Presidente da CNI diz que corte de juros pelo BC foi tímido e não alivia situação das empresas e famílias do país
Por Edu Mota, de Brasília
Apesar de ter acertado em promover mais um corte na taxa básica de juros, o tamanho da redução pelo Banco Central foi tímido, com uma demonstração de cautela excessiva que não ajuda a tornar menos caro o crédito no mercado interno e nem alivia o endividamento das famílias. A opinião foi dada na noite desta quarta-feira (16) pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban.
Nesta quarta, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu promover o quinto corte seguido na taxa Selic, novamente de 0,25%. Com a redução, a taxa básica de juros da economia brasileira caiu de 14% para 13,75% ao ano.
“É essencial que o Banco Central dê continuidade ao ciclo de redução da Selic. Manter a taxa básica em patamar tão restritivo por período prolongado significa impor à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a estabilidade de preços. Há espaço para avançar no ciclo de cortes sem comprometer a convergência da inflação para a meta”, afirmou Ricardo Alban.
Para o presidente da CNI, o excesso de prudência do Banco Central ficou evidente diante do comportamento da inflação corrente. Segundo Alban, há trajetória consistente de desaceleração dos preços, alcançando 4,22% no acumulado em 12 meses até agosto, e melhora das expectativas de mercado, indicando convergência gradual em direção à meta de 3% ao ano no horizonte relevante para a política monetária.
O presidente da CNI destaca também que o patamar elevado da Selic continua se transmitindo para o custo do crédito. Em julho de 2026, a taxa média das operações com recursos livres chegou a 47,7% ao ano, alta de 1,8 ponto percentual em 12 meses. O avanço foi mais intenso entre pessoas físicas, cujas taxas alcançaram 60% ao ano, mas também afetou empresas, com juros médios de 25,4% ao ano.
“O encarecimento do crédito tem pressionado a capacidade de pagamento dos tomadores. Ainda no crédito com recursos livres, a inadimplência atingiu 7,8% entre pessoas físicas, o maior nível da série histórica, e 4,2% entre pessoas jurídicas. Entre as famílias, o endividamento chegou a 49,8% da renda em junho, próximo do recorde da série histórica, de 49,9%, enquanto o comprometimento da renda com o serviço da dívida alcançou 28,9%, também o maior da série. Esses indicadores evidenciam que o aperto monetário continua impondo custos elevados à economia real”, afirma o comunicado do presidente da CNI.
