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Mantido por Lula como líder, Jaques Wagner atuou para retardar a "pauta-bomba" que eleva piso salarial de médicos

Por Edu Mota, de Brasília

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Depois de ter apresentado explicações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre suas relações com o Banco Master e os sócios Daniel Vorcaro, que o levaram a ser alvo, nesta quinta-feira (18), de operação da Polícia Federal, o senador Jaques Wagner (PT-BA) seguiu atuando normalmente como líder do governo. Em entrevista à Band News, Wagner disse que Lula se solidarizou com ele e que vai continuar na liderança do governo no Senado até segunda ordem. 

 

“A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje, e eu acho muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim”, disse Jaques Wagner na entrevista.

 

Como líder, o senador Jaques Wagner protocolou, na noite desta quinta, um recurso ao projeto que eleva o piso salarial nacional de médicos e cirurgiões-dentistas de R$ 3.636 para R$ 13.662 para jornada de 20 horas semanais. No documento, o líder do governo pede que o projeto seja apreciado e votado no plenário do Senado. 

 

O projeto, aprovado em 10 de maio na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, foi analisado em caráter terminativo, e caso não recebesse recurso de algum senador, seguiria diretamente para a Câmara dos Deputados. A proposta que aumenta a remuneração mínima de médicos e cirurgiões-dentistas, é considerada pelo governo federal uma das “pautas-bombas” em análise pelo Congresso.

 

A equipe econômica do governo apresentou uma estimativa de impacto de R$ 47 bilhões ao ano para as contas públicas caso o projeto seja aprovado também pela Câmara. Além de elevar o piso salarial, a proposta também prevê um aumento de 20% para 50% no adicional por trabalho noturno e as horas extras e estabelece um intervalo obrigatório de dez minutos de descanso a cada 90 minutos de trabalho.

 

O prazo para recurso ao projeto vencia nesta quinta (18), e o senador Jaques Wagner apresentou seu recurso às 21h04 da noite. A partir do recurso apresentado por Jaques Wagner, a Mesa Diretora decidiu abrir prazo para recebimento de emendas, que serão analisadas posteriormente por um relator de plenário a ser escolhido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). 

 

A ação de Jaques Wagner como líder, na prática, retardou a tramitação do projeto tachado pelo governo como uma “pauta-bomba”. O projeto agora só deverá ter sua discussão retomada no início de julho, a depender de decisão do presidente do Senado.