Médico e ex-secretário de saúde, Jorge Solla elogia MEC e afirma que OAB da Medicina “não é a solução”
Por Fernando Duarte / Eduarda Pinto
O médico e deputado federal baiano, Jorge Solla elogiou o Ministério da Educação (MEC) pela realização do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) e afirmou, que a pressão para a criação de uma “OAB da Medicina”, projeto de lei que defendido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), “não é a solução” para o baixo desempenho dos formandos.
Em entrevista ao Bahia Notícias, o representante do PT no Congresso Nacional, que já atuou como secretário municipal de saúde de Vitória da Conquista, alega que o processo de avaliação não deve penalizar os alunos. “Primeiro, parabenizar o Ministério da Educação, que construiu um processo extremamente positivo de avaliação, necessário e com uma lógica, que você precisa fazer um processo que não penalize os alunos, mas que faça com que a rede se qualifique, melhore a formação profissional”, destacou o deputado.
Para Solla, “a prova da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] não melhorou nenhum curso de direito”. O médico aponta que a prova apenas criou um novo mercado privado de educação. “[A OAB] Apenas retardou a entrada no mercado de trabalho e criou o outro mercado privado dos cursinhos para a prova da OAB. A proposta que está hoje no Congresso, com o apoio do CFM [Conselho Federal de Medicina], só vai beneficiar os empresários da educação”, explica.
“Os cursos que são ruins, vão continuar ruins, como acontece com o direito, e vai criar um mercado dos cursinhos para a prova do CFM”, sucinta.
O ex-gestor de saúde criticou ainda a atuação do Conselho Federal de Medicina no que diz respeito à criação dos novos cursos de medicina. Segundo ele, “o CFM negociou com o governo Temer” a retirada de uma portaria do governo de Dilma Rousseff que regulamentava a abertura de novas vagas e cursos de Medicina no Brasil.
“O governo Dilma tinha criado, com o Mais Médicos, uma regulamentação para abertura de vagas”, afirma. “A portaria do Ministério da Educação do governo Dilma, ela, na verdade, contra o discurso do CFM, não ampliou a possibilidade de novos cursos privados, restringiu criou normas onde estabeleciam que a 100 quilômetros de um curso você não podia abrir outro. Onde dizia que cada vaga deveria corresponder ao número de leitos hospitalares, é uma rede existente”, relembrou.
Segundo ele, é importante encontrar um equilíbrio na criação de cursos e vagas, para permitir uma maior acessibilidade ao curso sem perder a qualidade na formação médica. “Quando eu fiz medicina, só tinha a UFBA [Universidade Federal da Bahia] e a [Escola Baiana de Medicina] Baiana. Nós não tínhamos 250 vagas aqui na Bahia inteira. Era importante termos aberto [vagas], em especial, as vagas que foram abertas em universidades públicas. Foi muito importante criar o curso de medicina na Federal do Recôncavo, na Federal do Oeste, na Federal do Vale de São Francisco e esses cursos, inclusive, estão bem avaliados”, defende Jorge Solla.
Ele completa que, “o problema são as faculdades privadas em especial repito aquelas que foram abertas durante o governo Temer e o governo Bolsonaro”.
Considerando a análise do projeto da OAB da Medicina no Congresso, ele garante que “eu sei quais são as faculdades aqui na Bahia que oferecem condições e as que não oferecem. Então eu vou estar lá lutando para que não tenha uma prova da OAB por médicos, que não tenha uma prova do CFM”, sucinta o parlamentar.
