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'Evangelho não nos autoriza a odiar quem pensa diferente nem a matar inimigos', diz arcebispo de Aparecida
Por Bárbara Sá | Folhapress
O arcebispo da Arquidiocese de Aparecida (SP), dom Mário Antônio da Silva, disse nesta segunda-feira (12), dia da padroeira do Brasil, que "o evangelho não nos autoriza a odiar quem pensa diferente nem a matar os inimigos".
Após figurar no centro de uma disputa eleitoral alimentada por notícias falsas, Nossa Senhora Aparecida é homenageada com missas e procissão no Santuário Nacional, no interior de São Paulo.
A fala do arcebispo ocorreu durante a homilia. Ele não realizou comentários com teor político explícito, mas ressaltou que o evangelho "nos autoriza a construir pontes onde se abrem precipícios, e túneis onde se erguem muros".
Citando o papa Leão 14, defendeu "uma paz desarmada e desarmante" e criticou as divisões alimentadas por armamentos, guerras e confrontos. Também afirmou que a Igreja se fortalece quando seus integrantes caminham juntos.
Dom Mário associou a escuta da palavra de Deus ao cuidado com os outros e condenou a indiferença diante da fome, da pobreza, da violência, das guerras e da destruição da natureza.
A missa solene começou pontualmente às 9h, com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), acompanhado da mulher, Lu Alckmin, e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT). Centenas de fiéis participaram da celebração e acenaram com lenços azuis e brancos.
Também foram saudados a deputada federal Tabata Amaral (PSB), João Campos (PSB), derrotado na disputa pelo governo de Pernambuco, Gilberto Kassab (PSD) e o prefeito de Aparecida, José Luiz Rodrigues.
Na homilia de 17 minutos, dom Mário cobrou coerência entre os ensinamentos de Jesus e as atitudes dos fiéis.
A crítica à distância entre conhecer a palavra e colocá-la em prática também incluiu o perdão, o serviço aos outros e o acolhimento dos pobres. "Às vezes conhecemos muito a palavra, mas praticamos pouco."
"Sabemos que Jesus manda servir, mas queremos ser servidos", acrescentou.
Dom Mário afirmou que o ensinamento de amar os pobres nem sempre se traduz em disposição para se aproximar deles. Criticou o desprezo, os preconceitos e as frases feitas usados para julgá-los. "Sabemos que Jesus manda amar os pobres, mas nem sempre queremos nos aproximar deles."
O religioso disse que ouvir a palavra de Deus exige se deixar tocar pela vida dos outros. Mencionou famílias e crianças feridas, jovens sem esperança e idosos abandonados.
A homilia foi organizada em torno de três personagens das leituras bíblicas: Ester, a mulher do Apocalipse e a mãe de Jesus nas bodas de Caná. A reflexão retomou o tema da novena e da festa deste ano: "Com Maria, em comunidade, conhecer e praticar a Palavra".
Ao falar de Ester, dom Mário associou o amor à disposição de agir diante das necessidades dos outros. A mulher do Apocalipse foi apresentada como uma figura que permanece de pé diante das ameaças, protegida por Deus.
O arcebispo relacionou essa figura a Maria e à Igreja, que atravessa dificuldades sem perder a esperança. Pediu aos fiéis que olhassem para a imagem de Nossa Senhora Aparecida e destacou sua dimensão na vida dos devotos.
"Justamente esta pequena imagem se tornou um grande sinal de esperança e ternura para milhões de brasileiros e brasileiras."
No encerramento da homilia, dom Mário defendeu o compromisso de cuidar do Brasil e destacou que Nossa Senhora Aparecida é mãe de todos. "Dos que têm muito, dos que têm pouco, dos que vivem no centro, dos que vivem nas periferias, dos que sofrem, dos que têm esperança."
FESTA E ROMARIA
A festa da padroeira do Brasil atraiu romeiros de diferentes estados a Aparecida, no Vale do Paraíba, a 180 km da capital paulista. Pedidos de cura, cumprimento de promessas e agradecimentos motivaram viagens até o santuário.
Parte dos peregrinos faz o percurso a pé pelo acostamento da rodovia Presidente Dutra. Neste ano, a concessionária RioSP projetava superar os 40 mil romeiros registrados em 2025.
A dimensão da caminhada levou a concessionária a preparar um estudo para construir uma via exclusiva para pedestres até Aparecida. O projeto depende de aprovação da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e não tem data para o início das obras.
Na operação de 2026, a concessionária previa a distribuição de 30 mil coletes e 120 mil faixas reflexivas em 28 tendas ao longo da rodovia. Em trechos sem acostamento, cones reservam espaço para os pedestres.
Neste ano, dom Mário, 59, conduz pela primeira vez a missa do Dia da Padroeira como arcebispo de Aparecida.
Silva assumiu a arquidiocese em maio, em substituição a dom Orlando Brandes, cujo pedido de renúncia o papa Leão 14 aceitou.
A programação na cidade começou à meia-noite, com a Vigília Mariana. O toque dos sinos, às 4h45, antecede as missas das 5h e das 7h.
Ao meio-dia ocorre a Missa das Crianças. Outras celebrações estão previstas para as 14h e as 16h. Às 15h, a Basílica Histórica recebe a Consagração Solene. A missa de encerramento será realizada às 18h, seguida de procissão e show pirotécnico às 19h30.
TRÊS SÉCULOS DE DEVOÇÃO
A devoção a Nossa Senhora Aparecida começou em outubro de 1717, quando três pescadores encontraram uma pequena imagem de terracota no rio Paraíba do Sul. Primeiro, retiraram da água o corpo da estátua. Depois, a cabeça.
A representação de Nossa Senhora da Conceição passou a ser chamada de Aparecida em referência ao achado no rio. A prática se difundiu nas décadas seguintes e transformou o município em destino de peregrinação.
O Vaticano reconheceu Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil em 1930, após pedido dos bispos do país. Uma cerimônia no Rio de Janeiro, então capital nacional, celebrou a decisão em maio de 1931, com a presença do presidente Getúlio Vargas.
O dia dedicado à padroeira é feriado nacional desde 1980.
DISPUTA ELEITORAL
Neste ano, as homenagens ocorrem após a circulação da alegação falsa de que Flávio Bolsonaro (PL) apoiaria uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O assunto ganhou espaço na reta final do primeiro turno da disputa presidencial contra Lula (PT).
Não há registro de declaração do candidato ou de sua assessoria em defesa dessa mudança. Em agosto, o senador afirmou que um de seus primeiros atos, se eleito, seria "decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo", sem citar a retirada do título.
O boato retomou uma proposta apresentada em 2007 pelo então deputado Victorio Galli, hoje no PP e pastor evangélico. O projeto pretendia reconhecer Nossa Senhora Aparecida como padroeira apenas dos brasileiros católicos apostólicos romanos, mas acabou arquivado no ano seguinte.
Flávio negou a intenção de alterar o título da santa. Publicações sobre o assunto provocaram disputas judiciais, com decisões dos ministros André Mendonça, Flávio Dino e Luiz Fux determinando a remoção e o restabelecimento de conteúdos em redes sociais.
Tenente-coronel nega feminicídio de soldado Gisele Alves em depoimento de 8 horas à Justiça
Por Redação
O suspeito do feminicídio da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, o tenente-coronel da Polícia Militar (PM-SP) (PM-SP) Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, voltou a negar à Justiça as acusações de ter assassinado a ex-companheira. O interrogatório durou mais de oito horas e representou a última oportunidade para que o policial apresentasse sua versão antes de a Justiça decidir se o enviará a júri popular.
O crime ocorreu na manhã de 18 de fevereiro deste ano, no apartamento onde o casal residia, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Os dois estavam sozinhos no imóvel no momento do disparo. Segundo apuração pericial, a morte foi causada por um tiro na cabeça disparado à queima-roupa pela arma do próprio tenente-coronel.
Imagens do depoimento, exibidas pelo programa Fantástico, da TV Globo, mostram o oficial reiterando sua inocência e afirmando que provará que a ex-companheira tirou a própria vida. A tese de suicídio, contudo, é contestada por três laudos periciais, além de um documento complementar recente que conclui ser impossível que a vítima tenha atirado contra a própria cabeça.
As investigações apontam divergências entre a versão de Geraldo Neto e as evidências colhidas no local:
- Posição dos objetos e cena do crime: Neto alegou que, após ouvir um barulho, saiu do banheiro e encontrou a companheira caída na sala, afirmando que uma árvore de Natal não estava ao lado do sofá naquele momento. Ele acusou os investigadores de alterarem a posição do objeto para incriminá-lo. No entanto, gravações das câmeras corporais dos policiais militares e o depoimento de um bombeiro confirmaram que a árvore estava intacta no local.
- Vestígios de água: O socorrista ressaltou não haver sinais de água nas proximidades do banheiro, contradizendo a afirmação de Neto de que havia acabado de tomar banho.
- Posição da arma e lesões: Uma fotografia feita pelo bombeiro registrou a arma posicionada junto à mão da vítima, apoiada sobre a coxa, postura considerada estranha pelo socorrista. A perícia indica que Gisele foi abordada por trás e imobilizada antes do disparo, destacando também marcas registradas em seu queixo.
- Sangue no imóvel: Marcas de sangue foram encontradas no banheiro, em uma toalha e na bermuda do acusado, que alega que a cena foi adulterada por agentes que acessaram o apartamento.
Mensagens e áudios recuperados pela investigação indicam um histórico de atritos entre o casal. Gisele erados pela investigação indicam um histórico de atritos entre o casal. Gisele relatava a familiares e amigos o desejo de se separar, descrevendo o companheiro como possessivo e ciumento. Em mensagem de áudio enviada 12 dias antes do crime, a soldado afirmou que Neto havia colocado a mão em seu rosto durante uma discussão.
Interrogado sobre os registros, o tenente-coronel negou as acusações e sustentou que a ex-companheira utilizava o aparelho dele para enviar mensagens a si mesma, simulando um ambiente tóxico para forjar provas.
Outras mensagens mostram discussões sobre o término. Em um dos textos, Neto afirmava tratar a mulher com autoridade de "macho alfa" e esperar obediência. Em depoimento, ele negou ter enviado parte das mensagens, mas confirmou ter escrito que o "sexo era caro", justificando que arcava com as despesas da companheira. Ele alegou ainda que Gisele não queria o divórcio e que a iniciativa da separação partira dele.
A defesa de Geraldo Neto solicitou que ele responda ao processo em liberdade e informou confiar na impronúncia do acusado, medida que impediria o julgamento pelo Tribunal do Júri (TJ-SP). O Ministério Público (MP-SP) manifestou-se contrariamente à soltura, argumentando que o oficial poderia exercer influência para interferir no depoimento de testemunhas e comprometer o andamento do processo.
O tenente-coronel permanece preso preventivamente enquanto a Justiça analisa se há elementos para levá-lo a júri popular. As informações foram confirmadas pelo jornal Estado de S. Paulo.
Estudo da OCDE revela alta evasão e baixa satisfação de professores na rede pública do Brasil
Por Redação
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou os resultados do estudo Education at a Glance 2026, com um diagnóstico sobre a situação do magistério. Conforme os dados apresentados, 10,3% dos docentes qualificados atuantes na rede pública brasileira abandonaram a carreira, seja por desligamento voluntário ou por aposentadoria.
O índice registrado no país supera de forma expressiva o patamar de referência global fixado pela instituição, que é de 6,4%. A investigação também revelou índices reduzidos de contentamento profissional no cenário nacional. No quesito financeiro, apenas 22,3% dos educadores brasileiros declararam satisfação com seus proventos, taxa substancialmente inferior à média de 38,7% apurada nos demais países analisados pela OCDE.
As informações foram confirmadas pelo jornal O Estado de S. Paulo. A percepção sobre o ambiente laboral segue tendência similar: somente 44,3% dos profissionais brasileiros consideram adequadas as suas condições de trabalho, frente a uma aprovação de 68,4% constatada internacionalmente.
A participação de Vinícius Júnior na vitória do Real Madrid sobre o Villarreal segue repercutindo. O atacante chegou a marcar um gol na partida, mas o lance foi anulado após revisão do VAR, por uma falta em que puxou o cabelo de Saliba. Em vídeo divulgado nesta segunda-feira (12), o camisa 7 foi flagrado empurrando uma funcionária da La Liga durante a saída de campo.
As imagens mostram o brasileiro descendo em direção ao túnel que leva aos vestiários e empurrando uma pessoa. Após o início de uma confusão, Vini Jr. precisou ser contido por Endrick, outro brasileiro que atua pelo clube merengue. Confira o momento abaixo:
A expulsão do atacante preocupa o Real Madrid pela possibilidade de uma suspensão de dois ou mais jogos, conforme o Código Disciplinar da Federação Espanhola de Futebol. Na súmula da partida, o árbitro relatou que o brasileiro manteve uma postura agressiva e continuou protestando de forma acalorada após receber o cartão vermelho.
Caso seja punido com dois ou mais jogos de suspensão, Vini Jr. poderá desfalcar o Real Madrid contra o Sevilla e no clássico diante do Barcelona, marcado para o dia 25 de outubro. O clube merengue aguarda o julgamento oficial e estuda a possibilidade de recorrer da decisão.
Mais votado entre deputados eleitos de Feira afirma que não disputará prefeitura: 'chance zero'
Por Redação
Deputado estadual eleito mais votado em Feira de Santana, com quase 13,3 mil votos, Thiago Gilleno (Republicanos) descartou disputar a prefeitura do município.
Ao Acorda Cidade, parceiro do Bahia Notícias, ele afirmou nesta segunda-feira (12) que pretende se dedicar ao mandato na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) e, futuramente, buscar uma vaga no Congresso Nacional. “Chance zero”, declarou ao ser questionado sobre uma possível candidatura ao Executivo municipal.
Ex-prefeito de Ponto Novo, no Norte da Bahia, Gilleno afirmou que não pretende voltar a disputar cargos de prefeito. Segundo ele, o planejamento é seguir na carreira legislativa e, dependendo dos resultados do mandato, avaliar uma candidatura federal.
Natural de Feira de Santana, Gilleno também comentou as críticas sobre a trajetória política em Ponto Novo. Ele afirmou que compreende a disputa por espaço entre grupos políticos locais, mas ressaltou que nasceu na cidade e pretende construir sua atuação parlamentar com foco nas demandas do município.
O deputado eleito informou que recebeu votos em 403 dos 417 municípios baianos e contou com o apoio de lideranças em mais de 160 cidades. Apesar da votação distribuída pelo estado, Feira de Santana foi o município onde obteve seu melhor resultado.
“Meu compromisso é integral com Feira de Santana”, afirmou, acrescentando que pretende priorizar a cidade a partir do início do mandato, em 1º de fevereiro de 2027.
APOIO POLÍTICO E TRAJETÓRIA
Ainda na entrevista, Gilleno relatou que procurou o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (União), para apresentar seu projeto político quando retomou a articulação na cidade. Segundo ele, parte dos grupos que apoiaram sua candidatura tem ligação com a base política do gestor municipal.
Aos 42 anos, Gilleno entrou na política eleitoral em 2020, quando foi eleito prefeito de Ponto Novo. Antes disso, formou-se em enfermagem, trabalhou por dez anos na Petrobras e cursou medicina em Salvador com bolsa do Prouni.
Em março de 2024, deixou a prefeitura de Ponto Novo para viabilizar a candidatura da esposa, Fabiana Azevedo, eleita prefeita naquele ano com 81% dos votos, conforme os dados citados na entrevista.
Indígenas denunciam ameaças de invasão a territórios caso Flávio Bolsonaro vença eleições
Por João Gabriel | Folhapress
Fazendeiros dizem que vão invadir territórios indígenas na Amazônia caso Flávio Bolsonaro (PL) vença as eleições de 2026, segundo áudios e relatos reunidos pela reportagem. Os indícios de invasões a territórios chegaram às autoridades do governo federal, que também apuram se a onda crescente de incêndios florestais dentro de um território foi causada propositalmente por fazendeiros.
O caso mais emblemático, até agora, aconteceu no Pará, na terra indígena Apyterewa, próxima ao rio Xingu, que tem longo histórico de violência e viveu um pico de desmatamento durante o governo Jair Bolsonaro (PL). Pecuaristas chegaram a construir uma pequena cidade dentro da área protegida, conhecida como Vila Renascer.
Oito áudios obtidos pela reportagem revelam ameaças de invasão ao território onde vivem os parakanãs —povo de recente contato com não indígenas e, por isso, mais vulneráveis— previstas para o próximo dia 25, data do segundo turno das eleições, e citam Flávio.
Por razões de segurança, a transcrição dos áudios não será publicada, nem a identidade dos envolvidos. Os recados foram enviados por WhatsApp por moradores da região a indígenas nos últimos dias. O material é de conhecimento dos órgãos de inteligência do governo federal.
As mensagens dizem que os fazendeiros aguardam o dia da eleição para entrar na terra indígena e construir suas fazendas lá dentro, diante da expectativa deles de que Flávio, caso vitorioso, e o já eleito governador, Dr. Daniel (Podemos), retirem o território dos Parakanã e passem para os pecuaristas da região.
A reportagem cruzou os metadados de origem dos áudios com banco de dados e conversou com investigadores que atuam nesse caso para confirmar que eles são ligados a endereços nos arredores do território Apyterewa.
A campanha de Flávio é procurada pela reportagem, por meio de seu canal oficial de imprensa, desde a noite de quinta-feira (8), mas não respondeu até a publicação desta reportagem.
O mesmo foi feito com a gestão estadual do Pará, que não se posicionou. Dr. Daniel, governador eleito no Pará, disse por meio de sua assessoria que não vai comentar.
Os áudios e as ameaças foram pauta da reunião do Comitê de Desintrusão do governo Lula (PT) da última quinta.
Polícia Federal (PF), Ibama, Funai e Ministério dos Povos Indígenas disseram que monitoram a situação.
O Ministério dos Povos Indígenas disse que monitora o "aumento da pressão para a ocupação ilegal do território". "Durante a reunião, o Comitê deliberou pelo reforço das ações de segurança, incluindo o aumento do efetivo mobilizado, a fim de intensificar a manutenção da desintrusão e prevenir novas ocupações ilegais", afirmou em nota.
"Em relação aos áudios que associam as eleições de 2026 à invasão do território indígena, o Ministério esclarece que a apuração dos fatos compete às autoridades policiais responsáveis pela investigação", completou.
O Ibama disse que acompanha a situação. "Também há evidências de mobilização em outras regiões da Amazônia, tanto em terras indígenas, quanto em outras áreas protegidas, com vistas à retomada das atividades de garimpo ilegal", completou o órgão.
Um agente da Polícia Federal disse à reportagem, sob anonimato, que as informações de inteligência quanto às ameaças aos parakanãs são sólidas e preocupantes.
HISTÓRICO DA TERRA INDÍGENA
Dados de desmatamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial) mostram que a área desmatada na Apyterewa foi de 18,9 km² em 2018 para 85,3 km² em 2019, primeiro ano da gestão bolsonarista, e bateu o recorde em 2022, com 102, 2 km² destruídos. Em 2023, primeiro ano do governo Lula, despencou para 20,6 km².
A Apyterewa também é um dos territórios que foi objeto da ADPF (Ação por Descumprimento de Preceito Fundamental) 709. Em 2020, o então ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso ordenou que o governo federal deveria expulsar invasores das áreas indígenas —determinação não cumprida por Bolsonaro.
A desintrusão começou em 2023, com reação violenta dos fazendeiros, que realizam periodicamente emboscadas contra operações de retirada do gado ilegal.
Em diversos casos, pontes dentro da área foram derrubadas para inviabilizar a passagem dos agentes. Um servidor da Funai foi baleado no final de 2023 e um contratado do Ibama foi morto em 2025.
Nos últimos meses, o clima eleitoral voltou a acirrar os ânimos na região, segundo autoridades ouvidas pela reportagem. Os focos de incêndio explodiram nas últimas semanas, e investigadores suspeitam de queimadas propositais. Segundo dados do Inpe compilados pelo Programa Xingu, passaram de 41 em julho para 626 em agosto e 1.007 no mês passado.
Homologada em 2007, a terra indígena Apyterewa fica em São Félix do Xingu (PA), ocupa 773 mil hectares e abriga mais de mil parakanãs de recente contato.
A classificação indica que o povo preserva sua cultura e organização social, com autonomia e certo distanciamento da sociedade não indígena. Por isso, a interação não controlada com invasores representa uma ameaça maior do que para grupos mais integrados à sociedade ocidental.
Em áudios recebidos pelas lideranças e obtidos pela Folha, moradores relatam maior circulação de motos e caminhonetes e dizem que fazendeiros compram lonas e materiais de roça para iniciar uma invasão após o segundo turno.
As mensagens orientam os indígenas a evitar áreas onde pecuaristas já preparam o solo para pastagens e plantações e sugerem que os parakanãs deixem a região.
Com apenas 10 anos de idade, o estudante baiano Marcelo Gomes obteve a terceira colocação no processo seletivo para o curso de Engenharia Mecânica da Universidade de Fortaleza (Unifor). A divulgação do resultado ocorreu no último sábado (2) e foi comemorada pelos familiares, que atualmente residem na capital do Ceará.
Natural do município de Camaçari, localizado na Região Metropolitana de Salvador, o jovem cursa o 7º ano do ensino fundamental. A decisão de realizar o exame vestibular partiu do próprio garoto, que buscou avaliar seus conhecimentos na mesma área profissional de seu pai, o perito criminal Marcelo Gomes, graduado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal da Bahia (Ufba).
Além da aprovação universitária, o estudante também alcançou nota suficiente no exame da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar), voltado a concorrentes de 13 a 21 anos, embora esteja impedido de assumir a vaga em razão das restrições de faixa etária.
Almejando a carreira de astronauta, o jovem acumula diversas atividades científicas. Seu histórico abrange a colaboração em iniciativas de identificação de asteroides com a Nasa, bolsa de iniciação científica vinculada à Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (Oba), participação em oficinas de foguetes coordenadas pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e atuações como embaixador de competições acadêmicas.
Marcelinho também administra canais no YouTube e redes sociais, produzindo material educativo sobre física e matemática para encorajar outros jovens. Todas as informações foram reveladas pelo portal G1.
A mãe de Marcelo, a advogada Tatiana Gomes, e seus familiares garantem que o ritmo acadêmico não compromete sua rotina infantil. O menino divide o tempo reservado aos estudos com a prática de esportes como jiu-jitsu e natação, partidas de videogame e jogos de RPG, momentos de lazer com amigos e os cuidados com o animal de estimação da casa.
Duas pessoas morreram carbonizadas após o carro em que estavam bater em um poste e pegar fogo na manhã desta segunda-feira (12) em um trecho da BR-324, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS).
Segundo a TV Bahia, o motorista perdeu o controle da direção e atingiu o poste. Com o impacto, o veículo pegou fogo, e os dois ocupantes morreram no local.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi acionada por volta das 8h para atender à ocorrência, registrada na altura do km 606 da rodovia.
Equipes do Corpo de Bombeiros também foram mobilizadas para combater as chamas. Até o início da tarde desta segunda não havia informações sobre a identidade das vítimas.
Atacante com passagens pela Seleção Brasileira, Richarlison voltou a falar sobre a disputa envolvendo uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio. Neste domingo (11), em vídeo publicado nas redes sociais, o jogador rebateu críticas por cobrar soluções sobre o caso. Richarlison afirmou que não pretende recuperar o imóvel, mas sim receber de volta o dinheiro investido.
A propriedade, avaliada em R$ 10 milhões, foi adquirida por uma empresa ligada ao jogador e posteriormente passou a ser alvo de uma ação envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
"Eu nem quero que ela venha de volta, não, mano. Só quero o que é meu", declarou o atacante.
Em junho de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve o entendimento favorável à empresa de Tomaz, e as ações foram encerradas após a desistência dos autores.
Ainda na publicação, Richarlison criticou quem questiona suas reivindicações pelo fato de ele morar na Europa. Com vínculo contratual com o Tottenham, ele vive na Inglaterra.
Segundo o atleta, os direitos sobre o imóvel foram adquiridos com dinheiro obtido por meio de seu trabalho. Ele também acusou seu ex-empresário, Renato Velasco, de ter participado do episódio. Richarlison afirma que pessoas armadas chegaram ao local e expulsaram ocupantes da propriedade, entre eles a mulher de Velasco, que estava grávida à época.
"A ilha era minha, pô. Conquistei com meu dinheiro, trabalhando honesto. Não roubei ninguém", afirmou.
O jogador ainda declarou que não pretende se envolver com política e que suas iniciativas sociais não têm motivação partidária. "As coisas que eu faço pelo Brasil, faço por mim mesmo, faço de coração", disse, fazendo referência a ações sociais que realiza, incluindo ajuda a crianças que precisam de cirurgias. Segundo ele, são destinados cerca de R$ 3 milhões por ano a doações no Brasil, usando recursos próprios.
Nobel de Economia 2026 premia estudiosos por avanços na estabilização macroeconômica
Por José Henrique Mariante | Folhapress
O Prêmio Nobel de Economia de 2026 foi concedido aos americanos Robert E. Hall, da Universidade Stanford, e Michael Woodford, de Columbia, "pelos fundamentos microeconômicos da estabilização macroeconômica". O anúncio foi feito nesta segunda-feira (12) pela Academia Real Sueca de Ciências.
Segundo os organizadores do prêmio, a dupla demonstrou como os modelos econômicos tradicionais poderiam ser reformulados para revitalizar a política de estabilização.
"Em vez de basear os modelos em relações estatísticas entre variáveis macroeconômicas, como inflação, produção e consumo, optaram por construí-los sobre uma base microeconômica", afirmou o comitê de premiação. "Isso envolve a compreensão de como o conjunto das famílias e das empresas, individualmente, afeta a economia por meio de suas ações."
Os premiados desenvolveram novos modelos que possibilitaram a adoção de medidas oportunas de política fiscal e monetária capazes de reduzir a intensidade das oscilações prejudiciais na economia.
"O trabalho dos laureados nos proporcionou uma base teórica sólida para os modelos que hoje são utilizados por bancos centrais e governos em todo o mundo. Com eles, estamos mais bem preparados para lidar com choques na economia, como crises energéticas ou mudanças repentinas nos níveis de consumo das famílias", disse John Hassler, presidente do Comitê do Prêmio em Ciências Econômicas.
Desde que John Maynard Keynes lançou suas teorias há quase um século, as políticas de estabilização têm sido importantes para lidar com a alternância entre recessões e expansões. Durante as recessões, a economia é estimulada por meio da redução das taxas de juros e do aumento do déficit orçamentário, enquanto o contrário deve ser feito para desacelerar uma economia em expansão.
Porém, durante as crises do petróleo dos anos 1970, os modelos keynesianos que determinam quando e como as medidas deveriam ser implementadas pareciam não funcionar mais. Não reduziram o desemprego e, em vez disso, levaram a uma inflação descontrolada. "A receita antiga não funcionava mais", declarou Timo Boppart, economista da Universidade de Estocolmo e membro do comitê.
"Fizemos muitos progressos graças a esses novos modelos, que são usados hoje em dia por bancos centrais, autoridades monetárias e governos como política fiscal e monetária. O uso efetivo desses estudos ameniza os choques econômicos nas sociedades."
Contatado pelo comitê por telefone logo após o anúncio, Woodford declarou que seu trabalho "foi uma tentativa de aprimorar as bases para a discussão da política econômica e, assim, contribuir tanto para a gestão da economia quanto para a compreensão do público".
Segundo o professor de Columbia, que era apontado como um dos favoritos à premiação antes do anúncio nesta segunda-feira, "a compreensão das pessoas que atuam nos mercados e tomam decisões sobre gastos... são, na verdade, cruciais para os efeitos da política econômica".
"Um dos principais objetivos ao tentar desenvolver um quadro analítico não era simplesmente aplicá-lo às pessoas, mas também conversar com elas sobre por que as coisas que estão sendo feitas estão sendo feitas", disse Woodford, classificando o Nobel como uma "honra enorme".
O próprio economista usou a crise imobiliária de 2008 como exemplo desse "Foward Guidance", ou orientações prospectivas sobre a política monetária.
"Fazer declarações mais explícitas sobre a trajetória futura provável da política de taxas de juros, em vez de depender simplesmente da possibilidade de reduzi-la ainda mais. Essa foi uma parte importante da resposta de política monetária a partir de 2009, e acredito que tenha contribuído para uma melhor estabilização."
Conhecido por um artigo famoso de 1978, em que afirmava que o consumo era imprevisível, Robert E. Hall, o outro agraciado do dia, também se notabilizou por ter anunciado recessões nos EUA nas últimas cinco décadas. Daquele ano até 2024, ele presidiu o National Bureau of Economic Research, órgão no país responsável pela classificação.
O professor de Stanford também atuou como consultor do Departamento do Tesouro dos EUA, do Departamento de Justiça e do Conselho do Federal Reserve, o banco central americano.
Popularmente chamado de Nobel de Economia e com o mesmo prestígio que os de outras áreas, o prêmio de ciências econômicas é o único que não fez parte do testamento de Alfred Nobel (1833-1896), um engenheiro e químico sueco, conhecido por ter inventado a dinamite e desenvolvido a borracha e o couro sintéticos.
Criado em 1968 pelo Banco Central da Suécia (Sveriges Riksbank), o prêmio de economia tem o nome oficial de Prêmio Sveriges Riksbank em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel. É concedido pela Real Academia Sueca de Ciências, de acordo com os mesmos princípios dos Prêmios Nobel originais, que são atribuídos desde 1901.
O prêmio é de 12 milhões de coroas suecas, quase R$ 6 milhões, além de uma medalha de ouro projetada pelo escultor sueco Gunvor Svensson-Lundqvist e um diploma.
No ano passado, o Nobel de economia foi concedido a Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt por mostrarem como a inovação impulsiona o progresso, debate que ganhou ainda mais importância diante dos efeitos da inteligência artificial nas sociedades.
No Brasil, todo mundo é técnico de futebol na Copa do Mundo, médico em epidemia e analista internacional diante de conflitos globais. Com as redes, nos tornamos também milhões de cientistas políticos, cada um com um diagnóstico para os números que saíram das urnas domingo. Entre os progressistas, a culpa, máxima culpa, é do lado oposto. Nunca ninguém no próprio campo cometeu erro algum, seja de avaliação, condução e, muito menos, de leitura de cenário. E se cometeu, ah, mas isso é hora de falar disso?
Chegamos ao final do primeiro turno das eleições de 2026 com o país radicalmente dividido. Metade do eleitorado com ódio da outra e invocando de modo quase explícito a extinção de quem pensa e vota diferente de si. O real é que uma metade do Brasil não vai se livrar da outra, não é verdade que tenhamos no país mais de 50 milhões de nazistas, nem 50 milhões de burros.
Imprensa e Cleitinho - Aqui, o ponto de partida de onde se observa o cenário, um Brasil cortado ao meio com uma fenda ideológica aberta por uma guerra mais cultural que política, é a imprensa. Do jornalismo profissional praticado pelas empresas de comunicação ditas tradicionais aos veículos ditos independentes, marcados cada um do seu lado por seu viés ideológico, como de um lado a revista Oeste e a Gazeta do Povo, e do outro, o ICL, a revista Fórum e o Intercept, como exemplos. Não se ignora aqui o protagonismo e a capacidade das redes de viralizar na mesma medida tanto fatos reais quanto versões avessadas destes. Só não confundimos redes com imprensa.
O que a imprensa noticiou nas últimas semanas atingiu, sim, as campanhas eleitorais, à direita e à esquerda. Entretanto, o que parte da opinião pública não consegue é separar o que são os fatos reais que constituem as notícias, seu impacto no eleitorado e a distância entre a responsabilidade da imprensa em informar e a “culpa” do jornalismo pelas performances eleitorais de A ou B.
Estamos hoje em um ecossistema informativo em que o jornalismo talvez seja a fonte pela qual só um percentual ínfimo do eleitorado leve em consideração o que lê na imprensa quando se trata de decidir em quem votar. E não diga que alguém acredita que a população de Minas Gerais levou em consideração a imprensa ao eleger com uma votação estrondosa o ex-verdureiro Cleitinho. O autoengano dos cientistas políticos do zap impressiona.
Geni e a desaplaudida - Antes, durante e depois da já histórica reunião do STF, o que se via era uma Corte metendo os pés pelas mãos e comprometendo o futuro institucional do país, desmentindo a máxima de que “as instituições estão funcionando”. A Suprema Corte ofereceu voluntariamente os melhores cortes, o mais valioso produto eleitoral da vez, para que a nova e extrema direita construísse castelos de voto. No entanto, tanto para a extrema direita como para os progressistas, a culpa de todos os prejuízos de reputação de seus totens é da imprensa. A Globo, por exemplo, é a grande Geni nacional, atacada pelos dois lados.
O que os caçadores dos votos perdidos precisam é decidir se a imprensa tem ou não poder. Na hora dos debates, por exemplo, o argumento é o de que a imprensa perdeu o protagonismo de agendar a esfera pública. Quem é o neandertal que precisa de debate na TV para decidir voto? Vamos então às redes, às mensagerias privadas, aos youtubers. Entretanto, quando faltam votos nas urnas, quem provocou o sumiço destes? A imprensa e os jornalistas malintencionados. Que paradoxo é esse? Como pode a imprensa, essa desaplaudida, ser tão poderosa para promover ou fazer debandar milhões e milhões de votos, se ninguém a consome? Vejo professores se orgulhando de não assinar jornais, não terem (mais) TV em casa e se recusarem a ver um telejornal. Mas o veredicto destes para a ressaca eleitoral é a condenação do jornalismo. No máximo dividem a sentença com os pastores. O futuro já chegou.
Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora do Curso de Jornalismo da UFBA - @maluzes / [email protected]
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Navi Pillay
"Talvez dividiria com Trump".
Disse a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026 nesta sexta-feira (9), a jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay ao brincar com a reação do público e declarou que, se os aplausos continuassem, "talvez dividiria o prêmio com Trump". Em tom descontraído, a premiada questionou se o anúncio era real: "Como advogada e juíza, ainda quero verificar se tudo isso é verdade", brinca.