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Rafael Góis, CEO e sócio do grupo Fictor, e o ex-sócio da instituição financeira Luiz Rubini estão entre os alvos de uma operação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Polícia Militar (PM), deflagrada na manhã desta quarta-feira (25), que apura a atuação de uma organização suspeita de fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal.
Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal em São Paulo e são cumpridos em municípios paulistas - Rio Claro, Americana e Limeira - além de cidades no Rio de Janeiro e na Bahia. A decisão judicial também determinou o bloqueio e o sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões. Segundo as investigações, o volume das fraudes pode ultrapassar R$ 500 milhões.
Também foram autorizadas medidas cautelares para rastreamento de ativos financeiros, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de dezenas de pessoas físicas e jurídicas investigadas.
De acordo com a PF, a investigação que resultou na Operação Fallax teve início em 2024, após a identificação de indícios de um esquema estruturado voltado à obtenção de vantagens ilícitas. As apurações apontam que o grupo atuava por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras e da utilização de empresas para movimentação e ocultação de valores.
Ainda conforme a investigação, a organização utilizava empresas de fachada e estruturas empresariais para dissimular a origem dos recursos ilícitos. Funcionários inseriam dados falsos em sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas. Em seguida, os valores eram convertidos em bens de alto valor e criptoativos, com o objetivo de dificultar o rastreamento.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva, além de crimes contra o sistema financeiro nacional. Somadas, as penas podem ultrapassar 50 anos de reclusão.
GRUPO FICTOR
A holding administrada por Rafael Góis enfrenta processo de recuperação judicial com compromissos estimados em cerca de R$ 4 bilhões. A empresa é conhecida no mercado financeiro, entre outros fatores, pela ligação com o Banco Master, após uma tentativa de aquisição da instituição em novembro de 2025.
Fundada em 2007 com a proposta de atuar como empresa de soluções tecnológicas, a Fictor passou a expandir suas operações ao longo dos anos. Em 2012, realizou a primeira operação em private equity, movimento que impulsionou o crescimento do grupo. A partir de 2016, ampliou o portfólio de atuação e, em 2018, passou a operar também nos setores de commodities e agronegócio.
O pedido de recuperação judicial marca o momento mais recente da empresa. Segundo informações apresentadas no processo, a medida foi motivada por uma crise de liquidez associada à tentativa de aquisição do Banco Master, ocorrida em novembro de 2025.
Ainda conforme os dados informados pela companhia, até 17 de novembro daquele ano foram realizados aportes de aproximadamente R$ 3 bilhões por sócios. Um dia depois, com a liquidação do Banco Master, houve aumento nos pedidos de resgate. Até 31 de janeiro de 2026, esses pedidos alcançaram cerca de 71,38% do total inicialmente investido.
Animados com a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de exigir do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), que atenda o pedido de prorrogação da CPMI do INSS, um grupo de parlamentares quer agora garantir o mesmo benefício tanto para a instalação da CPI do Banco Master no Senado, quanto para a criação da CPMI do Master com deputados e senadores.
No Senado, há um requerimento para criação da CPI do banco Master que conta com 51 assinaturas. O documento foi protocolado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), no final do ano passado, e a instalação da comissão é cobrada insistentemente nas sessões plenárias por diversos parlamentares.
Um dos senadores que deve assinar o mandado de segurança a ser apresentado no STF é o atual relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira (MDB-SE). Segundo Vieira, o pedido será para que seja instalada a CPI apenas no Senado, já que para uma comissão mista é necessária a convocação de sessão do Congresso.
Parlamentares que defendem a instalação da comissão mista sobre o Banco Master também aguardam com expectativa se a decisão sobre a prorrogação da CPMI do INSS a será ratificada pelos demais ministros do STF. O presidente do Supremo, Edson Fachin, marcou para esta quinta-feira (26) o julgamento da decisão de Mendonça a respeito da CPMI.
Segundo o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), a mesma “omissão” de Davi Alcolumbre apontada pelo ministro André Mendonça para justificar a prorrogação valeria para a criação da outra comissão referente ao Master. Isso porque tanto a prorrogação da investigação sobre o INSS quanto a instalação da CPMI sobre o banco de Daniel Vorcaro dependem da realização de uma sessão do Congresso Nacional, que ainda não foi convocada neste ano por Alcolumbre.
Em reação à determinação do ministro André Mendonça sobre a CPMI do INSS, o presidente do Congresso Nacional pediu um parecer jurídico da Advocacia do Senado para saber se teria que cumprir a medida. Alcolumbre também deve aguardar o resultado do julgamento desta quinta no STF para decidir se procede à leitura do requerimento de prorrogação.
Apesar do entusiasmo da oposição com a possibilidade de prorrogação da CPMI do INSS e talvez instalação de CPI do Master no Senado ou conjunta, nos bastidores, já haveria um movimento para derrubar a decisão do ministro André Mendonça. Segundo o site do jornal Estado de S.Paulo, integrantes do STF avaliam que existe uma jurisprudência para garantir que as minorias tenham seus direitos contemplados na abertura de CPIs, entretanto, essa prerrogativa não teria valor para a prorrogação do prazo dos trabalhos de uma comissão parlamentar.
Segundo a avaliação de ministros do tribunal feita ao Estadão, a prorrogação seria um ato discricionário do presidente da Casa, ou seja, cabe a ele decidir se toma essa atitude ou não a partir de uma avaliação política das investigações. Caberia ao Supremo atuar apenas em caso de omissão do presidente da Casa na tomada de decisão.
Um dia antes de ser preso, em novembro do ano passado, o empresário Daniel Vorcaro realizou uma pesquisa na internet sobre o juiz responsável pelo inquérito que resultou em sua detenção. A informação consta em material extraído do celular do investigado, apreendido pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
De acordo com os registros, Vorcaro buscou no Google quem era o titular da 10ª Vara Federal de Brasília, onde tramitava, à época, o inquérito sigiloso. O print da pesquisa integra o conjunto de dados compartilhado pela Polícia Federal com parlamentares da CPI do INSS.
Segundo apuração, a consulta foi realizada em 16 de novembro de 2025. No dia seguinte, por volta das 22h, Vorcaro foi preso ao tentar embarcar em um jatinho com destino a Dubai, com escala em Malta, sob suspeita de tentativa de fuga do país. As informações foram publicadas pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Ainda conforme a investigação, o material reforçou, entre investigadores, a suspeita de possível vazamento de informações relacionadas à apuração. As autoridades apontam que o ex-banqueiro e outros envolvidos teriam acessado sistemas do Ministério Público e da Polícia Federal, obtendo dados de procedimentos sigilosos.
No mesmo dia da pesquisa, Vorcaro também registrou, em um bloco de notas no celular, a anotação: “Vocês são próximos? Ricardo Soares Leite, 10 vara criminal federal”. Conforme revelado pelo jornal Estadão, o conteúdo teria sido enviado a um destinatário não identificado por meio de mensagem de visualização única, estratégia que, segundo as investigações, era utilizada para evitar o rastreamento das comunicações.
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deveria sofrer impeachment pelo Senado por conta das suspeitas de envolvimento com negócios escusos do Banco Master. Essa é a opinião de 49,3% dos entrevistados de uma pesquisa AtlasIntel/Estadão, divulgada nesta sexta-feira (20).
De acordo com a pesquisa, outros 33,7% disseram acreditar que Toffoli só deveria ser afastado se houvesse comprovação de seu envolvimento no caso. Já 12,8% disseram que o ministro não deveria sofrer impeachment, e 4,1% não souberam responder.
A pesquisa ouviu 2.090 pessoas entre os dias 16 e 19 de março, por meio de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
As suspeitas de relações diretas entre o ministro do STF e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foram levantadas pelas investigações da Polícia Federal. Foi revelado que Toffoli recebeu um pagamento, junto com seus irmãos, pela venda do resort Tayayá o Fundo Arleen, cujo único cotista era o fundo Leal. Este, por sua vez, tinha como único cotista Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
O resort também esteve envolvido em operação financeira milionária da empresa Maridt S.A., pertencente a Toffoli e sua família, conforme admitido em nota oficial. Além disso, em novembro de 2025, o ministro viajou em jatinho particular de Vorcaro para assistir à final da Libertadores da América.
O relatório da Polícia Federal aponta ainda telefonemas entre eles, um convite para uma festa de aniversário e conversas sobre pagamentos relacionados ao resort Tayayá, da família do magistrado. A PF descobriu ainda um convite de Toffoli a Vorcaro para um aniversário, que aponta para uma possível relação de intimidade entre os dois.
A ex-noiva do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi convocada para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal na próxima quarta-feira (25). A modelo Martha Graeff teve sua convocação aprovada para que os senadores possam questioná-la sobre as supostas conversas do banqueiro com o ministro Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
De acordo com o Estadão, o requerimento apresentado pelo senador Marcos do Val (Podemos-ES) justifica que foram revelados “diálogos mantidos entre o Sr. Daniel Vorcaro e a Sra. Martha Graeff, nos quais teriam sido mencionadas tratativas e comentários envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes”.
Nesse contexto, o senador afirma que “a oitiva da Sra. Martha Graeff mostra-se necessária para esclarecer o teor desses diálogos, o contexto em que ocorreram e eventuais fatos de seu conhecimento que possam contribuir para o avanço das investigações conduzidas por esta Comissão”.
A CPI entende que Graeff é “interlocutora frequente e destinatária de relatos feitos por Daniel Vorcaro ao longo de período relevante das apurações” de irregularidades cometidas pela instituição financeira.
Além da CPI do Crime Organizado, Graeff está convocada para comparecer no Congresso em oitiva na CPMI do INSS, na próxima segunda-feira, 23. O depoimento também deve tratar dos contatos de Vorcaro com Alexandre de Moraes e outras figuras do “alto escalão do Poder Judiciário”, segundo o requerimento.
“Na condição de pessoa de extrema confiança de Daniel Vorcaro, a Sra. Martha Graeff pode fornecer detalhes essenciais sobre a rotina, os contatos e a rede de influência que o Banco Master mantinha em Brasília, o que é crucial para entender se houve facilitação de negócios ou blindagem jurídica em relação às fraudes investigadas no sistema previdenciário”, diz o documento assinado pelo deputado federal Kim Kataguiri (União-SP).
“Não tenho a pretensão de ser o salvador de nada”. A afirmação foi feita na manhã desta sexta-feira (20) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante uma palestra na Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro. O ministro é atualmente o relator dos casos mais polêmicos atualmente no Corte, como o escândalo do Banco Master e as fraudes no INSS.
Antes de sua palestra, André Mendonça foi saudado pela presidente da OAB do Rio de Janeiro, Ana Basílio, como alguém que Deus havia enviado para que valores como ética e honra voltassem a prevalecer no país. O ministro abriu sua fala enfatizando que não tinha a pretensão de ser uma “esperança” de salvar a pátria.
“Não tenho a pretensão de ser uma esperança ou alguém diferente em algum sentido com algum dom especial, não. Tenho só a expectativa de tentar fazer o certo pelos motivos certos”, disse Mendonça.
O ministro concentrou seu discurso nos ideais que deveriam direcionar a carreira de um profissional do Direito, especialmente um advogado. “Que cada um de nós assuma a sua responsabilidade no dia a dia”, afirmou.
André Mendonça narrou a sua trajetória na vida pública e os valores com os quais buscou atuar, tanto na Advocacia-Geral da União (AGU) quanto no comando do Ministério da Justiça, durante o governo Jair Bolsonaro. Para o magistrado, a escolha pela advocacia deve resultar do desejo de pôr em prática os princípios reconhecidos pela Constituição Federal.
“Que ganhar dinheiro não seja o objetivo. Que você ganhe muito dinheiro, mas como consequência de bons princípios postos em prática”, disse o ministro aos advogados presentes no encontro.
Em relação à carreira como juiz, Mendonça declarou que o papel de um bom juiz é simplesmente julgar de forma correta.
“Acho que este é o papel de um bom juiz, o papel de um bom juiz não é ser estrela”, emendou ele, sob aplausos.
Na sua palestra, Mendonça não fez qualquer menção ao caso Master. O ministro agora está à frente da negociação para a delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O banqueiro foi transferido nesta quinta (19) de uma penitenciária federal para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília em meio às discussões sobre uma delação. A defesa do banqueiro, a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal assinaram um acordo de confidencialidade, pontapé inicial para tentar se firmar uma colaboração premiada.
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou nesta quinta-feira (19) que enviou um ofício ao Supremo Tribunal Federal (STF) com questionamento sobre quem utiliza o número funcional que recebeu mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A conversa de Vorcaro com alguém do STF se deu antes do dono do Master ser preso.
“O relatório oficial que nos foi enviado é que o número é do STF. Está confirmado oficialmente que o senhor Vorcaro tinha acesso a alguém do STF”, apontou Viana, ao dizer que a CPMI recebeu um relatório do Sistema de Investigação de Registros Telefônicos e Telemáticos (Sittel), que confirmou que o contato de Vorcaro se deu com um número funcional do STF.
Viana disse que o relatório entregue pelo Sittel à CPMI do INSS indica que o número funcional do STF teria começado a operar no dia 22 de fevereiro de 2017. A data é exatamente um mês anterior à posse do ministro Alexandre de Moraes, indicado pelo então presidente Michel Temer (MDB) em 6 de fevereiro de 2017. O Sittel é um sistema desenvolvido pelo Ministério Público Federal (MPF).
“Não posso fazer uma afirmação de qual ministro é, uma vez que nós, naturalmente, vamos oficiar o STF para que nós tenhamos esta informação e a clareza de com quem estava o número no dia em que a comunicação feita”, explicou o presidente da CPMI do INSS.
De acordo com reportagem publicada pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria mandado mensagens ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, no dia em que foi preso pela primeira vez, em 17 de novembro de 2025. A conversa teria se dado por meio desse telefone funcional que agora a CPMI do INSS quer saber quem utilizava.
O jornal O Globo apresenta prints de conversas atribuídas a Vorcaro e Moraes. A reportagem afirma que às 17h22 do dia 17 de novembro, algumas horas antes da operação da Polícia Federal que resultou na prisão do empresário, ainda no ano passado, Vorcaro teria mandado para Moraes: “Conseguiu bloquear?”.
A matéria do jornal O Globo afirma que a conversa atribuída aos dois foi encontrada pela PF no celular de Vorcaro.
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal, na noite desta quinta-feira (19). A movimentação ocorre após autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. A expectativa é de que o banqueiro realize uma delação premiada.
Segundo o Metrópoles, Vorcaro embarcou em um helicóptero por volta das 18h50 e chegou na Superintendência da PF às 19h05.
Na quarta (18), o advogado de Vorcaro, José Luís Oliveira Lima, conhecido como “Juca”, procurou a PF e o ministro André Mendonça para informar sobre o interesse do banqueiro em firmar um acordo de delação premiada.
Questionado pela TV Globo, o advogado de Vorcaro afirmou que não vai comentar o caso neste momento. Segundo ele, a decisão se deve à "sensibilidade do caso".
Daniel Vorcaro foi preso no início do mês durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
No dia 6 de março, ele foi transferido do Complexo Penitenciário de Potim (SP), no interior paulista, para a Penitenciária Federal em Brasília.
A unidade da igreja Lagoinha Belvedere, localizada na região centro-sul de Belo Horizonte, encerrou as atividades menos de duas semanas após a prisão de Fabiano Zettel, cunhado do empresário Daniel Vorcaro, investigado no âmbito do chamado Caso Master, que apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras.
Zettel exercia a função de pastor da unidade e também integrava o quadro de sócios administradores da instituição. De acordo com a própria igreja, ele estava afastado das atividades pastorais desde novembro de 2025.
A assessoria de comunicação da Lagoinha confirmou o fechamento da unidade, mas não informou os motivos para a decisão.
O advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu pagamentos que totalizam cerca de R$ 280 mil, por meio de uma empresa de consultoria que foi beneficiária de repasses de R$ 18 milhões do Banco Master e da JBS, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista.
A informação foi divulgada nesta quinta-feira (19) em reportagem do jornal Estado de S.Paulo. O jornal teve acesso a documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) referentes a movimentações do Banco Master.
De acordo com a reportagem, o banco de Daniel Vorcaro enviou R$ 6,6 milhões à empresa Consult Inteligência Tributária, e a JBS foi responsável por repasses de outros R$ 11,3 milhões, realizados entre agosto de 2024 e julho de 2025.
As transações correspondem à totalidade do que foi recebido pela empresa Consult no período em que o Coaf analisou. A empresa declarou faturamento de R$ 25,5 mil.
Entre os pagamentos feitos pela consultoria no mesmo período, levantados pelo Coaf por amostragem, foram identificados 11 pagamentos, que totalizam R$ 281.630,00, ao advogado Kevin de Carvalho Marques, de 25 anos, filho do ministro Nunes Marques. Os pagamentos foram recebidos por meio do escritório de Kevin Marques, do qual ele é o único responsável, segundo os registros da Ordem dos Advogados do Brasil.
O Estadão obteve do Coaf a confirmação de que as transações da empresa Consult teriam sido “incompatíveis com a capacidade financeira, indicando que alguns dos valores podem ter origem não formal”. Ou seja, o documento do órgão do Ministério da Fazenda aponta que o entra e sai de dinheiro não bate com o volume movimentado até ali e que os altos repasses repentinos poderiam representar uso da firma apenas para passagem de recursos.
Em resposta à reportagem do Estadão, o escritório de Kevin de Carvalho Marques afirmou que o pagamento seria lícito e decorrente do exercício regular da advocacia. “A atuação para a empresa mencionada foi voltada ao fisco administrativo”, disse a nota.
O advogado afirmou que “nunca defendeu nenhum caso” no STF e rechaçou o que chamou de “tentativas de criminalização da advocacia e de interferência no sigilo profissional”.
Já a Consult explicou ao Estadão que a empresa foi criada há quatro anos para “expandir o atendimento às regiões Sul e Sudeste”, mas que o grupo atua desde 2004, com outro CNPJ, atendendo mais de 300 empresas. Sobre os pagamentos feitos por Master e JBS, a empresa afirmou que “prestou serviços de auditoria e consultoria tributária, bem como de desenvolvimento e implantação de sistemas destinados à execução e ao processamento de dados para fins de auditoria tributária, além de serviços de migração de dados às empresas desses grupos”.
Em relação aos pagamentos feitos ao filho do ministro Kássio Nunes Marques, a empresa disse que o valor pago ao advogado era por uma “prestação de serviços técnicos e de assessoria jurídica para a Consult, entre 2024 e 2025”.
A pedido do senador Humberto Costa (PT-PE), a CPI do Crime Organizado do Senado retirou da pauta de votações o requerimento para convocação do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil). A comissão está reunida nesta quarta-feira (18) para votar diversas convocações de autoridades, além de quebras de sigilo e compartilhamento de informações.
O documento para convocação de ACM Neto foi contestado pelo senador Sérgio Moro (União-PR) no início da reunião. Moro disse não haver relação da atuação do ex-prefeito de Salvador com o foco de investigação da CPI, que é a atuação do crime organizado no Brasil.
Para Moro, a tentativa do PT de convocar não apenas ACM Neto, mas outros nomes como o do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do ex-ministro da Fazenda, Paulo Guedes, caracterizava manobra política e eleitoral a partir da CPI.
O senador paranaense disse que se a CPI fosse adentrar em investigações sobre relações do Banco Master com autoridades da Bahia, ele exigiria também a votação dos requerimentos que apresentou para convocação do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues.
“Esse requerimento envolvendo o ex-prefeito ACM Neto, se nós formos verificar a questão do Banco Master na Bahia, a principal suspeito recai sobre o senhor Rui Costa, o ministro da Casa Civil. É conhecida essa história de que através do CredCesta, deram exclusividade ao Banco Master, e do outro lado ainda proibiram os servidores da Bahia que tivessem a portabilidade para escolher taxas de juros menores do que o consignado. Então a observação que faço aqui é que se vai investigar, investigue todo mundo, mas não se utilize essa CPI como instrumento para criação e exploração de fatos políticos que não têm nenhuma relação, ou que se faça uma seleção de alvos”, afirmou Moro.
“Se vamos adentrar na questão da Bahia, então vamos convocar o ministro Rui Costa e o governador Jerônimo Rodrigues, que deu continuidade a essa relação do governo baiano com o Master”, completou Sérgio Moro.
Na justificativa para a convocação de ACM Neto, o senador Humberto Costa afirma ser necessária para que ele esclareça na CPI se houve tráfico de influência, lavagem de dinheiro ou outras irregularidades na relação entre ele e o Banco Master. Costa citou relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que revelou que a empresa de consultoria de ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da empresa de investimentos Reag entre 2023 e 2024.
Outro pedido que foi retirado pelo senador Humberto Costa pedia a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico do ex-prefeito de Salvador. O senador petista disse que iria pedir votação desses requerimentos em reuniões futuras.
Uma terceira solicitação que teve sua votação adiada foi o pedido, também do senador Humberto Costa, que pedia a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa A&M Consultoria Empresarial. A empresa tem como administrador principal o ex-prefeito de Salvador, e recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da empresa de investimentos Reag entre 2023 e 2024.
A possibilidade de uma delação premiada envolvendo o empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, não deve se concretizar neste momento, segundo informações de bastidores. O cenário reduz a apreensão de interlocutores do Palácio do Planalto em relação ao caso.
De acordo com relatos, não está nos planos de Lima adotar a mesma estratégia que Vorcaro, que avalia colaborar com as investigações. A defesa do empresário sustenta que sua atuação ocorreu dentro da legalidade e destaca que ele se afastou do banco antes do agravamento da crise envolvendo a instituição. As informações são do colunista Caio Junqueira, da CNN Brasil.
A defesa, conduzida pelo escritório Figueiredo & Velloso Advogados — banca com histórico em casos de operações da PF desde 2010 —, evita tradicionalmente a utilização da delação premiada. O sócio Pedro Ivo Velloso conduz o caso e avalia que a situação de Lima difere da de Vorcaro.
Segundo pessoas próximas, os dois mantinham uma relação profissional distante. Fontes afirmaram à CNN Brasil que o próprio Lima solicitou sua saída da sociedade no Banco Master, em maio de 2024, após tomar conhecimento, por terceiros, de negócios conduzidos por Vorcaro.
Ainda conforme esses relatos, o estilo de atuação de Vorcaro também gerava desconforto. Lima é descrito como discreto e teria assumido o controle do banco Voiter, posteriormente rebatizado como Banco Pleno, que acabou sendo liquidado pelo Banco Central.
A estratégia jurídica adotada pela defesa de Lima é reforçar o desligamento da sociedade com o Banco Master como elemento central, ocorrido cerca de um ano antes da tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).
Entre os envolvidos no caso, Lima é apontado como o que possui maior proximidade com integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT). Essa relação teria se iniciado em 2018, durante a gestão de Jaques Wagner à frente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, no governo de Rui Costa.
Naquele período, Lima venceu a licitação para aquisição da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e criou o CredCesta, cartão de crédito consignado voltado principalmente a servidores públicos, com taxas de juros abaixo das praticadas no mercado.
O modelo foi posteriormente replicado em outros estados. Em 2020, Lima ingressou na sociedade do Banco Master levando o CredCesta, que se tornou um dos principais ativos da instituição.
Uma empresa ligada à nora do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), aparece na folha de pagamento do Banco Master, em meio às investigações e controvérsias envolvendo a instituição financeira. As informações são da coluna Milena Teixeira, do Metrópoles.
A estudante de psicologia e formada em direito Bhonnie de Bonilha foi contratada, por meio de empresa própria, para atuar na prospecção de operações de crédito consignado para o banco, que tem como um de seus principais nomes o empresário Daniel Vorcaro.
Bonilha é casada com Eduardo Sodré, secretário de Meio Ambiente da Bahia e enteado de Jaques Wagner. O contrato com o banco foi firmado por meio da BK Financeira, empresa fundada em 2021, na qual ela é sócia do advogado Moisés Dantas.
Em declaração, o sócio confirmou a relação comercial e afirmou que o serviço prestado não se trata de consultoria, mas de prospecção e indicação exclusiva de operações e convênios de crédito consignado. Segundo ele, todos os valores recebidos foram formalizados por meio de notas fiscais e estão disponíveis para eventual apuração por autoridades.
Procurada, Bhonnie de Bonilha informou que o sócio responderia pelos esclarecimentos. Já o senador Jaques Wagner declarou que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa e que cabe exclusivamente à companhia explicar suas atividades e contratos.
Além da BK Financeira, a nora do senador também é proprietária da empresa BN Representações, registrada com atuação em desenvolvimento e licenciamento de softwares não customizáveis. Documentos da Receita Federal indicam que, até janeiro deste ano, a empresa possuía outra razão social — “Vamos Florir Comércio de Flores Ltda” — e atuava no comércio varejista de plantas e flores.
No mesmo período, houve mudança no quadro societário, com a saída de Patrich Toaldo Bonilha, irmão de Bonnie, que deixou a sociedade, passando ela a assumir o controle individual da empresa.
Está marcada para as 9h desta quarta-feira (18) uma reunião administrativa da CPI do Crime Organizado, do Senado, na qual serão votados 37 requerimentos de convocação de autoridades, quebras de sigilo e compartilhamento de informações. Entre os requerimentos que serão apreciados está um apresentado pelo senador Humberto Costa (PT-PE), que pede a convocação do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil).
Na justificativa do requerimento, o senador petista afirma ser necessária a convocação para que ACM neto esclareça na CPI se houve tráfico de influência, lavagem de dinheiro ou outras irregularidades na relação entre ele e o Banco Master.
Costa cita relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que revelou que a empresa de consultoria de ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da empresa de investimentos Reag entre 2023 e 2024. O senador lembra que o Banco Master, por sua vez, é investigado pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero por um esquema de fraude bilionária no sistema financeiro, com conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC), o que, para ele, justificaria a investigação da CPI.
“O próprio sr. ACM Neto confirmou o recebimento dos valores, alegando se tratar de pagamentos por serviços de consultoria. No entanto, a natureza desses serviços e a razão pela qual uma empresa de consultoria recém criada por um político de projeção nacional foi contratada por um banco no epicentro de um escândalo de lavagem de dinheiro precisa ser esclarecida”, afirma o senador petista.
“É importante esclarecer que essa medida não exorbita os limites do plano de trabalho desta CPI, que estabelece como escopo o ingresso do crime organizado nos mercados aparentemente lícitos, fenômeno conhecido como novos ilegalismos”, conclui Humberto Costa.
Além da convocação de ACM Neto, pode ser votado também pela CPI outro requerimento de Humberto Costa que pede a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa A&M Consultoria Empresarial. A empresa tem como administrador principal o ex-prefeito de Salvador, e recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da empresa de investimentos Reag entre 2023 e 2024.
Segundo afirmou o senador petista no seu requerimento, a quebra dos sigilos da A&M Consultoria permitirá à CPI do Crime Organizado rastrear o fluxo de recursos, verificar a origem e o destino dos valores recebidos, e apurar se os serviços de consultoria alegados são compatíveis com os pagamentos efetuados.
“A análise dos dados bancários, fiscais e telemáticos é fundamental para determinar se houve tráfico de influência, lavagem de dinheiro ou outras irregularidades na relação entre a empresa de consultoria e o Banco Master”, afirma Humberto Costa.
A CPI do Crime Organizado é presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), e tem como relator o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). A comissão tem 11 membros, e para que seja aprovado um requerimento, são necessários seis votos.
Na semana passada, o pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, divulgou um vídeo em suas redes sociais com esclarecimentos sobre a divulgação de pagamentos do banco Master/ Reag feitos a uma empresa dele. O ex-prefeito afirmou que iria acionar o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria-Geral da República para pedir a apuração do que classificou como vazamento criminoso de dados sigilosos, e se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
“Ainda no dia de hoje, estamos dando entrada junto ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral da República, com um requerimento, solicitando que se apure o vazamento criminoso de dados sigilosos, um vazamento manipulado que foi amplamente noticiado na imprensa. Neste mesmo requerimento, eu vou me colocar inteiramente à disposição desses dois órgãos para prestar qualquer tipo de esclarecimento", afirmou.
Na sua declaração, Neto levantou a hipótese de motivação política por trás da divulgação das informações. "É claro que esse vazamento que aconteceu faz com que a gente se pergunte se não tem política por trás disso. Nós sabemos que a gente está na boca de uma eleição, e é muito estranho isso acontecer", disse.
Após Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, ter emitido uma nota na qual diz estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, a direção da CPMI do INSS anunciou para a próxima segunda-feira (23) a realização de uma oitiva. A CPMI havia aprovado um requerimento convocando Martha Graeff, e por isso ela é obrigada a comparecer, desde que não receba um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF) tornando compulsória a ida ao colegiado.
A nota da ex-noiva de Vorcaro, que mora no exterior, foi divulgada por seu advogado, Lucio de Constantino. O texto faz referência à denúncia de que ela teria sido beneficiada com a transferência de imóveis por parte do dono do Banco Master.
“A Sra. Martha não possui imóveis, automóveis ou depósitos de valores decorrentes do relacionamento com o Sr. Daniel Vorcaro. Também não tem conhecimento sobre a existência de algum Trust que lhe envolva, seja nos Estados Unidos ou em qualquer outro país”, afirma a nota.
O advogado de Martha Graeff critica ainda a exposição de conversas privadas entre ela e Vorcaro, e reforça a disposição da empresária de esclarecer as informações.
“A exposição de privacidade que vem sofrendo é uma violência, além de totalmente ilegal. Neste momento tão difícil de sua vida, seu objetivo é esclarecer os fatos e preservar sua família de todos esses ataques, principalmente sua filha, uma menina de apenas seis anos. A Sra. Martha se coloca à inteira disposição das autoridades brasileiras para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários”, conclui o advogado Lucio de Constantino.
A convocação de Martha Graeff atendeu requerimento apresentado pelo deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP). O deputado justificou a oitiva destacando a informação de que a Polícia Federal apura uma transferência do patrimônio de Vorcaro para a ex-namorada, com o objetivo de blindar o ex-banqueiro.
A PF apura, entre outros fatos, uma possível compra de uma mansão localizada em Miami com valor em torno de R$ 450 milhões. Nas conversas entre Daniel Vorcaro e Martha, ela pergunta se não seria muita exposição e ele diz que “bolou um plano”. A conversa é de maio de 2024.
Além do comparecimento à CPMI do INSS, Martha Graeff pode ter que dar explicações também na CPI do Crime Organizado, do Senado. Nesta quarta (18), a comissão se reúne para votar 37 requerimentos, e entre os itens da pauta está a convocação da ex-noiva de Daniel Vorcaro.
O relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, suspendeu o acesso dos membros da CPMI do INSS aos dados do celular de Daniel Vorcaro que estavam na sala-cofre do Senado. A decisão foi proferida na noite desta segunda-feira (16).
Em sua decisão, Mendonça alega que a suspensão do acesso é necessária devido a “preservação do sigilo em relação a aspectos da vida privada” de Vorcaro. E suspendeu o acesso até que a Polícia Federa retire os dados pessoais do banqueiro.
“A Polícia Federal deverá, em colaboração interinstitucional com a Presidência da CPMI-INSS, retirar todos os equipamentos que estão armazenados no referido local para realizar uma nova e detida separação dos dados existentes, de maneira a que eventual conteúdo que diga respeito exclusivamente à vida privada do citado investigado não seja compartilhado com a referida Comissão Parlamentar”, diz a decisão.
Conforme apuração da GloboNews, Mendonça teria atendido uma solicitação interna do Supremo Tribunal Federal, visando evitar novos vazamentos dos conteúdos do celular do dono do Banco Master.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), já mandou trancar a sala-cofre e impedir o acesso. Segundo aliados, Viana fez isso por “responsabilidade”, já que havia o risco de vazamentos.
Desde a última sexta-feira (13), os dados do banqueiro estavam sendo indexados, de forma a facilitar as buscas dos parlamentares nas conversas e arquivos encontrados no telefone de Vorcaro.
A expectativa de deputados e senadores era de que uma busca mais detalhada fosse possível a partir desta terça-feira (17). Com a decisão de Mendonça, entretanto, o acesso não será mais possível.
Mais cedo, ao sair, da sala-cofre da CPMI do INSS onde estão armazenadas as informações sobre a quebra de sigilo de Vorcaro, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) disse à imprensa que o material não tem relação com as investigações da comissão.
“Do que vi até agora, não vi absolutamente nada que tenha qualquer relação com o objeto da investigação da CPMI. Não vi nenhum documento que trate de crédito conciliado ou de desconto associativo do INSS. Existe um volume muito grande de informações. Uma parte dessas informações não tem nenhuma relevância do ponto de vista investigativo”, afirmou o deputado Paulo Pimenta a jornalistas.
Segundo outras informações obtidas pelo site Metrópoles, o conteúdo sigiloso do celular do banqueiro Daniel Vorcaro conteria muitos vídeos íntimos do dono do Master e fotos de caciques políticos em momentos de descontração.
Ao sair, na tarde desta segunda-feira (16), da sala-cofre da CPMI do INSS onde estão armazenadas as informações sobre a quebra de sigilo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) disse à imprensa que o material não tem relação com as investigações da comissão. Pimenta é um dos parlamentares da bancada governistas na CPMI.
“Do que vi até agora, não vi absolutamente nada que tenha qualquer relação com o objeto da investigação da CPMI. Não vi nenhum documento que trate de crédito conciliado ou de desconto associativo do INSS. Existe um volume muito grande de informações. Uma parte dessas informações não tem nenhuma relevância do ponto de vista investigativo”, afirmou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) a jornalistas.
Segundo outras informações obtidas pelo site Metrópoles, o conteúdo sigiloso do celular do banqueiro Daniel Vorcaro conteria muitos vídeos íntimos do dono do Master e fotos de caciques políticos em momentos de descontração. A maioria dos políticos que aparecem nas imagens, de acordo com parlamentares ouvidos pelo site, são de partidos do chamado Centrão que tinham relação próxima com o banqueiro.
Os parlamentares da CPMI do INSS estão podendo acessar os documentos que foram extraídos pela Polícia Federal do celular do dono do Banco Master. Os dados estão desde a semana passada guardados em uma sala-cofre no Senado, com monitoramento 24 horas.
A medida foi determinada pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), após episódios de vazamento de informações envolvendo o material sob investigação. O acesso ao local é restrito a deputados e senadores que integram o colegiado e a um assessor de cada parlamentar.
Nesta segunda, além de Paulo Pimenta, também estiveram na sala-cofre os deputados Rogério Correia (PT-MG) e Alencar Santana (PT-SP), além dos senadores Izalci Lucas (PL-DF) e Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo relatos de parlamentares governistas, no material pesquisado não há menções a integrantes da gestão atual ou de filiados ao PT, mas haveria citações a nomes do governo Bolsonaro. O sigilo dos dados, no entanto, impede a verificação das declarações.
Para reforçar a segurança, foi instalado um detector de metais na entrada da sala-cofre da CPMI. Celulares e outros dispositivos eletrônicos são deixados por parlamentares ou assessores em envelopes lacrados, sendo permitida a entrada apenas com papel e caneta.
O governo da Bahia, sob gestão de Jerônimo Rodrigues (PT), realizou 207 pagamentos ao Banco Master entre 2023 e fevereiro de 2026. A informação foi publicada pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, neste domingo (15).
Segundo a matéria, dados do Portal da Transparência do Estado apontam que os repasses somam R$ 49,2 milhões no período.
De acordo com as informações disponíveis, apenas em 2024 foram pagos R$ 47,4 milhões em operações relacionadas à antecipação de valores provenientes de precatórios do Fundef.
Além disso, neste sábado (14) o site Metrópoles publicou que o empresário baiano Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master, teria operado um esquema de pagamento de propina para empresas com políticos como sócios ocultos. A Polícia Federal teria identificado que uma das empresas a receber dinheiro está no nome da esposa de um secretário de Estado com conexões com o PT baiano.
Ainda sobre os desdobramentos do caso, na semana passada, o jornal O Globo informou que o ex-prefeito de Salvador ACM Neto foi contratado pelo Banco Master para um serviço de consultoria no valor de R$ 3,2 milhões.
A manutenção da prisão preventiva e mudanças na equipe de advogados de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, aumentaram as especulações sobre a possibilidade de o banqueiro firmar um acordo de delação premiada no âmbito das investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Vorcaro está preso preventivamente desde o dia 4 de março, na Penitenciária Federal de Brasília. A detenção ocorreu durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura a suposta venda de carteiras de crédito fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB).
A primeira fase consiste na manifestação de interesse da defesa em negociar um acordo. Nessa etapa inicial, a proposta formal é apresentada ao Ministério Público ou ao delegado responsável pela investigação. Os órgãos envolvidos registram o recebimento da proposta e mantêm termos de confidencialidade, atas e roteiro de audiência.
Na segunda etapa, o possível colaborador apresenta informações preliminares, como nomes, locais e documentos que possam contribuir com as investigações. Esse momento é conhecido como “teste de utilidade”, quando os investigadores analisam se o investigado possui elementos capazes de comprovar as informações fornecidas.
A terceira fase envolve a triagem da consistência das informações e a avaliação do interesse público na colaboração. Nesse estágio, a acusação confronta o conteúdo apresentado com as provas já existentes no processo.
Na sequência, ocorre a negociação das cláusulas do acordo. São definidos o objeto da colaboração, as obrigações do colaborador, a forma de entrega de documentos e dispositivos, os deveres de veracidade, regras de sigilo, consequências em caso de descumprimento e os benefícios pleiteados.
A quinta etapa corresponde à formalização do acordo por escrito e ao pedido de homologação judicial. O documento é submetido ao juiz competente, que analisa a regularidade, legalidade e voluntariedade do pacto. Conforme entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal (STF), o magistrado não avalia a veracidade dos fatos narrados, mas a validade do acordo firmado.
Após eventual homologação, inicia-se a fase de execução da colaboração. O investigado passa a prestar depoimentos formais e entregar materiais como mídias, aparelhos eletrônicos, planilhas e documentos, além de indicar contas, operadores financeiros, intermediários e fluxos de pagamento relacionados às investigações.
Em seguida, as informações entram na etapa de corroboração, quando as autoridades realizam diligências para verificar os dados apresentados. Esse processo pode incluir buscas e apreensões, perícias, quebras de sigilo, oitivas de testemunhas, cooperação internacional e cruzamento de informações.
A etapa final consiste na avaliação do cumprimento das obrigações assumidas pelo colaborador. Somente após essa análise é que podem ser concedidos os benefícios previstos no acordo, que dependem da eficácia das informações fornecidas e do cumprimento integral das cláusulas estabelecidas.
Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master, teria operado um esquema de pagamento de propina para empresas com políticos como sócios ocultos. A Polícia Federal teria identificado que uma das empresas a receber dinheiro está no nome da esposa de um secretário de Estado com conexões com o PT baiano.
Segundo a coluna Andreza Matais, do jornal Metrópoles, dados obtidos a partir da quebra de sigilo de Daniel Vorcaro explicam a dimensão dos valores envolvidos na operação.
Relatos apontam que Lima operava um esquema de pagamento de propina, com malas de dinheiro distribuídas na sede do banco, em São Paulo, ou para empresas que teriam políticos como sócios ocultos.
Lima ficou preso por 11 dias, entre 18 e 29 de novembro de 2025, e foi solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) com monitoramento por tornozeleira eletrônica. O ex-CEO também é controlador do Banco Pleno.
Além da ligação com o PT, dados do Coaf indicam que uma empresa do ex-presidente de Salvador, ACM Neto (União Brasil), recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag. Segundo Neto, ele prestou serviço de consultoria ao banco.
O banqueiro Daniel Vorcaro passou por um surto na cela em que está preso na Penitenciária Federal de Brasília, e precisou receber atendimento médico. O dono do Banco Master se machucou após esmurrar as paredes da cela.
A informação foi dada na noite desta sexta-feira (13) pela coluna Radar, no site da revista Veja. O surto de Vorcaro se deu no mesmo dia em que a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter a decisão do ministro André Mendonça que determinou a prisão de Daniel Vorcaro.
De acordo com a coluna, interlocutores da defesa do banqueiro relatam que além de esmurrar as paredes, Daniel Vorcaro chegou a gritar nomes de políticos e autoridades que tiveram relacionamento financeiro com ele. Os xingamentos direcionados a essas autoridades seria porque não estariam atuando para tirá-lo da prisão.
Daniel Vorcaro está desde a última sexta (5) na Penitenciária Federal de segurança máxima em Brasília. Nesta semana, o Daniel Vorcaro foi transferido da cela de isolamento para a ala de saúde da Penitenciária.
O novo espaço tem entre sete e oito metros quadrados e conta com monitoramento por câmeras durante 24 horas por dia, exceto na área do banheiro. Um vidro separa a cela do local onde ficam os profissionais de saúde, responsáveis por acompanhar o detento de forma permanente.
Ainda nesta sexta, Daniel Vorcaro passou a ser representado por nova equipe de defesa, o que indica que ele pode negociar uma delação premiada. O advogado Pierpaolo Bottini, do escritorio Bottini & Tamasauskas, passou o caso para o advogado José Luis Oliveira Lima.
Bottini já vinha afirmando que não participaria de negociação para delação premiada no caso do ex-banqueiro. Em sua saída, ele alegou motivos pessoais para tomar a decisão. Já Oliveira Lima, conhecido como um dos criminalistas mais importantes do país, já conduziu delações premiadas delicadas, como a do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, no auge da Operação Lava Jato.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro tem nova equipe defesa durante o processo de investigação da trama do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF) e indica que pode negociar uma delação premiada. Isso é o que diz a reportagem da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo. O advogado Pierpaolo Bottini, do escritorio Bottini & Tamasauskas, deixa o caso, e o advogado José Luis Oliveira Lima deve assumir o caso.
Bottini já vinha afirmando que não participaria de negociação para delação premiada no caso do ex-banqueiro. Em sua saída, ele alegou motivos pessoais para tomar a decisão. Já Oliveira Lima, conhecido como um dos criminalistas mais importantes do país, já conduziu delações premiadas delicadas, como a do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, no auge da Operação Lava Jato.
Ele ainda advogava para o Banco Master antes da liquidação da instituição pelo Banco Central, em novembro. Segundo fontes ligadas a Vorcaro, o ex-banqueiro já aventava a hipótese de fazer delação antes mesmo de ser preso, no dia 4 de março, por decisão do ministro do STF, André Mendonça.
Ele aguardava o julgamento da Segunda Turma da Corte para tomar a decisão final. Nesta sexta (13), foi mantido preso pelos magistrados. Ao determinar a prisão de Vorcaro, Mendonça entendeu que fatos contemporâneos mostrariam que o dono do Master quebrou as regras das medidas cautelares impostas anteriormente a ele.
O ex-banqueiro já havia sido preso em novembro, quando a instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central. Foi solto na sequência, mas tinha que usar tornozeleira e não podia sair da cidade de São Paulo.
A decisão de Mendonça de prender novamente Vorcaro foi tomada também porque a Polícia Federal encontrou no celular do empresário mensagens que mostravam que ele mantinha uma milícia privada com o objetivo de coagir e ameaçar seus desafetos, conhecida como “A Turma”.
Poucos minutos depois de iniciado, às 11h desta sexta-feira (13), o julgamento no plenário virtual do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça apresentou voto pela manutenção da prisão, em regime fechado, do dono do banco Master, Daniel Vorcaro. O julgamento ocorre na Segunda Turma do STF.
Logo depois do voto de Mendonça, que é o relator do processo na Segunda Turma, o ministro Luiz Fux seguiu o entendimento pela manutenção da prisão. Com isso, o julgamento já tem um placar de dois votos a favor de que Daniel Vorcaro siga preso na Penitenciária Federal de Brasília.
Em um voto de 53 páginas, o ministro André Mendonça argumenta que a liberdade tanto de Daniel Vorcaro quanto do seu cunhado, Fabiano Zettel, comprometeria, de modo direto, a efetividade da investigação da Polícia Federal sobre as fraudes no Banco Master, além da própria “confiança social’ na Justiça.
“Permitir que permaneçam em liberdade significa manter em funcionamento uma organização criminosa que já produziu danos bilionários à sociedade. Sob outro prisma, há risco concreto de destruição de provas, pois os investigados demonstraram possuir meios de acesso a documentos sensíveis e a sistemas estatais, além do domínio de empresas instrumentalizadas para a prática de ilícitos de seus interesses”, anotou o relator do inquérito.
Além da prisão preventiva de Daniel Vorcaro, também está em julgamento na Segunda Turma a manutenção da detenção em regime fechado de Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro, e de Marilson Roseno da Silva, apontado como líder da suposta milícia privada de Vorcaro, conhecida como "A Turma".
Como o ministro Dias Toffol se considerou suspeito de participar do julgamento, faltam portanto dois votos para completar o placar. Ainda precisam apresentar seus votos no plenário virtual os ministros Gilmar Mendes e Nunes Marques.
O julgamento tem duração prevista de uma semana, e está marcado para acabar às 23h59h da próxima sexta (20). Caso algum outro ministro acompanhe a posição do relator, estaria confirmada a manutenção da prisão de Daniel Vorcaro e seu cunhado.
Entretanto, se os ministros Gilmar Mendes e Nunes Marques votarem contra a decisão de André Mendonça e estipularem outro tipo de prisão, como a domiciliar, por exemplo, o placar se encerraria empatado em 2 x 2, o que beneficiaria Daniel Vorcaro. Com o empate, Vorcaro poderia sair da prisão em regime fechado, já que a lei prevê que prevalece a posição mais favorável ao investigado.
Políticos do centrão se mobilizam para tentar garantir a libertação de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, no processo que tramita na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso é o que apontam as informações da jornalista Andréia Sadi, do g1. Nos bastidores, parlamentares temem que, o avanço das investigações, Vorcaro escolha conceder uma delação premiada.
Neste caso, Vorcaro seria obrigado a contar o que sabe e poderia mencionar outras pessoas envolvidas, incluindo políticos, em troca de benefícios, como uma eventual redução de pena, em caso de condenação. Ao g1, nesta quinta-feira (12), a defesa do banqueiro negou que ele esteja negociando uma delação.
No entanto, grupos no Congresso especulam que se ficar muito tempo preso, Vorcaro decida fazer uma colaboração e revele a extensão dessas relações políticas e financeiras. A tentativa de liberação do banqueiro, por sua vez, passa pela contagem de votos na Segunda Turma.
A Segunda Turma do Supremo começa a julgar nesta sexta-feira (4), se Vorcaro deve ou não continuar preso. Daniel Vorcado foi preso na última quarta-feira (4), por ordem do ministro André Mendonça, que está na relatoria do caso Master após a saída de Dias Toffoli no processo. Atualmente, o banqueiro está isolado numa cela em um presídio federal de segurança máxima em Brasília.
Na votação desta sexta, os ministros vão analisar a decisão de Mendonça, que apontou risco para a ordem pública e as investigações. Informações do g1 apontam que interlocutores políticos começaram a mapear votos dentro da Segunda Turma e a operar nos bastidores para tentar construir uma maioria favorável à soltura do banqueiro.
Na Segunda Turma estão os ministros Gilmar Mendes, Nunes Marques e Luiz Fux, além de Mendonça e Dias Toffoli, este último tendo se declarado, na última quarta-feira (11), suspeito para analisar decisão. Assim, com quatro votos na disputa, a conta do centrão considera um eventual empate, que favoreceria o réu e libertaria Vorcaro.
Como o ministro André Mendonça é o relator e autorizou a prisão, a esperança do grupo recai sobre nos demais ministros.
A defesa do empresário Daniel Vorcaro negou informações divulgadas pelo site Uol, nesta quinta-feira (12), sobre uma eventual intenção do dono do Banco Master de fazer uma delação premiada. A reportagem afirma que a Procuradoria-Geral da República estaria negociando uma delação de Vorcaro.
O dono do Banco Master está preso na Penitenciária Federal de Brasília há uma semana. Daniel Vorcaro foi alvo na terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura fraudes financeiras cometidas pelo banco.
Advogados do banqueiro afirmaram ser inverídicas as notícias relacionadas a uma suposta tratativa de delação premiada com a PGR.
“Essa informação jamais partiu de qualquer dos advogados envolvidos no caso, e sua divulgação tem o único objetivo de prejudicar o exercício da defesa nesse momento sensível”, diz nota divulgada pelos advogados de Vorcaro.
A defesa avalia que neste momento o foco do banqueiro é no julgamento que começa nesta sexta (13) na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal. Os ministros vão analisar a decisão do relator, André Mendonça, que determinou a prisão do banqueiro.
Como o ministro Dias Toffoli se declarou suspeito para julgar o caso, a decisão de manter ou não a prisão será avaliada por André Mendonça, Gilmar Mendes (presidente da turma), Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.
O dono do Banco Master recebeu na última terça (10), na Penitenciária Federal de Brasília, a visita de um de seus defensores. O advogado Sérgio Leonardo afirmou que esteve com o banqueiro por cerca de uma hora.
Segundo o advogado, a direção da penitenciária assegurou que a conversa não fosse gravada, em cumprimento à decisão do ministro André Mendonça, do STF. Dessa forma, durante a visita, as câmeras foram mantidas desligadas e cobertas.
O escândalo envolvendo o Banco Master levou o Banco Central a atingir, em fevereiro deste ano, o milésimo “regime de resolução” decretado pela instituição desde sua criação, em 1966. O instrumento é utilizado em situações consideradas graves, quando o órgão precisa intervir para evitar riscos ao sistema financeiro.
Dados obtidos pela Fiquem Sabendo, agência de dados independente, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que, ao longo das últimas décadas, instituições sediadas na Bahia também já foram alvo desse tipo de medida.
Segundo planilha do Banco Central, ao menos 17 bancos, financeiras, corretoras ou cooperativas com sede no estado foram submetidos a regimes especiais como intervenção, liquidação extrajudicial ou administração temporária. Os casos foram registrados entre 1975 e 2019.
Hoje, o BC mantém 14 regimes de resolução ativos no país, a maioria em fase de liquidação extrajudicial, mecanismo que interrompe o funcionamento da instituição e inicia o processo de retirada do mercado.
Além disso, o caso Master já resultou na liquidação ou administração temporária de pelo menos nove instituições financeiras, entre elas os bancos Master, Will Bank, Pleno e Letsbank.
HISTÓRICO NA BAHIA
Entre os episódios mais conhecidos envolvendo instituições baianas está o do Banco Econômico, que sofreu intervenção do Banco Central em agosto de 1995 e entrou em liquidação extrajudicial. Em 2022, o BTG Pactual concluiu sua aquisição e o Banco Econômico saiu da liquidação e passou a se chamar Banco BESA S.A.
Fundado em 1843, em Salvador, o Econômico enfrentou problemas quando a intervenção foi decretada. Ente eles, dificuldades de liquidez, reconhecimento indevido de receitas, concentração de operações de crédito e insuficiência patrimonial.
O levantamento do Banco Central também aponta medidas para empresas ligadas ao antigo Banco do Estado da Bahia (Baneb) e outras instituições do sistema financeiro local, incluindo financeiras, corretoras e cooperativas de crédito.
Em 1999, o Baneb foi extinto e comprado pelo Bradesco com leilão de privatização. À época, outras privatizações de bancos estaduais foram realizadas, e o governo baiano ficou com os créditos e dívidas da instituição.
Também aparecem na lista nomes como:
Baneb Crédito Imobiliário S.A.
Baneb Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento
Baneb Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários
Catedral Corretora de Câmbio e Títulos Mobiliários
JN-Maxi Corretora de Câmbio Ltda.
Cooperativa de Crédito Rural do Vale do Subaé
Cooperativa de Crédito Rural de Itapetinga
Conslar Administração de Consórcios, entre outras.
Nos registros do Banco Central, todos os processos já aparecem encerrados, após etapas como liquidação final, falência, incorporação ou regularização da situação.
REGIMES DE RESOLUÇÃO
Segundo informações obtidas no site do Bacen, quando uma instituição financeira apresenta grave comprometimento do seu patrimônio ou dificuldade de honrar seus compromissos, o Banco Central (BC) pode determinar aos seus controladores que aportem os recursos necessários, transfiram o controle, reorganizem a sociedade ou adotem medidas de recuperação.
Essas ações são também conhecidas como solução de mercado. Conforme a evolução e gravidade dos problemas, o BC pode intervir diretamente na instituição por meio de um Regime de Resolução: Liquidação extrajudicial, Intervenção ou Regime de Administração Especial Temporária (RAET).
Quando um regime de resolução é decretado os controladores perdem o poder de gestão da instituição, que passa a ser administrada por um liquidante, interventor ou conselho diretor, nomeado pelo BC, conforme o tipo do regime.
O regime a ser adotado vai de acordo com o problema apresentado pela instituição, o impacto no sistema financeiro e demais situações analisadas caso a caso. Os regimes de resolução são pautados pelo interesse público, pela preservação da estabilidade financeira e pela não interrupção do funcionamento de funções críticas para a economia real.
LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL
A liquidação extrajudicial é o regime de insolvência que se destina a interromper o funcionamento da instituição e promover sua retirada do Sistema Financeiro Nacional (SFN). É adotado quando a situação de insolvência é irrecuperável e a interrupção do funcionamento da instituição não compromete a estabilidade financeira.
INTERVENÇÃO
A intervenção é adotada quando se vislumbra alguma possibilidade de recuperação. As atividades são suspensas temporariamente. A intervenção dura até doze meses. Conforme o caso, a intervenção cessará se houver a retomada da normalidade ou, não havendo, pela decretação da liquidação extrajudicial ou da falência.
REGIME DE ADMINISTRAÇÃO ESPECIAL TEMPORÁRIA (RAET)
O RAET não afeta as atividades normais da instituição. É adotado quando a instituição, em razão do seu porte ou complexidade operacional, desempenha funções críticas para a economia real ou a quando a paralisação abrupta do seu funcionamento possa causar riscos à estabilidade financeira.
O RAET será encerrado se houver normalização da atividade ou solução de mercado para a instituição. Não havendo solução de mercado, a União pode assumir o seu controle. Havendo possibilidade de adoção de medidas para preservação das funções críticas e da estabilidade financeira, o RAET poderá ser encerrado pela decretação da Liquidação extrajudicial.
Viralizou nos últimos dias na internet e nas redes sociais um vídeo de 2024, em que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, fez uma série de elogios ao Supremo Tribunal Federal (STF). No video no escritório de advocacia Warde Advogados, Vorcaro afirma que o Judiciário é o guardião da democracia brasileira.
“Temos visto com muito louvor e muito orgulho nosso Judiciário nos últimos anos, cumprindo esse papel de maneira exemplar. O Judiciário e a Suprema Corte existem para defender as leis e a nossa Constituição, e precisa estar à parte das opiniões populares das grandes massas”, afirma o dono do Banco Master.
Daniel Vorcaro destaca no vídeo de 2024 que o Judiciário toma milhares de decisões diariamente, que não pode se deixar pela pressão popular e que por isso sempre irá “desagradar” um certo grupo da sociedade. Apesar disso, o banqueiro fez rasgados elogios inclusive aos “juízes de qualidade” do Judiciário brasileiro.
“Não é qualquer tipo de decisão que se toma, e o Judiciário toma milhares de decisões diariamente e sempre vai desagradar um certo grupo da sociedade. O importante é que a gente tem hoje mecanismos muito fortes de controle em todas as esferas do Judiciário, a gente tem um processo de acesso ao Judiciário muito bem formatado, a gente tem juízes de qualidade em todas as esferas, e isso acaba gerando uma estabilidade para o Brasil”, afirmou o banqueiro.
Em perfis que postaram o vídeo, os internautas fizeram diversas ironias sobre a opinião de Vorcaro. Leia abaixo alguns comentários retirados de páginas na rede X e no Instagram.
“Tá elogiando o produto que comprou”.
“Lendo o texto que o Moraes escreveu pra ele”.
“Xande, Toffoli, Dino e Gilmar ficaram orgulhosos de você, Vozcaro”.
“Ele está defendendo o seu escritório jurídico”.
“Garoto propaganda do Judiciário será porque?”
“Qual cartão precisa para ter esse acesso, Vorcaro?”
“Patrão defendendo os empregados”.
"STF tem ministra com peleleca cabelo blanco".
“O guardião da democracia na verdade tem uma mulher que possuía um contrato de 129 milhões, e que está perto de ir para a prisão!!”
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, se declarou suspeito e não será mais relator da ação da Câmara dos Deputados que cobra a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. Nesta quarta-feira (11), Toffoli tinha sido sorteado para relatar o processo.
Em decisão desta quarta-feira, Toffoli alegou “foro íntimo” e não entrou em detalhes. Ele citou apenas um trecho do Código de Processo Civil que afirma que “poderá o juiz declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, sem necessidade de declarar suas razões”.
Na nota desta quarta, Toffoli fez questão de ressaltar, contudo, que não foi considerado suspeito ou impedido de relatar a Operação Compliance Zero, sobre fraudes no Master. Em fevereiro, ele deixou a relatoria das investigações que levaram á primeira prisão do dono do Master, Daniel Vorcaro, após desgastes ao ser apontado como um possível amigo do banqueiro.
Na época, o STF emitiu a seguinte nota: “A pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição”.
O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso afirmou que a Corte enfrenta um “momento difícil” em meio à crise envolvendo o Banco Master. Em entrevista ao programa do jornalista Roberto D’Ávila, exibido pela GloboNews, Barroso reconheceu a existência de uma “percepção crítica” da sociedade em relação ao tribunal, mas ponderou que é necessário aguardar o avanço das investigações antes de qualquer conclusão.
“Há uma percepção crítica real. Eu leio jornal, eu vou à farmácia, eu tenho amigos. Portanto, é um momento difícil. Mas acho que a gente não deve fazer juízos precipitados”, declarou.
De acordo com o O Globo, o caso envolvendo o Banco Master atingiu dois ministros do STF: Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Foram reveladas mensagens atribuídas a Moraes e ao empresário Daniel Vorcaro, dono do banco, no dia em que ele foi preso pela primeira vez. Moraes nega ter recebido as mensagens. Já Toffoli deixou a relatoria do caso após revelar que é sócio de uma empresa que vendeu participação no resort Tayayá, no Paraná, a fundos ligados a Vorcaro.
Barroso afirmou que nunca tinha ouvido falar de Vorcaro antes do caso e disse preferir aguardar o desfecho das investigações antes de fazer qualquer juízo de valor. Segundo ele, ainda que algo venha a ser considerado criticável, não é possível antecipar conclusões. O ex-ministro também elogiou a condução do caso pelo presidente do STF, Edson Fachin, e pelo relator do processo, André Mendonça.
Durante a entrevista, o jornalista Roberto D’Ávila perguntou, em tom de brincadeira, se Barroso apagava mensagens do celular. O ex-ministro respondeu que não. “Não percebi a maldade da sua pergunta”, disse. Barroso afirmou ainda que costuma ser alvo de ataques nas redes sociais, mas que mantém o histórico de conversas. “Como eu tenho má memória, tenho mensagens de trocentos anos atrás”, completou.
Na mesma entrevista, Barroso defendeu a criação de mandatos para ministros do Supremo. Para ele, o ideal seria um período de 12 anos, inspirado no modelo alemão, em substituição ao atual sistema de permanência até a aposentadoria compulsória. Barroso, que ficou no STF por exatos 12 anos, afirmou que a exposição pública prolongada pode se tornar desgastante para os magistrados e seus familiares.
“A exposição pública, ao longo do tempo, ela vai se tornando insuportável. Ela é pessoalmente insuportável, mas sobretudo porque afeta muito as pessoas que você gosta”, afirmou.
O ex-presidente da Corte também disse ver com simpatia a criação de um código de ética para os ministros do STF, embora tenha avaliado que o momento para discutir a proposta pode não ter sido o mais adequado. Barroso anunciou sua aposentadoria em outubro de 2025, após mais de uma década no tribunal.
Uma empresa do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master, que tem como proprietário o banqueiro Daniel Vorcaro. A informação foi revelada através de um relatório do Banco Central, por meio do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Segundo O GLOBO, os valores teriam sido repassados ao vice-presidente do União logo após as eleições de 2022, no mês de em dezembro e entre março de 2023 e em maio de 2024. De acordo com a publicação, Neto confirmou que recebeu os pagamentos e afirmou que os valores são de serviços de consultoria prestados.
Conforme a reportagem, o político baiano seria sócio da empresa A&M Consultoria Ltda., ao lado de sua esposa. A entidade foi constituída em 28 de dezembro de 2022, tendo um capital social de R$ 2 mil. Informações do Coaf mostraram ainda que, de junho de 2023 a maio de 2024, a empresa do ex-deputado federal recebeu R$ 1,5 milhão em 11 repasses da Reag e R$ 1,3 milhão em nove repasses do Master, um total de R$ 2,9 milhões. Durante 1 ano, ACM ganhou da sua própria empresa R$ 4,2 milhões distribuidos em 14 repasses.
Já em março de 2023 e junho de 2023, a instituição recebeu R$ 422,3 mil do Master e R$ 281,5 mil da Reag. Dados da Receita Federal indicaram que a empresa é registrada como atividade principal em prestar serviços “de consultoria em gestão empresarial” e uma atuação “de apoio à educação” como atividade secundária.
Por meio de nota, Neto se manifestou e explicou ao Bahia Notícias, que quando já não exercia cargo público, constituiu a empresa. Nesta ocasião, ele prestou serviços a alguns clientes, a exemplo do Banco Master e a Reag.
“No final do ano de 2022, quando não mais exercia qualquer cargo público, constituí a empresa A&M Consultoria LTDA. A partir de então, prestei serviços a alguns clientes, dentre eles o Banco Master e a REAG. Isto sempre ocorreu com contratos formais, com o devido recolhimento de impostos e trabalhos de consultoria efetivamente executados, notadamente relacionados à análise da agenda político-econômica nacional, e materializados em diversas reuniões com o corpo técnico e jurídico dos contratantes”, disse Neto ao BN.
Veja a nota na íntegra
No final do ano de 2022, quando não mais exercia qualquer cargo público, constituí a empresa A&M Consultoria LTDA. A partir de então, prestei serviços a alguns clientes, dentre eles o Banco Master e a REAG. Isto sempre ocorreu com contratos formais, com o devido recolhimento de impostos e trabalhos de consultoria efetivamente executados, notadamente relacionados à análise da agenda político-econômica nacional, e materializados em diversas reuniões com o corpo técnico e jurídico dos contratantes.
Importante destacar que, no período do contrato, não existia nada que desabonasse as empresas citadas, sendo ambas atuantes em segmento empresarial rigidamente regulado. Os serviços por mim prestados não envolveram qualquer tipo de irregularidade e não têm correlação com os temas que se noticia estarem sob investigação.
Os honorários recebidos, os rendimentos declarados e os dividendos distribuídos são inteiramente compatíveis e congruentes, uma vez que, no mesmo período, foram prestados serviços de consultoria também a outros clientes. Vale frisar que tão logo cessou a prestação dos serviços, os contratos e pagamentos foram finalizados.
Estou totalmente seguro em relação a estes fatos, haja vista não existir nada de errado. De todo modo, não posso deixar de registrar o estranhamento que causa o vazamento seletivo e fragmentado de um documento que condensa informações protegidas por sigilo bancário e fiscal, ao qual não tive acesso e estou tendo notícia da existência pela imprensa, razão pela qual sequer posso fazer algum juízo acerca da conformidade e legalidade desse documento.
Atualizado às 09h35 com a nota oficial
Diante da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de desobrigar o ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, de comparecer à CPMI do INSS, o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), cancelou a sessão que seria realizada na manhã desta quarta-feira (11).
Augusto Lima havia sido convocado para prestar esclarecimentos sobre seu envolvimento nas irregularidades relacionadas à instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro. Lima foi sócio de Daniel Vorcaro e controlador do Master até 2024.
Assim como vem fazendo com outros convocados a depor na CPMI, o ministro André Mendonça impôs o caráter facultativo à presença de Augusto Lima no colegiado. Na decisão, tomada na noite desta terça (10), o ministro afirma que o empresário, se decidisse comparecer à oitiva, poderia se manter em silêncio e não dizer a verdade, sem que pudesse por isso sofrer “constrangimentos físicos ou morais”.
Após cancelar a sessão para ouvir Augusto Lima, o senador Carlos Viana fez postagem na rede X criticando a decisão do ministro André Mendonça. Viana disse que a decisão se tratou de uma “interferência” do STF no trabalho do Congresso Nacional.
“Decisões monocráticas como essa acabam atrasando e dificultando o trabalho do Congresso Nacional na busca de respostas ao povo brasileiro sobre as graves irregularidades investigadas na Previdência Social”, afirmou o presidente da CPMI.
Viana já havia reclamado outras vezes de decisões de ministros do STF sobre o comparecimento de convocados pela CPMI. O senador também decidiu recorrer contra a decisão do ministro Flávio Dino, que suspendeu dezenas de quebras de sigilos bancário e fiscal aprovadas pelo colegiado, entre elas a de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Lula. O recurso foi apresentado pela Advocacia do Senado.
Está marcado para a manhã desta quarta-feira (11), na CPMI do INSS, o depoimento do empresário e ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima. O empresário foi convocado para dar explicações sobre seu envolvimento nas irregularidades relacionadas à instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro.
Augusto Ferreira Lima foi convocado a depor da CPMI após aprovação de requerimento apresentado pelo senador Izalci Lucas (PL-DF). No pedido para a realização da oitiva, Izalci afirma que Lima teria idealizado operações do Banco Master voltadas ao crédito consignado, e acusa o empresário de ser figura central na trajetória operacional do Banco Master.
A CPMI do INSS tentou ouvir Vorcaro em 23 de fevereiro, mas o banqueiro descartou comparecer após uma decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que tornou facultativa a sua presença.
O ex-controlador do Master construiu sua trajetória no sistema financeiro a partir do crédito consignado e ganhou projeção ao se tornar sócio de Daniel Vorcaro. Seu nome passou a circular com mais intensidade no mercado após a liquidação do Master e, posteriormente, com a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Pleno, instituição que controlava.
Lima deixou a sociedade no Banco Master em maio de 2024. Como parte do rearranjo societário, ficou com o Banco Voiter e com a operação do Credcesta, cartão de benefício consignado. A transferência do controle do Voiter para Lima foi aprovada pelo Banco Central em julho de 2025, operação que ocorreu meses antes da deflagração da operação Compliance Zero pela Polícia Federal.
Além da atuação no setor financeiro, Augusto Lima manteve trânsito político e proximidade com figuras da direita à esquerda. Ele é casado com Flávia Arruda, ex-ministra no governo Jair Bolsonaro e ex-deputada federal pelo PL do Distrito Federal, além de se relacionar com parlamentares do PT da Bahia.
Em novembro de 2025, Lima foi preso pela Polícia Federal no âmbito da operação Compliance Zero, que investiga as suspeitas de fraudes na venda de carteiras do Banco Master ao BRB. A prisão preventiva foi revogada menos de duas semanas depois.
Após assumir o controle do Banco Pleno, Augusto Lima tentou viabilizar a venda da instituição. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o banco chegou a ser oferecido a diversos investidores, em um modelo que previa atrelar a venda do Pleno à operação do Credcesta e a necessidade de aportes bilionários para estabilizar a operação. As negociações não avançaram.
Com o agravamento das restrições regulatórias, a dificuldade de captação e a perda de confiança do mercado, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno em 18 de fevereiro.
Em postagem no seu perfil na rede X, na tarde desta segunda-feira (9), o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a exposição das conversas entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e sua noiva, Martha Graeff. O ministro disse considerar que a divulgação das conversas foi uma “gravíssima violação do direito à intimidade”.
“A exposição pública de conversas de cunho estritamente privado, desvinculadas de qualquer ilicitude, constitui uma gravíssima violação ao direito à intimidade e uma demonstração de barbárie institucional que transgride todos os limites impostos pelas leis e pela Constituição”, disse o ministro do STF.
Junto ao seu texto, Gilmar Mendes anexou o link de uma matéria sobre reação da defesa de Martha Graeff, que considerou que a modelo estaria sendo vítima de “grave violência” com a das mensagens íntimas trocadas com o ex-namorado. O vazamento das mensagens viralizou na imprensa e nas redes sociais nos últimos dias, e se transformou em diversos memes com chacotas a Vorcaro e a sua ex-noiva.
O conteúdo das trocas de mensagens entre Martha Graeff e o banqueiro foi extraído dos celulares de Vorcaro apreendidos pela Polícia Federal. Na semana passada, depois de ser enviado para a CPMI do INSS, o material veio à público e foi divulgado pela imprensa.
Gilmar Mendes destacou que a exposição da ex-noiva de Vorcaro se deu justo quando se comemora o Dia Internacional da Mulher.
“Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, parece ainda mais grave a divulgação de tais diálogos, denotando a urgência de refletir sobre como a intimidade feminina é, historicamente, o alvo preferencial de tentativas de desmoralização e controle”, afirmou.
O ministro do STF disse ainda que o vazamento das conversas íntimas revelam uma falha do Estado e seus agentes e um desrespeito à legislação. Gilmar disse acreditar que tal fato impõe a inutilização de trechos que não interessam ao processo que envolve Daniel Vorcaro e o Banco Master.
“Esse cenário evidencia a necessidade inadiável da aprovação da LGPD Penal, garantindo que o tratamento de dados na esfera criminal não seja subvertido em ferramenta de opressão. Ao transformar o que deveria ser uma investigação técnica em um espetáculo e em um verdadeiro ato de linchamento moral, o sistema incorre em nítida afronta à dignidade humana e aos direitos fundamentais”, concluiu o ministro do STF.
A postagem de Gilmar Mendes na rede X já havia recebido quase 800 comentários em apenas duas horas no ar, a grande maioria com críticas não apenas à atuação do ministro, mas do STF como um todo.
Ainda sob o impacto de diversas revelações, nos últimos dias, a respeito de conversas do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com autoridades, parlamentares e pessoas próximas, em que relatava suas relações com membros dos três poderes, a semana começa em Brasília com o Congresso, o Executivo e o Judiciário mantendo um ritmo intenso de trabalho em meio à tensão sobre possíveis novas informações sobre o caso.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem uma semana de compromissos internacionais, a começar nesta segunda-feira (9), com a visita oficial do presidente da África do Sul, Cyri Ramaphosa. Lula também vai ao Chile, para participar da posse do novo presidente daquele país, Jose Antonio Kast.
No Congresso Nacional, os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Rebublicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vão priorizar uma pauta de temas voltados ao combate à violência contra a mulher. Ao mesmo tempo, parlamentares terão uma semana de negociações para trocas de partido, estimuladas pelo início do período da janela partidária.
Confira abaixo um resumo da agenda dos três poderes em Brasília.
PODER EXECUTIVO
O presidente Lula abriu a semana nesta segunda (9) recebendo o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, em solenidade no Palácio do Planalto. A agenda oficial prevê uma série de eventos entre os dois, como uma reunião restrita, a assinatura de uma série de atos e uma declaração conjunta à imprensa.
A agenda da visita do presidente da África do Sul ao Brasil inclui também um almoço oferecido por Lula à comitiva de Cyril Ramaphosa. Por fim, às 15h, Lula e Ramaphosa participam do Fórum Empresarial Brasil-África do Sul.
A agenda internacional de Lula continua na próxima quarta (11), com uma viagem a Valparaíso, no Chile. Lula vai participar da cerimônia de posse do novo presidente do Chile, José Antonio Kast.
No final da semana, o presidente Lula deve fazer viagens a estados do Nordeste. Lula deve participar de solenidades para entregas à população.
Nesta semana, a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, estará em para Nova York (EUA), onde participa da 70ª CSW (Comissão sobre a Situação da Mulher) da Organização das Nações Unidas (ONU). No Instagram, a primeira-dama disse que a CSW é “um dos espaços mais importantes do mundo para discutir nossas vivências e desafios enquanto mulheres”. O encontro reúne governos, organizações e sociedade civil para discutir desafios enfrentados por mulheres e meninas.
No calendário da divulgação de indicadores econômicos, a semana terá na quarta (11) a apresentação da Pesquisa Mensal de Comércio, pelo IBGE. O estudo mostrará os resultados do setor no mês de janeiro deste ano.
Já na quinta (12) o destaque é a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA. O levantamento feito pelo IBGE apresentará os resultados da inflação oficial do país no mês de fevereiro.
Na sexta (13) o IBGE apresentará uma série de estudos sobre diversos setores da economia. Serão divulgadas pesquisas mensais sobre a produção agrícola no país, a Pesquisa Industrial Mensal com os números de janeiro, e a Pesquisa Mensal de Serviços, também para o mês de janeiro.
PODER LEGISLATIVO
Na Câmara, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) agendou uma semana de votações de projetos voltados à proteção das mulheres e ao combate à violência de gênero. Motta disse que iria priorizar uma pauta elaborada pela bancada feminina da Câmara, concentrando esforços em iniciativas que reforçam a segurança, a saúde materna e a participação política das mulheres.
Para as sessões de terça (10) e quarta (11), Hugo Motta programou uma pauta de 18 itens, com requerimentos de urgência e propostas que tratam de monitoramento eletrônico de agressores, campanhas educativas sobre violência doméstica e medidas de proteção para mulheres na política.
Entre os principais itens da pauta está o projeto de lei 2.942/2024, que prevê o uso de monitoramento eletrônico para agressores em casos de violência doméstica, como forma de ampliar a proteção às vítimas e prevenir novos episódios de agressão.
Outro projeto prioritário é o PL 2083/22, conhecido como Lei Barbara Penna, que busca impedir que agressores continuem ameaçando suas vítimas após a condenação. A própria Barbara Penna, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio em 2013, esteve na Câmara na semana passada, em uma sessão solene, e relatou as falhas no sistema ao tentar denunciar a violência contra mulheres.
Também está na lista de votações o projeto 481/2025, que torna obrigatórias campanhas permanentes de informação e prevenção à violência doméstica, nos termos da Lei Maria da Penha, além de proposta que autoriza o porte de aerossol de extratos vegetais para defesa pessoal por mulheres, com regras para comercialização e uso.
Outro tema que pode avançar é o projeto 3.946/2021, que regulamenta o exercício da profissão de doula, aprovado em comissões e pendente de deliberação final no Plenário. A proposta estabelece parâmetros para a atuação dessas profissionais no acompanhamento de gestantes durante o parto.
A pauta também inclui projetos voltados à proteção de direitos das mulheres em diferentes áreas. Entre eles estão propostas que criam medidas de enfrentamento à violência política de gênero (68/2025), instituem uma mobilização nacional anual de 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres (6.222/2025) e determinam a inclusão de mensagens de conscientização sobre violência contra a mulher em rótulos de bebidas alcoólicas vendidas em locais de grande público (3.813/2025).
Há ainda propostas que tratam da proteção da imagem de vítimas de crimes ou acidentes (9.600/2018), da criação do Dia Nacional das Mulheres na Construção Civil (4.638/2023) e do levantamento de dados sobre os impactos da crise climática na vida de meninas e mulheres no Brasil (3.640/2025).
No Senado, o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) determinou que nesta semana sejam realizadas sessões semi-presenciais, sem a necessidade da presença de parlamentares. A justificativa dada por Alcolumbre é o início da chamada janela partidária, em que os deputados e senadores mudam de legenda sem receio de sofrerem processos por infidelidade partidária.
No Plenário, um dos principais itens da pauta na sessão de terça (10) é o projeto de lei 5.874/2025, enviado pelo Executivo, que promove uma ampla reestruturação de carreiras e reajustes no serviço público federal. O texto trata de mudanças nos planos de carreira de servidores técnico-administrativos da educação, cria novas carreiras no Executivo e prevê ajustes remuneratórios para categorias como auditores da Receita Federal e auditores-fiscais do trabalho.
Também pode ser analisado o projeto 3.112/2023, que altera a Lei Maria da Penha para estabelecer que a audiência de retratação em casos de violência doméstica só ocorra mediante manifestação expressa da vítima antes do recebimento da denúncia.
Outro item na pauta do Senado é o projeto de lei 2.371/2021, que inclui a imunoterapia nos protocolos clínicos e nas diretrizes terapêuticas do Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamento de câncer. Na mesma sessão, os senadores podem discutir o projeto de resolução que cria a Medalha Laço Branco, destinada a reconhecer homens que atuam no combate à violência contra a mulher.
Para a sessão de quarta (11), um dos projetos previstos é o PL 715/2019, que estabelece prioridade no atendimento psicológico e social e preferência para cirurgia plástica reparadora no SUS para mulheres vítimas de agressão. Também pode ser discutido o projeto 750/2026, que cria um programa nacional de monitoramento de agressores com uso de tecnologia e inteligência artificial, com o objetivo de reforçar o cumprimento de medidas protetivas e prevenir casos de violência doméstica.
Na CPMI do INSS, está marcado para esta segunda (9) o depoimento da presidente do Banco Crefisa e dirigente do clube Palmeiras, a empresária Leila Mejdalani Pereira. A Crefisa foi a grande vencedora do pregão que definiu o pagamento de novos benefícios do INSS.
Segundo o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), ouvir Leila Pereira se faz necessário após o depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, que citou um levantamento na Secretaria Nacional do Consumidor sobre os bancos com mais reclamações e irregularidades e encontrou a Crefisa entre as instituições.
Também deve ser ouvido nesta segunda ouvido o CEO do Banco C6 Consignado, Artur Ildefonso Brotto Azevedo, convocado a pedido do relator. De acordo com Gaspar, o banco, que possui acordo de cooperação com o INSS.
Por fim, a CPMI deve ouvir o presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção. Ele deveria ter prestado depoimento na última quinta (5), mas a reunião foi cancelada em razão de um problema de saúde do relator.
PODER JUDICIÁRIO
Nesta terça (10), o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) retoma o julgamento que pode levar à cassação do mandato do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. O processo analisa acusações de abuso de poder político e econômico na campanha à reeleição de 2022.
Também nesta terça (10) será analisada na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a Ação Penal 2670, relatada pelo ministro Cristiano Zanin. O processo investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo deputados do Partido Liberal do Maranhão e apura possíveis desvios de emendas parlamentares e irregularidades na destinação de recursos públicos.
São réus na ação penal os deputados Josimar Maranhãozinho, atualmente licenciado, e Pastor Gil, os dois do Maranhão, e o ex-deputado e atual suplente Bosco da Costa (SE).
No plenário do STF, na quarta (11), o destaque é o julgamento da ADI 7419, em que o partido Rede Sustentabilidade e a Federação Nacional das Associações Quilombolas (Fenaq) questionam a validade da anistia a partidos políticos que não preencheram cotas raciais e de gênero. Na ação também é questionada a anistia a partidos que não destinaram valores mínimos em razão de sexo e raça em eleições anteriores a 2022.
De acordo com os artigos 2º e 3º da Emenda Constitucional 117/2022, o descumprimento dessas regras eleitorais não acarretará sanções de qualquer natureza aos partidos políticos, como devolução de valores, multa ou suspensão do fundo partidário das eleições anteriores à sua publicação. Os dispositivos também permitem que os partidos políticos utilizem recursos destinados à promoção e à difusão da participação política das mulheres em eleições subsequentes, mesmo que não tenham cumprido com suas obrigações anteriores.
Para a Rede e a Fenaq, essa previsão afeta a igualdade de oportunidades entre candidatos nas eleições na perspectiva da diversidade e da pluralidade racial e de gênero. No entendimento dos proponentes da ação, estimular a candidatura de integrantes de grupos vulneráveis é a maneira mais efetiva de assegurar a justiça social e a promoção da dignidade humana, e a anistia é incompatível com princípios fundamentais e com garantias individuais e coletivas estabelecidas na Constituição.
Também está no calendário de julgamentos do STF para esta semana no plenário uma ação que analisa a incidência da contribuição para o seguro de acidente de trabalho. Outro tema que será debatido é a chamada Lei Ferrari, que disciplina a relação entre montadoras e concessionárias de veículos.
O julgamento vai começar nesta semana na Corte com um fato curioso: a mudança de posição da Procuradoria-Geral da República (PGR), autora da ação. Se antes o pedido era pela invalidade de trechos da Lei 6.729/1979, agora, o entendimento é pela manutenção da lei e eventuais alterações devem ser feitas pelo Congresso e não pelo Judiciário.
No plenário virtual, a Segunda Turma do STF analisa a partir da próxima sexta (13) a decisão do ministro André Mendonça que determinou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro. O julgamento ocorre na segunda turma, via plenário virtual, pode se estender até o próximo dia 20.
A decisão de Mendonça resultou em uma operação que incluiu quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. Também foram bloqueados bens que podem chegar a R$ 22 bilhões.
Uma festa privada organizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, custou cerca de R$ 222 milhões (US$ 42,4 milhões em valores atuais) e reuniu artistas internacionais, hospedagem em hotéis de luxo e eventos em locais históricos na Sicília, uma das principais ilhas da Itália. As informações constam em uma planilha de despesas obtida pelo portal g1.
Segundo a reportagem, o evento ocorreu entre 6 e 10 de setembro de 2023 e contou com apresentações de nomes da música internacional, como Coldplay, Andrea Bocelli, Michael Bublé e David Guetta.
De acordo com os dados citados pelo g1, o show mais caro foi o do Coldplay, com custo aproximado de R$ 59,7 milhões (US$ 11,4 milhões). Outros cachês incluiriam cerca de R$ 10,5 milhões para Michael Bublé, aproximadamente R$ 10 milhões para a banda The Strokes e cerca de R$ 5,1 milhões para Andrea Bocelli.
A programação foi distribuída ao longo de cinco dias em diferentes pontos históricos da cidade de Taormina e incluiu shows, performances e deslocamento de convidados por transporte aéreo, com até sete helicópteros disponíveis durante o evento.
A planilha também aponta despesas significativas com hospedagem. Vorcaro teria reservado alguns dos hotéis mais luxuosos de Taormina para acomodar convidados, artistas e equipes, com gastos de cerca de R$ 19,9 milhões (US$ 3,8 milhões). Entre os estabelecimentos citados está o Four Seasons San Domenico Palace, conhecido por servir de cenário para a segunda temporada da série The White Lotus.
Além da hospedagem, a documentação obtida pelo portal detalha os valores pagos pela locação de espaços históricos utilizados na programação. O Teatro Greco de Taormina, anfiteatro da Antiguidade, teria custado cerca de R$ 3,3 milhões (US$ 630 mil). Já o Castello degli Schiavi, palácio do século XVIII que aparece em cenas do filme O Poderoso Chefão, foi reservado por aproximadamente R$ 2,4 milhões (US$ 460 mil).
A reportagem afirma que não teve acesso à lista de convidados, mas confirmou as informações com ex-funcionários do banqueiro e integrantes de equipes de produção de artistas que participaram do evento.
COMPLIANCE ZERO
Daniel Vorcaro é investigado por um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras ligado ao Banco Master. Ele foi preso novamente na última quarta-feira (4), em São Paulo, durante nova fase da operação denominada Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
O banqueiro foi transferido na sexta-feira (6) para a penitenciária federal de Brasília.
Em meio ao caso, o Supremo Tribunal Federal divulgou nota informando que análise técnica realizada em dados do celular de Vorcaro aponta que prints de mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes estariam vinculados a outros contatos, e não ao número do magistrado.
A investigação também repercutiu no Congresso. Um líder da oposição na Câmara dos Deputados afirmou que pretende apresentar um pedido de impeachment contra Moraes, alegando que não seria adequado um ministro do Supremo manter comunicação com investigados, o que, segundo ele, poderia levantar questionamentos sobre a imparcialidade do magistrado.
Em meio à revelação de supostas mensagens que mostrariam uma extensa conversa entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal (STF), voltou a circular nas redes sociais e em grupos no WhatsApp vídeos em que o ex-presidente do PTB, Roberto Jefferson, acusava o magistrado de praticar advocacia administrativa.
Os vídeos remontam ao ano de 2020, e na época Roberto Jefferson afirmava que a esposa de Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, recebia contratos e entrava em processos que posteriormente recebiam ganho de causa no STF e outros tribunais superiores. Por conta das acusações, Moraes e sua esposa ingressaram com ação contra Jefferson.
No processo, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou, em fevereiro de 2021, o ex-deputado federal a pagar indenizações por danos morais no valor de R$ 50 mil ao ministro Alexandre de Moraes e de R$ 10 mil à mulher dele, Viviane Barci de Moraes. A Justiça também determinou que o Twitter e o Google retirassem do ar conteúdos com as declarações de Jefferson contra o ministro e sua esposa.
O ex-deputado disse que Viviane Barci de Moraes, a quem chamava de Dona Vivi, “era piloto de fogão” e “virou a maior jurista do Brasil”. “Você entra no escritório, R$ 3 milhões, R$ 2 milhões, mais garantia de sentença favorável, embargos auriculares, ela virou a longa manus do Xandão, ele só disca e os relatores de lá dão o que ela quer, ela ganha tudo, virou uma vergonha”, afirmou Jefferson no vídeo.
O juiz Christopher Alexander Roisin, da 1ª Vara Cível do Foro Central Cível de São Paulo, entendeu que o apelido citado pelo ex-deputado e as declarações sobre Viviane de Moraes extrapolavam o direito de livre manifestação do pensamento ou de crítica.
Na sua decisão, o magistrado afirmou que “não se pode admitir num estado de direito, a extrapolação das faculdades e das liberdades públicas das pessoas, sobretudo quando o manifestante é pessoa pública respeitada no cenário político”, e, ao insinuar que Moraes “pratica advocacia administrativa em benefício de clientes da autora, sem apresentar provas, foge-se dos limites constitucionais da livre manifestação do pensamento”.
Recentemente, a defesa de Roberto Jefferson pediu revisão da decisão e do pagamento da indenização, afirmando que já teria pago mais de R$ 140 mil a Moraes e Viviane, por meio de descontos na aposentadoria dele como ex-deputado. A Justiça de São Paulo, entretanto, recusou o pedido, alegando que os descontos não chegaram a R$ 20 mil, e ele ainda teria que pagar mais de R$ 110 mil devidos ao ministro, valor com juros e correção por conta de atrasos ao longo dos últimos anos.
Atualmente, Roberto Jefferson cumpre pena em regime domiciliar, após ter sido condenado por atentado ao exercício dos Poderes (sob a antiga Lei de Segurança Nacional), calúnia, homofobia e incitação ao crime. Jefferson usa tornozeleira eletrônica, teve o passaporte suspenso e não pode deixar o país, conceder entrevistas ou utilizar as redes sociais.
Condenado a sete anos e sete meses de reclusão, Roberto Jefferson já cumpriu quatro anos e meio, resultado da prisão domiciliar determinada em 2021. Com isso, restam cumprir apenas três anos.
Em mensagens vazadas, o fundador do Banco Master e preso, Daniel Vorcaro, menciona uma suposta agressão do empresário baiano Augusto Ferreira Lima contra a esposa, Flávia Peres, ex-deputada federal e ex-ministra da Secretaria de Governo no governo Jair Bolsonaro (PL). O casal nega a acusação.
Segundo o Poder 360, de acordo com mensagens trocadas por Vorcaro com a então namorada, Martha Graeff, em 29 de agosto de 2025, o banqueiro afirmou que um “governador” teria um boletim de ocorrência indicando que Augusto Lima teria agredido Flávia Peres no fim de semana de 23 a 24 de agosto.
“Governador tem um BO que augusto bateu na flavia esse final semana [sic]”, escreveu Vorcaro na conversa.

Foto: Reprodução / Poder 360
Procurada, Flávia Peres afirmou que o episódio “jamais” ocorreu e classificou as informações como falsas. “Reajo com indignação e afirmo de forma categórica que esse episódio jamais ocorreu e as informações são falsas, levianas e não correspondem à realidade”, declarou.
A defesa de Augusto Lima também negou o conteúdo das mensagens e afirmou que as declarações atribuídas a Vorcaro são “mentirosas” e “caluniosas”.
As conversas foram obtidas por investigadores da Polícia Federal (PF) no âmbito das apurações relacionadas à Operação Compliance Zero, que investiga supostos crimes financeiros envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas à instituição.
Segundo as mensagens analisadas pela PF, Vorcaro indicava manter proximidade com Augusto Lima e Flávia Peres. Em uma conversa de janeiro de 2025 com a namorada, ele afirmou que Lima teria ficado incomodado porque o casal não compareceu à festa de aniversário de Flávia.
Embora Vorcaro não tenha citado nominalmente o “governador” mencionado na conversa, a reportagem do Poder 360 procurou a assessoria do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), para questionar se ele gostaria de se manifestar sobre o conteúdo das mensagens. Não houve resposta até a publicação.

Foto: Reprodução / Poder 360
NOTA DE FLÁVIA PERES
“Repudio com veemência o teor das mensagens vinculadas a mim. Reajo com indignação e afirmo de forma categórica que esse episódio jamais ocorreu e as informações são falsas, levianas e não correspondem à realidade. Lamento profundamente este tipo de exposição pública baseada em informações inverídicas e irresponsáveis, especialmente quando propagadas sem qualquer verificação mínima dos fatos. Diante da gravidade das declarações, tomarei todas as providências cabíveis para a devida responsabilização pelos danos causados”, disse a ex-ministra.
NOTA DA DEFESA DE AUGUSTO LIMA
“A defesa de Augusto Lima afirma que o conteúdo mencionado pela reportagem é mentiroso. Augusto Lima jamais praticou qualquer agressão e nunca houve qualquer boletim de ocorrência. A afirmação é caluniosa. A defesa vem também repudiar o vazamento criminoso de mensagens privadas, cuja divulgação fora do contexto legal configura grave violação de direitos e afronta às garantias fundamentais. Diante da gravidade do ocorrido, a defesa informa que tomará todas as medidas cabíveis para apurar as devidas responsabilidades”, declarou o empresário.
Luiz Phillipi Mourão, apontado como “sicário” de Daniel Vorcaro em investigação sobre o Banco Master, teve a morte confirmada após protocolo de morte encefálica. O fato ocorreu na noite desta sexta-feira (6), segundo informou a defesa em nota.
De acordo com os advogados, via g1, o óbito foi declarado às 18h55, após o encerramento do protocolo de morte encefálica iniciado no mesmo dia, por volta das 10h15. O corpo será encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para os procedimentos legais. Mourão havia sido preso durante a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (4).
A investigação apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Na quinta-feira (5), a PF informou que abriu inquérito para apurar as circunstâncias da custódia de Mourão. Segundo nota divulgada pela instituição, ele atentou contra a própria vida enquanto estava sob custódia na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que as ações ocorridas no local e o atendimento prestado pelos policiais foram registrados por câmeras.
“Toda a ação dele e o atendimento pelos policiais estão filmados sem pontos cegos”, declarou. A Operação Compliance Zero também resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, apontado pelos investigadores como líder de uma organização criminosa estruturada em diferentes núcleos.
Ainda segundo a PF, Mourão teria papel central no grupo, executando ordens relacionadas ao monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral. Relatórios da investigação mencionam ainda conversas entre Vorcaro e Mourão que indicariam uma dinâmica considerada violenta pelos investigadores.
Nos documentos, Mourão é descrito como “longa manus” [expressão jurídica que designa alguém que atua em nome de outra pessoa] em supostas práticas atribuídas à organização. O relatório também aponta indícios de que Mourão receberia cerca de R$ 1 milhão por mês de Vorcaro como pagamento pelos supostos serviços ilícitos.
Nota da defesa de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão: “Informamos que o quadro clínico de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão evoluiu a óbito, que foi legalmente declarado às 18h55, após encerramento do protocolo de morte encefálica iniciado hoje, 06.03.26, por volta das 10h15.O corpo será encaminhado ao Instituto Médico Legal, seguindo-se o protocolo legal”, encerra a nota.
A Polícia Federal trata com cautela as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e não vê até o momento nenhum indício de conduta suspeita do magistrado. Segundo informações da Folha de S. Paulo, a corporação não viu indícios nas conversas que demandem uma apuração sobre a relação de Moraes com o ex-banqueiro.
A PF encontrou no celular de Vorcaro ligações e troca de mensagens com Moraes, inclusive no dia de sua prisão. A existência desses diálogos foi revelada pelo jornal O Globo. Os horários das trocas coincidem com imagens do bloco de notas do ex-banqueiro no qual estão escritas mensagens que indicam se tratar de um processo para evitar a liquidação do Banco Master.
As imagens do bloco de notas constam em documento enviado pela PF à CPI do INSS. O diálogo entre Moraes e Vorcaro ocorreu por meio de mensagens de visualização única, onde o ex-banqueiro escrevia as mensagens que queria enviar em seu bloco de notas e, depois, encaminhava ao seu remetente como uma imagem que apagava logo após ser vista.
Segundo o jornal O Globo, no dia 17, Vorcaro narrou a Moraes negociações para tentar salvar o Master, com referências a tratativas com a financeira Fictor. "Estou tentando antecipar os investidores e tenho chances de conseguir assinar e anunciar ainda hoje uma parte", disse Vorcaro em um dos textos enviados.
Moraes nega ter recebido as mensagens e afirma, em nota, que elas foram encaminhadas a outra pessoa. Apesar de os horários da troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes coincidirem com o dos blocos de notas encontrados no celular do ex-banqueiro, um investigador diz não ser possível recuperar as fotos do bloco de notas que teriam sido enviadas pelo WhatsApp. E reitera que, até o momento, não há razão para investigar nem há menção ao ministro Moraes em relatórios da apuração.
Neste cenário, o contato com Moraes difere da situação envolvendo o ministro Dias Toffoli. No caso de Toffoli, a PF apresentou, em fevereiro, um documento entregue a Edson Fachin com informações sobre as relações de Toffoli com o Master que apontariam suspeitas de eventuais crimes financeiros.
O magistrado não é investigado pela PF, embora as apurações sobre o Master envolvam fundos que foram sócios do resort Tayayá, do qual ele e seus irmãos também eram sócios.
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) classificaram como “grave” a troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes no dia em que o empresário foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025. A avaliação, feita em conversas reservadas, é que a interlocução torna a situação do magistrado “difícil” de explicar e agrava a crise de imagem enfrentada pela Corte.
Segundo a reportagem do O Globo, Vorcaro enviou uma série de mensagens a Moraes no dia 17 de novembro de 2025, quando foi alvo de uma operação da Polícia Federal no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master. O banqueiro foi preso na noite daquele dia no Aeroporto de Guarulhos.
De acordo com informações extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro, o empresário atualizava Moraes sobre o andamento das negociações para a venda do banco e fazia referências ao inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília. Em duas ocasiões, Vorcaro pergunta ao ministro se havia novidades e chega a questionar: “Conseguiu bloquear?”. Ao todo, foram registrados nove prints da conversa no WhatsApp, ocorrida entre 7h19 e 20h48.
Ainda conforme a apuração, os diálogos ocorriam por meio de anotações no bloco de notas do celular, enviadas como imagens de visualização única.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que a divulgação de informações extraídas do aparelho do banqueiro expõe “conversas íntimas, pessoais e que expõem terceiros não envolvidos com os fatos, além de supostos diálogos com autoridades e até o ministro do STF, Alexandre de Moraes, talvez editadas e tiradas de contexto”.
Ministros da Corte ouvidos pelo o O Globo ponderaram que é necessário ter acesso à íntegra das comunicações para compreender o contexto da conversa. Integrantes próximos a Moraes acrescentaram que é preciso aguardar eventuais novos desdobramentos.
Na última quinta-feira, Alexandre de Moraes negou ter recebido as mensagens. Em nota, afirmou que “não recebeu as mensagens referidas na matéria” e que “trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o STF”. Procurado novamente nesta sexta-feira, o ministro não se manifestou.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, aceitou, nesta quinta-feira (5), o pedido da Polícia Federal (PF) e determinou a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro, principal investigado no caso do Banco Master, para a Penitenciária Federal de Brasília.
Atualmente, Daniel Bueno Vorcaro está preso na Penitenciária de Potim, no interior de São Paulo. A PF solicita a imediata transferência de Vorcaro sob alegação de “risco à segurança pública” devido à “capacidade de articulação e influência” de Vorcaro. Além disso, a organização afirma que "há necessidade premente de tutela da integridade física do custodiado".
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Mendonça determinou que a PF articule com a direção da penitenciária a transferência, mas a expectativa é de que a logística já seja montada para que a movimentação ocorra nesta sexta-feira (6).
Vorcaro chegou nesta quinta à Potim, onde cumpriria inicialmente um período de isolamento de 10 dias, parte de um procedimento padrão na chegada à cadeia.
Jair Bolsonaro é um “beócio”, um “idiota”, e por causa dele até o cunhado Fabiano Zettel teve que fechar por um tempo a área de comentários do Instagram. Esses foram alguns dos comentários feitos pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em conversa com sua noiva, Martha Graeff, segundo mensagens obtidas pela imprensa após a quebra de sigilo das conversas do banqueiro.
Em uma dessas conversas, em agosto de 2024, Vorcaro reclama de uma postagem feita por Bolsonaro na rede X, sobre uma operação de compras de títulos do Banco Master. A publicação de Bolsonaro era referente a uma reportagem do jornal O Globo que dizia que gerentes da Caixa Econômica Federal foram demitidos depois de barrarem uma operação de R$ 500 milhões envolvendo compras de títulos do Master, por considerarem a ação “arriscada” e “atípica”.
“Os senhores não leram errado. Impediram de acontecer e foram DEMITIDOS. Não é mais questão de todo dia, mas sim a cada hora. Por isso o sistema está agindo com tanto afinco em suas ações”, escreveu Bolsonaro, na ocasião.
Na conversa com sua noiva, Vorcaro se mostrou irritado com o comentário, xingou Bolsonaro e disse ter recebido mensagem do senador Ciro Nogueira (PP-PI) sobre o assunto.
Martha Graeff: “Surreal”
Vorcaro: “O pior de ontem foi ter o Bolsonaro”
“Postado”
“Recebi mais de mil msgs Instagram”
Martha Graeff: “E você lida com tudo tão bem”
“Postou aonde”
Vorcaro: “No twetter dele”
“Idiota”
Martha Graeff: “Wow, não acredito”
Vorcaro: “Depois todos os amigos, o próprio Ciro”
“Ligou”
“Mas não tinha como tirar”
“Cara é um beocio”
“Alguém falou que era coisa PT e ele postou”
Martha Graeff: “Ahhhhh, entendi”
“Twitter é terra de ninguém”
Em outro conjunto de mensagens, Daniel Vorcaro diz que seu cunhado, Fabiano Zettel, fechou os comentários de seu perfil no Instagram porque “teve negócio do Bolsonaro”.
Martha Graeff: “Tava olhando o Instagram do seu cunhado Fabiano”
Vorcaro: “E daí”
Martha Graeff: “Hahahahahaaha”
“Nada”
“Ele fechou os comentários?”
“Não sabia que era irmão da Bela”’
Vorcaro: “Ele não é irmão da Bela”
“Só são amigos”
“Turma confunde mesmo”
“Fechou pq teve negócio do Bolsonaro, teve negócio de monique, que tudo caiu pra ele”
Martha Graeff: “Coitado”
Nas eleições de 2022, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, doou R$ 3 milhões para a campanha de Bolsonaro. Foi a maior doação individual da candidatura do ex-presidente.
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), cancelou a reunião que seria realizada nesta quinta-feira (5) para votação de requerimentos e realização de oitivas. Entre os requerimentos que seriam votados está uma quebra de sigilo bancário e fiscal da empresa J&F Participações, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
Segundo Viana, o cancelamento se deu após o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relatar mal-estar. A assessoria de Gaspar afirmou que o parlamentar tem sinusite e apresentou mais complicações durante a madrugada desta quinta. “Durante a madrugada de hoje, teve febre, dores na garganta e ficou afônico, o que o impede de conduzir as oitivas previstas”, afirmou a assessoria do relator em nota pública.
A pauta de requerimentos continha ainda pedidos de convocação como o de Fabiano Zettel, empresário e cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, que teve ordem de prisão determinada nesta quarta (4) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Na segunda parte da reunião, seriam colhidos os depoimentos do presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção, e do advogado Cecílio Galvão.
Apesar do cancelamento da sessão, diversos membros da CPMI do INSS estão avaliando nesta quinta os dados da quebra de sigilo do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. As informações foram remetidas nesta quarta à comissão pela Polícia Federal.
O material resultante da quebra de sigilo foi enviado para a CPMI do INSS após despacho do ministro André Mendonça, que revogou a decisão do ex-relator do caso Master, Dias Toffoli. O relator anterior havia determinado que informações obtidas por meio de quebras de sigilo ficassem sob a guarda do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União – AP).
Em suas redes sociais, o deputado Kim Kataguiri (União-SP) disse estava avaliando o material recebido pela CPMI, e confirmou informações publicadas pela imprensa sobre conversas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Kataguiri afirma que por conta do sigilo imposto aos parlamentares, não pode revelar as informações, mas diz que apresentará requerimentos de convocação de autoridades como Moraes.
“Vorcaro chega a se gabar das relações que tinha com o ministro Alexandre de Moraes, com o senador Ciro Nogueira, com funcionários do Banco Central. Acabou a desculpa de Moraes dizer que não conhecia Vorcaro. Na verdade eram muito amigos, e Vorcaro esteve várias vezes com Moraes, inclusive em período de férias”, afirma Kim Kataguiri.
Assim como Kataguiri, outros parlamentares correm contra o tempo para obter informações a tempo útil antes do fim do trabalho da comissão, previsto para o dia 28 de março. O senador Carlos Viana tenta junto ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), a prorrogação das atividades da CPMI por mais 60 dias.
Nesta semana, Alcolumbre decidiu manter a votação do requerimento que quebrou o sigilo de Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha. O presidente do Congresso, entretanto, ainda não decidiu se atenderá o pedido para prorrogação dos trabalhos da comissão.
Um dos presos da nova fase da Operação Compliance Zero, nesta quarta-feira (4), Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, teve iniciado o protocolo de morte encefálica após tentativa de suicídio na cela da Superintendência da Polícia Federal de Minas Gerais. Segundo informações da Folha de S. Paulo, Luiz chegou a ser socorrido e levado ao hospital.
A informação, da jornalista Mônica Bergamo, foi confirmada pela PF (Polícia Federal). Informações preliminares indicaram que Mourão tentou se enforcar na cela em que estava. Agentes viram a tentativa por uma câmera de segurança e foram ao local para prestar socorro e reanimá-lo.
O gabinete do ministro André Mendonça, que determinou a prisão, foi avisado imediatamente. Segundo a PF, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantinha uma milícia privada com o objetivo de coagir e ameaçar seus desafetos. Mourão fazia parte do grupo e tinha o apelido de Sicário, termo que vem do espanhol e que significa assassino de aluguel. Todos formavam um grupo chamado de "A Turma", na qual as medidas planejadas eram discutidas.
Confira a nota da Polícia Federal sobre o ocorrido:
"A Polícia Federal lamenta informar que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, um dos presos na Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4/3), atentou contra a própria vida, enquanto se encontrava sob custódia da instituição na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais.
Ao tomarem conhecimento da situação, policiais federais que estavam no local prestaram socorro imediato, iniciando procedimentos de reanimação e acionando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). A equipe médica deu continuidade ao atendimento no local e o custodiado será encaminhado a rede hospitalar para avaliação e atendimento médico.
A Polícia Federal comunicou o ocorrido ao gabinete do ministro relator no Supremo Tribunal Federal e entregará todos os registros em vídeo que demonstram a dinâmica do ocorrido.
Será aberto procedimento apuratório para esclarecer as circunstâncias do fato."
(Atualizado às 12h43 de 05/03/2026 para corrigir informação sobre protocolo de morte encefálica)
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, utilizou o portal “O Bastidor” para “esquentar” a informação de que seria alvo de uma operação da Polícia Federal (PF). Conforme as investigações, o banqueiro teve acesso às informações sobre o inquérito sigiloso aberto contra o Master e, após a publicação do inquérito no portal, entrou com um pedido na Justiça Federal para tentar impedir a própria prisão, que já havia sido determinada.
Segundo informações da jornalista Malu Gaspar, do O Globo, a representação da PF que baseou a prisão, ainda em sigilo, afirma que o hackeamento dos sistemas internos da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) revelou ao dono do Master que havia um inquérito sigiloso sobre a fraude na 10ª Vara Federal de Brasília, comandada pelo juiz Ricardo Leite.
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Após tomar conhecimento de que seria alvo do inquérito, Vorcaro “esquentou” a informação utilizando o site O Bastidor, no qual é comandado pelo jornalista Diego Escosteguy, para torná-la pública. Segundo a PF, que anexou ao relatório prints de conversas entre Escosteguy e o banqueiro, o jornalista “recebia dinheiro de DBV (sigla que se refere a Vorcaro) para publicar informações de interesse do banqueiro”.
Em uma das conversas, ele inclusive informa a conta onde devem ser depositados os valores. Em uma planilha, aparece referência ao seu nome e ordem de DBV para o pagamento de 2 milhões para a publicação de uma reportagem de interesse do banqueiro.
“O mesmo jornalista esquenta uma informação que DBV tinha de que havia um processo criminal em trâmite da 10ª VF/DF”, diz o documento. “ A partir daí os advogados peticionam na Vara fazendo menção à reportagem publicada por Escosteguy. Logo após a publicação, o jornalista envia a reportagem para DBV e para Walfrido Warde (advogado de Vorcaro)”.
De acordo com O Globo, o texto do Bastidor foi publicado às 11h08m de 17 de novembro. Cerca de cinco horas e meia depois, a defesa de Vorcaro enviou por e-mail à Justiça Federal de Brasília uma petição dirigida especificamente à 10ª Vara Federal e a Ricardo Leite, se posicionando contra “medidas cautelares eventualmente requeridas”, que poderiam provocar “impacto relevante” e causar “prejuízo irreversível a todo o conglomerado Master”.
A ordem de prisão de Vorcaro tinha sido assinada pelo mesmo juiz 18 minutos antes.
Diante da revelação de que o banqueiro Daniel Vorcaro cooptou servidores da alta cúpula do Banco Central para obter informações internas da instituição e influenciar em decisões, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) anunciou ter ingressado com notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) para que seja aberta uma investigação contra o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Em postagem nas redes sociais, Lindbergh disse que as informações que se tornaram públicas nesta quarta-feira (4), após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelam fatos “extremamente graves” relacionados à atuação do grupo investigado. O deputado do PT quer que a PGR investigue Campos Neto por “omissão dolosa” no caso do Banco Master.
“As mensagens encontradas no celular do banqueiro indicam a existência de uma espécie de milícia ultraviolenta organizada para intimidar e praticar violência contra jornalistas”, disse o deputado.
Lindbergh Farias citou o envolvimento do ex-diretor de Fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, e do ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do banco, Belline Santana, com a organização criminosa comandada por Vorcaro. Na decisão que autorizou a prisão de ambos, o ministro André Mendonça afirma que eles teriam recebido mesada e forjaram a prestação de serviços.
“O cenário sugere subordinação da autarquia reguladora aos interesses do banco para favorecer as fraudes do Master, e isso reforça a necessidade de apurar o envolvimento pessoal de Roberto Campos Neto”, disse o deputado.
“Por isso, estou apresentando uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República para investigar o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, por omissão dolosa na fiscalização bancária e os indícios de que norma editada durante sua gestão teria facilitado fraudes praticadas pelo Banco Master”, completou Lindbergh Farias.
Tanto Paulo Sérgio quanto Belline participavam de um grupo de WhatsApp com Vorcaro para discutir estratégias e compartilhar documentos, segundo as investigações. Agora são suspeitos de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e de participar de organização criminosa.
Ambos são servidores com décadas de carreira dentro do Banco Central. Paulo Sérgio foi indicado ao cargo de diretor pelo ex-presidente Michel Temer, foi sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e participava das reuniões do Copom. De 2017 a 2023, seu voto era contabilizado para a definição da taxa básica de juros.
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, menciona mensagens nas quais o empresário orienta integrantes de um grupo privado a intimidar pessoas consideradas adversárias. Entre os alvos citados nas conversas estariam funcionários, uma empregada doméstica e jornalistas.
O conteúdo consta nos elementos analisados no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master. Segundo a decisão, as mensagens teriam sido trocadas em um grupo utilizado por pessoas ligadas ao banqueiro.
Em um dos diálogos citados na investigação, Vorcaro reage a um suposto desentendimento com uma funcionária doméstica. Na conversa, ele escreveu: “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda.”
De acordo com a apuração, a mensagem foi enviada a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como coordenador operacional de um grupo chamado internamente de “A Turma”. Conforme a investigação, o grupo seria responsável por monitorar e intimidar pessoas consideradas ameaças aos interesses do banqueiro.
Além disso, foi divulgado nesta quarta-feira (4) que as mensagens no celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que indicavam uma tentativa de assalto contra um jornalista como mecanismo de intimidação, eram destinadas ao jornalista e colunista, Lauro Jardim, do O Globo.
Ao decretar, nesta quarta-feira (4), a prisão do empresário Daniel Vorcaro, do seu cunhado, Fabiano Zettel, e de outros envolvidos com uma organização criminosa liderada pelo dono do Banco Master, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), lamentou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) tenha se colocado contra a decisão.
Em sua decisão, André Mendonça citou avaliação da Polícia Federal de que Vorcaro liderava um grupo apelidado de “A Turma”, que estaria usando ou planejando ações de violência e coação contra pessoas comuns, jornalistas e autoridades públicas. Mendonça lamentou que o procurador Paulo Gonet tenha pedido um prazo maior para se manifestar a respeito das prisões.
“Lamenta-se que a PGR diga que ‘não se entrevê no pedido, nem no encaminhamento dos autos [...] a indicação de perigo iminente, imediato, que induza a extraordinária necessidade de tão rápida e necessariamente sucinta análise do pleito”, afirmou o ministro do STF.
O procurador-geral da República havia comunicado a Mendonça, há alguns dias, que o prazo pedido para uma manifestação a respeito das prisões seria de “impossível atendimento”. O ministro do STF se negou a prorrogar as prisões e disse entender que eram urgentes, diante do que ele chamou de “concreta possiblidade” de condutas ilícitas do grupo ligado a Vorcaro.
Na sua decisão, o ministro André Mendonça elenca os motivos pelos quais não seria possível atender ao pedido da PGR por mais tempo para análise sobre as prisões:
“As evidências dos ilícitos e a urgência para adoção das medidas requeridas estão fartamente reveladas na representação da PF e no curso desta decisão, conforme documentado nos autos. Se está diante da concreta possibilidade de se prevenir possíveis condutas ilícitas contra a integridade física e moral de cidadãos comuns, de jornalista e até mesmo de autoridades públicas. Há indicativos de ter havido acesso indevido dos sistemas sigilosos da PF, do próprio Ministério Público Federal e até mesmo de organismos internacionais como a Interpol”, disse.
Ainda segundo o ministro do Supremo, uma eventual decisão de não adotar urgentemente as medidas solicitadas pela PF poderia “colocar em risco a segurança e a própria vida de pessoas que se tornaram vítimas dos ilícitos apontados nestes autos, bem como dificultar, sobremaneira, a recuperação de ativos bilionários que foram desviados dos cofres públicos e de particulares atingidos pelos variados crimes contra o sistema financeiro nacional”.
Para o ministro do STF, a organização criminosa comandada por Vorcaro, a partir das mais recentes descobertas feitas pela Polícia Federal, teria demonstrado alta capacidade de reorganização, mesmo após a deflagração de operações policiais.
“Caso os investigados permaneçam em liberdade, há o elevado risco de articulação com agentes públicos e da continuidade da prática de ocultação e reciclagem de capitais por meio da utilização de empresas de fachada”, defendeu o ministro.
Cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel é um dos alvos da nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4), pela Polícia Federal (PF). Segundo as informações, um mandado de prisão preventiva foi expedido contra ele, mas ainda não foi localizado pelos agentes.
Na mesma operação, o próprio Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso em São Paulo e encaminhado para a Superintendência da Polícia Federal.
A ação desta quarta ocorre no âmbito das investigações que apuram esquema bilionário de fraudes financeiras, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo integrantes do sistema financeiro.
O ex-diretor de fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana foram alvos da Polícia Federal, nesta quarta-feira (4). A PF realiza uma operação de busca e apreensão na casa de um ex-diretor do BC e de um servidor, apontados como envolvidos nas fraudes registradas no Banco Master.
As medidas contra os ex- diretores chegam após o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, ser preso nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal em São Paulo. A prisão ocorreu no âmbito de uma nova fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras relacionado à venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master.
Segundo informações da colunista Monica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Souza foi responsável por comandar a diretoria de fiscalização do BC de 2019 a 2023. De acordo com a colunista, ele assinou a autorização da compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro, que alterou o nome da entidade financeira para Banco Master.
Conforme a publicação, os dois servidores do BC já haviam sido afastados das funções pelo atual presidente, Gabriel Galípolo. No entanto, a decisão administrativa passou a ser judicial. Santana e Paulo saíram de suas funções após o Banco Central iniciar investigação interna para apurar de forma mais precisa os eventos anteriores e posteriores à liquidação do Banco Master.
As informações indicaram também que funcionários concursados, haviam sido obrigados a pedir afastamento de seus cargos de chefias de departamentos em janeiro. Eles atuavam como chefes do departamento de supervisão bancária e entregaram os cargos.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Raimundinho da Jr
"Mulher negra de coração branco".
Disse o deputado Raimundinho da JR (PL) ao parabenizar Olívia Santana (PCdoB) durante a sessão da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) desta quarta-feira (25), que a parlamentar era uma mulher “de coração branco”.