IPCA-15 de janeiro revela desaceleração em relação a dezembro, mas Salvador tem terceiro pior resultado entre capitais
Por Edu Mota, de Brasília
Com influência principalmente da alta de preços no grupo de saúde e cuidados pessoais e também no de alimentação e bebidas, a prévia da inflação de janeiro de 2026 ficou em 0,20%. Foi o que mostrou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado nesta terça-feira (27) pelo IBGE.
O resultado de janeiro ficou 0,05% abaixo do verificado em dezembro do ano passado, quando a prévia da inflação marcou 0,25%. Os 0,20% agora de janeiro repetem o índice que havia sido registrado pelo IBGE no mês de novembro do ano passado.
A taxa de 0,20% apurada pelo IBGE é a segunda menor para meses de janeiro no Plano Real, que entrou em vigor a partir de julho de 1994. O índice para janeiro só fica acima do registrado no primeiro mês de 2025 (0,11%).
No ano, o IPCA-15 acumula alta de 0,20% e, nos últimos 12 meses, de 4,50%, acima dos 4,41% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em janeiro de 2025, a taxa foi de 0,11%.
Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, Habitação (-0,26%) e Transportes (-0,13%) apresentaram recuo na taxa de janeiro. Os demais grupos ficaram entre 0,05% de Educação e o 0,81% de Saúde e cuidados pessoais.
No grupo Saúde e cuidados pessoais os destaques em janeiro ficaram com os artigos de higiene pessoal que subiram 1,38% ante a queda de 0,78% de dezembro, e o plano de saúde, com 0,49% de variação.
Já o grupo de alimentação e bebidas subiu 0,21% no primeiro mês de 2026, interrompendo uma sequência de sete meses consecutivos de queda. Com isso, Alimentação e bebidas, grupo de maior peso no índice, acelerou na passagem de dezembro (0,13%) para janeiro (0,31%).
Contribuíram para esse resultado as altas do tomate (16,28%), da batata-inglesa (12,74%), das frutas (1,65%) e das carnes (1,32%). No lado das quedas, destacaram-se os recuos do leite longa vida (-7,93%), do arroz (-2,02%) e do café moído (-1,22%). Já a alimentação fora do domicílio registou variação de 0,56% em janeiro, com as altas do lanche (0,77%) e da refeição (0,44%).
O grupo Transportes apresentou queda de 0,13% em janeiro, sob influência da passagem aérea, que caiu 8,92%, e do ônibus urbano, com recuo de 2,79%. No lado das altas, os combustíveis subiram 1,25% com as variações de 3,59% no etanol, 1,01% na gasolina, 0,11% no gás veicular e 0,03% no óleo diesel.
Em relação ao grupo Habitação, o mesmo também apresentou queda (- 0,26%) em janeiro, por conta da redução de 2,91% na energia elétrica residencial, maior impacto negativo no resultado do mês, com -0,12 p.p. Em dezembro estava em vigor a bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 Kwh consumidos. Já em janeiro, a bandeira vigente é a verde, sem custo adicional para os consumidores.
No capítulo dos índices verificados nas capitais pesquisadas pelo IBGE para a composição do IPCA-15, Recife registrou a maior prévia da inflação em janeiro (0,64%) e São Paulo o menor resultado (-0,04%).
A cidade de Salvador teve o terceiro maior resultado na prévia da inflação entre as capitais pesquisadas, registrando 0,47% em janeiro. O índice ficou acima do que havia sido verificado em dezembro (0,41%), e maior também do que a média nacional, que foi de 0,20%.
Na variação dos últimos 12 meses, entretanto, a capital baiana teve resultado abaixo da média nacional. Salvador teve resultado de 4% nos últimos 12 meses, contra 4,50% da média para todo o país.
