assinará um acordo. "Até o momento, o Irã não chegou a uma conclusão definitiva sobre o acordo", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei.
A agência de notícias Tasnim destacou que o presidente americano já anunciou 38 vezes, nos últimos dois meses, que um acordo de paz entre as partes era iminente.
Trump chegou a declarar que acredita que o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, aprovou o "acordo-marco muito sólido" e sugeriu que seu vice-presidente, JD Vance, o assinará possivelmente "neste fim de semana".
Mas ele não revelou nenhum detalhe sobre o conteúdo, exceto que garantirá a reabertura do estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, e impedirá que o Irã desenvolva armas nucleares, o que não é aceito pelo regime persa.
Animados com as promessas de Trump, os negociadores levaram o preço do petróleo a cair desde o começo da sessão até ficar abaixo de US$ 86 pela primeira vez desde 10 de março.
"Apesar da série de falsas promessas, os mercados financeiros parecem estar reagindo como se um acordo estivesse em andamento", avaliou Kallum Pickering, economista-chefe da corretora Peel Hunt.
"O mercado continua muito sensível ao acordo de paz e às numerosas e variadas declarações de Trump", destacou Michael Nizard, diretor de multiativos da Edmond de Rothschild Asset Management. "Hoje, acredito que o (potencial de) paz está muito subprecificado".
Um homem de 39 anos, investigado por tráfico de drogas, foi preso na manhã desta sexta-feira (12) na comunidade da Baixa Fria, localizada no bairro da Boca do Rio, em Salvador. A prisão ocorreu durante mais uma fase de diligências da Operação Malhas da Lei.
Contra o suspeito, havia um mandado de prisão preventiva em aberto, expedido pela 2ª Vara de Tóxicos da Comarca de Salvador. Após a prisão e a confirmação de sua identidade, o homem foi conduzido à Coordenação de Polícia Interestadual (POLINTER) para o registro da ocorrência e a adoção das medidas legais.
Ele permanece custodiado e à disposição do Poder Judiciário. A captura foi realizada por policiais da Coordenação de Operações e Inteligência do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Lula deve abordar tarifas em discurso no G7, mas adota tom calibrado e evita confronto direto
Por Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve adotar uma postura de cautela e moderação política ao abordar as tarifas alfandegárias propostas pelos Estados Unidos contra exportações brasileiras. A manifestação ocorrerá durante sua participação na reunião de cúpula do G7 na próxima semana, na França.
Lula embarca para o país europeu neste domingo (14) e tem retorno previsto para a quarta-feira (17). O petista participará das sessões de debate como convidado, com foco especial na mesa que discutirá os desequilíbrios macroeconômicos globais.
De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto ao Metrópoles, a expectativa é de que o presidente brasileiro faça críticas firmes ao protecionismo econômico e ao unilateralismo, mas sem citar nominalmente o presidente americano Donald Trump ou os Estados Unidos.
A avaliação da equipe diplomática brasileira é que fóruns internacionais de alto nível, como o G7, não são adequados para disputas políticas ou palanques diretos. No entanto, o tom firme que costuma adotar em defesa dos países em desenvolvimento será mantido.
Lula deve focar sua fala em como o modelo de desenvolvimento excludente global empurra nações mais pobres a situações de extrema vulnerabilidade.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Luiz Inácio Lula da Silva
"Eu fiquei triste, porque ele não foi derrotado por incompetência jurídica, porque ele é um dos melhores advogados desse país, ele foi derrotado por uma questão simplesmente política. E o que vai acontecer? Eu vou mandar o Messias outra vez. Por respeito à função presidencial, sou eu que indico".
Disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao confirmar que vai enviar ao Senado o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga do Supremo Tribunal Federal (STF). O AGU teve sua primeira indicação rejeitada no Senado no último dia 29 de abril.