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Após "pico" de representação evangélica, Republicanos da Bahia elege apenas uma cadeira da IURD na Câmara; veja histórico

Por Maurício Leiro / Eduarda Pinto

Foto: Divulgação / Republicanos

O Republicanos elegeu apenas um representante evangélico nas eleições de 2026. O presidente estadual do partido, Márcio Marinho, é o único vinculado à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) entre os três parlamentares eleitos. O número representa uma redução importante em comparação a 2022, quando todos os deputados eleitos pela sigla eram vinculados ao eleitorado evangélico da Bahia, com destaque para a IURD. 

 

Márcio Marinho é natural de Cabo Frio, no Rio de Janeiro, estado onde a própria Igreja Universal foi criada pelo pastor Edir Macedo Bezerra, nos anos 70. Vinculado à rede da IURD desde os 16 anos, o pastor e radialista chegou à Bahia nos anos 2000, onde deu início a sua trajetória política. 

 

Desde 2010, quando se filiou ao Partido Republicano Brasileiro (PRB), o pastor foi o único candidato eleito em todas as eleições ao Legislativo Federal nos últimos 16 anos. O que muda em 2027 é que, pela primeira vez, os evangélicos não são maioria ou ao menos metade da bancada baiana do Republicanos na Câmara dos Deputados. 

 

A história da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e o Partido Republicanos começa ainda na fundação, em 2003. Há cerca de 23 anos, pastores da IURD reuniram o apoio de mais de 400 mil eleitores para a criação do Partido Municipalista Renovador (PMR), registrado em 2004 e oficializado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2005. 

 

Em 2006, em sua primeira eleição, o partido passou a se chamar Partido Republicano Brasileiro (PRB) e em 2019 o nome mudou para Republicanos, sem uso de sigla. Tradicionalmente liderado por evangélicos, o atual presidente do Republicanos, Marcos Pereira, é um bispo licenciado da IURD.

 

Mantendo um viés conservador e de direita em suas diretrizes oficiais, o partido sempre manteve quadros mais neutros em suas chapas proporcionais, abrindo espaço para políticos não-evangélicos e alguns vinculados a outras instituições cristãs, além da IURD. Historicamente, no entanto, o balanço de forças sempre favoreceu os quadros da Igreja. Até agora. 

 

PODER UNIVERSAL
A primeira eleição com representação do PRB/Republicanos na bancada baiana foi em 2010. Na época, Márcio Marinho foi eleito deputado em seu segundo pleito eleitoral ao Congresso – o primeiro ocorreu em 2006, onde ficou na suplência do Partido da República (PR). 

 

No ciclo eleitoral seguinte, o PRB chegou a duas cadeiras na Câmara dos Deputados, com dois candidatos negros e evangélicos: Marinho, em seu segundo mandato, e Eronildes Carvalho, conhecida como Tia Eron. Ambos eram abertamente vinculados à Igreja Universal em Salvador. 

 

Em 2018, o PRB manteve as duas cadeiras, dessa vez com Márcio Marinho e João Roma, então chefe de gabinete da Prefeitura de Salvador que se tornou ministro da Cidadania no governo de Jair Bolsonaro. Nesse cenário, Marinho voltou a ser o único representante da IURD no grupo. No fim do mandato, mudanças importantes aumentaram a bancada do partido que se tornou Republicanos em 2019: o deputado Marcelo Nilo, eleito à federal pelo PSB, e o deputado Alex Santana, eleito pelo PDT, se filiaram ao partido em 2022; enquanto o deputado eleito pelo Republicanos, João Roma, migrou para o PL, partido de Bolsonaro, no mesmo ano. 

 

Com a chegada de Alex Santana, a bancada inédita de 3 deputados do Republicanos, passou a ter uma maioria de evangélicos, ainda que Santana seja pastor da Assembleia de Deus e não pertença à IURD. 

 

Já em 2022, os Republicanos conseguiram eleger três deputados pela primeira vez. Foram eles: Márcio Marinho, Alex Santana e Rogéria Santos, todos evangélicos. Neste momento, a Igreja Universal voltou a impor maior força no grupo, com a adesão de Rogéria Santos. Esse foi o pico de representatividade do partido na bancada baiana até então, com forte presença da IURD.  

 

Este ano, o Republicanos ganhou reforços importantes que elevaram a bancada ao número de 5 deputados federais neste final de mandato. Durante a janela partidária, os parlamentares Diego Coronel e Leo Prates chegaram à sigla, com a promessa de fortalecer o contingente de votos do grupo. Ao Bahia Notícias, o partido revelou uma projeção para eleger cinco nomes ao Congresso. 

 

O sonho não se realizou. Na disputa, o partido manteve, na Bahia, as três cadeiras já conquistadas anteriormente. No entanto, o único a invocar o eleitorado evangélico segue sendo Márcio Marinho, frente aos demais eleitos Diego Coronel e Leo Prates, que possuem bases fortes no interior do estado e no “carlismo” soteropolitano, respectivamente. 

 

Confira o histórico: 

2010 | 54ª Legislatura (2011 a 2015) - 1/1 
Márcio Marinho 

 

2014 | 55ª Legislatura (2015 a 2019) - 2/2 
Márcio Marinho 
Tia Eron

 

2018 | 56ª Legislatura (2019 a 2022) -  1/2
Márcio Marinho
João Roma 

+ Alex Santana, ex-PDT (Assembleia de Deus, não é IURD)
+ Marcelo Nilo, ex-PSB (não é IURD)

 

2022 | 57ª Legislatura (2023 a 2027) - 2/3  
Márcio Marinho
Alex Santana (não é IURD)
Rogéria Santos  

+ Léo Prates, ex-PDT (não é IURD)
+ Diego Coronel, ex-PSD (não é IURD)

 

2026 | 58ª Legislatura (2027 a 2031) - 1/3 
Márcio Marinho
Léo Prates (não é IURD)
Diego Coronel (não é IURD)