PF deve investigar se áudio de Vorcaro sobre Lula é falso e AGU pede direito de resposta à revista Veja
Por Edu Mota, de Brasília
Após ser acionada, na manhã desta sexta-feira (9), pelos advogados da campanha do presidente Lula, a Polícia Federal avalia abrir um inquérito para investigar a autenticidade do áudio em que o banqueiro Daniel Vorcaro faz acusações ao líder petista. O áudio foi divulgado pela revista Veja na noite desta quinta (8).
Os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, que defendem o presidente Lula, pediram que a PF realizasse uma perícia urgente nos áudios. Os advogados também pediram fosse investigada uma possível articulação entre Vorcaro e pessoas ligadas à campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo reportagem da revista Veja que foi às bancas nesta sexta, Daniel Vorcaro afirma em um áudio, a uma pessoa não identificada, que teria liberado dinheiro para um documentário sobre o presidente Lula. O valor teria sido de R$ 30 milhões, e o banqueiro compara a forma como deu esse valor ao documentário sobre Lula com o que chamou de “patrocínio” ao filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Caso atenda à campanha do PT, a Polícia Federal, com a instauração do inquérito, poderá realizar uma perícia para verificar a autenticidade das gravações e identificar possíveis cortes, montagens ou manipulações por inteligência artificial. A origem e a integridade do material ainda não foram esclarecidas.
Em nota oficial divulgada nesta sexta, a Polícia Federal confirmou o recebimento de uma notícia-crime com pedido de providências urgentes relacionada à reportagem da Veja. Segundo a corporação, o expediente foi encaminhado à área técnica para adoção das providências de polícia judiciária.
Além do pedido da campanha de Lula, a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu direito de resposta contra reportagem da revista Veja que cita a fala de Daniel Vorcaro. Em nota, o órgão afirmou que solicita espaço para rebater informações divulgadas.
A medida da AGU surgiu em resposta a uma requisição de providências feita pela Secretaria de Assuntos Jurídicos da Presidência da República e pelo Ministério da Saúde. Em ofício, a Secretaria Especial de Assuntos Jurídicos fala em possível crime de calúnia em períodos de campanha eleitoral.
Segundo o secretário especial da Presidência, Marcelo Weick Pogliese, a Procuradoria-Geral da República já havia se manifestado para arquivar delações do fundador do Banco Master por falta de provas. O documento afirma que a reportagem da Veja, mesmo sabendo do arquivamento, decidiu veicular as informações atribuídas a Vorcaro.
“Há fortes indícios de manipulação, falseamento e desinformação, com dano à imagem institucional da Presidência da República, à credibilidade de políticas públicas da União e à integridade do processo eleitoral”, declarou o secretário de Assuntos Jurídicos da Presidência da República.
