Lula critica ONU e Conselho de Segurança por não impedirem guerras e associa Netanyahu ao "genocídio" em Gaza
Por Edu Mota, de Brasília
Com direito a algumas críticas ao Conselho de Segurança por sua incapacidade de colocar fim aos conflitos e guerras atuais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Lula falou de sua indignação diante de um cenário internacional conturbado, e disse que a ONU está falhando em evitar as guerras, mortes e destruição.
“A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas, a de livrar o mundo, a humanidade, do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exército, nem arsenais, nunca foi tão pequena”, afirmou.
Na sequência, Lula declarou que “somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel” e classificou o atual cenário como o mais grave desde sua primeira participação na Assembleia, em 2003.
Segundo Lula, o Brasil "não cabe no quintal de ninguém" e precisa de parceiros com agenda positiva, que fomente o desenvolvimento.
Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para maior integração entre vizinhos. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais", prosseguiu.
Em sua fala, o presidente Lula também qualificou de “genocídio”, a atuação do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, ao citar o conflito na Faixa de Gaza.
“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”, declarou. Na mesma passagem, condenou os ataques cometidos pelo Hamas contra Israel: “Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas”, disse Lula.
Ainda sobre a situação do Oriente Médio, o presidente brasileiro lembrou do esforço feito por Yasser Arafat e Yitzhak Rabin para negociar uma solução para o conflito entre israelenses e palestinos.
“Yasser Arafat e Rabin foram estadistas. Desafiaram o passado para projetar um futuro de paz. Foram derrotados pelo ódio”, afirmou o presidente Lula durante o discurso na Assembleia Geral.
Na sequência, Lula voltou a defender a solução de dois Estados e criticou a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia. “Os assentamentos ilegais na Cisjordânia tornam cada vez menos viável a solução de dois Estados, essencial para que Israel e o Estado da Palestina possam viver em paz”, afirmou.
