Inflação oficial sobe de 0,33% em janeiro para 0,70% em fevereiro puxada por reajustes de mensalidades
Por Edu Mota, de Brasília
Com uma alta forte de preços a partir do reajuste das mensalidades escolares, a inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) disparou, saindo de 0,33% em janeiro para 0,70% em março. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (12) pelo IBGE.
O setor de Educação, graças aos reajustes de mensalidades, foi o que impactou na composição do IPCA de fevereiro. Sozinho, o grupo Educação respondeu por cerca de 44% do índice do mês de fevereiro.
A maior contribuição para a inflação veio dos cursos regulares (6,20%), por conta dos reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo. As maiores variações foram nos subitens ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%).
No ano de 2026, o IPCA acumula alta de 1,03% e, nos últimos doze meses, o índice ficou em 3,81%, abaixo dos 4,44% dos 12 meses imediatamente anteriores.
A pesquisa do IBGE revelou que, embora mais alto que em meses anteriores, o resultado atual é o menor para um mês de fevereiro desde 2020 (0,25%). Em fevereiro do ano passado, quando o IPCA ficou em 1,31%, houve maior pressão do grupo habitação, em especial na energia elétrica, em função do fim do Bônus de Itaipu.
Ainda na comparação com o ano anterior, o setor de Educação acelerou ao registrar 5,21% em fevereiro de 2026 contra 4,70% de fevereiro de 2025.
O grupo Transportes (0,74%) foi o responsável pelo segundo maior impacto no índice de fevereiro (0,15% impacto), com a alta de 11,40% na passagem aérea. A pesquisa do IBGE também apontou altas no seguro voluntário de veículos (5,62%), o conserto de automóvel (1,22%) e o ônibus urbano (1,14%).
O subitem ônibus urbano (1,14%) reflete a incorporação dos seguintes reajustes tarifários: 20,00% em Fortaleza (3,91%), a partir de 1º de janeiro; 8,70% em Belo Horizonte (1,73%), a partir de 1º de janeiro; 6,38% no Rio de Janeiro (1,01%), a partir de 04 de janeiro; 5,36% em Salvador (-0,37%), a partir de 05 de janeiro.
O grupo Alimentação e bebidas saiu de 0,23% em janeiro para 0,26% em fevereiro. A alimentação no domicílio registrou variação de 0,23%, ante o 0,10% do mês anterior, com influência das altas do açaí (25,29%), do feijão-carioca (11,73%), do ovo de galinha (4,55%) e das carnes (0,58%).
No lado das quedas de preços, os destaques apontados pelo IBGE são as frutas (-2,78%), o óleo de soja (-2,62%), o arroz (-2,36%) e o café moído (-1,20%).
A alimentação fora do domicílio (0,34%) desacelerou em relação ao mês anterior (0,55%). A refeição saiu de 0,66% em janeiro para 0,49% em fevereiro e o lanche passou de 0,27% para 0,15% no mesmo período.
Regionalmente, a maior variação do IPCA de fevereiro ocorreu na cidade de Fortaleza (0,98%), influenciada pela alta dos cursos regulares (6,83%) e da gasolina (2,95%). A menor variação ocorreu em Rio Branco (0,07%), por conta do recuo da energia elétrica residencial (-1,27%) e do automóvel novo (-0,85%).
Na cidade de Salvador, o índice de inflação foi de 0,40% em fevereiro, menor do que a média nacional de 0,70%. No ano, a inflação na capital baiana está em 0,91%, e nos últimos 12 meses, ficou em 2,93%, bem abaixo da média para todo o país que foi de 3,81% no período.
