Ex-atletas no Senado: saiba como Romário e Leila Barros se posicionaram na votação pelo fim da escala 6x1
Por Thiago Tolentino
Dois nomes com trajetórias marcantes pelo esporte brasileiro também integram o Congresso Nacional: Romário, ex-atacante e campeão mundial com a Seleção Brasileira de Futebol em 1994, e Leila Barros, medalhista olímpica com a Seleção Brasileira de Vôlei. Com a aprovação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, na última quarta-feira (14), pelo Senado Federal, os ex-atletas tiveram situações diferentes durante a votação.
Romário, senador pelo Rio de Janeiro, votou favoravelmente à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 nos dois turnos realizados no plenário. Já Leila Barros, representante do Distrito Federal, não participou da votação porque está licenciada do mandato.
A proposta foi aprovada por 75 votos favoráveis e um contrário, tanto no primeiro quanto no segundo turno. O texto estabelece mudanças na jornada semanal de trabalho, com redução gradual da carga horária e ampliação do período de descanso dos trabalhadores.
ROMÁRIO
Campeão da Copa do Mundo de 1994 com a Seleção Brasileira, Romário construiu carreira no futebol antes de ingressar na política. O ex-atacante atuou por clubes como Vasco, Flamengo, Barcelona e PSV, além de conquistar o tetracampeonato mundial com o Brasil.˜
O parlamentar já havia manifestado publicamente apoio ao fim da escala 6x1. Em junho deste ano, durante pronunciamento no Senado, afirmou que pretendia participar da votação mesmo durante o período em que acompanhava a Copa do Mundo de futebol nos Estados Unidos.
LEILA BARROS
A ex-jogadora de vôlei Leila Barros (PDT-DF), por sua vez, não participou da sessão porque está licenciada do mandato. Apesar da ausência, a medalhista olímpica já havia declarado publicamente seu apoio ao fim da escala 6x1 e à adoção de um modelo com cinco dias de trabalho e dois de descanso.
Em manifestação publicada pelo PDT na quarta-feira (14), Leila destacou os impactos da jornada de trabalho sobre as mulheres, especialmente aquelas que acumulam atividades profissionais e responsabilidades domésticas.
"Para muitas mulheres, a jornada de trabalho não termina quando elas chegam em casa", afirmou a parlamentar.
O posicionamento também havia sido apresentado durante um ato em comemoração ao Dia do Trabalhador, realizado em Brasília, em maio deste ano. Na ocasião, a ex-atleta defendeu mudanças na jornada de trabalho e destacou a realidade das trabalhadoras brasileiras.
"Eu reforço mais ainda o meu compromisso com as trabalhadoras, porque sou mulher, sou mãe e sei que, além do trabalho do ofício formal, nós temos uma jornada extenuante. Ao voltar para casa, nós cuidamos dos afazeres domésticos, das nossas famílias e dos nossos filhos", declarou.
Leila conquistou duas medalhas de bronze pela Seleção Brasileira Feminina de Vôlei, nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996 e Sydney 2000. Após encerrar a carreira esportiva, passou a atuar na administração pública e foi eleita senadora pelo Distrito Federal em 2018.
Durante o afastamento da parlamentar, a cadeira passou a ser ocupada por Leany Lemos (PSB-DF), que votou favoravelmente à proposta nos dois turnos.
O QUE MUDA COM A PROPOSTA?
A PEC 221/2019 prevê o fim da escala em que o trabalhador cumpre seis dias de expediente para um de descanso. A proposta também estabelece a redução gradual da jornada semanal, atualmente limitada a 44 horas, para 40 horas, sem redução salarial.
