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Uma carreta que transportava uma máquina pegou fogo na manhã desta segunda-feira (12), na altura do km 643 da BR-116, na Serra do Mutum, em Jaguaquara, no Vale do Jiquiriçá. O incêndio ocorreu durante a descida no sentido Jequié, no Sudoeste.

Foto: Reprodução / Blog do Marcos Frahm
Segundo o Blog do Marcos Frahm, parceiro do Bahia Notícias, não houve registro de feridos. Equipes do Corpo de Bombeiros e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) foram acionadas para atender à ocorrência. As chamas destruíram a cabine do veículo.
O incêndio provocou alterações no trânsito, com lentidão até o final da tarde. A situação foi normalizada após a remoção da carreta, com atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Também foram registradas queimadas às margens da rodovia ao longo do dia.
A atriz norte-americana Selma Blair, de 54 anos, foi detida na noite do último domingo (11) a bordo de um voo da Delta Air Lines que fazia o trajeto entre Los Angeles e Nova York, nos Estados Unidos, após tentar ferir comissários da companhia aérea.
De acordo com a agência Associated Press (AP), e os sites Page Six, a atriz Selma foi presa após tentar abrir a porta de um avião durante um voo. De acordo com a Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey, a polícia foi acionada após relatos de comportamento agressivo de uma passageira no voo 938.
Na ocasião, o piloto pediu que profissionais de saúde e policiais aguardassem a aeronave no aeroporto JFK (John F. Kennedy). Quando o avião pousou, os agentes detiveram a atriz.
Segundo relatos dos veículos, Selma teria agredido dois comissários de bordo, atingindo um deles com um soco e mordendo o outro. Os dois profissionais relataram ferimentos e foram atendidos em um hospital. A atriz também foi encaminhada para atendimento médico após o episódio.
Em declaração à imprensa, um representante de Selma afirmou que ela passou por uma emergência médica que teria provocado o comportamento relatado. A Delta Air Lines, linha aérea em que aconteceu o incidente, também se manifestou e ressaltou que não tolera comportamentos indisciplinados ou ilegais, destacando que a segurança dos passageiros e da tripulação é prioridade.
Vale lembrar que este não é o primeiro episódio agressivo de Selma em um voo. Em 2016, durante uma viagem de Cancún, no México, para Los Angeles, a atriz precisou de atendimento e foi retirada da aeronave em uma maca. Na época, afirmou que havia misturado álcool com medicamentos, combinação que, segundo ela, provocou uma perda de controle e a levou a fazer declarações das quais se arrependeu.
Opinião: Dois lados da política da Bahia prometem votos para presidente que não vieram no primeiro turno
Por Fernando Duarte
Passado o momento de euforia da direita baiana com a adesão de ACM Neto (União) à campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, agora é um momento de avaliar quais dividendos em termos de votos serão gerados. Flávio largou no primeiro turno com uma ligeira melhoria de votos na Bahia, quando comparado ao desempenho do pai, Jair, há quatro anos. Porém, em um estado tipicamente lulista, é difícil que a oposição consiga ampliar esse número. Difícil, mas não impossível.
Mesmo sem um palanque de segundo turno, o candidato do PL vai conseguir reunir diversos opositores ao PT baiano em um evento na capital baiana. Além disso, há a perspectiva de que nomes que puxaram votos para deputado federal e estadual se façam presentes em atos sem a presença de Flávio. É algo a mais do que o que foi feito em toda a pré-campanha e a campanha bolsonarista ao longo do primeiro turno. Até aqui, apenas os candidatos ao Senado, João Roma (PL) e Angelo Coronel (Republicanos), figuravam com proeminência no apoio público a Bolsonaro filho. Agora, há um caldo mais "encorpado" com ACM Neto.
Não que isso seja um "fermento" para incoporar automaticamente votos ao projeto de poder do clã Bolsonaro. É um incentivo que, por hora, pode gerar espuma o suficiente para que Flávio tenha mais votos na segunda etapa da disputa. Algo relevante, especialmente quando ele já terminou a fase inicial à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Do outro lado, os petistas precisam garantir que Lula não apenas não perca votos (com o tradicional aumento de abstenções), como também amplie a margem registrada na primeira etapa da eleição. Em um arroubo de empolgação, o senador eleito Rui Costa (PT) chegou a prometer uma frente de 5 milhões de votos para Lula. Apesar do presidente ter registrado esse número de sufrágios, a diferença para Flávio foi de cerca de 3,2 milhões, uma diferença expressiva numa eleição disputada. E como Lula ficou atrás, ampliar essa margem de votos é imprescindível para a tentativa de reverter a desvantagem dos petistas.
O lulismo tende a ter mais sucesso na empreitada, se olharmos em perspectiva histórica. Além de ter vencido na Bahia pela sexta vez consecutiva, em primeiro turno, e com uma diferença considerável, o grupo elegeu os dois senadores e uma ampla bancada de parlamentares para a Câmara e para Assembleia. É um número maior de "batedores" para angariar votos. Ou seja, é uma batalha entre "puxadores de voto" e derrotados, caso as estratégias sejam corretamente alinhadas. Para isso, o próprio Lula designou Rui Costa, Jaques Wagner e Jerônimo Rodrigues como coordenadores de atividades da campanha.
A Bahia pode ser crucial para a disputa nacional. Caso a direita consiga aumentar votos de Flávio, amplia a margem que ele já apresentou no primeiro turno nacionalmente. Caso a esquerda amplie a diferença de votos entre Lula e Flávio, Lula pode fazer derreter a margem que Flávio apresentou até aqui. A decisão de quem será o próximo presidente do Brasil passa pela Bahia. E os dois lados da disputa entenderam bem isso.
A adolescente Sophia, de 14 anos, filha do prefeito do município potiguar de Coronel Ezequiel, Thales Farias (PL), foi localizada em Lisboa, Portugal, na noite desta segunda-feira (12), após ter sido dada como desaparecida no Rio Grande do Norte. A jovem havia sumido da residência da família na madrugada do mesmo dia e viajado para o continente europeu.
Segundo informações da Tribuna do Norte, o desaparecimento foi percebido por volta de 1h30 da manhã, quando o gestor municipal se preparava para viajar a Brasília e notou a ausência da filha em seu quarto. As buscas iniciais apontaram que a jovem utilizou um carro por aplicativo para sair do local e, posteriormente, informações compartilhadas entre as autoridades estaduais e federais confirmaram que ela havia embarcado em um voo com destino a Portugal.
A localização na Europa ocorreu após o pai divulgar apelos nas redes sociais, revelando que a adolescente teria sido convencida a viajar após manter contato com uma pessoa desconhecida por meio de um perfil no Instagram. “Hoje, quando eu estava partindo para Brasília, ao sair de casa, às 1h30 da manhã, deparei com a situação da minha filha não estar no quarto, onde a gente ficou preocupado e acionou a polícia”, relatou.
A família suspeitava de rapto e aliciamento virtual, o que levou ao acionamento urgente das Polícia Civil e Polícia Federal, além de contatos com a Embaixada do Brasil para auxiliar na busca.
Com o apoio de uma prima da família que reside em Portugal, a polícia do aeroporto de Lisboa identificou o endereço onde Sophia se encontrava. A jovem foi recolhida em segurança e encaminhada a uma delegacia em Portugal, onde permaneceu sob custódia das autoridades locais até a organização do processo de repatriamento ao Brasil.
“Graças a Deus deu tudo certo já. Minha filha já se encontra na delegacia em Lisboa, meu irmão está indo para a Espanha para mandar ela de volta para o Brasil”, afirmou Thales em uma das gravações.
O caso segue sob investigação sigilosa da Divisão Especializada em Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP-RN) de Natal, que busca apurar as circunstâncias da viagem, a conduta dos envolvidos e eventuais crimes de aliciamento de vulnerável pela internet.
Flávio Bolsonaro aparece com 52% e Lula marca 48% nos votos válidos, indica pesquisa BTG/Nexus
Por Edu Mota, de Brasília
A primeira pesquisa BTG/Nexus neste segundo turno das eleições 2026 mostra que o senador Flávio Bolsonaro (PL) abriu uma vantagem de quatro pontos percentuais para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pela pesquisa, Flávio estaria com 52%, enquanto Lula marca 48% dos votos válidos.
O resultado da BTG/Nexus indica uma situação de empate técnico, já que a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.
Nos votos totais, o senador do PL estaria com 48%, enquanto Lula chega a 45%. Brancos e nulos são 5%, e os que não sabem ou não responderam são 2% dos entrevistados.
A pesquisa perguntou aos eleitores se já têm certeza do voto ou ainda podem mudar sua escolha no segundo turno. Um total de 92% disse estar convicto do voto e não vai mais mudar, e 7% afirmaram que ainda podem alterar seu candidato.
Dos 7% de eleitores consultados pela pesquisa que disseram que ainda poderiam mudar de opção para o segundo turno, 20% disseram que escolheriam o presidente Lula caso houvesse essa mudança. Outros 16% afirmaram que alterariam sua posição para o candidato Flávio Bolsonaro, enquanto 52% afirmam que votariam nulo ou em branco, e 12% não sabem ou não responderam.
A BTG/Nexus entrevistou 2.002 eleitores, entre os dias 10 e 12 de outubro, por meio de entrevista por telefone. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
O levantamento foi contratado pelo Banco BTG Pactual e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-07997/2026.
Área técnica do TSE diz a Kassio não ter achado conteúdo citado por Flávio em canal de Janones
Por Catia Seabra, Luany Galdeano e Luísa Martins | Folhapress
A área técnica do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) afirmou não ter identificado no canal "Exército do Lula", administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), conteúdo que a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) citou para denunciar o grupo de WhatsApp à corte.
A análise da área é uma resposta a pedido feito nesta segunda (12) pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, para que a Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do órgão investigasse o conteúdo.
"Quanto à circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes, não foram localizadas, entre as publicações do canal no período de 2 a 11 de outubro de 2026, reproduções das afirmações examinadas nos autos", afirmou o relatório.
O documento pondera, por outro lado, que mensagens veiculadas entre 25 e 29 de setembro foram apagadas ou editadas a partir do dia 7 de outubro, o que leva a uma "lacuna" para a análise dos riscos -que só pode ser suprida pelos registros originais sob a guarda do provedor.
Além disso, o relatório diz que o canal exprime um "potencial de acirramento de antagonismos políticos em um momento de alta polarização, embora seus efeitos não possam ser precisamente dimensionados".
O assessor especial de enfrentamento à desinformação do TSE, Frederico Alvim, afirma que o canal tem "elevada audiência potencial, volumes expressivos de encaminhamento em publicações isoladas, emissão de orientações sincronizadas de mobilização e dificuldade de reconstituir integralmente o histórico por consulta pública".
A campanha de Flávio afirmou, em nota, que o apagamento de mensagens faz parte da estratégia de Janones para burlar os mecanismos de controle do WhatsApp e do próprio TSE. Anunciou, ainda, que vai encaminhar à corte eleitoral um novo relatório técnico sobre o canal, "com a conservação de grande parte do conteúdo que Janones apagou".
"Proibir a disseminação de fake news e combater canais que deliberadamente se comportam de forma a burlar os mecanismos de controle não é nem nunca foi censura. É obrigação legal", diz a nota.
Atendendo a um pedido da campanha de Flávio, que acusa Janones de utilizar o canal para disseminar informações falsas e coordenar ataques contra sua candidatura, Kassio mandou censurar o canal no domingo (11), o que gerou uma série de críticas internas à sua atuação.
Depois disso, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral eleitoral, derrubou a censura de Kassio e determinou que o canal voltasse a funcionar. Além disso, pediu que o tema seja incluído na primeira sessão virtual regimentalmente disponível, com apreciação urgente, preferencialmente em até 24 horas.
Na noite desta segunda-feira, o canal de Janones já reunia quase 4 milhões de seguidores e é uma das apostas da campanha de Lula para mobilizar a tropa digital, área em que a direita costuma ter protagonismo.
Como mostrou a Folha de S. Paulo, Kassio deu a decisão contra o canal de Janones sem ter indícios ou documentos de que as fake news apontadas na ação da campanha de Flávio circulavam no grupo. A ação relatava notícias falsas sobre Nossa Senhora, ligação de Flávio com milícias e lavagem de dinheiro na Kopenhagen, além de cortes no INSS. O jurídico de Flávio, entretanto, não anexou nenhum documento relativo a isso.
Nesse contexto, Cueva pediu esclarecimentos e documentos que comprovassem a circulação do conteúdo no canal. No entanto, 40 minutos depois desse pedido, a campanha de Flávio encaminhou pedido a Kassio e juntou alguns documentos, obtendo uma decisão favorável do presidente do TSE.
Procurada, a advogada da campanha de Flávio, Maria Claudia Bucchianneri, afirmou ter informado ao tribunal que não havia notas atuariais das postagens no grupo devido ao grande volume de material e que o próprio TSE deveria ter feito isso.
Nota da campanha afirma ainda que a ação tinha sido movida em segredo de Justiça, com pedido para que assim se conservasse até que a Meta conservasse os dados. E acrescenta que o corregedor não determinou a conservação de dados e retirou o segredo do processo.
A guerra jurídica entrou no discurso dos candidatos. Nesta segunda, Lula cobrou Kassio e disse que presidente do TSE "não pode ter lado".
"Para ele achar que ele tem que cortar, ele tem que mostrar qual é a ilegalidade que tem. O que não pode é o presidente da Suprema Corte Eleitoral ter lado na política. O lado dele tem que ser o lado da igualdade de comportamento, da igualdade de procedimento", afirmou.
"Eu acho que eles estão extrapolando em algumas decisões contra a minha campanha, isso é visível, isso já foi denunciado", disse ainda.
Durante ato da esquerda na Paulista, Lula criticou a decisão de Kassio, que considerou "absurda", e disse estar "desconfiado do comportamento da corte eleitoral".
Ministros de uma ala do TSE diziam extraoficialmente no domingo haver indícios de engajamento de Kassio na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Especialistas em direito eleitoral consultados pela reportagem também questionaram a postura do magistrado.
O ministro Kassio já havia convocado uma reunião a ser realizada nesta terça-feira (13) para reunir as campanhas de Flávio e Lula. O encontro deve contar com a presença de Bucchianeri, do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha, e o advogado Angelo Ferraro, da campanha do presidente Lula.
Uma colisão envolvendo um automóvel e uma motocicleta foi registrada na noite de segunda-feira (12) em um trecho da BA-001, no distrito de Mar Grande, município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica.
Segundo informações do Alô Juca, o acidente ocorreu no momento em que o carro realizava uma manobra na pista e acabou atingido na lateral esquerda pela motocicleta. Imagens gravadas no local mostram danos na porta do motorista do veículo e a moto caída ao lado da via, além de duas pessoas caídas.
Até o momento, órgãos oficiais e forças policiais não confirmaram o estado de saúde das vítimas nem a ocorrência de óbitos. O Bahia Notícias entrou em contato com a Polícia Militar (PM-BA) para obter informações sobre o caso. As causas exatas do impacto e a quantidade de ocupantes em cada veículo serão apuradas pelas autoridades de trânsito locais.
Um acidente envolvendo uma moto aquática na zona rural de Guanambi, município do Sertão Produtivo, deixou um estudante de medicina desaparecido no final da tarde deste domingo (11). O veículo, tripulado por três pessoas, acabou virando durante uma confraternização entre amigos em um sítio às margens da Barragem Poço do Magro.
As investigações preliminares registradas pela Polícia Civil apontam que Shelton Charles Sousa Farias, desaparecido após o acidente, estava na garupa com uma mulher e um menor de idade apontado como o condutor do veículo. Por volta das 17h, o condutor perdeu o controle e os três ocupantes foram lançados na água.
Ao site Achei Sudoeste, parceiro do Bahia Notícias, testemunhas relataram que o piloto e a passageira foram salvos por uma segunda moto aquática que navegava próximo ao local. No entanto, quando o resgate retornou para buscar Shelton, ele já havia submergido.
O pai da vítima fez uma queixa de desaparecimento. Equipes do Corpo de Bombeiros ainda visitaram o local durante a tarde de domingo, mas não conseguiram realizar varredura subaquática por falta de mergulhadores de plantão da cidade.
Uma guarnição especializada de Vitória da Conquista foi acionada para assumir o resgate. Shelton permanece desaparecido e as buscas foram retomadas nesta segunda-feira (12).
O jornalista Rogério Tomaz Jr foi impedido de entrar em território argentino após desembarcar em Buenos Aires nesta segunda-feira (12). Segundo o brasileiro, equipes da Direção Nacional de Migrações lhe apresentaram uma ordem de deportação e uma restrição que o proíbe de visitar o país pelos próximos cinco anos.
Ao portal UOL, o Tomaz Jr. afirmou ao UOL que representantes do órgão responsável por aplicar a política migratória da Argentina negaram sua entrada no país com a justificativa de que seu visto de residência está irregular. O brasileiro possuía um visto permanente válido até o ano de 2037, mas foi alegado que o jornalista não teria passado dias suficientes no país para manter o visto de residência.
Em mensagem enviada a contatos brasileiros, Tomaz acredita que sua deportação tenha se dado em razão do embate que teve com integrantes do partido de Milei nos últimos meses. Ele atualmente escreve um livro sobre a gestão Milei na Argentina, com previsão de publicação em fevereiro de 2027.
"Eu até posso recorrer dessa sanção, mas não posso mais recuperar o visto de residência permanente", afirmou, antes de embarcar sentido Guarulhos, em São Paulo.
A recente onda de queimadas que atingiu o estado do Amazonas seria fruto direto da ação humana intencional, provocada em um bioma onde não existe fogo espontâneo. A constatação é do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, que avalia que os focos de incêndio vêm sendo acesos deliberadamente para degradar a floresta e preparar o solo para futuros desmatamentos. O estado registrou 540 novos focos de incêndio em apenas 48 horas.
Após realizar um sobrevoo em áreas florestais de difícil acesso ao lado do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, Capobianco identificou a presença de chamas em locais isolados. Diante dos indícios de queimadas criminosas, o ministro enfatizou a necessidade de responsabilização rigorosa. “É fundamental que as pessoas que estão agindo criminosamente vejam que serão punidas”, afirmou.
O impacto das ações humanas na região refletiu-se em um salto abrupto nos dados do painel Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Somente no sábado (10), 494 novos focos tiveram início no Amazonas. No mesmo dia do ano anterior, o Inpe não havia registrado nenhum foco no estado. Os 540 focos acumulados em dois dias equivalem a mais da metade de todas as queimadas registradas em outubro do ano passado, foram 874 focos ao longo de todo o mês.
A fumaça gerada pelos incêndios provocados degradou a qualidade do ar, levando a Defesa Civil de Manaus a emitir um alerta de risco à saúde. Devido à gravidade do cenário, a situação de emergência foi reconhecida em caráter sumário para 36 municípios amazonenses.
Uma operação integrada entre os governos municipal, estadual e federal foi montada para conter as chamas e punir os infratores. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) mobilizou 290 brigadistas e seis aeronaves, quatro aviões Air Tractor (com capacidade de lançar cerca de 3 mil litros de água cada) e dois helicópteros. Além disso, a Força Aérea Brasileira (FAB) enviou dois aviões KC-390 para reforçar o combate aéreo. A Força Nacional do SUS está atuando no atendimento médico das regiões em emergência, enquanto equipes de defesa civil coordenam ações de ajuda humanitária às famílias afetadas pela fumaça.
No Brasil, todo mundo é técnico de futebol na Copa do Mundo, médico em epidemia e analista internacional diante de conflitos globais. Com as redes, nos tornamos também milhões de cientistas políticos, cada um com um diagnóstico para os números que saíram das urnas domingo. Entre os progressistas, a culpa, máxima culpa, é do lado oposto. Nunca ninguém no próprio campo cometeu erro algum, seja de avaliação, condução e, muito menos, de leitura de cenário. E se cometeu, ah, mas isso é hora de falar disso?
Chegamos ao final do primeiro turno das eleições de 2026 com o país radicalmente dividido. Metade do eleitorado com ódio da outra e invocando de modo quase explícito a extinção de quem pensa e vota diferente de si. O real é que uma metade do Brasil não vai se livrar da outra, não é verdade que tenhamos no país mais de 50 milhões de nazistas, nem 50 milhões de burros.
Imprensa e Cleitinho - Aqui, o ponto de partida de onde se observa o cenário, um Brasil cortado ao meio com uma fenda ideológica aberta por uma guerra mais cultural que política, é a imprensa. Do jornalismo profissional praticado pelas empresas de comunicação ditas tradicionais aos veículos ditos independentes, marcados cada um do seu lado por seu viés ideológico, como de um lado a revista Oeste e a Gazeta do Povo, e do outro, o ICL, a revista Fórum e o Intercept, como exemplos. Não se ignora aqui o protagonismo e a capacidade das redes de viralizar na mesma medida tanto fatos reais quanto versões avessadas destes. Só não confundimos redes com imprensa.
O que a imprensa noticiou nas últimas semanas atingiu, sim, as campanhas eleitorais, à direita e à esquerda. Entretanto, o que parte da opinião pública não consegue é separar o que são os fatos reais que constituem as notícias, seu impacto no eleitorado e a distância entre a responsabilidade da imprensa em informar e a “culpa” do jornalismo pelas performances eleitorais de A ou B.
Estamos hoje em um ecossistema informativo em que o jornalismo talvez seja a fonte pela qual só um percentual ínfimo do eleitorado leve em consideração o que lê na imprensa quando se trata de decidir em quem votar. E não diga que alguém acredita que a população de Minas Gerais levou em consideração a imprensa ao eleger com uma votação estrondosa o ex-verdureiro Cleitinho. O autoengano dos cientistas políticos do zap impressiona.
Geni e a desaplaudida - Antes, durante e depois da já histórica reunião do STF, o que se via era uma Corte metendo os pés pelas mãos e comprometendo o futuro institucional do país, desmentindo a máxima de que “as instituições estão funcionando”. A Suprema Corte ofereceu voluntariamente os melhores cortes, o mais valioso produto eleitoral da vez, para que a nova e extrema direita construísse castelos de voto. No entanto, tanto para a extrema direita como para os progressistas, a culpa de todos os prejuízos de reputação de seus totens é da imprensa. A Globo, por exemplo, é a grande Geni nacional, atacada pelos dois lados.
O que os caçadores dos votos perdidos precisam é decidir se a imprensa tem ou não poder. Na hora dos debates, por exemplo, o argumento é o de que a imprensa perdeu o protagonismo de agendar a esfera pública. Quem é o neandertal que precisa de debate na TV para decidir voto? Vamos então às redes, às mensagerias privadas, aos youtubers. Entretanto, quando faltam votos nas urnas, quem provocou o sumiço destes? A imprensa e os jornalistas malintencionados. Que paradoxo é esse? Como pode a imprensa, essa desaplaudida, ser tão poderosa para promover ou fazer debandar milhões e milhões de votos, se ninguém a consome? Vejo professores se orgulhando de não assinar jornais, não terem (mais) TV em casa e se recusarem a ver um telejornal. Mas o veredicto destes para a ressaca eleitoral é a condenação do jornalismo. No máximo dividem a sentença com os pastores. O futuro já chegou.
Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora do Curso de Jornalismo da UFBA - @maluzes / [email protected]
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Navi Pillay
"Talvez dividiria com Trump".
Disse a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026 nesta sexta-feira (9), a jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay ao brincar com a reação do público e declarou que, se os aplausos continuassem, "talvez dividiria o prêmio com Trump". Em tom descontraído, a premiada questionou se o anúncio era real: "Como advogada e juíza, ainda quero verificar se tudo isso é verdade", brinca.