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Ana Paula Matos rebate críticas a hospitais de Salvador e afirma: “A gente precisa deixar leitos para os irmãos do interior”

Por Eduarda Pinto

Foto: Daniel Araújo / Bahia Notícias

A vice-prefeita de Salvador e ex-secretária de Saúde, Ana Paula Matos, rebateu as críticas feitas pela oposição sobre a falta de leitos nos hospitais públicos da capital baiana e a falta de hospitais com “demanda aberta”, aqueles que atendem casos de urgência e emergência mediante necessidade. Em entrevista ao Bahia Notícias no Ar, da Antena 1 Salvador, na manhã desta quarta-feira (23), ela explica a que se deve a escolha de manter as “portas fechadas”. 

 

Ela começa destacando que as críticas da oposição demonstram, na verdade, uma fragilidade na gestão estadual.“Eu vim no carro fazendo uma reflexão. Eu sou professora. Quando você tem uma sala de aula que um aluno não aprende, está com dificuldade, você cuida dele com muito carinho e traz ele pra você. Quando nenhum aluno está aprendendo, você diz que ninguém sabe nada, essa verdade é do professor”, reflete Ana Paula. 

 

Ela completa: “Você tem um governo do estado que está dizendo que todas as cidades, todos os prefeitos não estão cuidando da saúde? De quem é o problema? Ou tem algo errado aí?”

 

A vice de Bruno Reis, que é um das principais aliadas do candidato ao governo da Bahia Antônio Carlos Magalhães Neto (União), destaca que a perspectiva do grupo é mudar a gestão de saúde no estado. 

 

“Então, a partir dessa reflexão, eu quero primeiro dizer a vocês que quando ACM Neto for governador do estado da Bahia, ele vai assumir a responsabilidade e vai ajudar a organizar. Em relação a Salvador, a gente fechou as portas, aliás, antes de mais nada, esse grupo que critica teve a oportunidade de ter Secretaria de Saúde e nunca construiu um hospital. Precisou a ACM Neto chegar para construir o primeiro hospital municipal da história de Salvador. Depois eu vim com o Bruno e construímos mais três, sendo um veterinário”, garante. 

 

Falando especificamente sobre o funcionamento dos hospitais na capital baiana, Ana Paula Matos diz que “na pandemia, esse hospital municipal, ele fechou as portas pela necessidade de cuidar e acolher o povo de toda a Bahia”. 

 

“À medida que o governo do estado estiver tão regionalizado, a gente vai poder abrir as portas. Sabe por quê? Hoje, da nossa maternidade municipal, a gente tem, no estado da Bahia, 30 leitos de alta complexidade, 10 estão com a gente e 75% dos pacientes, mamãe ou neném que vão pra UTI, são do interior da Bahia.”, detalha a ex-secretária de saúde, que comandou a pasta entre janeiro de 2023 e junho de 2024. 

 

“Então, a gente precisa deixar esses leitos para os nossos irmãos do interior, que estão morrendo, que não têm, na sua região, essa UTI”, explica. Ainda sobre as ações da Prefeitura no âmbito da saúde, a vice-prefeita diz que as entregas dos hospitais, UPAs e CAPs foram feitas pois a Prefeitura investiu mais do que o mínimo constitucional. 

 

“Então, por que a gente fez tudo isso? Porque a gente gasta mais do que os 15% constitucional da nossa receita. A gente gasta quase 20%. Por que a gente não tem mais dinheiro? Porque parte dessa gestão está na mão do Governo do Estado. Então, o que a gente faz é ajudar, construindo quatro hospitais que não tinham e, ao invés deles serem gratos, no dia da nossa inauguração, foram criticar”, narra. 

 

Ela finaliza resumindo o porquê da falta de hospitais com demanda aberta. “A gente não pode abrir as portas, porque senão poderia gerar confusão. Como é que a gente faz? A gente organiza. Organiza fila, estrutura. Agora, eu espero que venha alguém com a capacidade para, de fato, acabar com a fila, dar organização, para que a gente possa abrir as portas, porque em cada região desta Bahia tem um hospital”, conclui.