MST anuncia envio de brigadas para Gaza e Venezuela e internautas ironizam: "vão logo e fiquem por lá"
Por Edu Mota, de Brasília
Durante as atividades desta quarta-feira (21) do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que está sendo realizado em Salvador, foi anunciado que está sendo preparado o envio de brigadas de jovens à Venezuela e à Faixa de Gaza. A alegação do MST é de que essas brigadas seriam enviadas a esses países para contribuir no processo de reconstrução e intercâmbio de conhecimentos agrícolas.
A declaração foi feita por Simone Magalhães, representante do Setor Internacionalista do grupo, em entrevista à televisão estatal venezuelana. Simone afirmou que as brigadas teriam entre suas atividades a troca de experiências em produção de alimentos agroecológicos, técnicas formativas e processos de agroindústria desenvolvidos pelo movimento ao longo de décadas no Brasil.
“O Movimento Sem Terra do Brasil vai enviar uma brigada grande de jovens para continuar esse processo. Desde o produtivo, formativo, o que nós temos para intercambiar, que é nossa produção de alimentos agroecológicos, saudáveis, a produção de agroindústria”, afirmou Simone Magalhães na entrevista.
Além dessa iniciativa, a dirigente do MST sinalizou o planejamento de outra brigada voltada para a Faixa de Gaza, com uma frente, de acordo com ela, em “ajudar a fortalecer” os camponeses do enclave palestino. Também neste caso, o movimento não especificou datas ou detalhes operacionais para a partida dos grupos.
Nas redes sociais, internautas ironizaram o anúncio do envio de brigadas do MST para a Venezuela e a Faixa de Gaza. Diversas pessoas postaram comentários do tipo “têm meu apoio, sigam para o Irã também”, ou “vão e fiquem por lá”.
“Vai só com passagem de ida” ou “vão logo e fiquem por lá esperando o amigo do papai ser solto” foram outras de muitos comentários e mensagens que ironizavam o anúncio do envio das brigadas.
Ainda nesta quarta (21), a direção do MST decidiu alterar a programação do seu 14º Encontro Nacional e mudar a data de um ato de solidariedade à Venezuela, que integra o calendário de atividades de 42 anos do grupo. Inicialmente, o ato de solidariedade ao governo venezuelano aconteceria na sexta (23) à tarde, no Pelourinho.
Entretanto, como o presidente Lula anunciou que estará, junto com a primeira-dama Janja, na próxima sexta no evento do Movimento, a direção do MST optou por fazer um ajuste na programação. Com isso, a solidariedade à Venezuela passou para esta quinta (22).
Segundo o MST, as alterações foram necessárias porque os dois atos — presença de Lula e apoio à Venezuela — têm finalidades distintas e exigem espaços físicos diferentes.
O ato em solidariedade à Venezuela integra o que está sendo chamado pelo movimento de "jornada internacionalista", e irá contar com mais de 60 representantes de organizações internacionais de 22 países diferentes, além de representantes da embaixada do país vizinho.
