Conselho de Ética da Câmara decide dar continuidade a processo que pode cassar mandato de Erika Hilton
Por Edu Mota, de Brasília
Por dez votos a cinco, o Conselho de Ética da Câmara aprovou, nesta terça-feira (11), parecer pela continuidade de um processo que pede a cassação do mandato da deputada Erika Hilton (Psol-SP) por suposta quebra de decoro parlamentar. Com a aprovação do parecer, a representação seguirá tramitando e agora o Conselho de Ética deve notificar a deputada para que apresente a sua defesa e escolha testemunhas a seu favor.
A ação contra Erika Hilton foi apresentada pelo partido Missão, em março deste ano, e questiona declarações da deputada após ela ser eleita para o comando da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. O Missão alega que a parlamentar teria quebrado o decoro em mensagens postadas em redes sociais, em resposta a críticas que sofreu após sua eleição.
Na rede X, por exemplo, a deputada Erika Hilton disse o seguinte, no dia 11 de março: “Não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa”.
Na ação apresentada no Conselho de Ética, o partido Missão (que tem apenas um deputado, Kim Kataguiri) critica a postura “incompatível com o decoro” e pede a perda de mandato da parlamentar.
O relator da ação foi o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara. O congressista mencionou que a “palavra final” sobre uma possível punição à deputada será do Conselho e disse ter apenas votado pela admissibilidade da representação.
A deputada Erika Hilton não compareceu à reunião do Conselho de Ética nesta terça. Em sua defesa escrita, apresentada em 26 de junho, a deputada do Psol pediu a suspeição do relator, mas não teve o pedido acatado pelo presidente do Conselho, Fábio Schiochet (União-SC).
Erika Hilton argumentou que Cabo Gilberto é autor de um projeto que estabelece que a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher seja ocupada apenas por deputadas do “sexo feminino”.
