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A Polícia Federal identificou mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro que mencionam o senador Jaques Wagner (PT-BA) em conversas sobre um possível envio de recados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O material integra a investigação da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção e favorecimento envolvendo o Banco Master.
Segundo o Estadão, o diálogo ocorreu em julho de 2024 entre Vorcaro e um diretor do Banco Master. Após comentarem que o banco era visto como próximo ao governo federal, Vorcaro sugeriu que a informação fosse encaminhada ao presidente e à base aliada. Em resposta, o interlocutor afirmou que enviaria a mensagem para "tio Guiga e Jaques".
De acordo com a Polícia Federal, a referência seria ao publicitário Guilherme Sodré e ao senador Jaques Wagner. Os investigadores afirmam que as conversas indicam proximidade entre Vorcaro e pessoas com influência política na Bahia.
A PF também sustenta que o banqueiro mantinha contato direto com Wagner e que o senador teria atuado em pautas de interesse do Banco Master, como propostas relacionadas ao crédito consignado, ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e ao processo de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). A investigação aponta ainda suspeitas de vantagens econômicas supostamente recebidas pelo parlamentar entre 2024 e 2025.
Na quinta-feira (18), Jaques Wagner foi alvo de mandado de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de pagamentos indevidos envolvendo a compra de um imóvel e repasses a uma empresa ligada a um familiar do senador.
Em nota enviada ao Bahia Notícias, o senador Jaques Wagner reitera que não tem nenhuma relação com Daniel Vorcaro e não pode ser responsabilizado por conversas de terceiros, que sequer participou e em contexto que sequer sabe qual foi. Ele ainda afirma que não existiu intermediação e não existe relação.
Atualizada às 21h12 para adicionar posicionamento de Jaques Wagner
O presidente estadual do PL na Bahia e pré-candidato ao Senado Federal pelo estado, João Roma, utilizou as redes sociais nesta sexta-feira (19) para comentar a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal (PF), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), que teve como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado.
O caso foi parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional e possíveis crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Em publicação oficial, Roma afirmou:
"Minha posição é a mesma de sempre: toda irregularidade deve ser apurada com seriedade, respeito ao devido processo legal e punição aos responsáveis. A lei não pode ter lado político. A Bahia merece verdade, transparência e respeito", diz o pré-candidato.
O ex-ministro do governo Bolsonaro também relacionou o episódio ao cenário político estadual e fez críticas à gestão petista na Bahia: "Em 2026, os baianos terão a oportunidade de decidir os rumos do nosso estado. Escolham com consciência. O futuro da Bahia está nas mãos de vocês. São 20 anos de PT na Bahia desse mesmo jeito", diz.
Roma reforçou o discurso de mudança política: "A Bahia cansou. O eleitor tem chance real de escolher representantes dignos, tanto para o Senado quanto para o governo. O futuro está na mão de vocês".
Foto: Moreira Mariz / Agência Senado
SENADOR NO MASTER
A operação contra Jaques Wagner (PT) ocorre em meio ao avanço das investigações relacionadas ao chamado Caso Banco Master. Para a Polícia Federal, há apurações sobre uma possível relação entre agentes públicos e integrantes do grupo empresarial ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, Wagner teria feito lobby em favor do banco Master.
Wagner nega irregularidades e afirma que não recebeu vantagens indevidas. Segundo as decisões judiciais divulgadas pela imprensa nacional, os investigadores apuram supostos benefícios que teriam sido destinados ao senador e pessoas próximas a ele.
O STF autorizou as buscas com base em elementos considerados suficientes para aprofundar as investigações, ressaltando que a medida não representa condenação nem oferecimento de denúncia.
A repercussão do caso alcança diferentes setores da política nacional. Reportagens publicadas nos últimos meses apontaram que o senador Flávio Bolsonaro (PL) também teve seu nome mencionado em desdobramentos das investigações envolvendo Daniel Vorcaro, assim como o senador Ciro Nogueira (PP), que nega qualquer irregularidade.
A operação contra um dos principais líderes do PT no Congresso adiciona novos elementos ao debate político nacional e estadual, especialmente diante das articulações para as eleições de 2026. Aliado histórico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Jaques Wagner é uma das figuras centrais do grupo político que governa a Bahia.
LEIA TAMBÉM:
- VÍDEO: Após ser alvo da PF, Wagner nega propina do Master e explica dólares e apartamento no Horto Florestal;
- Opinião: Wagner se explica e se complica nas relações pouco apropriadas com Augusto Lima e o caso Master;
- PT da Bahia sai em defesa de Jaques Wagner após operação da PF e diz confiar na conduta do senador.
O vice-líder petista no Senado Federal também pede afastamento de Wagner: "Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar à sua defesa, resguardada a presunção de inocência. A Polícia Federal está fazendo seu trabalho, e quem cometeu irregularidades deve responder por elas", escreve o mineiro Rogério Correia.
Confira abaixo:
O presidente Lula sempre disse: doa a quem doer, a investigação precisa ser feita até o fim! Com as novas informações reveladas pela Operação Compliance não seria diferente.
— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) June 18, 2026
Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar a sua…
Depois de ter apresentado explicações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre suas relações com o Banco Master e os sócios Daniel Vorcaro, que o levaram a ser alvo, nesta quinta-feira (18), de operação da Polícia Federal, o senador Jaques Wagner (PT-BA) seguiu atuando normalmente como líder do governo. Em entrevista à Band News, Wagner disse que Lula se solidarizou com ele e que vai continuar na liderança do governo no Senado até segunda ordem.
“A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje, e eu acho muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim”, disse Jaques Wagner na entrevista.
Como líder, o senador Jaques Wagner protocolou, na noite desta quinta, um recurso ao projeto que eleva o piso salarial nacional de médicos e cirurgiões-dentistas de R$ 3.636 para R$ 13.662 para jornada de 20 horas semanais. No documento, o líder do governo pede que o projeto seja apreciado e votado no plenário do Senado.
O projeto, aprovado em 10 de maio na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, foi analisado em caráter terminativo, e caso não recebesse recurso de algum senador, seguiria diretamente para a Câmara dos Deputados. A proposta que aumenta a remuneração mínima de médicos e cirurgiões-dentistas, é considerada pelo governo federal uma das “pautas-bombas” em análise pelo Congresso.
A equipe econômica do governo apresentou uma estimativa de impacto de R$ 47 bilhões ao ano para as contas públicas caso o projeto seja aprovado também pela Câmara. Além de elevar o piso salarial, a proposta também prevê um aumento de 20% para 50% no adicional por trabalho noturno e as horas extras e estabelece um intervalo obrigatório de dez minutos de descanso a cada 90 minutos de trabalho.
O prazo para recurso ao projeto vencia nesta quinta (18), e o senador Jaques Wagner apresentou seu recurso às 21h04 da noite. A partir do recurso apresentado por Jaques Wagner, a Mesa Diretora decidiu abrir prazo para recebimento de emendas, que serão analisadas posteriormente por um relator de plenário a ser escolhido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
A ação de Jaques Wagner como líder, na prática, retardou a tramitação do projeto tachado pelo governo como uma “pauta-bomba”. O projeto agora só deverá ter sua discussão retomada no início de julho, a depender de decisão do presidente do Senado.
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), manifestou apoio público ao senador Jaques Wagner (PT) nesta quarta-feira (18), por meio de uma publicação nas redes sociais. Na mensagem, o chefe do Executivo estadual destacou a trajetória política do senador e reafirmou confiança em sua conduta.
O gestor afirmou ter se encontrado com Wagner para prestar solidariedade e classificou o parlamentar como uma liderança que honra a Bahia e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "A Bahia conhece Wagner e sabe que sua história e legado são motivos de orgulho e inspiração. Reafirmo a confiança no senador que honra a Bahia e lidera com compromisso o governo do presidente Lula", escreveu.
O governador também declarou que o senador tem sido alvo de perseguições políticas e disse acreditar que os fatos serão esclarecidos. "Não é a primeira vez que o perseguem; a verdade há de vencer. E nós, seus verdadeiros companheiros, não soltaremos sua mão, Wagner!", completou.
A manifestação ocorreno mesmo dia em que o senador foi alvo de um mandado de busca e apreensão da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga o "Caso Master".
Vice-líder do governo defende afastamento de Jaques Wagner da liderança do Senado: "Doa a quem doer"
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara, defendeu nesta quinta-feira (18) que o senador Jaques Wagner (PT-BA) se afaste da liderança do governo no Senado após ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Ao citar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o parlamentar afirmou a investigação precisa ser concluída "doa a quem doer".
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Em publicação nas redes sociais, Correia afirmou que Wagner deve concentrar esforços em sua defesa, sem abrir mão da presunção de inocência. "Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar à sua defesa, resguardada a presunção de inocência. A Polícia Federal está fazendo seu trabalho, e quem cometeu irregularidades deve responder por elas", escreveu.
O parlamentar também destacou que a investigação demonstra a autonomia dos órgãos de controle durante o governo do Lula, afirmando que a Polícia Federal atua com independência. Apesar da manifestação do correligionário, Jaques Wagner afirmou que pretende permanecer no comando da liderança do governo no Senado e só deixará a função caso seja uma decisão do presidente.
CONFIRA A PUBLICAÇÃO:
O presidente Lula sempre disse: doa a quem doer, a investigação precisa ser feita até o fim! Com as novas informações reveladas pela Operação Compliance não seria diferente.
— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) June 18, 2026
Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar a sua…
O PT da Bahia divulgou, nesta quinta-feira (18), uma nota em defesa do senador Jaques Wagner (PT), alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Em manifestação, o presidente estadual da legenda, Tássio Brito, afirmou que o parlamentar possui uma trajetória pública pautada pela ética e disse confiar que as investigações confirmarão sua atuação dentro da legalidade.
Segundo o dirigente, Wagner tem uma carreira marcada pela "retidão e compromisso com o interesse público" e já apresentou esclarecimentos sobre os fatos investigados. "Tem total confiança minha e do PT. Não temos dúvidas de que as investigações provarão, mais uma vez, que o senador sempre se pautou dentro da legalidade", declarou.
Na nota, Tássio defendeu que a apuração siga com transparência e responsabilidade para identificar os responsáveis pelos fatos investigados. Ele também afirmou que Wagner não possui relação com os investigados no caso e criticou adversários políticos ao dizer que há uma tentativa de desviar o foco do escândalo envolvendo o Banco Master.
O presidente estadual do PT ainda atribuiu as críticas ao senador a uma estratégia da oposição. "O que vejo é uma tentativa desesperada da extrema direita de criar um massacre midiático contra o senador Jaques Wagner para tentar estancar o crescimento da nossa chapa na Bahia", afirmou.
Por fim, Tássio Brito destacou que foi durante um governo do PT que o Banco Central promoveu a liquidação do Banco Master e reiterou confiança na condução das investigações e na inocência do senador baiano.
O senador Jaques Wagner (PT) afirmou nesta quinta-feira (18) que recebeu um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. Segundo o parlamentar, o chefe do Executivo manifestou solidariedade e reafirmou confiança em sua conduta.
Em entrevista à BandNews, Wagner disse que a conversa não tratou de uma eventual saída da liderança do governo no Senado. "O presidente Lula ligou para mim para se solidarizar comigo, dizer que mantém absoluta confiança em mim. A gente se conhece há 48 anos e, portanto, ele sabe qual é o meu jeito de agir", afirmou.
O senador também declarou que Lula o incentivou a permanecer firme diante da investigação. "Ele só ligou para dizer: 'Fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança'. Então, do meu ponto de vista, até agora, o que eu tenho do presidente Lula é a solidariedade ao ocorrido", disse.
CONFIRA:
A operação da Polícia Federal investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento a interesses ligados ao Banco Master. O senador foi alvo de mandado de busca e apreensão autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das apurações, mas nega as suspeitas levantadas pela investigação.
O senador Jaques Wagner (PT) negou nesta quinta-feira (18) qualquer relação próxima com o banqueiro Daniel Vorcaro, um dos alvos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. O parlamentar afirmou que teve apenas dois encontros com o empresário e rejeitou as suspeitas levantadas pela investigação.
"Minha relação com o Daniel Vorcaro é praticamente zero. Eu nunca tive maiores entendimentos com o Daniel", declarou em entrevista à BandNews.
Segundo Wagner, o primeiro encontro ocorreu quando Vorcaro passou a integrar um negócio envolvendo o empresário Augusto Lima. O segundo, disse ele, foi para apresentar o então ministro aposentado Ricardo Lewandowski, indicado para atuar na área jurídica de uma instituição financeira. "Foi a segunda vez que eu vi quando fui apresentar o ministro Lewandowski para ele. Só essas duas vezes, não tem nenhuma relação com o Daniel Vorcaro", afirmou.
ASSISTA:
As declarações foram dadas horas após a Polícia Federal cumprir mandado de busca e apreensão na residência de Wagner, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação aponta suspeitas de que o senador teria atuado em favor de interesses ligados ao Banco Master no Congresso Nacional e recebido vantagens indevidas, acusações que ele nega ao afirmar que não possui relação com o banqueiro investigado.
Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (18), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), manifestou solidariedade ao líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), alvo de operação da Polícia Federal devido às relações dele com o banco Master. Alcolumbre condenou a polarização política que leva políticos a serem condenados antes mesmo de serem julgados.
“Meu apoio, minha solidariedade integral a um colega senador da República. [...] Tenho a convicção de que, no decorrer do processo, as verdades do senador Jaques Wagner virão à tona e elas serão comprovadas. Um dia elas serão julgadas, é lá nesse dia que a pessoa pode ser condenada ou inocentada”, disse o presidente do Senado.
“Ninguém nesse país pode ser condenado antes do trânsito em julgado. E todos nesse país podem ser investigados. Isso é normal no Estado democrático de Direito, mas todos também têm que ter a presunção da inocência”, completou Alcolumbre.
As investigações da PF indicam que Jaques Wagner teria atuado no Congresso Nacional em favor de pautas relacionadas aos interesses do Banco Master. O Bahia Notícias teve acesso à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que oficializou a expedição dos mandados de busca e apreensão na residência do parlamentar nesta quinta (18).
No documento oficial, a Polícia Federal aponta que os indícios da relação entre Wagner e o banco de Vorcaro foram divididos em três eixos, que vão desde o favorecimento financeiro por meio de propinas e presentes até a atuação parlamentar como líder do governo no Senado.
Davi Alcolumbre, na entrevista, disse respeitar o papel das instituições, mencionando a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Justiça, “mas a gente precisa ter a compreensão de que esse mantra de que todo mundo é culpado até que se prove que é inocente está errado”.
O presidente do Senado disse ainda que o senador Jaques Wagner “é um colega, respeitado por todos, cuja trajetória política é admirada e que teve a legitimidade do voto popular”.
Na última terça (16), no plenário do Senado, após Alcolumbre se defender de acusações sobre envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro e negar que recebeu US$ 30 milhões em uma conta no exterior, Jaques Wagner manifestou sua solidariedade ao senador. Wagner disse que a revista Veja mentia e que se tratava de uma 'guerra de narrativas'.
“Eu já desafiei vários a me mostrarem qual foi a investigação da Federal que encontrou algo sobre V. Exa., na medida em que foi citado agora, ou sobre o meu comportamento e o comportamento do ex-governador Rui Costa”, afirmou o senador Jaques Wagner no plenário.
Antes de divulgar a nota de solidariedade, Davi Alcolumbre havia cancelado a realização de uma sessão do Congresso Nacional, marcada para a manhã desta quinta (18). Segundo Alcolumbre, a sessão foi cancelada por falta de acordo entre as lideranças e uma nova sessão deve ser agendada em no máximo 15 dias, antes do início do recesso parlamentar.
A sessão desta quinta havia sido agendada para analisar dezenas de vetos presidenciais pendentes de apreciação, além de projetos de lei nos quais o Executivo pede ao Congresso autorização para destinar créditos adicionais a órgãos públicos no Orçamento de 2026.
Na sessão plenária do Senado na última terça-feira (16), o líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), disse que processaria a revista Veja por fazer ilações a respeito de ligações dele e do PT da Bahia com o dono do Master, Daniel Vorcaro. O senador disse também que procuraria o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para saber se havia alguma acusação contra ele ou declaração de alguém que o envolvesse em atividades suspeitas.
A fala do líder do governo se deu em uma manifestação de solidariedade ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Naquela mesma sessão, Alcolumbre negou informações divulgadas pela Veja de que teria recebido cerca de US$ 30 milhões de Vorcaro em uma conta no exterior. Jaques Wagner disse que a revista mentia e que se tratava de uma 'guerra de narrativas'.
“Do meu ponto de vista, meu advogado já está preparando a peça para processar, e eu quero saber a mesma verdade. Eu vou perguntar ao chefe da Polícia Federal, Dr. Andrei, se essa coisa pode chegar a alguém para me acusar, eu quero saber também para poder me defender”, afirmou o senador baiano.
No seu discurso na última terça, Jaques Wagner reiterou que não possuía qualquer vínculo com Daniel Vorcaro ou o Banco Master, e classificou as informações da revista como infundadas.
“Eu estou muito à vontade porque não tenho, como V. Exa. afirmou, nenhuma relação com ... Conheci esse senhor duas vezes, uma vez em Salvador e uma vez em São Paulo. Não tenho nenhuma relação com ele, não tenho nenhum negócio. Aliás, eu não tenho nem CNPJ, eu só tenho CPF - eu não tenho CNPJ. Então, eu quero me solidarizar com V. Exa. e antecipar que meu advogado já está preparando a peça para processar a revista”, reforçou o senador.
Jaques Wagner aproveitou ainda para criticar a forma como a delação premiada vem sendo utilizada dentro de um contexto de guerra política e voltada à difamação da classe política. Para o senador, há uma distorção no uso da delação, que, para ele, tem servido de instrumento para coerção e obtenção de elementos de acusação que posteriormente não se sustentam.
“Nós, acho, cometemos um erro, o Congresso Nacional. A lei de delação premiada, que foi aprovada ainda no tempo da presidenta Dilma, admitiu a delação premiada com as pessoas sob coação, com as pessoas presas. Na verdade, foi com essa delação, sob coação psicológica, ou real, que se arrancou um número infindável de acusações que levaram [...] Lula à cadeia. Talvez, naquele momento, a gente não tenha se dado conta da violência”, explicou o senador Jaques Wagner.
Além do discurso, o líder do governo publicou um vídeo em suas redes sociais afirmando que a informação da revista Veja sobre ele seria mentirosa e que foi proveniente de uma delação que não se concretizou.
“A capa da Veja trata de uma delação inexistente, já negada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. A verdade sempre vencerá”, afirmou o senador do PT da Bahia, alvo de operação da Polícia Federal nesta quinta (18) por relações suspeitas com o dono do Banco Master.
A 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18), resultou no cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito das investigações sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master no sistema financeiro nacional.
As ações, que abrangeram diferentes localidades, incluíram a casa do senador Jaques Wagner (PT), em Salvador. No entanto, em decisão judicial, o ministro André Mendonça indeferiu o pedido de medida de busca e apreensão em relação a Bonnie Toaldo Bonilha, esposa de Eduardo Sodré e vinculada à estrutura societária da BN Financeira, e Patrich Toaldo Bonilha, irmão de Bonnie.
A decisão, registrada nos autos, determina: “Indefiro a medida de busca e apreensão em relação a Bonnie Toaldo Bonilha e a Patrich Toaldo Bonilha".
PF aponta pagamentos a enteada e imóvel de R$ 2,5 mi no Horto Florestal como propina à Jaques Wagner
A Polícia Federal realiza uma ação de busca e apreensão na residência do senador Jaques Wagner, na manhã desta quinta-feira (18), no Corredor da Vitória, em Salvador. Segundo informações da jornalista Malu Gaspar, do O Globo, as buscas visam aprofundar a investigação sobre indícios de que o líder do PT no Senado tenha recebido pagamentos do Banco Master.
Entre as formas de pagamento estariam os valores pagos durante anos pela empresa da enteada, viagens em jatinhos particulares de Daniel Vorcaro e ainda um apartamento avaliado em R$2,5 milhões de reais no Horto Florestal, bairro de luxo em Salvador.
Entre esses indícios desses pagamentos estão mensagens trocadas por Wagner e o sócio de Vorcaro, Augusto Lima, além de documentos que mostram os pagamentos feitos à enteada do senador, Bonnie Bonilha, que recebeu cerca de R$11 milhões do Master por meio de um contrato de consultoria.
O marido de Bonnie Bonilha, Eduardo Sodré, que é secretário estadual do Meio Ambiente da Bahia, também foi um dos alvos da operação. A operação de hoje também coloca no centro das investigações o ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, que segundo as apurações era quem manejava boa parte das relações com políticos, em especial com o Congresso Nacional.
A suspeita da PF ainda inclui informações de que o senador petista teria feito lobby no governo pela aprovação da compra do Master pelo BRB e no Senado pela aprovação da “emenda Master”, que foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PI-PP). A emenda em questão propunha aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito para investimentos em CDBs.
A emenda interessava diretamente ao Master porque seus negócios eram largamente lastreados em CDBs que rendiam acima das taxas médias do mercado.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou nesta quarta-feira (17) que viajou para Portugal em um avião particular do empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e que teve parte da hospedagem custeada por ele durante a estadia em Lisboa.
A manifestação ocorreu após a retirada do sigilo de documentos da Polícia Federal relacionados à Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Vorcaro está preso preventivamente. Motta afirmou que participou da viagem em 2024 a convite do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e disse que, na ocasião, não havia conhecimento de irregularidades envolvendo o empresário.
Segundo o deputado, Vorcaro pagou duas diárias no hotel onde ficou hospedado. O relatório da Polícia Federal, no entanto, aponta que o ex-banqueiro teria arcado com cinco diárias, enquanto uma fatura analisada pelos investigadores registra cobrança referente a sete dias de hospedagem.
Os documentos também revelam mensagens em que Vorcaro trata da reserva de quartos para "Ciro e Hugo" em um hotel de luxo na capital portuguesa. Para a PF, as conversas, somadas aos comprovantes obtidos durante a investigação, reforçam que os pagamentos foram destinados à hospedagem de Hugo Motta e Ciro Nogueira.
Além da viagem, o relatório cita conversas entre Motta e Vorcaro sobre a liberação de um empréstimo de aproximadamente R$ 22 milhões para uma empresa ligada à cunhada do presidente da Câmara. Questionado, Motta não respondeu se atuou para viabilizar a operação, mas afirmou que o financiamento ocorreu dentro da legalidade.
Em nota, o presidente da Câmara declarou defender uma investigação "isenta e imparcial". Até a divulgação do relatório, Ciro Nogueira não havia se manifestado sobre o caso.
O ex-diretor do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, alertou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro que o mercado financeiro responsabilizaria o dono do conglomerado e do então presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, pela “emenda Master”. A emenda foi uma proposta apresentada em 2024 pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) para ampliar de R$250 mil para R$1 milhão a cobertura de investimentos garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
A proposta foi rejeitada no Senado. Segundo informações da Folha de S. Paulo, o texto da emenda foi produzido pelo Banco Master e reproduzido na íntegra pelo parlamentar. A proposição foi chamada de “emenda master” pois a instituição de Daniel Vorcaro tinha como estratégia vender CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com alta remuneração, usando a cobertura do FGC como atrativo.
O objetivo era aumentar a captação de dinheiro por meio desse instrumento, o que poderia dar uma sobrevida à instituição. Segundo análise do material apreendido pela Polícia Federal, um trecho de conversa via WhatsApp no dia 13 de agosto de 2024, mostra uma conversa de Vorcaro com ex-diretor jurídico do banco Luiz Rennó, que disse: "Vc [sic] sextuplica seu negócio. Bora".
O material também traz trechos de uma conversa entre Paulo Sérgio e Vorcaro via WhatsApp em 14 de agosto de 2024, após a apresentação da emenda no Senado. "Mercado colocando a conta dessa MP em você [Vorcaro]", disse o ex-diretor do BC, que também questionou sobre repercussão ainda maior após o episódio.
O dono do Master, por sua vez, afirmou tratar-se de uma emenda e que tinha "muita gente achando positivo", à exceção dos grandes bancos. Ele achava difícil que o caso reverberasse ainda mais.
Adiante, Vorcaro afirmou: "Não fui eu quem pedi". Em resposta, Paulo Sérgio continuou: "Estão jogando também no Roberto. É amigo do senador e esteve com ele numa festa recente", em provável referência a Roberto Campos Neto, então presidente do BC.
Em nota, a assessoria de Campos Neto disse que o Banco Central atuou institucionalmente contra a emenda por determinação do próprio presidente. "Roberto Campos Neto somente tomou conhecimento da existência da tal emenda por meio do diretor Renato Gomes e, imediatamente, determinou que houvesse uma força-tarefa de diversas áreas do banco para que fundamentassem uma manifestação técnica contra a proposta, na mesma linha do que havia sido defendido pela Febraban [Federação Brasileira de Bancos]", disse.
Ainda de acordo com a assessoria, a atuação do BC para a elaboração de fundamentos técnicos contra a proposta foi alinhada à do FGC, que chegou a trabalhar de forma emergencial.
As investigações indicam que Paulo Sérgio prestava consultoria estratégica a Vorcaro, orientando sobre a atuação do BC em processos administrativos, sugerindo argumentos para reuniões e revisando relatórios que seriam enviados à autarquia. Procurada, a defesa de Paulo Sérgio ainda não se manifestou formalmente sobre o caso.
Um relatório da Polícia Federal (PF) enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) detalha a estreita relação de proximidade entre o ex-banqueiro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o senador Ciro Nogueira (PP). Os dados foram tornados públicos nesta terça-feira (16) pelo ministro do STF André Mendonça, relator do caso, logo após o ministro Gilmar Mendes pautar o julgamento sobre a prisão de Henrique e Felipe Vorcaro (pai e primo de Daniel, respectivamente).
De acordo com os investigadores, o vínculo entre ambos "transcende a mera relação pessoal, revelando-se, na verdade, uma relação funcional e instrumental, estruturada a partir da convergência de interesses ilícitos e orientada pelo benefício mútuo".
O documento indica que Vorcaro teria financiado despesas de Ciro Nogueira em viagens e jantares de luxo, além de realizar repasses mensais de, no mínimo, R$ 300 mil ao longo de aproximadamente 20 meses, totalizando ao menos R$ 6 milhões.
Ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Ciro Nogueira | Foto: Reprodução / Relatório da PF
A apuração estava sob sigilo até então. Ciro Nogueira foi alvo de mandados de busca e apreensão da PF no início de maio deste ano.
Senador Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução / Relatório da PF
A Polícia Federal identificou registros fotográficos no celular de Daniel Vorcaro que comprovam a convivência frequente entre o ex-banqueiro e o parlamentar. Em uma das imagens, de maio de 2024, ambos aparecem a bordo de uma aeronave privada durante viagem para o fórum de investimentos LIDE, em Nova York.
CUSTOS PELO MUNDO
Outras fotos registram uma viagem a Courchevel, nos Alpes franceses, onde despesas do senador e de sua companheira teriam sido pagas pelo empresário. A perícia da PF aponta que Ciro Nogueira recebeu pelo menos R$ 468.721,78 em hospedagens e refeições custeadas por Vorcaro em quatro países:
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Paris (França): Desembolso de US$ 1.981,12 (R$ 10.175,82) no restaurante GIGI, em 13 de abril de 2024.
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Nova York (EUA): Pagamento de seis diárias no Hotel Park Hyatt New York, de 12 a 18 de maio de 2024, no valor total de US$ 47.779,80 (R$ 245.153,37).
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Lisboa (Portugal): Reserva de cinco diárias em uma suíte júnior no Hotel Four Seasons, em junho de 2024, totalizando R$ 91.280,59.
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Courchevel (França): Gastos de R$ 122.112,00 nos restaurantes La Soucoupe (R$ 63.600,00) e Le Tremplin (R$ 58.512,00), nos dias 21 e 22 de janeiro de 2025.
O relatório ressalta que esses montantes não incluem os custos de voos privados feitos em pelo menos três viagens internacionais de ida ou volta ao Brasil e em dois deslocamentos internos nos Estados Unidos.
A PF também localizou planilhas com repasses de "valores vultosos" destinados a um beneficiário identificado apenas como "Ciro". Embora os investigadores ponderem que a informação demanda cautela devido à possibilidade de homônimos, afirmam que os registros reforçam o cenário de fluxo financeiro associado ao senador.
Além do suporte financeiro, a PF aponta indícios de uma atuação conjunta no Poder Legislativo em benefício do ex-banqueiro. Mensagens de novembro de 2023 revelam que Vorcaro teria ordenado a retirada de envelopes na residência de Ciro Nogueira contendo minutas de projetos de lei.
A PF classificou a dinâmica como "pouco usual", destacando que propostas legislativas de interesse de um particular eram retiradas da casa de um parlamentar, analisadas externamente por terceiros e depois reintroduzidas formalmente no Congresso.
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve por maioria nesta terça-feira (16) a prisão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro. O julgamento voltou à pauta após o ministro Gilmar Mendes devolver o pedido de vista na manhã desta terça.
Em voto divergente, Gilmar Mendes afirmou que o caso Master se transformou em uma investigação de forte repercussão midiática e alertou para os riscos da espetacularização de operações policiais. Para o ministro, o caso se tornou um processo "rumoroso" que há meses ocupa o noticiário de forma "cada vez mais espetaculosa e sensacionalista".
Ao analisar a situação de Henrique Vorcaro, Gilmar observou que a Polícia Federal apresentou indícios de contato do investigado com integrantes do suposto esquema ligado ao filho, mas ponderou que não foram apontados elementos concretos capazes de demonstrar que ele teria solicitado diretamente a prática de atos ilícitos.
Em discurso no plenário, na abertura da sessão deliberativa desta terça-feira (16), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), negou que tivesse recebido cerca de US$ 30 milhões em um depósito no exterior feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A informação foi publicada pela revista Veja na edição que foi às bancas na última sexta (12).
Demonstrando indignação com a menção ao seu nome feito pela revista, Alcolumbre disse repudiar “com veemência” o conteúdo da matéria publicada pela revista Veja.
"Jamais recebi aqueles valores, ou outros quaisquer, no Brasil ou no exterior, por qualquer motivo que seja. São alegações inteiramente falsas, com a única e aparente intenção de arrastar para a lama meu nome, minha honra, minha reputação. Vou repetir: jamais recebi quaisquer valores em contas no Brasil ou no exterior. Isso nunca aconteceu”, afirmou o presidente do Senado.
De acordo com a matéria assinada pelo jornalista Robson Bonin, a operação do suposto envio de US$ 30 milhões a Alcolumbre em uma conta no exterior teria sido conduzida por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, como pagamento pelo apoio a uma demanda de interesse do Master. O valor equivale a aproximadamente R$ 153 milhões e, segundo a reportagem, foi depositado em uma conta secreta no exterior, conforme teria sido revelado por Daniel Vorcaro em sua proposta de delação premiada.
No seu pronunciamento no plenário, Davi Alcolumbre disse considerar “espantoso” e “revoltante” que uma acusação dessa gravidade seja publicada pela imprensa sem provas ou evidências que a comprovem.
“O mal já está feito. Nos resta, agora, investigar a fundo os fundamentos dessas alegações. Se elas de fato constarem do acordo de colaboração, se elas de fato partiram do colaborador e de sua defesa, tomaremos todas as medidas cabíveis para nos defendermos dessas acusações”, garantiu o senador amapaense.
Em outro ponto do seu pronunciamento, o presidente do Senado expressou sua preocupação com vazamentos seletivos feitos para atingir a imagem de um chefe de poder, e falou também sobre a possibilidade de a informação ter sido veiculada de forma leviana para prejudicá-lo.
“Se esse fato sequer constar de um acordo de colaboração, se não tiver sido dito pelo colaborador, por sua defesa ou pela autoridade responsável pela condução desse procedimento, então estaremos diante de uma situação muito mais grave. Porque não estaremos diante apenas de uma acusação falsa contra o Presidente do Senado Federal. Estaremos diante da invenção de um fato inexistente e da tentativa de atribuir esse fato a um procedimento oficial para lhe conferir aparência de verdade”, afirmou Alcolumbre.
“A quem interessa caluniar o presidente do Congresso Nacional? Quem se beneficia de tentar usar a imprensa para intimidar o chefe do Poder Legislativo? Descobriremos as respostas a todas essas perguntas”, concluiu o senador Davi Alcolumbre, ao questionar os motivos da inclusão de seu nome como um dos beneficiários de pagamentos feitos pelo dono do banco Master.
Após seu pronunciamento, Davi Alcolumbre recebeu a solidariedade de diversos senadores, entre eles o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
A Procuradoria-Geral da República (PGR) comunicou oficialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (15), a rejeição da segunda proposta de acordo de delação premiada apresentada pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Com a manifestação, o Ministério Público Federal alinha-se ao posicionamento da Polícia Federal (PF), que já havia recusado formalmente a colaboração do investigado na semana passada. As informações foram confirmadas pelo G1.
Segundo a avaliação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e dos demais procuradores responsáveis pelo caso, os termos propostos pela defesa de Vorcaro não apresentaram elementos novos ou provas inéditas além daquelas que já foram obtidas no decorrer do inquérito policial.
Outro fator determinante para a recusa foi a ausência de um compromisso efetivo por parte do ex-banqueiro para a devolução dos recursos desviados. O Ministério Público considera o ressarcimento financeiro um requisito central e inegociável para o avanço de qualquer tratativa de colaboração.
Daniel Vorcaro cumpre prisão preventiva em Brasília. Ele é apontado pela Polícia Federal como o líder de um esquema de fraudes financeiras bilionárias cujos desvios estimados podem alcançar a cifra de R$ 12 bilhões.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre a possibilidade de transferir o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao Complexo Penitenciário da Papuda. Segundo a Folha de S. Paulo, a Polícia Federal solicitou sua remoção após rejeitar pela segunda vez sua proposta de delação.
Vorcaro, que é investigado por fraudes financeiras bilionárias, o dono do Banco Master está em prisão preventiva na superintendência da PF (Polícia Federal) em Brasília. A decisão cabe a Mendonça, mas interlocutores afirmam que só deve deliberar sobre a transferência na próxima semana, depois de ouvir a opinião do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O ex-banqueiro ainda negocia um acordo de colaboração premiada com a própria PGR. Porém, caso o órgão negue a proposta, o empresário responderá à investigação sem qualquer tipo de benefício.
A avaliação de investigadores da PF é a de que Vorcaro não entregou informações adicionais àquelas que já foram obtidas de forma independente, como os dados e as conversas localizadas nos celulares do ex-banqueiro.
Além disso, o empresário teria tentado justificar os crimes que cometeu, e não propriamente reconhecido seus erros e os prejuízos causados, por exemplo, aos aposentados, diante das fraudes em empréstimos consignados. A delação, por definição, pressupõe que o colaborador assuma a culpa.
Por esses motivos, Mendonça tem sinalizado a pessoas próximas que está cético quanto à viabilidade de homologar uma eventual delação. O ministro também afirma a auxiliares que o ressarcimento integral dos prejuízos é um requisito inegociável.
O relator costuma lembrar que, desde que Vorcaro iniciou as negociações, em 19 de março, houve pelo menos cinco novas fases da Compliance Zero, o que demonstra que a investigação é capaz de "caminhar com as próprias pernas" e que a delação é dispensável.
A proposta de delação premiada apresentada pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro incluía informações sobre repasses feitos ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo informações publicadas pela revista Veja, nesta quinta-feira (11), o fundador do Banco Master teria repassado US$ 30 milhões ao senador, o equivalente a R$155 milhões na cotação atual.
A proposta de Vorcaro foi oficialmente rejeitada pela Polícia Federal na quarta-feira (10). Na avaliação da PF, a nova proposta de delação continuou sem trazer fatos inéditos ou elementos considerados relevantes para o avanço das investigações da Operação Compliance Zero.
Conforme divulgado pela Veja, o valor repassado pelo ex-banqueiro ao presidente do Congresso teria sido depositado em uma conta secreta no exterior e, posteriormente, transferido a Alcolumbre como contrapartida pelo apoio do parlamentar a uma demanda de interesse do Banco Master. A operação, ainda segundo a proposta de delação, teria sido intermediada por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.
Em nota, Alcolumbre respondeu a acusação. Por meio de assessoria, o senador diz que as informações “são absolutamente falsas, não procedem” e que serão “enfrentadas com a máxima firmeza”.
“O senador Davi Alcolumbre jamais recebeu valores, no Brasil ou no exterior. Diante da gravidade das acusações e dos danos causados à sua honra e à sua trajetória pública, serão adotadas todas as medidas judiciais cabíveis, nas esferas cível e criminal, para que os responsáveis pelas acusações respondam por suas afirmações e apresentem as provas que dizem possuir”, diz trecho da nota.
A segunda proposta apresentada por Vorcaro também menciona supostos pagamentos ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e a integrantes do PT da Bahia.
Rueda nega irregularidades e afirma não ter relação pessoal com Vorcaro, embora reconheça que seu escritório de advocacia prestou serviços ao Banco Master.
A Polícia Federal rejeitou a segunda proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Investigadores apontaram que o material apresentado pela defesa acrescentava pouco ao que já havia sido levantado pela PF e que a impressão era de que Vorcaro agia para proteger pessoas próximas.
Vorcaro está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema de fraudes financeiras que pode chegar a R$ 12 bilhões, segundo a PF.
A primeira proposta de delação já havia sido rejeitada no mês passado pelos mesmos motivos. O acordo segue sendo negociado conjuntamente com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O site The Intercept revelou, nesta terça-feira (9), que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro possuía uma tabela com o cronograma de pagamentos a serem realizados ao fundo Havengate Development Fund, que seria responsável pelo financiamento do filme biográfico de Jair Bolsonaro, "Dark Horse".
O documento divulgado pelo site é uma planilha intitulada “Funding Schedule”, enviada em 7 de agosto de 2025 pelo empresário Thiago Miranda a Daniel Vorcaro. O cronograma previa 14 desembolsos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. As duas primeiras parcelas foram de 2 milhões de dólares cada, inicialmente previstas para 20 e 25 de janeiro de 2025, mas efetivamente pagas em 13 de fevereiro e em 24 de março, segundo a planilha.
As outras 12 foram fixadas em 1,66 milhão de dólares cada. A primeira delas também foi paga em 24 de março, outras duas em 25 de abril e mais uma em 29 de maio. Ao final do cronograma, o total recebido indica uma soma de 10,6 milhões de dólares.

Foto: Reprodução / The Intercept
Na mensagem, o empresário teria escrito, segundo o intercept, “Duas em atraso e está para vencer a terceira agora em agosto”. Miranda recebeu uma resposta curta de Vorcaro: “Segunda fazemos duas”.
Ainda de acordo com a reportagem, Vorcaro volta a discutir o tema com o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro do banqueiro. Mensagens divulgadas apontam que Vorcaro encaminhou o documento a Zettel e deu orientações: "precisa me ajudar controlae isso” e “tem que pagar a segunda e a terceira”.

Foto: Reprodução / The Intercept
COMPROVANTE DE PAGAMENTO
O Intercept divulgou ainda um comprovante de uma operação financeira que teve como remetente a Entre Investimentos e Participações Ltda. O pagamento . O pagamento teria sido processado por meio do Banco BS2 e destinado a uma conta do Havengate vinculada ao JPMorgan Chase Bank.
Segundo a reportagem, o extrato seria referente a primeira transferência internacional para financiar “Dark Horse”.

Foto: Reprodução / The Intercept
O banqueiro Daniel Vorcaro apresentou uma nova proposta de delação premiada que cita pagamentos ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e a integrantes do PT da Bahia. A informação foi divulgada pelo jornal Metrópoles nesta quarta-feira (10).
Os documentos que elaboram a nova versão da delação premiada de Vorcaro foram entregues pela defesa à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) na semana passada. Os órgãos agora analisam o material.
À coluna do jornalista Igor Gadelha, fontes que tiveram acesso ao material informaram que em relação ao PT baiano, a proposta de delação de Vorcaro menciona pagamentos que teriam sido realizados como contrapartida à operação do programa Credcesta pelo Banco Master no estado.
O Credcesta é um cartão de benefício consignado voltado para servidores públicos ativos e aposentados e cujos pagamentos das faturas são descontados diretamente em folha. O Banco Master passou a operar o Credcesta na Bahia entre os anos de 2018 e 2022.
Na época, o estado era governado por Rui Costa (PT), ex-ministro da Casa Civil no terceiro mandato de Lula. O ex-governador já negou publicamente ter relações próximas com Vorcaro. Ele disse que esteve com o banqueiro apenas uma única vez em agenda institucional e defendeu as investigações sobre o Caso Master.
Já a citação ao presidente do União Brasil inclui supostos repasses milionários que teriam sido feitos pelo Banco Master, por meio do escritório de advocacia ligado ao cacique partidário.
Antônio Rueda é considerado um dos responsáveis pela indicação da antiga diretoria do Rioprevidência, fundo dos servidores do estado que fez aportes bilionários em papéis e fundos ligados ao Banco Master. Publicamente, Rueda nega qualquer irregularidade, mas já admitiu ter prestado serviços advocatícios para o Banco Master por meio de seu escritório.
OUTROS MENCIONADOS
Ainda de acordo com o jornal Metrópoles, a delação de Vorcaro também cita supostos pagamentos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e ao ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL).
Na nova proposta, o banqueiro aderiu às versões da PF e passou a tratar as benesses pagas por ele a Ciro e a Castro como propina, e não mais apenas como amizade, como sustentava até então.
Mais de 65% dos brasileiros afirmam que Flávio Bolsonaro errou ao pedir dinheiro para Daniel Vorcaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) errou ao pedir dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa foi a visão da grande maioria dos entrevistados da nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10).
De acordo com a pesquisa, 65% disseram que o candidato a presidente do PL errou ao pedir cerca de R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para financiar o filme. Já para 17% dos entrevistados pela Genial/Quaest, Flávio Bolsonaro acertou em pedir o financiamento e não viram nada demais na situação.
Em outro questionamento da pesquisa, 60% disseram que, pelo que foi ouvido até aqui, consideraram suspeitas as conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Outros 19% acreditaram que as relações entre o senador e o banqueiro foram “normais”, e 21% não sabem ou não responderam.
A Genial/Quaest também perguntou aos brasileiros se o presidenciável Flávio Bolsonaro poderia estar escondendo algum tipo de envolvimento ilegal no caso do Banco Master. Para 58%, Flávio poderia sim estar escondendo informações e ilegalidades, enquanto 27% negaram que ele estivesse envolvido em algo ilegal.
A percepção de que o senador Flávio Bolsonaro “errou” na sua relação com Vorcaro foi majoritária entre lulistas (76%), esquerdistas não lulistas (87%), independentes (67%) e direitistas não bolsonaristas (53%). Entre os bolsonaristas, houve empate entre quem considerou que o pré-candidato devia ter evitado pedir financiamento e quem não viu nada de mais na negociação: 42%.
Outro recorte da pesquisa mostrou que 62% dos entrevistados acreditam que o senador do PL sabia que Vorcaro estava envolvido em corrupção, e mesmo assim pediu dinheiro a ele para o filme. Para outros 26%, Flávio Bolsonaro não sabia que Vorcaro seria corrupto.
O instituto Genial/Quaest ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. O nível de confiança da pesquisa é de 95%, a pesquisa foi registrada junto à Justiça Federal sob o número BR-07661/2026.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ministro Alexandre de Moraes seja declarado suspeito para processar e julgar fatos relacionados a Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Segundo a defesa do senador, o impedimento se justifica pela suposta relação entre Moraes e o empresário, que está preso em Brasília e negocia uma delação premiada com autoridades.
O pedido foi embasado por dados da Receita Federal, que apontaram transações bancárias em que o Master pagou R$ 80 milhões ao escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, pela prestação de serviços advocatícios.
Informações do G1 destacam que os advogados de Flávio afirmam que não estão fazendo qualquer juízo de valor sobre a relação entre os dois, mas tentando garantir a observância das regras processuais e regimentais.
A ação de Flávio Bolsonaro foi apresentada após Moraes enviar para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).
O petista solicitou que sejam apuradas supostas ligações entre Daniel Vorcaro e o senador, no que diz respeito ao financiamento, pelo banqueiro, da cinebiografia de Jair Bolsonaro, intitulada "Dark Horse".
O Atlético Mineiro aprovou nesta segunda-feira (24) um aporte de R$ 530 milhões na SAF alvinegra, movimento que reduz significativamente a participação acionária de Daniel Vorcaro, empresário ligado ao Banco Master e atualmente preso pela Polícia Federal.
A decisão foi tomada pelo Conselho Deliberativo do clube em reunião realizada presencialmente na Arena MRV, na última segunda-feira (25). Apenas um conselheiro votou contra a operação. Além do aporte, também foram aprovadas as contas da associação referentes ao último exercício.
Com a nova injeção financeira, a composição societária da SAF atleticana sofreu alterações importantes. O grupo liderado por Rubens Menin e Rafael Menin ampliou sua participação de 41,8% para 83,5%, enquanto a fatia vinculada ao Galo Forte FIP — fundo ligado a Daniel Vorcaro — caiu de 20,2% para 6,5%.
A associação do clube também teve redução percentual, passando de 25% para 10%.
Segundo o CEO do Atlético, Pedro Daniel, cerca de 90% do valor aprovado será destinado ao pagamento de dívidas bancárias do clube.
"Um dia bem importante. A aprovação do aporte de R$ 530 milhões é basicamente para pagar dívidas bancárias. Quase 90% do valor. Uma pequena parte para os investimentos que já fizemos, seja nas últimas janelas, mas principalmente para o ecossistema do futebol", afirmou o dirigente.
Parte do investimento — aproximadamente R$ 94 milhões — foi realizada por meio do FIGA (Fundo de Investimentos do Galo), mecanismo criado para participação de investidores minoritários ligados ao clube.
O cenário ocorre em meio à repercussão envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, investigado pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. O empresário teve prisão preventiva decretada novamente pelo STF após investigações apontarem supostas fraudes bilionárias, manipulação de balanços, lavagem de dinheiro e criação de um grupo de intimidação conhecido como “A Turma”.
Vorcaro já estava afastado do conselho de administração da SAF atleticana antes da votação desta segunda-feira.
O levantamento do instituto Datafolha divulgado nesta sexta-feira (22) mostrou uma superioridade de 9% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas simulações para a eleição presidencial de 2026.
No principal cenário de primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 31%. Na rodada anterior da pesquisa, os dois estavam mais próximos, com 38% para o petista e 35% para o senador. Já no cenário de segundo turno, Lula soma 47% contra 43% de Flávio. Na pesquisa passada, ambos apareciam empatados com 45%.
A nova rodada da pesquisa foi realizada após a divulgação das denúncias envolvendo o financiamento do documentário “Dark Horse”, produção ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o levantamento, 64% dos entrevistados disseram conhecer o caso e o mesmo percentual avaliou negativamente a atuação de Flávio no episódio.
Apesar da queda nos números, o senador segue como principal nome da oposição ao governo federal nas simulações apresentadas pelo instituto. No primeiro turno, nomes como Ronaldo Caiado (PSD-GO, 4%) e Romeu Zema (Novo-MG, 3%) aparecem atrás dos dois líderes.
Empatados, Renan Santos (Missão) e Samara Martins (UP), surgem também com 3%. O Datafolha também simulou um cenário com Michelle Bolsonaro (PL) na disputa. Nesse caso, Lula teria 48% em um eventual segundo turno, contra 43% da ex-primeira-dama.
A Polícia Federal rejeitou, nesta quarta-feira (20), a proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão foi comunicada aos advogados do banqueiro e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master.
Segundo o g1, o acordo estava sendo negociado pela defesa de Vorcaro junto a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) conjuntamente. Após a rejeição na Polícia Federal, a proposta ainda pode ser analisada individualmente pela Procuradoria.
Segundo investigadores, o material apresentado pela defesa acrescentava pouco em relação ao que já foi levantado pela PF e que a impressão é que Vorcaro agia para proteger pessoas próximas.
A Polícia Federal apreendeu, no âmbito da Operação Compliance Zero, mais de oito celulares de Daniel Vorcaro e, até o momento, a perícia de parte deles já revelou desdobramentos importantes de um esquema de fraudes financeiras, envolvendo corrupção, organização criminosa e uso de uma milícia privada para atacar adversários e acessar dados sigilosos.
VORCARO NA PF
Após pedido da Polícia Federal, Daniel Vorcaro foi transferido, nesta terça-feira (19), para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Até então, ele estava em uma sala com estilo de "sala de Estado-maior", mesmo espaço usado para prender o ex-presidente Jair Bolsonaro, entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.
Em uma cela comum, o acusado ficará submetido às regras internas da PF para, por exemplo, receber visitas dos advogados.
O governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), endureceu o discurso sobre os desdobramentos do caso envolvendo o empresário Daniel Vorcaro durante participação na Marcha dos Prefeitos, em Brasília, nesta quarta-feira (20). Sem citar diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL), Caiado afirmou que “político contaminado por Vorcaro não pode ser presidente do Brasil”.
A declaração acontece após a divulgação de áudios que mostram o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro cobrando recursos do dono do Banco Master para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-chefe do Executivo.
Durante a fala, Caiado afirmou que o empresário teria influência sobre diferentes setores do poder público e criticou o cenário político nacional. “Você não sabe em quem acredita”, declarou o governador, ao mencionar instituições como Congresso, Supremo Tribunal Federal e Presidência da República.
Apesar da repercussão, o pré-candidato do PSD negou que a declaração tenha sido direcionada especificamente a Flávio Bolsonaro. Segundo ele, não costuma fazer “indiretas” e defendeu que é necessário ter responsabilidade para disputar o comando do país.
ASSISTA:
????????????? Em indireta para Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado diz que políticos “contaminados” não têm autoridade moral:
— Brasil Alternativo (@bralternativo_) May 20, 2026
“A pessoa que está contaminada não tem estatura para sentar na cadeira da presidência, não tem autoridade moral para chamar atenção de ministro do Supremo e nem do… pic.twitter.com/iAMYIxaB0y
O filme 'Dark Horse', que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, está sendo alvo de uma representação enviada à Procuradoria-Geral da República, que pede a abertura de investigação sobre os recursos usados na produção do longa, financiado por parte da fortuna desviada por Daniel Vorcaro.
As informações são da coluna de Lauro Jardim, do jornal 'O Globo'.
A PGR confirmou o recebimento da representação, que pede para que o órgão adote medidas cautelares para bloquear eventuais receitas de bilheteria do longa no Brasil, e informou que o caso foi encaminhado à Assessoria de Controle Extrajudicial para análise preliminar.
A justificativa para o pedido é que o investimento feito no longa pode ter sido de recursos hoje investigados pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal, já que o Banco Master está sendo acusado de cometer uma fraude bilionária.
De acordo com a publicação, o argumento central da representação é o de que o aporte feito por Vorcaro no projeto, de R$ 61 milhões, poderia configurar tentativa de ocultação ou circulação de patrimônio em meio às investigações sobre o rombo do banco.
No documento, são mencionados ainda as apurações que miram a recuperação de cerca de R$ 50 bilhões atribuídos ao colapso do negócio de Vorcaro, incluindo recursos ligados ao Fundo Garantidor de Créditos e a fundos previdenciários estaduais.
Na última terça-feira (19), o longa foi alvo de denúncias de más condições de trabalho durante as gravações realizadas em São Paulo. Ao menos 15 profissionais procuraram o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de São Paulo (Sated-SP) relatando agressões físicas, assédio moral, atrasos salariais e revistas pessoais consideradas constrangedoras nos bastidores da produção.
Já no início da semana, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a abertura de uma investigação sobre o financiamento do longa 'Dark Horse', que conta a história de Jair Bolsonaro, para impedir o lançamento da produção antes das Eleições 2026.
O advogado Eugênio Aragão anunciou nesta terça-feira (19) que não integra mais a defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), investigado no caso envolvendo o Banco Master. A saída acontece enquanto Costa negocia um possível acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). O ex-dirigente do banco está preso no Complexo da Papuda, em Brasília.
Em nota divulgada à imprensa, Aragão afirmou que atua apenas em “iniciativas jurídicas pautadas pela absoluta seriedade, confiança profissional e responsabilidade”. O advogado, no entanto, não detalhou o motivo concreto do rompimento com o cliente.
No comunicado, ele também declarou que uma eventual colaboração premiada só deveria ocorrer diante da existência de “provas consistentes e inequívocas”, além de respeito à legalidade e às instituições.
Paulo Henrique Costa foi preso em 16 de abril, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura supostas fraudes relacionadas ao Banco Master e a tentativa de aquisição da instituição pelo BRB, banco público vinculado ao Governo do Distrito Federal.
Segundo os investigadores, Costa teria acertado com o banqueiro Daniel Vorcaro o recebimento de R$ 146,5 milhões em propina, valor que seria repassado por meio de imóveis. A defesa do ex-presidente do BRB nega as acusações.
O deputado estadual Leandro de Jesus (PL) confirmou que viajará aos Estados Unidos para participar de reuniões com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), em meio à repercussão envolvendo o filme “Dark Horse” e os áudios atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro. Em entrevista ao Bahia Notícias, o parlamentar afirmou que o encontro, previsto para ocorrer em Dallas, no Texas, terá foco nas eleições de 2026 e não será bancada pelos cofres públicos.
“Alguns temas específicos que dizem respeito, por exemplo, às eleições agora de 2026, os desdobramentos dos próximos meses, as nossas estratégias de expansão, de campanha e de busca do resultado que nós esperamos ter no Brasil como um todo. [...] Só para deixar claro: os recursos que pagam essa minha viagem aos Estados Unidos são recursos próprios”, declarou.
Leandro também destacou que Eduardo Bolsonaro acompanha de perto a política baiana e apoia sua pré-candidatura a deputado federal. “No caso da Bahia, especialmente o Eduardo, ele é um apoiador direto em relação à minha caminhada”, disse. O deputado ainda citou o ex-prefeito de Salvador ACM Neto ao comentar o cenário eleitoral no estado. Segundo ele, Eduardo considera Neto “o único nome de oposição capaz de vencer o PT na Bahia”.
Durante a entrevista, Leandro de Jesus também saiu em defesa do filme “Dark Horse”, projeto inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para o parlamentar, as críticas envolvendo o longa e as recentes revelações sobre negociações financeiras seriam motivadas pelo crescimento político do grupo bolsonarista.
“Toda essa 'desinformação' está sendo criada exatamente porque estávamos num cenário em que o Flávio vinha despontando para derrotar o Lula. O filme retrata uma história real do Jair Bolsonaro e reacende essa chama sobre aquilo que nós queremos para o Brasil”, afirmou.
As reuniões organizadas por Eduardo Bolsonaro devem reunir deputados federais, estaduais e pré-candidatos ligados ao PL. Os encontros também são vistos como uma demonstração de apoio ao filho do ex-presidente após a divulgação de reportagens sobre o financiamento do filme e movimentações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O suspeito Victor Lima Sedlmaier, um dos alvos da 6ª fase da Operação Compliance Zero, foi preso neste sábado (16) em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, conforme informou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues.
De acordo com o G1, Sedlmaier estava foragido desde quinta-feira (14), quando a mais recente etapa da operação foi deflagrada. Ele é investigado por supostamente integrar o grupo “Os Meninos”, descrito pela PF como especializado em ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento digital ilegal, atuando em benefício de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.
Segundo a corporação, a prisão foi possível graças a uma cooperação policial via Interpol com as autoridades de Dubai, onde o suspeito foi localizado no aeroporto da cidade. Não foi divulgado se ele chegava ou saía do local. Sedlmaier deve desembarcar ainda neste sábado no Aeroporto de Guarulhos, sendo deportado para o Brasil.
O mandado de prisão preventiva foi decretado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master. Na mesma decisão, o ministro apontou que Sedlmaier teria “limpado” o apartamento de David Henrique Alves, apontado como líder do grupo de hackers e que permanece foragido desde quinta, um dia após a deflagração da 3ª fase da operação, quando Vorcaro foi preso.
Mendonça escreveu que a conduta “revela atuação imediatamente posterior à fuga ou evasão de David, em contexto objetivamente compatível com a desmobilização do imóvel, retirada de objetos de interesse investigativo e possível supressão de elementos probatórios”.
Em depoimento anterior à PF, Sedlmaier afirmou que trabalhava para David Alves desde julho de 2024, realizando serviços como “conserto de computadores, deslocamento de veículo para oficina, colocação de créditos em celular, além do desenvolvimento de software de inteligência artificial”.
Outra suspeita levantada pela investigação é o uso de documento falso. No dia 4 de março, durante a 3ª fase da Compliance Zero, a Polícia Rodoviária Federal abordou um carro dirigido por David Alves, que pertencia a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” de Vorcaro e que cometeu suicídio na prisão. No veículo, foi encontrado um documento de identidade em nome de “Marcelo Souza Gonçalves” cuja foto, segundo a PF, era a de Victor Sedlmaier.
Ao pedir a prisão, a Polícia Federal afirmou que “esse elemento agrava consideravelmente a imputação em relação a Victor, pois o vincula não apenas ao núcleo hacker, mas também a possível uso de documentação ideologicamente falsa em contexto de fuga, ocultação e suporte à atividade criminosa”.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) negou ter recebido recursos do banqueiro Daniel Vorcaro para custear sua estadia nos Estados Unidos ou atuar como produtor do filme “Dark Horse”, baseado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em vídeo publicado em seu canal no YouTube, Eduardo afirmou que investiu cerca de US$ 50 mil do próprio bolso para garantir a contratação de um diretor de Hollywood responsável pelo roteiro da produção.
"Recebi de volta o dinheiro investido, referente ao contrato com a produtora, mas essa transação não passou pelo fundo de investimento. A afirmação de que Eduardo Bolsonaro é financiado por Daniel Vorcaro é falsa. Investi US$ 50 mil nos Estados Unidos. O objetivo era garantir um contrato com um diretor de Hollywood, para que ele pudesse elaborar o roteiro e dar início ao projeto. Esse contrato permitiu manter o diretor por dois anos, assumindo eu, pessoalmente, todos os riscos," declarou.
Segundo o ex-parlamentar, o valor foi enviado aos Estados Unidos para manter o diretor ligado ao projeto por dois anos, até a chegada de investidores interessados em financiar o longa. Ele também afirmou que chegou a constar como diretor-executivo do filme em um contrato antigo, mas disse que deixou a função após a criação de uma estrutura de investimento fora do Brasil.
A declaração ocorre após reportagens apontarem que o banqueiro Daniel Vorcaro teria destinado recursos para a produção do filme, alvo de apurações sobre a origem e destinação do dinheiro.
CONFIRA:
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (15) que podem surgir novos vazamentos envolvendo conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mas garantiu que toda a relação entre os dois foi ligada apenas ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL).
“É legitimo que pensem dessa forma [sobre novos vazamentos], mas não tem nada diferente do filme. Pode vazar um 'videozinho' mostrando o estúdio que eu possa ter enviado pra ele, algum encontro que eu possa ter tido com ele, foi tudo para tratar sobre o filme, não vai ter surpresinha”, disse à CNN Brasil.
Flávio também afirmou estar disposto a divulgar os contratos ligados ao financiamento do longa, mas alegou que os documentos pertencem a um fundo privado nos Estados Unidos e seguem regras de compliance. O senador ainda pediu desculpas por ter negado inicialmente contato com Vorcaro após a divulgação de mensagens pelo The Intercept Brasil.
“Se alguém não entende a razão da minha obrigação de me comportar daquele jeito, eu peço desculpas. Eu sabia que isso ia acontecer, essa perseguição, sabia que iam jogar sujo”, declarou.
Ao comentar a participação do irmão, Eduardo Bolsonaro (PL), Flávio afirmou confiar “100%” nele e no deputado federal Mário Frias (PL). De acordo com o senador, Eduardo chegou a investir recursos próprios no projeto para manter o roteirista ligado à produção.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) comentou sobre a sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso no caso do Banco Master. Em coletiva realizada em frente ao Quartel-General da Polícia Militar do Rio, onde acompanhou a entrega de armamentos e viaturas, o parlamentar afirmou que não precisava avisar a aliados sobre sua relação com Vorcaro.
"Não tem absolutamente nada de errado. Não tenho que justificar nada para ninguém. Foi uma época lá atrás que eu busquei investidor, quando o Vorcaro era uma pessoa que circulava por todas as rodas, patrocinava eventos de várias emissoras de televisão, circulava perto de autoridades. Uma pessoa que era cortejada em todo o Brasil. Foi nessa época que ele topou fazer um investimento privado em um filme privado. Não tem nada além disso", afirmou.
As negociações entre Vorcaro e Flávio foram reveladas na última quarta-feira (13), pelo site The Intercept Brasil. Segundo a apuração, o banqueiro se comprometeu a repassar um total de 24 milhões de dólares (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época) para financiar a cinebiografia “Dark Horse”, que retrata de modo narrativo a trajetória de Jair Bolsonaro.
Na coletiva, Flávio também comentou a fala do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que afirmou que a relação do senador com Vorcaro era algo “imperdoável”
"Eu acho que ele se precipitou. Ele me conhece, sabe que não tem nada de errado. Ele foi induzido a erro, acho que no afã de querer ser o primeiro a falar alguma coisa. Normalmente, o mineiro é uma pessoa que tem calma na hora de falar, não tem essa velocidade do Zema. Geralmente, é uma pessoa que pensa mais, raciocina e depois se posiciona. Ele tem um perfil prudente, que acho importante na política. Espero que os esclarecimentos que eu trouxe tenham feito ele refletir sobre isso", disse.
O deputado federal Mário Frias (PL-SP) mudou sua versão dos fatos sobre o susposto investimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no filme "Dark Horse" cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em declaração dada nesta quinta-feira (14), o parlamentar e ex-ministro de Jair Bolsonaro confirmou que o longa-metragem recebeu recursos do ex-banqueiro.
Em nota enviada à imprensa, Frias afirma que não há contradição entre os posicionamentos públicos sobre o financiamento do projeto, mas "uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento". As informações são da CNN Brasil.
"Quando afirmei anteriormente que não há 'um centavo do Master' no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora. O nosso relacionamento jurídico foi firmado com a Entre, pessoa jurídica distinta", escreveu.
Ainda na quarta-feira (13), a empresa produtora do filme, GOUP Entertainment, afirmou "categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário". No mesmo dia, o deputado Mário Frias, que é produtor executivo do longa, afirmou o mesmo.
O terremoto que abalou a política brasileira nesta semana, a partir da revelação de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, provocou forte debate nas redes sociais e causou intenso desgaste ao pré-candidato e principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Esse cenário foi revelado em análises da movimentação nas redes feitas por plataformas de monitoramento da atividade dos internautas. Um desses estudos, da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, por exemplo, mostra que desde a última quarta-feira (13), quando veio a público o pedido de dinheiro feito por Flávio Bolsonaro a Vorcaro, esse assunto dominou as redes sociais, somando mais de 14 milhões de interações, entre curtidas, compartilhamentos e comentários nas principais plataformas.
Na rede X, segundo o estudo da Nexus, o pico de menções ao assunto foi registrado no começo da noite da última quarta. Entre as expressões em destaque na nuvem de termos da rede figuram “Lei Rouanet”, “filme sobre Jair Bolsonaro”, “CPI do Banco Master”, “estarei contigo” e “dinheiro público”.
Nas redes sociais da Meta, Facebook e Instagram, foram feitas 29 mil menções em português ao tema, com mais de 10,7 milhões de interações. Na nuvem de termos destas plataformas, a expressão “134 milhões” ganha destaque.
Em todas as plataformas, o debate se dividiu entre a ironia dos críticos a respeito da origem dos recursos para o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e a apreensão de apoiadores com o desgaste da imagem do pré-candidato e da própria família Bolsonaro, já que o irmão, Eduardo, também apareceu na história.
Outro estudo, realizado pelo sistema Hórus, plataforma de monitoramento em tempo real da AP Exata, revela que o caso do pedido de R$ 134 milhões para o filme “Dark Horse” causou forte desgaste para o senador Flávio Bolsonaro nas redes sociais. Os números da empresa mostram que 64,3% das menções ao senador foram negativas nas redes, o pior índice entre os nomes monitorados e o mais alto desde o início de sua pré-campanha a presidente.
O levantamento da AP Exata também aponta queda no índice de confiança associado ao presidenciável do PL, que recuou para 13,7%, uma baixa de 2,8 pontos percentuais em relação ao período anterior ao escândalo. Trata-se do menor patamar entre os pré-candidatos monitorados.
Apesar do desgaste, Flávio Bolsonaro liderou novamente o volume de menções nas redes nesta quinta-feira, com 24,7% do total monitorado pela AP Exata.
Em seguida aparecem o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 24,3%, e o presidente Lula, com 18%. Renan Santos (Missão) teve 12,6%, enquanto o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), chegou a 9,8%.
O crescimento de Zema ocorreu principalmente após críticas públicas feitas por ele ao senador. Antes da crise, o ex-governador mineiro respondia por cerca de 10% das menções. Agora, ampliou sua participação em aproximadamente 14 pontos percentuais ao longo do dia.
A maior visibilidade de Zema, entretanto, também trouxe custo reputacional. As menções negativas ao ex-governador subiram 4,1 pontos percentuais após suas declarações sobre Flávio, impulsionadas principalmente por críticas de perfis bolsonaristas.
Os dados da AP Exata indicam ainda estabilidade para o presidente Lula. O líder petista manteve os principais indicadores praticamente inalterados, com leve alta de 0,4 ponto percentual em menções positivas e variação semelhante no índice de confiança, sem impacto direto relevante da crise.
A análise mostra que o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e o dono do Banco Master ainda não se converteu em ganho expressivo para Lula, embora possa abrir espaço futuro para o presidente entre eleitores moderados e indecisos.
Em entrevista na GloboNews nesta quinta-feira (14), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou que haja qualquer irregularidade em sua relação com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Durante a entrevista, o pré-candidato a presidente comparou a repercussão das conversas dele com o dono do Banco Master a investimentos feitos por Vorcaro em outros projetos, além de questionar o tratamento dado ao episódio.
"Quando o Daniel Vorcaro, o banco dele, colocou R$ 160 milhões na Globo entre 2025 e 2026, era dinheiro sujo? É dinheiro sujo?”, questionou o senador aos jornalistas da GloboNews que o entrevistavam.
Flávio Bolsonaro disse que o dinheiro investido pelo Master na Globo teria sido destinado ao programa do Luciano Huck. O senador perguntou se os jornalistas sabiam da origem do dinheiro do Banco Master.
“Vocês sabiam da origem desse dinheiro? Eu acho que não, que vocês agiram de boa-fé, como eu agi de boa-fé”, argumentou o candidato do PL.
Segundo o senador, o empresário teria investido esperando retorno financeiro e não em razão de qualquer benefício político.
“Ele não estava fazendo favor. Eu era senador de oposição. Eu não tinha absolutamente nada para oferecer em troca”, disse.
A entrevista ocorreu um dia após o site The Intercept Brasil divulgar mensagens e áudios em que Flávio Bolsonaro aparece cobrando Daniel Vorcaro por pagamentos em atraso relacionados ao financiamento do filme.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) negou, nesta quinta-feira (14), ter recebido recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro para manter sua permanência nos Estados Unidos. A declaração ocorreu após a Polícia Federal (PF) iniciar apurações sobre possíveis repasses vinculados ao empresário para financiar despesas do ex-parlamentar no exterior.
Investigadores tentam esclarecer se os valores destinados ao filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, tiveram outra finalidade. Nas redes sociais, Eduardo afirmou que seu processo migratório nos EUA impediria qualquer irregularidade financeira.
“Meu status migratório não permitiria, se isso tivesse acontecido o próprio governo americano me puniria. No meu processo migratório expliquei as autoridades americanas toda a origem dos meus recursos e não tive qualquer problema, porque aqui não vigora um regime de exceção. Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem”, escreveu.
Ele também declarou que informou às autoridades americanas a origem dos recursos utilizados durante o processo migratório e negou qualquer problema com a documentação apresentada.
As investigações analisam se o dinheiro enviado ao fundo responsável pelo filme foi realmente aplicado na produção audiovisual ou se parte dos recursos teria sido usada para bancar despesas pessoais nos Estados Unidos.
Em entrevista à GloboNews, o senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que os recursos pagos por Vorcaro foram destinados exclusivamente ao fundo do filme e administrados por um advogado ligado a Eduardo.
Uma cláusula de confidencialidade em um contrato com financiadores do filme “Dark Horse”, que fala sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, teria sido o motivo para que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) escondesse sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. O pré-candidato a presidente, em entrevista à Globonews nesta quinta-feira (14), admitiu que mentiu sobre suas conversas com Vorcaro para não quebrar o contrato.
“Eu não falei que era mentira. Tenho contrato de confidencialidade. Estou falando disso agora porque veio à tona, não tem mais como negar”, disse Flávio aos jornalistas da GloboNews. “Eu menti. Eu podia descumprir uma cláusula contratual? Isso gera multa, isso gera exposição dos investidores”, completou o pré-candidato.
Segundo o senador, o contato com o banqueiro Daniel Vorcaro era “exclusivamente” para tratar do projeto audiovisual e negou irregularidade na relação.
“Se eu falo assim, ‘eu conheço o Vorcaro’, a pergunta seguinte qual ia ser? ‘Qual a sua relação com ele?’ Eu ia ter que falar do filme. Foi só por isso que eu me eximi”, alegou o filho do ex-presidente Bolsonaro.
Na entrevista, o pré-candidato não explicou os termos do contrato de confidencialidade e nem com quem foi firmado o acordo. Flávio afirmou que a decisão de mostrar o documento depende dos investidores e do gestor do fundo envolvido.
“Tem que falar com o investidor, com o gestor do fundo, para saber se é possível que isso aconteça, até porque é uma relação jurídica nos Estados Unidos”, declarou Flávio Bolsonaro, que disse ainda que os contratos envolviam outros investidores, que também exigiram sigilo.
Informação divulgada pelo site Intercept Brasil nesta quinta-feira (14) revela que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, aceitou receber o ex-presidente Jair Bolsonaro em sua casa em Brasília, em março de 2025, para juntos assistirem a um documentário. Uma troca de conversas extraída do celular do dono do Master mostra o convite.
Segundo o site, o encontro foi organizado um dia após o ex-presidente Jair Bolsonaro ter virado réu por seu envolvimento na tentativa de golpe de estado em 2022. Mensagens indicam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) sabiam do encontro.
Em entrevista à GloboNews, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro confirmou o convite feito para que seu pai fosse assistir a um documentário na casa de Daniel Vorcaro. Flávio, entretanto, disse que o encontro não aconteceu.
A reunião era parte do plano para contar com o apoio de Vorcaro para financiar a produção de “Dark Horse”, filme que conta a história de Jair Bolsonaro. Mensagens obtidas pelo Intercept Brasil indicam que Mario Frias pediu para Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, fazer a ponte com Vorcaro.
Segundo os registros, Miranda sugeriu o encontro a Vorcaro por WhatsApp no dia 27 de março do ano passado. Os diálogos não informam o nome do filme, mas, na época, Frias já atuava como produtor de “A Colisão dos Destinos”, um documentário de cerca de 70 minutos sobre a trajetória do ex-presidente, que estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026.
A troca de mensagens entre Miranda e Vorcaro ocorreu um dia depois de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, o STF, ter decidido por unanimidade tornar réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados por tentativa de golpe de estado em 2022. Jair foi condenado seis meses depois, em 11 de setembro de 2025, a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado.
No registro obtido pelo Intercept, Miranda compartilhou com Vorcaro uma captura de tela de uma conversa com Frias. Nesse print, o deputado federal, que foi secretário de Cultura na gestão de Bolsonaro, afirma que o encontro “vai fazer mta diferença pro PR” – PR é uma sigla que bolsonaristas costumam usar para se referir ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira (14) que os recursos obtidos junto ao banqueiro Daniel Vorcaro foram utilizados exclusivamente na produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O parlamentar negou que o dinheiro tenha sido usado para custear despesas do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.
“Todos os recursos que foram aportados nesse fundo, que é específico para esse filme, são integralmente utilizados para fazer o filme”, declarou em entrevista à GloboNews.
As declarações ocorreram após reportagens do The Intercept Brasil divulgarem mensagens e áudios em que Flávio aparece cobrando recursos de Vorcaro para financiar o longa. Segundo as publicações, cerca de R$ 61 milhões teriam sido destinados ao projeto.
O senador afirmou que sua participação se limitou à busca de investidores para viabilizar a produção audiovisual. Ele também disse que eventuais pagamentos a advogados estariam ligados à administração do fundo responsável pelo financiamento do filme. “Não tem por que querer empurrar uma intimidade que não tenho”, afirmou.
O caso também é alvo de apuração da Polícia Federal, que investiga se parte dos recursos pode ter sido utilizada para bancar despesas e articulações políticas de Eduardo nos Estados Unidos. A polêmica envolvendo o financiamento do filme ocorre em meio às investigações relacionadas ao Banco Master e à atuação de Daniel Vorcaro no mercado financeiro.
ASSISTA:
????URGENTE - Malu Gaspar questiona Flávio Bolsonaro por que o dinheiro foi para um fundo gerido pelo advogado de Eduardo
— SPACE LIBERDADE ? (@NewsLiberdade) May 14, 2026
Flávio - “Eu não sei de detalhes. Esse advogado é gestor desse fundo (…) é uma pessoa de confiança do Eduardo”
Malu - “então o senhor não sabe o destino?” pic.twitter.com/m1RfrTVBzW
Em entrevista à GloboNews nesta quinta-feira (14), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou que valores captados junto ao banqueiro Daniel Vorcaro tivessem sido utilizados para custear despesas do seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos.
O pré-candidato repetiu explicação dada nas redes sociais no dia anterior sobre suas conversas com o dono do Banco Master, reveladas pelo site The Intercept. Flávio colocou que ele apenas estava buscando recursos para financiar a produção do filme “Dark Horse”, baseado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Minha participação foi buscar investidores para colocar de pé um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, meu pai, uma pessoa que está passando por uma grande perseguição e foi vítima de uma farsa por meio de uma corte, e é meu sonho fazer com que a história de vida dele, que é emocionante, seja uma homenagem em forma de filme”, disse o senador, reforçando que todos os recursos foram destinados exclusivamente ao filme.
A Polícia Federal iniciou uma nova linha de investigação para apurar se o dinheiro solicitado pelo senador Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro serviu para bancar despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA. A PF quer identificar se o montante negociado com Vorcaro de fato foi destinado para o filme ou se a produção serviu para camuflar o repasse das verbas.
Isso porque cerca de US$ 2 milhões teriam sido transferidos para um fundo sediado no Texas denominado Havengate Development Fund LP, que tem como um dos responsáveis legais Paulo Calixto, advogado de Eduardo.
Na entrevista, Flávio Bolsonaro explicou que o fundo criado para financiar o filme teve utilização específica. Segundo ele, todos os recursos captados e enviados ao fundo foram utilizados “integralmente” para fazer o filme.
O pré-candidato ainda justificou a aproximação com investidores privados para o projeto cinematográfico. “Fui buscar investimento privado para um filme em homenagem ao meu próprio pai”, declarou.
Questionado sobre sua relação com Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro negou ter relação próxima com o banqueiro, além das tratativas relacionadas ao filme. “Eu não tenho nenhum contato com Daniel Vorcaro, a não ser para tratar de filme. As conversas mostram isso”, afirmou.
Outro questionamento foi feito pela emissora sobre o tom informal das mensagens trocadas com Vorcaro, o senador do PL do Rio de Janeiro disse que expressões como “irmão” e “mermão” fazem parte do vocabulário popular carioca e não indicam proximidade pessoal.
“Irmão, mermão, é uma expressão que a gente usa para cumprimentar, até para pedir um coco na praia. É igual guri no Rio Grande do Sul, piá no Paraná, mano em São Paulo. Não tem por que querer empurrar goela abaixo uma intimidade que não tenho”, concluiu o senador.
O diretor norte-americano Oliver Stone negou que o documentário “Lula”, lançado em 2024, tenha recebido qualquer tipo de financiamento do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A manifestação ocorreu após a divulgação de mensagens e áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Vorcaro sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em nota à Folha de São Paulo, os produtores do documentário afirmaram que não houve “quaisquer recebimentos de recursos, investimentos, patrocínios ou contribuições” ligados a Vorcaro, ao Banco Master ou empresas associadas ao empresário. A equipe também informou que poderá adotar medidas judiciais contra informações consideradas falsas.
O filme dirigido por Stone e Rob Wilson retrata a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com foco no período entre a prisão do petista, em 2018, e a volta ao Palácio do Planalto em 2022.
O presidente Lula (PT) esteve no Polo Petroquímico de Camaçari, onde visitou a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), nesta quinta-feira (14). Durante o discurso, Lula foi questionado sobre o vazamento de mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso no caso do Banco Master. O presidente se negou a falar sobre o tema.
“Eu não vou comentar um caso de polícia. Não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia. Tem algum delegado aqui? Não tem. Vá na 1ª Delegacia da Polícia Federal e pergunte como vai ser tratado o caso dele. O meu caso é tratar do povo brasileiro, é tratar da Petrobras e tratar do emprego”, disse.
Relembre o caso
A fala se refere a uma reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil, que revelou a existência de negociações entre Vorcaro e Flávio. Segundo a apuração, o banqueiro se comprometeu a repassar um total de 24 milhões de dólares (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época) para financiar a cinebiografia “Dark Horse”, que retrata de modo narrativo a trajetória de Jair Bolsonaro.
O banqueiro teria repassado R$ 61 milhões a Flávio, em seis operações realizadas entre os meses de fevereiro e maio de 2025. Em um dos áudios revelados, Flávio cobra parte do pagamento ao banqueiro, alegando temer não conseguir arcar com os custos da produção.
“Se você puder me dar um toque, uma posição, porque a gente precisa saber o que faz, porque eu já tenho muita conta pra pagar esse mês e no mês seguinte. Agora que é a reta final, a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos, porque senão a gente perde tudo em contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo. Podendo nos dar um toque aí irmão”, completou Flávio.
Os registros obtidos incluem um cronograma de desembolso, um comprovante bancário e cobranças relacionadas às parcelas previstas para a produção. A negociação teve como intermediários o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e o deputado federal Mário Frias (PL).
Flávio Bolsonaro confirmou o contato e disse que a conversa mostra “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”. O senador ainda afirmou que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, antes das acusações sobre o caso do Banco Master.
“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, disse.
Na manhã desta quarta-feira (13), em conversa com jornalistas na porta do prédio do Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saiu em defesa do presidente do PP, Ciro Nogueira (PP-PI), e disse ter certeza de que o ministro André Mendonça não iria “sacanear” o seu colega de Senado. A fala de Flávio se deu antes dele ser questionado pelo repórter do site Intercept sobre os pagamentos que ele negociou com Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“O Ciro é presidente de um partido importante, sofreu acusações que são graves e ele inclusive já começou a explicar. O que eu falo é o seguinte: pelo menos ele tem um relator no Supremo, que é o ministro André Mendonça, que não vai sacaneá-lo, que vai dar a oportunidade da defesa trabalhar, vai dar a oportunidade do Ciro se explicar, provar que é inocente”, afirmou Flávio.
A conversa com a imprensa aconteceu logo depois de o senador ter um encontro com o presidente do STF, Edson Fachin. Flávio Bolsonaro fez ainda uma comparação da condução do processo por Mendonça com a do ministro Alexandre de Moraes durante a relatoria do caso da trama golpista de 8 de Janeiro.
“O que não aconteceu com o presidente Bolsonaro, por exemplo, que provou que era inocente e, mesmo assim, foi condenado pelo seu perseguidor, que é o ministro Alexandre de Moraes, um relator muito ruim, uma pessoa que acaba trazendo um descrédito para a própria instituição Supremo Tribunal Federal por conta de uma atuação completamente parcial”, completou o filho do ex-chefe do Executivo.
Já ao final dessa entrevista, Flávio Bolsonaro foi questionado pelo repórter Thalys Alcântara, do Intercept, sobre conversas mantidas com Vorcaro para a produção do filme a respeito da vida de Jair Bolsonaro. O acordo envolveu o repasse de US$ 24 milhões de dólares – cerca de R$ 134 milhões.
Ao ouvir a pergunta do repórter, Flávio Bolsonaro gargalhou e foi categórico em sua negativa. “De onde você tirou essa informação? É mentira”, afirmou o senador, antes de dar as costas à imprensa e dizer que a entrevista estava finalizada. Em tom de deboche, o senador ainda tentou desqualificar o trabalho do repórter, chamando-o de “militante”.
Poucas horas depois, o site Intercept divulgou a reportagem que caiu como uma bomba em Brasília, com áudios e prints de conversas que mostram que o pré-candidato a presidente negociou diretamente com o banqueiro Daniel Vorcaro o financiamento do filme “Dark Horse”. Documentos, mensagens e comprovantes analisados pelo Intercept indicam que ao menos US$ 10,6 milhões já haviam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações ligadas ao projeto.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais expoentes do campo ideológico e político da direita, só foi comentar as conversas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro no final da noite desta quarta-feira (13). Nikolas, que há meses vem sendo criticado pela família Bolsonaro e seus seguidores de pouco se engajar na campanha presidencial do senador do PL, em postagem nas redes, fez uma defesa apenas protocolar do presidenciável do seu partido.
“Não acredito em condenações precipitadas, assim como também acredito que transparência é sempre o melhor caminho. Flávio deu sua versão dos fatos e afirmou não haver qualquer ilegalidade em sua conduta”, disse Nikolas.
Após citar que Flávio Bolsonaro havia apresentado sua defesa a respeito do pedido de dinheiro ao dono do Banco Master para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, Nikolas Ferreira passou a relembrar outros escândalos, inclusive envolvendo o governo Lula.
“São muitos os escândalos que nosso país vem sofrendo. São notícias diárias de proporções gigantescas, como o escândalo do INSS ou dos contratos milionários envolvendo o Banco Master e ministros, além de pessoas ligadas ao Governo Lula”, afirmou o deputado.
Na parte final de sua postagem, o deputado do PL de Minas Gerais segue a mesma linha de defesa feita por diversos outros parlamentares e influenciadores de direita, comparando o dinheiro pedido por Flávio a outros filmes que teriam sido financiados pelo banco, sobre as vidas do presidente Lula e do ex-presidente Michel Temer. Nikolas Ferreira também segue na mesma linha adotada por Flávio Bolsonaro, de exigir a instalação da CPI do Banco Master.
“A pergunta que fica é: por que nenhuma tem a repercussão e indignação do que aconteceu hoje? Ou melhor: porque não há a mesma intenção de criminalizar o financiamento dos filmes de Lula e Temer feitos por Vorcaro? São essas e outras milhares de perguntas que precisam ser esclarecidas. Só há uma forma de elucidar todos os fatos envolvendo o Banco Master e as ações do Vorcaro: a instalação da CPMI. Quem agora silenciar, estará acusando o seu medo e, consequentemente, sua culpa”, concluiu o deputado.
Nesse trecho da sua postagem, o deputado Nikolas Ferreira faz referência a uma informação divulgada nesta quarta pelo jornalista Lauro Jardim, do site de O Globo, de que Daniel Vorcaro teria injetado recursos nos filmes “963 dias — A história de um presidente que recolocou o Brasil nos trilhos”, sobre a gestão de Michel Temer, e “Lula”, um documentário dirigido em 2024 por Oliver Stone.
Após a divulgação da nota, o jornalista Lauro Jardim informou que recebeu resposta do produtor do documentário sobre Temer, negando ter pedido dinheiro a Vorcaro. Jardim também reproduziu nota da Secretaria de Comunicação da Presidência da República afirmando que não houve qualquer pedido, nem do presidente Lula e nem do governo federal, para o financiamento do documentário do cineasta Oliver Stone.
Os três hackers foram alvos de mandado de prisão durante a sexta fase da operação Compliance Zero, nesta quinta-feira (14). Os hackers fariam parte do grupo A Turma, investigado por fazer ameaças sob determinação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo investigação, eles atuavam para derrubar conteúdos negativos contra o banqueiro na internet ou tentar inflar publicações positivas sobre ele.
A sexta fase da Compliance Zero apura se o pai de Vorcaro, preso nesta manhã, e outras pessoas cometeram atos de intimidação, de coerção, de obtenção de informações sigilosas e de invasões a dispositivos informáticos. Essas pessoas estariam relacionadas a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, que era acusado de atuar para o ex-banqueiro em uma milícia privada. Luiz Mourão cometeu suícidio ao ser preso, em março deste ano.
Na mesma operação, uma delegada da PF de Minas Gerais também foi alvo de busca e apreensão e afastada do cargo, e um agente da ativa foi preso. Um delegado aposentado foi alvo de busca.
No total, a polícia cumpre sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão, expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). São investigadas suspeitas dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ter recebido apoio do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, logo após a divulgação de mensagens trocadas entre o filho “01” e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em declaração enviada à CCN Brasil, ele afirma que Bolsonaro o mandou “ficar firme”.
O pré-candidato esteve na casa do pai, na tarde desta quarta-feira (13), para antecipar as repercussões envolvendo as mensagens sobre o financiamento do filme. “Estive com meu pai à tarde nesta quarta. Antecipei à ele que iriam explorar, de forma pejorativa e mentirosa, a questão do filme sobre a vida dele. Ele me disse pra ficar firme, pois não havia absolutamente nada de errado com o filme e que nada melhor do que a verdade para esclarecer os fatos”, disse em declaração a reportagem.
O senador ainda completou dizendo que, nas palavras do pai, “não existe possibilidade” da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ser cotada para a disputa presidencial. “Errado seria usar dinheiro público para isso, como faz o PT em prol de seu projeto de poder. Disse ainda que não existe nenhuma possibilidade de Michellle ser candidata à Presidência, como alguns veículos de comunicação começaram a ventilar”, relatou.
O ex-presidente está em prisão domiciliar, cumprindo pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
FLÁVIO E VORCARO?
Nesta quarta-feira (13), o The Intercept Brasil revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro repassou cerca de R$ 61 milhões ao senador Flávio Bolsonaro para a produção do filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração revela que Vorcaro se comprometeu a repassar um total de 24 milhões de dólares (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época) para financiar a cinebiografia.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou o contato e disse que a conversa mostra “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”. O senador ainda afirmou que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, antes das acusações sobre o caso do Banco Master.
“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, disse.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
João Roma
"A lei não pode ter lado político".
Disse o presidente estadual do PL na Bahia e pré-candidato ao Senado Federal pelo estado, João Roma, utilizou as redes sociais nesta sexta-feira (19) para comentar a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal (PF), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), que teve como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado.