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Artigos

Adriano Sampaio
E se o maior erro das previsões eleitorais não estiver nas pesquisas, mas na forma como interpretamos o eleitor indeciso?

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Modelo proprietário desenvolvido pela Duplamente Inteligência de Mercado desafia a distribuição proporcional dos votos e propõe uma nova leitura das trajetórias eleitorais brasileiras

Multimídia

Mansur diz que candidatura feminina no PSOL deve ser decidida pelas mulheres

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O candidato ao Governo da Bahia pelo PSOL, Ronaldo Mansur, afirmou que a legenda tem ampliado a participação feminina nas disputas majoritárias, mas é necessário que "as mulheres decidam" disputar um lugar na majoritária. A declaração ocorreu durante entrevista à série especial “Vota BN”, do Projeto Prisma, do Bahia Notícias, com Fernando Duarte. Para ele, a escolha precisa partir das próprias integrantes do partido.

Entrevistas

Entrevista Exclusiva: Ministra Rachel Barros detalha ações do MIR para a população negra

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Nesta segunda-feira (10), a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, esteve em Salvador para participar do Colóquio Internacional Cultura, Relações Exteriores, Desenvolvimento e Reparação. O evento, que acontece nas cidades de Salvador e Cachoeira, integra as celebrações pelos 25 anos de fundação do FENEBA e desdobra as discussões iniciadas no 9º Congresso Panafricano, sediado em Lomé, no Togo.

banco central

Pix terá novas regras para fraudes, cobrança híbrida e contas-salário
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O Banco Central anunciou mudanças no regulamento do Pix para ampliar funcionalidades, reforçar a segurança e aperfeiçoar a participação de instituições no sistema. De acordo com informações da Agência Brasil, uma das principais novidades é a autorização para que o Pix Automático seja usado em contas-salário a partir de julho de 2027.

 

O BC também regulamentou a chamada cobrança híbrida, que reúne boleto e QR Code do Pix no mesmo documento. A finalidade é evitar pagamentos indevidos ou em duplicidade. As regras passam a valer em fevereiro do ano que vem.

 

A regulamentação prevê também a possibilidade de dispensar a participação obrigatória de instituições com mais de 500 mil contas ativas, quando o perfil de clientes ou o modelo de negócios não justificar o acesso à infraestrutura do Pix.

 

Segundo o BC, algumas regras de adesão e de saída de participantes foram aperfeiçoadas, como:

  • previsão de suspensão imediata de instituições em liquidação extrajudicial;
  • ajustes de prazos para a saída ordenada em algumas situações.

 

Essa última diretriz refere-se, principalmente, a instituições que não comprovarem o atendimento dos limites mínimos de capital social e de patrimônio líquido.

 

De acordo com a autoridade monetária, esses mecanismos facilitarão a retirada de recursos pelos clientes dessas instituições. A penalidad

Presidente da CNI diz que corte de juros pelo BC foi tímido e não alivia situação das empresas e famílias do país
Foto: Divulgação CNI

Apesar de ter acertado em promover mais um corte na taxa básica de juros, o tamanho da redução pelo Banco Central foi tímido, com uma demonstração de cautela excessiva que não ajuda a tornar menos caro o crédito no mercado interno e nem alivia o endividamento das famílias. A opinião foi dada na noite desta quarta-feira (16) pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban. 

 

Nesta quarta, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu promover o quinto corte seguido na taxa Selic, novamente de 0,25%. Com a redução, a taxa básica de juros da economia brasileira caiu de 14% para 13,75% ao ano. 

 

“É essencial que o Banco Central dê continuidade ao ciclo de redução da Selic. Manter a taxa básica em patamar tão restritivo por período prolongado significa impor à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a estabilidade de preços. Há espaço para avançar no ciclo de cortes sem comprometer a convergência da inflação para a meta”, afirmou Ricardo Alban.

 

Para o presidente da CNI, o excesso de prudência do Banco Central ficou evidente diante do comportamento da inflação corrente. Segundo Alban, há trajetória consistente de desaceleração dos preços, alcançando 4,22% no acumulado em 12 meses até agosto, e melhora das expectativas de mercado, indicando convergência gradual em direção à meta de 3% ao ano no horizonte relevante para a política monetária. 

 

O presidente da CNI destaca também que o patamar elevado da Selic continua se transmitindo para o custo do crédito. Em julho de 2026, a taxa média das operações com recursos livres chegou a 47,7% ao ano, alta de 1,8 ponto percentual em 12 meses. O avanço foi mais intenso entre pessoas físicas, cujas taxas alcançaram 60% ao ano, mas também afetou empresas, com juros médios de 25,4% ao ano.

 

“O encarecimento do crédito tem pressionado a capacidade de pagamento dos tomadores. Ainda no crédito com recursos livres, a inadimplência atingiu 7,8% entre pessoas físicas, o maior nível da série histórica, e 4,2% entre pessoas jurídicas. Entre as famílias, o endividamento chegou a 49,8% da renda em junho, próximo do recorde da série histórica, de 49,9%, enquanto o comprometimento da renda com o serviço da dívida alcançou 28,9%, também o maior da série. Esses indicadores evidenciam que o aperto monetário continua impondo custos elevados à economia real”, afirma o comunicado do presidente da CNI.
 

Banco Central reduz a taxa de juros a 13,75% ao ano, menor patamar da Selic desde março de 2025
Foto: Divulgação Banco Central

Em sua última reunião antes das eleições de 4 de outubro, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (16), reduzir em 0,25% a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. Com o corte, a Selic foi reduzida de 14% para 13,75% ao ano.

 

O corte de 0,25% vinha sendo aguardado por praticamente todas as instituições e consultorias do mercado financeiro. As apostas para a reunião do Copom de novembro, entretanto, mostram uma situação absolutamente dividida: metade das instituições projetam pelo menos mais um corte da Selic e a outra metade acredita em uma pausa na redução dos juros. 

 

Iniciada em março deste ano, a sequência de cortes na Selic chegou ao seu quinto recuo seguido, todos eles de 0,25%. Com a taxa agora em 13,75%, os juros básicos atingem o menor nível desde o março de 2025, quando estava em 13,25%. 

 

Naquele mês, o Banco Central, já sob a presidência de Gabriel Galípolo, promoveu aumentos seguidos na taxa de juros, elevando-a dos 13,25% para 15%, patamar atingido em junho de 2025. Depois disso, a Selic só voltaria a ser reduzida em março deste ano. 

 

No comunicado sobre a decisão, o Comitê de Política Monetária afirmou que a atividade econômica apresenta uma desaceleração gradual, embora o mercado de trabalho continue aquecido. O colegiado também destacou a queda recente da inflação, mas alertou para a permanência das expectativas acima da meta.

 

Segundo o BC, o cenário exige cautela na condução da política monetária. O Copom afirmou que a extensão do ciclo de redução dos juros dependerá de novas informações sobre a economia e a inflação.

 

”O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, disse o Copom.

 

A decisão do quinto corte seguido na taxa Selic foi tomada pelos sete integrantes do colegiado, presidido por Gabriel Galípolo.
 

Augusto Lima nega proximidade com o BRB e a negociação de carteiras do Master
Foto: Reprodução / AL-BA

A defesa de Augusto Lima rechaça de forma veemente as informações e insinuações mencionadas, que reproduzem alegações formuladas no início da investigação e que, passados 10 meses de apuração, não se sustentam diante dos próprios elementos já reunidos.

 

"Augusto Lima jamais tratou com qualquer representante do BRB sobre supostas carteiras falsas e não participou das negociações, nem nunca participou de reunião sobre o assunto. Não assinou documentos de cessão de carteiras ao BRB nem prestou informações falsas ao Banco Central. Tampouco manteve tratativas com órgãos de fiscalização sobre esses fatos ou foi responsável pela contabilidade do Banco Master", aponta a defesa.

 

Os defensores indicam que a própria investigação da Polícia Federal (PF) já afastou, em relatório, a alegação envolvendo as associações. "Quanto às transferências mencionadas pela reportagem, havia contrato regular de prestação de serviços, e os serviços contratados foram efetivamente prestados. Insinuar, apenas em razão dos valores envolvidos, que esses pagamentos representariam desvio de recursos em favor de Augusto Lima é uma ilação grave e sem respaldo nos fatos", completa.

 

"Há ainda uma questão cronológica objetiva: Augusto Lima deixou a sociedade e a direção do Banco Master em 28 de maio de 2024, conforme documentação do próprio Banco Central. A operação policial ocorreu somente em 18 de novembro de 2025, um ano e seis meses depois de seu desligamento", concluem os defensores.

 

Desde o início das apurações, Augusto Lima permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários. Após 10 meses de investigação, a defesa considera inadmissível que acusações antigas sejam novamente apresentadas como novidade, ignorando elementos já reconhecidos pela própria apuração da PF.

 

A defesa reafirma que não há fundamento para atribuir a Augusto Lima os ilícitos mencionados e confia que a investigação será conduzida de forma técnica, isenta e com absoluto respeito aos fatos e ao devido processo legal, tendo a certeza de que a inocência ficará comprovada.

Eleições 2026: Mercado financeiro já doou R$ 11,8 mi para campanhas eleitorais
Foto: Gerada por IA

Dezoito nomes ligados a bancos, gestoras, corretoras e empresas de investimentos já destinaram R$ 11,84 milhões a campanhas eleitorais em 2026. O valor corresponde a 13,9% dos R$ 85,36 milhões doados pelos 100 maiores doadores pessoas físicas registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segundo levantamento do BP Money.

 

Entre os financiadores estão executivos, empresários, herdeiros de instituições financeiras e ex-dirigentes de bancos. A lista inclui o ex-presidente do Banco Central (BC) Armínio Fraga, que doou R$ 750 mil, e Ricardo Lacerda, fundador e CEO do BR Partners, responsável por R$ 1 milhão. O maior valor entre os integrantes do mercado financeiro foi destinado por Hélio Seibel. Fundador da HS Investimentos e dono do Grupo Ligna, ele repassou R$ 1,12 milhão às campanhas.

 

Também aparecem Ricardo Annes Guimarães, controlador e vice-presidente do conselho do Banco BMG, com R$ 950 mil; Beatriz Sawaya Botelho Bracher, filha de Fernão Bracher, fundador do BBA, com R$ 905 mil; e Carlos Geo Quick, ex-controlador do Banco Neon, que doou R$ 900 mil.

 

Quick está entre os nomes de maior destaque do levantamento por responder a uma ação penal na Justiça Federal relacionada a supostos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O Banco Neon foi liquidado pelo Banco Central (BC) em 2018. A lista também reúne integrantes de famílias tradicionais do setor bancário.

 

Três nomes ligados ao Itaú somam R$ 2,01 milhões: Beatriz Bracher, Teresa Cristina Botelho Bracher, casada com o ex-CEO do Itaú Unibanco Candido Bracher, e Walter Moreira Salles Junior, herdeiro do bloco de controle do banco. Gestores e empresários ligados a casas independentes de investimento também aparecem entre os maiores financiadores. Hélio Seibel, Haakon Lorentzen, Manuela Kayath, Richard Ionescu e Juliano Custódio, juntos, destinaram R$ 3,22 milhões.

 

No total, o ranking dos 100 maiores doadores reúne R$ 85,36 milhões, de um montante de R$ 313,09 milhões registrado em doações de pessoas físicas no momento do levantamento. Pela legislação eleitoral, empresas não podem financiar diretamente campanhas. As contribuições privadas são feitas por pessoas físicas e estão sujeitas ao limite de 10% dos rendimentos brutos obtidos pelo doador no ano anterior à eleição.

Vorcaro diz ao BC que encontrou solução para venda do Banco Master antes de ser preso
Fotos: Agência Brasil / PF (Foto aprimorada com uso de I.A - Gemini)

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, responsável pelo extinto Banco Master, declarou em depoimento que informou ao Banco Central (BC) ter encontrado uma alternativa para a venda da instituição financeira na manhã do dia 17 de novembro de 2025, data em que foi preso pela Polícia Federal.

 

Durante oitiva realizada em agosto, Vorcaro relatou ter viajado ao menos três vezes aos Emirados Árabes Unidos em busca de investidores privados. As tratativas para a venda da instituição ganharam força após o fracasso das negociações para a aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB), ocorrido em setembro de 2025.

 

As declarações integram o acervo de documentos tornados públicos após o Supremo Tribunal Federal (STF) levantar o sigilo das investigações relativas ao caso. Conforme o relato de Vorcaro, após a negativa da operação com o BRB, a instituição formalizou junto ao Banco Central um pedido de prazo de até 180 dias para apresentar uma nova proposta de reestruturação. O empresário alegou que conseguiu estruturar o modelo em dois meses.

Sistema Pix bate recorde histórico no país, com mais de R$ 186 bilhões movimentados em um único dia
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O Banco Central informou que na última sexta-feira (4) o sistema de pagamentos instantâneos Pix bateu novo recorde diário de transações. Segundo o BC, foram 319.073.816 operações liquidadas na sexta, o que equivale a R$ 186,8 bilhões movimentados. 

 

O recorde anterior do sistema Pix havia ocorrido no dia 5 de dezembro do ano passado. Na ocasião, foram 313.339.828 operações liquidadas, com movimentação de R$ 179,9 bilhões.

 

Em dezembro de 2025, as operações que bateram recorde em um único dia tiveram valor médio de operação de R$ 574,24. Agora em setembro deste ano, a média por transação também foi recorde, chegando a R$ 587,58, segundo o Banco Central.

 

Dados mais recentes, do segundo trimestre de 2026, mostram que o Pix é a modalidade de pagamento mais utilizada pelo brasileiro. Foram 22,93 bilhões de operações de abril a junho, totalizando R$ 10,499 trilhões movimentados. 

 

A pesquisa do BC mostra que o cartão de crédito ficou na segunda posição entre as modalidades de pagamentos mais utilizadas, com 6,049 bilhões de transações e R$ 815,57 bilhões de movimentação no período.

 

Em junho, o sistema Pix foi um dos motivos para que os Estados Unidos aplicassem tarifa de 25% em produtos brasileiros, o chamado tarifaço. O Escritório do Representante Comercial do país (USTR) alegou que, por décadas, os atos, as políticas e as práticas do Brasil prejudicaram o comércio norte-americano.

 

O Pix também foi alvo de críticas do governo americano. A administração Donald Trump acusa o Banco Central brasileiro de prejudicar empresas americanas, incluindo as grandes bandeiras de cartões Visa e Mastercard, e usou este argumento, entre outros, para justificar a imposição de novas tarifas comerciais ao Brasil.

 

Em evento de campanha neste sábado (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que vai se encontrar com Donald Trump na Assembleia Geral da ONU, neste mês de setembro, e que vai mostrar a ele como funciona o Pix.

 

“O presidente dos Estados Unidos quer acabar com o Pix, mas eu agora vou para a ONU, vou encontrar com o Trump e vou dizer para ele: 'Trump, faça um Pix que você vai ver o quanto será bom'”, disse o presidente.
 

Lula recebe empresários e banqueiros no Palácio da Alvorada, nega atritos com Galípolo e fala em equilíbrio fiscal 
Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou, nesta segunda-feira (31), um jantar com banqueiros e empresários no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República, em Brasília. O evento contou com 25 convidados, incluindo os empresários André Esteves, do BTG, Joesley Batista, da JBS, e Rubens Menin, da MRV, e durou 3 horas. 

 

Segundo informações do Metrópoles, a realização do jantar foi organizada após Lula ter demonstrado incômodo com o jantar promovido por Flávio Bolsonaro com empresários, na última quinta-feira (27), em São Paulo. A coluna Igor Gadelha relatou que no evento desta segunda, o presidente tentou ampliar sua interlocução com representantes do setor privado e aproveitou o encontro para negar atritos com o atual chefe do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo. 

 

Segundo relatos, primeiro Lula deu a palavra aos empresários e ouviu apelos para que o governo dê mais sinalizações sobre equilíbrio fiscal. Depois, discursaram o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento), além de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin.

 

Em sua fala, segundo relatos, Lula fez um balanço das ações do governo e afirmou que respeita o presidente do Banco Central e ressaltou ter uma amizade com o banqueiro. Lula argumentou ainda que, apesar de ser muito cobrado pelo empresariado pelos juros altos no Brasil, tem pouca influência sobre a política monetária, em razão da independência do Banco Central, aprovada pelo Congresso.

 

Os empresários trouxeram à mesa ainda a temática da segurança pública. O petista, contudo, ressaltou que o tema passará a ser uma questão da União após a aprovação da PEC da Segurança. As informações são do Metrópoles e da coluna Igor Gadelha. 

 

Confira lista completa dos convidados para o jantar:

 

  • Presidente da República
  • Geraldo Alckmin, vice-presidente da República
  • Dario Durigan, ministro da Fazenda
  • Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
  • Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento
  • Aloizio Mercadante, presidente do BNDES
  • Tarciana Medeiras, presidenta do Banco do Brasil
  • Carlos Vieira, presidente da Caixa Econômica Federal
  • Edinho Silva, presidente do PT
  • Josué Gomes, Coteminas
  • André Esteves, BTG
  • Luiz Carlos Trabucco Cappi, Bradesco
  • Rubens Ometto Silveira Mello, Cosan
  • Joesley Batista, JBS
  • José Seripieri Filho, Amil
  • Henrique Constantino, Gol Linhas Aéreas
  • André Gerdau Johannpeter, Gerdau
  • Rubens Menin, MRV Engenharia
  • Eraí Maggi, Grupo Bom Futuro
  • Fábio Ermírio de Moraes, Votorantim Cimentos
  • José Luís Cutrale Júnior, Cutrale
  • Chain Zaher, Grupo SEB
  • Roberto Setúbal, Itaú Unibanco
  • João Alves de Queiroz Filho, Hypera Pharma
  • Ricardo Lacerda, BR Partners
     
Banqueiro Daniel Vorcaro depõe à PF pela primeira vez no ano após recusa de delação
Foto: Divulgação/Banco Master

O banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (28), entre o fim da manhã e o início da tarde. Foi a primeira vez neste ano que ele fala à corporação, e também a primeira oitiva depois que a PF recusou duas propostas de delação premiada apresentadas pela defesa dele. O último depoimento anterior havia sido dado em dezembro do ano passado.

 

Segundo os investigadores, os anexos entregues pelo banqueiro nas propostas de delação careciam de provas e foram considerados "insuficientes" para trazer elementos novos às apurações.

 

Vorcaro falou aos investigadores por videoconferência, a partir da carceragem do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), conhecido como "Papudinha", onde está preso preventivamente desde junho. A oitiva havia sido adiada duas vezes antes, uma porque a defesa do dono do Banco Master pediu mais tempo para acessar os autos do processo, e outra por problemas de sinal no sistema de videoconferência.

 

A expectativa antes do depoimento era que o banqueiro fosse questionado sobre uma possível articulação dele com ex-diretores do Banco Central (BC) para tentar impedir a liquidação do Master, que acabou ocorrendo em novembro de 2025. Segundo as investigações, dois ex-diretores do BC teriam atuado como "consultores" e "empregados" do banqueiro, orientando como ele deveria responder aos questionamentos feitos pela instituição.

 

Na época em que o banco foi liquidado, Vorcaro chegou a ser detido pela primeira vez, sob suspeita de tentar fugir do país, algo que ele nega. A liquidação extrajudicial foi decretada "em razão do comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a atividade bancária e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil", segundo o ato assinado pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo.

Pix apresenta instabilidade neste domingo; mais de 2 mil queixas são registradas
Foto: Agência Brasil

O Pix apresentou problemas de operação na manhã deste domingo (23) e ficou com sistema indisponível para os usuários por mais de três horas.

 

A plataforma Downdetector, que ajuda empresas a detectar falhas em seus serviços digitais, indicou que o primeiro problema de navegação foi registrado volta das 6h30.

 

Ao longo da manhã, mas de 2.300 reclamações foram registradas por usuários. De acordo com o jornal 'Folha de S.Paulo', o pico das queixas aconteceu às 8h17.

 

Até o momento, o Banco Central (BC) não se pronunciou sobre a falha. O sistema foi normalizado nos bancos por volta das 9h.

 

Principal meio de pagamento eletrônico do país, o sistema Pix movimentou  R$ 35 trilhões em 2025, com quase 80 bilhões de transações realizadas ao longo do ano. As informações são do BC.

Galípolo critica empresas que pressionam para usar FGC
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, criticou nesta quinta-feira (13) a pressão de instituições não bancárias para usar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) na captação de varejo.

 

Galípolo explicou que muitas empresas, de pequeno ou médio porte, buscam autorização para atuarem semelhante aos bancos, usando as garantias do FGC, porém não apresentam ativos suficientes para tal operação.

 

"Esse é um tipo de comportamento que não é desejável, que deve ser coibido e inibido pelos reguladores e pela gente, por isso que a gente vem trabalhando muito com o FGC, numa sucessão de medidas", completou.

 

O principal problema, conforme o presidente do BC, é que as empresas de intermediação, quando procuram desempenhar papel análogo ao dos bancos, competem entre si e com as grandes instituições, porém com regras mais brandas para captação, prazos maiores e menor necessidade de garantias.

 

"Banco está em um negócio que é tomar dinheiro emprestado mais barato do que empresta e ter de pagar o que tomou emprestado depois do que pretende receber. Mesmo que ele consiga fazer esse casamento bem-feito entre passivo e ativo, bancos são falíveis, porque o nível de inadimplência pode crescer para quem você emprestou dinheiro, o negócio pode não ir bem ou você pode ter que transformar os seus ativos em liquidez numa velocidade que não é possível. Nessas condições, para você tentar conter esse tipo de corrida, o fundo garantidor exerce um papel essencial", disse Galípolo, ao destacar a importância do fundo como elemento de estabilização do sistema financeiro.

 

O presidente do BC participou da comemoração aos 30 anos do FGC, criado em 16 de novembro de 1995 para proteger pequenos investidores e dar estabilidade ao sistema financeiro com a chegada do Plano Real. O fundo é mantido com contribuições das instituições financeiras associadas.

 

O fundo teve papel importante durante o Plano Real e a crise mundial de 2008, dando segurança aos correntistas.

 

Recentemente, o fundo tem reembolsado investidores e correntistas de instituições prejudicadas pelas fraudes do Banco Master, em um montante de aproximadamente R$ 40,6 bilhões para cobrir as garantias de cerca de 1,6 milhão de credores. Após o impacto causado pelo Master, o FGC aprovou um plano de emergência para recompor o caixa, com aumento de até 60% das contribuições adicionais das instituições associadas.

 

Quando um banco quebra, o FGC reembolsa depósitos e determinados investimentos até o limite de R$ 250 mil por Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), por instituição ou conglomerado financeiro. Existe ainda um teto global de R$ 1 milhão em indenizações por CPF ou CNPJ em um período de quatro anos. O objetivo é aumentar a segurança dos investidores e preservar a confiança no sistema financeiro.

 

O evento também inaugurou a exposição "O FGC e a Rede de Proteção do Sistema Financeiro Nacional", que ficará até o dia 30 de setembro no Prédio das Moedas, sede da B3, no centro da capital paulista. A mostra explica as origens e mudanças pelas quais o fundo passou ao longo de 30 anos, assim como seu funcionamento e impactos na economia nacional.

Presidente da CNI critica corte de apenas 0,25% na taxa de juros e diz que decisão segue asfixiando a população
Foto: Edu Mota / Brasília

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, criticou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de promover corte de 0,25% na taxa básica de juros. A decisão, tomada na noite desta quarta-feira (5), rebaixou a Selic para o patamar de 14% ao ano. 

 

Para Ricardo Alban, os juros altos agravam as dificuldades da indústria e seguirão asfixiando empresas e famílias. 

 

“Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto. A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria, já tão prejudicada pelas incertezas no cenário externo. Além disso, o crédito caro compromete gravemente a renda das famílias, que já apresentam níveis recordes de endividamento e inadimplência”, afirmou o presidente da CNI, em comunicado à imprensa. 

 

A CNI destaca que os juros estão em patamar restritivo no país há 55 meses. A taxa Selic, segundo a entidade, está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor — estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia. 

 

A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação. 

 

Outra crítica feita pelo presidente da CNI diz respeito ao elevado nível de juros no crédito livre, que encarece o refinanciamento das dívidas familiares. “O resultado é o endividamento em patamar crítico e o comprometimento da renda, reduzindo recursos para consumo essencial e ampliando o risco de superendividamento. O Desenrola 2.0 trata, sobretudo, o sintoma, sem atacar causas estruturais, como a baixa educação financeira e o elevado nível das taxas de juros”, afirma o comunicado assinado por Ricardo Alban. 
 

Banco Central promove novo corte de 0,25% na taxa de juros, que cai para patamar de 14% ao ano
Foto: Edu Mota / Brasília

Como já era esperado pela quase totalidade das instituições financeiras do país, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir em 0,25% a taxa básica de juros da economia. Com a decisão, a taxa Selic caiu para o patamar de 14%. 

 

Esse foi o quarto corte seguido na taxa de juros. A Selic, que iniciou 2026 em 15% ao ano, sofreu quatro cortes de 0,25% desde a reunião do Copom em 18 de março, chegando agora ao patamar de 14%. Esse índice é o mais baixo na Selic desde março de 2025.

 

A desaceleração da inflação deu força para a decisão de um novo corte dos juros. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) de julho, que mede a prévia da inflação oficial, subiu apenas 0,06%, vindo abaixo do esperado.

 

No comunicado à imprensa após a decisão, os membros do Copom afirmam que o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. O Banco Central afirma que esse cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.

 

“Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião sugere uma moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores, e mercado de trabalho aquecido. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia desacelerou, porém ainda acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes desaceleraram para patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta”, afirma o comunicado do Copom.

 

Sobre movimentos futuros da taxa Selic, o comunicado do Copom afirma que em decorrência da “dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços”, o BC reafirma que mudanças na taxa serão estabelecidas à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta.

 

“O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmam os membros do Comitê que votaram pela redução de 0,25%.

 

Os analistas do mercado projetam que se a inflação seguir recuando e a atividade doméstica traga apresentar sinais maiores de desaceleração, o Copom poderá estender o ciclo de corte para as reuniões seguintes, em setembro e novembro. O mercado também acredita que cortes mais expressivos poderão acontecer apenas em 2027, caso haja um avanço nas reformas fiscais, para que as contas públicas voltem a uma trajetória de maior estabilidade. 
 

Exportações batem recorde e déficit das contas externas cai em junho
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

As exportações brasileiras bateram recorde histórico em junho e contribuíram para a melhora das contas externas do país.

 

De acordo com as Estatísticas do Setor Externo divulgadas nesta terça-feira (28) pelo Banco Central (BC), o déficit em transações correntes ficou em US$ 2,3 bilhões no mês, menos da metade do resultado negativo de US$ 5,2 bilhões registrado em junho de 2025.

 

A redução do déficit foi impulsionada principalmente pelo desempenho da balança comercial. O superávit comercial alcançou US$ 8,8 bilhões em junho deste ano, ante US$ 5,2 bilhões no mesmo mês do ano passado.

 

Na comparação interanual, houve aumento de US$ 3,6 bilhões no saldo positivo do comércio exterior.

 

As exportações de bens somaram US$ 36,4 bilhões, o maior valor da série histórica do Banco Central. O resultado representa crescimento de 24,8% em relação a junho de 2025. As importações também avançaram, alcançando US$ 27,6 bilhões, alta de 15,3% na mesma comparação.

 

Apesar da melhora da balança comercial, o déficit na conta de serviços aumentou US$ 0,7 bilhão em relação a junho do ano passado, totalizando US$ 5,1 bilhões.

 

O resultado foi influenciado principalmente pelo crescimento das despesas líquidas com viagens internacionais, transporte e serviços de telecomunicações, computação e informação.

 

No acumulado de 12 meses encerrado em junho, o déficit em transações correntes somou US$ 61,4 bilhões, equivalentes a 2,46% do Produto Interno Bruto (PIB). Em junho de 2025, o saldo acumulado negativo era de US$ 75,5 bilhões, ou 3,52% do PIB.

 

INVESTIMENTOS

Investimentos
Os investimentos diretos no país (IDP) registraram ingressos líquidos de US$ 9,1 bilhões em junho, ante US$ 3,1 bilhões no mesmo mês do ano passado. Em 12 meses, o investimento direto acumulado alcançou US$ 89,3 bilhões, o equivalente a 3,58% do PIB.

 

Já os investimentos em carteira registraram saída líquida de US$ 0,6 bilhão no mês. Houve retirada líquida de US$ 2,2 bilhões em ações e fundos de investimento, parcialmente compensada por ingressos de US$ 1,6 bilhão em títulos no mercado doméstico.


RESERVAS
As reservas internacionais fecharam junho em US$ 367,6 bilhões, redução de US$ 3,6 bilhões em relação a maio. Segundo o Banco Central, contribuíram para a queda do estoque as variações cambiais entre as moedas que compõem as reservas, as vendas de dólares no mercado à vista e as oscilações nos preços dos ativos.

A gente precisa de uma dose de remédio bastante mais elevada”, diz Galípolo ao justificar política de juros do BC

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o Brasil precisa de uma política monetária mais restritiva do que a adotada por outras economias para produzir os mesmos efeitos sobre a inflação. A declaração foi feita durante um dos painéis mais comentados da Expert XP 2026, em que dividiu o palco com Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos.

 

Ao justificar o nível elevado da taxa básica de juros no país, Galípolo comparou o cenário brasileiro ao de economias semelhantes e afirmou que a intensidade do aperto monetário precisa ser maior.

 

“Aqui no Brasil a gente precisa de uma dose de remédio mais elevada quando a gente compara com os nossos pares.”

 

Segundo o presidente do BC, a instituição não toma decisões com base em indicadores isolados e prefere acompanhar tendências mais consistentes antes de promover mudanças na política monetária.

 

Galípolo também afirmou que a economia brasileira continua demonstrando resiliência, especialmente no mercado de trabalho, mas destacou que a deterioração das expectativas de inflação permanece como um fator de preocupação para a autoridade monetária.

 

“O que a gente tem aqui da economia brasileira é, ainda, uma economia com mercado de trabalho bastante resiliente, com uma atividade econômica que se mostra ainda resiliente, e a preocupação adicional são as expectativas, que já estavam antes parcialmente desancoradas e desancoraram ainda um pouco mais”, afirmou.

 

Na avaliação do presidente do Banco Central, esse cenário exige cautela na condução da política monetária, mesmo com a Selic já em um nível considerado restritivo.

 

“Então, ainda que nós estejamos com a taxa de juros em um patamar restritivo, isso, obviamente, é uma preocupação adicional, que nos recomenda permanecer com uma taxa de juros nesse patamar restritivo por um período mais longo”, declarou.

 

Galípolo também comentou que, desde o início de seu mandato, a taxa de juros efetiva ficou acima das expectativas do mercado e lembrou que, mesmo após novas revisões para um nível ainda mais contracionista, as expectativas de inflação continuaram se afastando da meta.

 

Para o presidente do BC, isso indica que outros fatores, além da própria taxa de juros, influenciam a percepção do mercado. Ele afirmou que ainda há um debate sobre se essas expectativas refletem decisões que já impactam a economia ou projeções relacionadas a medidas que ainda poderão ser adotadas.

 

Durante o painel, Galípolo também abordou os efeitos da ampliação da inclusão financeira promovida pelo Pix. Segundo ele, o sistema permitiu que milhões de brasileiros passassem a acessar serviços bancários e o cartão de crédito. Por outro lado, observou que esse processo também aumentou a exposição das famílias ao crédito rotativo, modalidade que, sob juros elevados, “vai virando uma bola de neve”.

 

O presidente do Banco Central ainda rebateu críticas sobre a atuação da autoridade monetária: “Por trás da crítica, existe a avaliação de que membros do mercado têm intenção de induzir ou influenciar a política monetária de forma a querer uma taxa de juros mais elevada”, apontou.

 

Ao explicar a diferença entre a Selic e os juros cobrados no crédito rotativo, Galípolo recorreu à comparação com um fóssil de dinossauro exposto em um museu para ilustrar como pequenas diferenças de tempo podem gerar percepções muito distintas de grandeza. Em outro momento, comparou o ritmo de atuação do Banco Central ao movimento de grandes embarcações.

 

“A gente se move mais como um transatlântico do que como um jet ski”, concluiu.

PF faz operação sobre ataques ao Banco Central em nova fase da operação Compliance Zero
Foto: Reprodução / Rafa Neddermeyer - Agência Brasil

 

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (9), a 10ª fase da Operação Compliance Zero para investigar uma suposta atuação coordenada em redes sociais destinada a comprometer a credibilidade do Banco Central do Brasil.

 

O publicitário Thiago Miranda, dono da agência Mithi, ganhou notoriedade na investigação por intermediar o investimento de R$ 62 milhões realizado pelo empresário Daniel Vorcaro no documentário Dark Horse, que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro. Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), os policiais cumprem dois mandados de busca e apreensão em Brasília.

 

Segundo a PF, além dos ataques à instituição financeira, as investigações buscam desarticular uma possível organização criminosa que utilizaria táticas de intimidação contra jornalistas e o monitoramento ilegal de pessoas ligadas a autoridades públicas. O grupo também é suspeito de obter informações sigilosas de forma indevida e de tentar interferir em investigações criminais em curso. 

 

De acordo com a corporação, os envolvidos podem responder por crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa e embaraço à investigação de organização criminosa, além de infrações ligadas à violação de dados e dispositivos informáticos.

 

A Polícia Federal informou que as investigações continuam para esclarecer a atuação do grupo e identificar todos os envolvidos.

Banco Central decide fazer novo corte de 0,25% na Selic e Alban diz que percentual não reduz "asfixia financeira"
Foto: Edu Mota / Brasília

Em decisão anunciada na noite desta quarta-feira (17), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa básica de juros em 0,25%. Com isso, a Selic passa de 14,5% para 14,25% ao ano. 

 

Esta foi a terceira vez consecutiva que o comitê do BC reduziu os juros básicos do país. De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom iniciou o corte dos juros em março, num cenário de queda da inflação. 

 

Na nota divulgada à imprensa, o Copom apontou que o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências dos efeitos já materializados da guerra até o momento, com reflexos nas condições financeiras globais. 

 

“Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, diz o comunicado.

 

Na reunião anterior, em abril, o comitê também apontou como justificativa para um ritmo menor na queda dos juros as incertezas sobre os desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e as expectativas de inflação em alta por período mais prolongado. No entanto, a guerra, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, vem dificultando a redução da taxa em níveis mais acentuados. 

 

Após a divulgação da decisão do Banco Central, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, criticou o corte de apenas 0,25% na Selic. Para Alban, a redução não contribui para a reversão da “asfixia financeira” das empresas e das famílias. 

 

“Enquanto os juros reais continuarem tão elevados, beneficiando diretamente o capital especulativo, o custo do crédito seguirá inviabilizando os planos de produção e expansão da indústria. Da mesma forma, a medida se mostra ineficaz em aliviar o orçamento das famílias, das empresas e do próprio governo”, argumentou o presidente da CNI.
 

Ex-diretor do BC disse a Vorcaro que mercado responsabilizaria Campos Neto pela “emenda Master”
Foto: Divulgação - Banco Master / Raphael Ribeiro - BCB

O ex-diretor do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, alertou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro que o mercado financeiro responsabilizaria o dono do conglomerado e do então presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, pela “emenda Master”. A emenda foi uma proposta apresentada em 2024 pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) para ampliar de R$250 mil para R$1 milhão a cobertura de investimentos garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos). 

 

A proposta foi rejeitada no Senado. Segundo informações da Folha de S. Paulo, o texto da emenda foi produzido pelo Banco Master e reproduzido na íntegra pelo parlamentar. A proposição foi chamada de “emenda master” pois a instituição de Daniel Vorcaro tinha como estratégia vender CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com alta remuneração, usando a cobertura do FGC como atrativo. 

 

O objetivo era aumentar a captação de dinheiro por meio desse instrumento, o que poderia dar uma sobrevida à instituição. Segundo análise do material apreendido pela Polícia Federal, um trecho de conversa via WhatsApp no dia 13 de agosto de 2024, mostra uma conversa de Vorcaro com ex-diretor jurídico do banco Luiz Rennó, que disse: "Vc [sic] sextuplica seu negócio. Bora".

 

O material também traz trechos de uma conversa entre Paulo Sérgio e Vorcaro via WhatsApp em 14 de agosto de 2024, após a apresentação da emenda no Senado. "Mercado colocando a conta dessa MP em você [Vorcaro]", disse o ex-diretor do BC, que também questionou sobre repercussão ainda maior após o episódio.

 

O dono do Master, por sua vez, afirmou tratar-se de uma emenda e que tinha "muita gente achando positivo", à exceção dos grandes bancos. Ele achava difícil que o caso reverberasse ainda mais.

 

Adiante, Vorcaro afirmou: "Não fui eu quem pedi". Em resposta, Paulo Sérgio continuou: "Estão jogando também no Roberto. É amigo do senador e esteve com ele numa festa recente", em provável referência a Roberto Campos Neto, então presidente do BC.

 

Em nota, a assessoria de Campos Neto disse que o Banco Central atuou institucionalmente contra a emenda por determinação do próprio presidente. "Roberto Campos Neto somente tomou conhecimento da existência da tal emenda por meio do diretor Renato Gomes e, imediatamente, determinou que houvesse uma força-tarefa de diversas áreas do banco para que fundamentassem uma manifestação técnica contra a proposta, na mesma linha do que havia sido defendido pela Febraban [Federação Brasileira de Bancos]", disse.

 

Ainda de acordo com a assessoria, a atuação do BC para a elaboração de fundamentos técnicos contra a proposta foi alinhada à do FGC, que chegou a trabalhar de forma emergencial.

 

As investigações indicam que Paulo Sérgio prestava consultoria estratégica a Vorcaro, orientando sobre a atuação do BC em processos administrativos, sugerindo argumentos para reuniões e revisando relatórios que seriam enviados à autarquia. Procurada, a defesa de Paulo Sérgio ainda não se manifestou formalmente sobre o caso.
 

Comissão aprova PEC que amplia autonomia do Banco Central e garante manutenção da gratuidade do Pix
Foto: Edu Mota / Brasília

Os senadores da Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovaram, na reunião desta quarta-feira (10), a PEC 65/2023, que cria um regime jurídico próprio e concede autonomia orçamentária e financeira para o Banco Central. A proposta segue agora para ser apreciada pelo plenário. 

 

O projeto, de autoria do senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), garante ao Banco Central autonomia não apenas operacional — já prevista em lei desde 2021 —, mas também administrativa, orçamentária e financeira. Além disso, a PEC transforma o BC em uma entidade pública de natureza especial, integrante do setor público financeiro e dotada de poder de polícia, incluindo poderes de regulação, supervisão e resolução.

 

Um dos principais pontos do texto do relator Plínio Valério (PSD-AM) é a inclusão de dispositivos para blindar o Pix. O projeto estabelece competência exclusiva do Banco Central para regular e operar o sistema de pagamentos instantâneos, vedando a transferência da estrutura para entidades privadas. A proposta também preserva a gratuidade do Pix para pessoas físicas.

 

A alteração que fortalece o Pix surge em um momento no qual ele vem sendo atacado pelo governo norte-americano, que acusa o sistema de pagamentos brasileiro de prejudicar empresas dos Estados Unidos. Os defensores do projeto afirmam que haverá o fortalecimento do Pix ao incluí-lo na Constituição e garantir recursos para seu funcionamento e aprimoramento. Em seu parecer, o senador Plínio Valério garante a gestão do Pix pelo Banco Central.

 

O projeto, aprovado em votação simbólica na CCJ, apesar da resistência do governo Lula, foi enfaticamente defendido pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Os servidores da instituição, representados pela ANBCB (Associação Nacional de Auditores do Banco Central), também deram seu apoio ao projeto.

 

Na manhã desta terça (9), 43 chefes de departamento do BC divulgaram uma carta reforçando o apoio à proposta do Senado, e pedindo celeridade na sua aprovação. 

 

De acordo com o projeto, o orçamento da instituição será aprovado e executado por ato próprio do BC, custeado por receitas que passariam a ser próprias, não mais do Tesouro. O Banco Central hoje realiza operações financeiras e administra ativos bilionários, como ganhos com aplicação das reservas internacionais em ativos no exterior, receitas relacionadas à emissão de moeda e títulos públicos.

 

Essas operações geram receitas, às quais a PEC dá a destinação de financiar o funcionamento do BC. O relator inseriu na PEC a previsão de que uma lei complementar vai estabelecer limites para o crescimento das despesas de custeio e de investimento do Banco Central. 

 

As despesas de pessoal e encargos sociais, de custeio administrativo, de benefícios e assistência a pessoal e de investimento deverão passar por apreciação prévia do Conselho Monetário Nacional (CMN) e por deliberação conclusiva da comissão temática do Senado Federal.
 

Eduardo Bolsonaro nega ter sugerido substituição do Pix por sistema americano e culpa a imprensa de distorção; entenda
Foto: Reprodução / Redes Sociais

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) publicou um vídeo em suas redes sociais nesta quinta-feira (04) para rebater as críticas que recebeu após sugerir a inclusão do sistema de pagamentos norte-americano Zelle em discussões bilaterais com os Estados Unidos. O ex-parlamentar negou que tenha defendido a substituição do Pix e acusou veículos de comunicação de distorcerem suas declarações.

 

“Jamais falei em substituir o pix! O Pix foi criado pelo meu pai, sem taxas, e assim deve permanecer”, escreveu Eduardo em sua publicação, classificando a repercussão do caso como uma "patifaria" em uma postagem. Confira sua fala abaixo:

 

A nova manifestação ocorre em meio a um histórico de relações tensas entre o clã Bolsonaro e a imprensa, frequentemente marcado por acusações mútuas de desinformação e divergências no enquadramento de declarações públicas. O próprio Eduardo foi desmentido sobre uma versão de que um jornalista "ligado ao PCC" rondou sua família. Após isso, o portal revelou que o jornalista apenas pediu uma entrevista, e foi negado.

 

E A FALA?
Em uma entrevista concedida ao canal TMC News, ao analisar possíveis estratégias de aproximação comercial com a futura gestão de Donald Trump, Eduardo Bolsonaro citou o Zelle, uma plataforma privada de transferências rápidas operada por um consórcio de bancos nos EUA. “Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como, por exemplo, o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos. Aqui é o Zelle. Então, dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos”, sugeriu o ex-deputado na entrevista gravada.

 

A fala foi interpretada por adversários políticos e críticos como uma abertura para a substituição ou facilitação de plataformas estrangeiras no mercado nacional, afinal o deputado sugere como uma possibilidade de negociação. A aspa que deflagrou reações imediatas da base governista. Na prática, ele propõe o uso do sistema como um instrumento de negociação e, logo em seguida, reforça que o Pix foi criado durante a gestão de seu pai.

 

Reveja a fala debatida abaixo:

 

PIX É DO BOLSONARO?
De modo simples, não. Aos fatos: o Pix foi lançado oficialmente em novembro de 2020, durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, o histórico de desenvolvimento da ferramenta mostra uma construção que atravessou diferentes governos, seja Dilma, Temer e do próprio Bolsonaro. O Banco Central (BC) já desmentiu o ex-deputado cassado. 

 

A primeira manifestação oficial sobre a necessidade de "soluções que permitam, a baixo custo, pagamentos de varejo em tempo real e ininterruptos" ocorreu em 2014, sob a gestão de Dilma Rousseff. O projeto começou a ser elaborado tecnicamente pelo corpo de servidores do Banco Central em maio de 2018, ainda no governo de Michel Temer, conforme registrado no Relatório de Vigilância do Sistema de Pagamentos Brasileiro.

 

Na Portaria n.º 97.909, de maio de 2018, instituída pelo BC, foi criado o grupo de trabalho destinado a "contribuir para a construção de um ecossistema de pagamentos instantâneos competitivo, eficiente, seguro e inclusivo". O nome "Pix" ainda não era utilizado, mas as bases operacionais do sistema já estavam definidas naquele documento.

 

"A infraestrutura centralizada de liquidação será operada pelo Banco Central do Brasil e estará disponível 24 horas por dia, sete dias por semana e em todos os dias do ano. As transações serão liquidadas uma a uma, no momento em que a ordem de liquidação for aceita pela infraestrutura", determina a portaria.

 

Confira abaixo:

Registro da decisão que mostra a formação do grupo antes mesmo do governo Bolsonaro | Foto: Reprodução / DOU

 

De acordo com o Banco Central, esse grupo de trabalho para pagamentos instantâneos (GT-PI) representou "a primeira etapa para o desenvolvimento dos pagamentos instantâneos no Brasil". O debate foi aberto a partes interessadas e recebeu contribuições de mais de 130 participantes do setor.

 

A partir de outubro de 2019, já sob o governo de Jair Bolsonaro, teve início o desenvolvimento da infraestrutura tecnológica da ferramenta. A marca "Pix" foi lançada oficialmente em fevereiro de 2020. Segundo o Banco Central, o nome "é baseado em tecnologia, transação e pixel, e representa a transposição dos limites do sistema financeiro, a comunicação entre os agentes de mercado e a solidez do pixel".

 

Em outubro de 2020, um mês antes do lançamento oficial do sistema, o então presidente Jair Bolsonaro demonstrou desconhecer o meio de pagamento ao ser parabenizado por um apoiador na saída do Palácio da Alvorada. Na ocasião, Bolsonaro confundiu a ferramenta com medidas de desburocratização na aviação civil.

 

Ao ser informado pelo cidadão de que se tratava de um novo sistema de transferências financeiras criado pelo Banco Central, o então presidente respondeu: "Não tomei conhecimento, vou conversar esta semana com o [então presidente do BC] Roberto Campos".

 

O episódio recente expôs novamente a sensibilidade política em torno do Pix, uma ferramenta de alta aprovação popular cuja autoria histórica é disputada por diferentes correntes políticas de campanhas para as eleições de 2026, com distorções de membros ou ex-membros da política nacional sobre a inovação tecnológica. 

 

Foto ilustrativa: Reprodução / Agência Brasil

 

O Palácio do Planalto reagiu de forma indireta ao caso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou contra o que chamou de "complexo de vira-lata", defendendo a valorização das tecnologias desenvolvidas no país. Na mesma linha, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, declarou que o Brasil não iria "ceder o Pix para empresas americanas", enquanto o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, classificou a sugestão como "entreguista". O PDT também emitiu nota alertando para possíveis riscos à soberania nacional.

 

Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro (PL), irmão de Eduardo, buscou blindar sua pré-campanha para 2026. Alvo de críticas nas redes sociais por conta de discussões sobre tarifas comerciais norte-americanas, Flávio posou com um cartaz com os dizeres "O Pix é do Brasil. E do Bolsonaro", enfatizando o papel do governo do pai na implementação da plataforma. Aliados do senador também reforçaram que a opinião emitida por Eduardo na entrevista, de caráter pessoal, não reflete o posicionamento oficial da campanha.

 

Ata do Copom indica ao mercado que guerra no Oriente Médio pode retardar novos cortes na taxa oficial de juros
Foto: Edu Mota / Brasília

Aguardada com ansiedade pelo mercado financeiro, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, na qual foi decidido um corte de apenas 0,25% na taxa básica de juros, reforçou a tendência de que o ciclo de corte de juros tende a ser menor do que o inicialmente esperado pelo governo federal, pelas instituições financeiras e pela própria diretoria do BC. 

 

No documento, os membros do Conselho adotam tom de cautela em relação a previsões futuras, e admitem que diante de um quadro de incertezas externas e internas, a restrição monetária pode vir a durar mais tempo. 

 

“A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, afirmaram os membros do Copom na Ata.

 

O texto da Ata do Copom revela que a equipe do presidente Gabriel Galípolo trabalha com uma expectativa de redução da taxa Selic menor do que o que vinha sendo projetado anteriormente. A Selic iniciou 2026 em um patamar de 15% ao ano, posteriormente sofrendo dois cortes de 0,25%, chegando na semana passada a 14,50%. 

 

Diante da posição de cautela impressa na Ata do Copom, o mercado financeiro especula se na próxima reunião do comitê, em 16 e 17 de junho, se haverá um novo corte de 0,25% ou até mesmo a manutenção da taxa no mesmo patamar. Isso porque, na Ata, o Copom reforça que o ciclo de cortes está diretamente ligado à duração da guerra no Oriente Médio. 

 

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, informaram os diretores do Banco Central.
 

Copom reduz taxa de juros pela 1ª vez desde maio de 2024 e Selic vai a 14,75%
Foto: Marcello Casal Jr. / EBC

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu reduzir a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano. A decisão foi tomada após encontro nesta quarta-feira (18) e é a primeira diminuição da Selic desde maio de 2024.

 

Essa era a expectativa da maior parte do mercado financeiro, que projetava uma redução de 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano.

 

No boletim, o Copom afirmou que a decisão "é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego".

 

O começo do processo de queda dos juros no Brasil ocorre apesar das incertezas internacionais, decorrentes da guerra no Oriente Médio,  que tem pressionado o petróleo para mais de US$ 100 por barril, contra US$ 72 antes do conflito.

 

A disparada do petróleo, por sua vez, já está impulsionando os preços dos combustíveis no país, apesar de a Petrobras ainda não ter anunciado reajustes. A expectativa do mercado para a inflação em 2026 já subiu na semana passada.

 

A taxa básica de juros da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre.

Com caso Master em alta, Bahia já registrou ao menos 17 instituições sob intervenção ou liquidação do BC
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

O escândalo envolvendo o Banco Master levou o Banco Central a atingir, em fevereiro deste ano, o milésimo “regime de resolução” decretado pela instituição desde sua criação, em 1966. O instrumento é utilizado em situações consideradas graves, quando o órgão precisa intervir para evitar riscos ao sistema financeiro.

 

Dados obtidos pela Fiquem Sabendo, agência de dados independente, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que, ao longo das últimas décadas, instituições sediadas na Bahia também já foram alvo desse tipo de medida.

 

Segundo planilha do Banco Central, ao menos 17 bancos, financeiras, corretoras ou cooperativas com sede no estado foram submetidos a regimes especiais como intervenção, liquidação extrajudicial ou administração temporária. Os casos foram registrados entre 1975 e 2019.

 

Hoje, o BC mantém 14 regimes de resolução ativos no país, a maioria em fase de liquidação extrajudicial, mecanismo que interrompe o funcionamento da instituição e inicia o processo de retirada do mercado.

 

Além disso, o caso Master já resultou na liquidação ou administração temporária de pelo menos nove instituições financeiras, entre elas os bancos Master, Will Bank, Pleno e Letsbank.

 

HISTÓRICO NA BAHIA
Entre os episódios mais conhecidos envolvendo instituições baianas está o do Banco Econômico, que sofreu intervenção do Banco Central em agosto de 1995 e entrou em liquidação extrajudicial. Em 2022, o BTG Pactual concluiu sua aquisição e o Banco Econômico saiu da liquidação e passou a se chamar Banco BESA S.A.

 

Fundado em 1843, em Salvador, o Econômico enfrentou problemas quando a intervenção foi decretada. Ente eles, dificuldades de liquidez, reconhecimento indevido de receitas, concentração de operações de crédito e insuficiência patrimonial.

 

O levantamento do Banco Central também aponta medidas para empresas ligadas ao antigo Banco do Estado da Bahia (Baneb) e outras instituições do sistema financeiro local, incluindo financeiras, corretoras e cooperativas de crédito.

 

Em 1999, o Baneb foi extinto e comprado pelo Bradesco com leilão de privatização. À época, outras privatizações de bancos estaduais foram realizadas, e o governo baiano ficou com os créditos e dívidas da instituição.

 

Também aparecem na lista nomes como:

Baneb Crédito Imobiliário S.A.
Baneb Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento
Baneb Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários
Catedral Corretora de Câmbio e Títulos Mobiliários
JN-Maxi Corretora de Câmbio Ltda.
Cooperativa de Crédito Rural do Vale do Subaé
Cooperativa de Crédito Rural de Itapetinga
Conslar Administração de Consórcios, entre outras.

 

Nos registros do Banco Central, todos os processos já aparecem encerrados, após etapas como liquidação final, falência, incorporação ou regularização da situação.

 

REGIMES DE RESOLUÇÃO
Segundo informações obtidas no site do Bacen, quando uma instituição financeira apresenta grave comprometimento do seu patrimônio ou dificuldade de honrar seus compromissos, o Banco Central (BC) pode determinar aos seus controladores que aportem os recursos necessários, transfiram o controle, reorganizem a sociedade ou adotem medidas de recuperação.

 

Essas ações são também conhecidas como solução de mercado.  Conforme a evolução e gravidade dos problemas, o BC pode intervir diretamente na instituição por meio de um Regime de Resolução: Liquidação extrajudicial, Intervenção ou Regime de Administração Especial Temporária (RAET).

 

Quando um regime de resolução é decretado os controladores perdem o poder de gestão da instituição, que passa a ser administrada por um liquidante, interventor ou conselho diretor, nomeado pelo BC, conforme o tipo do regime.

 

O regime a ser adotado vai de acordo com o problema apresentado pela instituição, o impacto no sistema financeiro e demais situações analisadas caso a caso. Os regimes de resolução são pautados pelo interesse público, pela preservação da estabilidade financeira e pela não interrupção do funcionamento de funções críticas para a economia real.

 

LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL
A liquidação extrajudicial é o regime de insolvência que se destina a interromper o funcionamento da instituição e promover sua retirada do Sistema Financeiro Nacional (SFN). É adotado quando a situação de insolvência é irrecuperável e a interrupção do funcionamento da instituição não compromete a estabilidade financeira. 

 

INTERVENÇÃO
A intervenção é adotada quando se vislumbra alguma possibilidade de recuperação. As atividades são suspensas temporariamente. A intervenção dura até doze meses. Conforme o caso, a intervenção cessará se houver a retomada da normalidade ou, não havendo, pela decretação da liquidação extrajudicial ou da falência. 

 

REGIME DE ADMINISTRAÇÃO ESPECIAL TEMPORÁRIA (RAET)
O RAET não afeta as atividades normais da instituição. É adotado quando a instituição, em razão do seu porte ou complexidade operacional, desempenha funções críticas para a economia real ou a quando a paralisação abrupta do seu funcionamento possa causar riscos à estabilidade financeira.

 

O RAET será encerrado se houver normalização da atividade ou solução de mercado para a instituição. Não havendo solução de mercado, a União pode assumir o seu controle. Havendo possibilidade de adoção de medidas para preservação das funções críticas e da estabilidade financeira, o RAET poderá ser encerrado pela decretação da Liquidação extrajudicial.

Lindbergh Farias pede que PGR investigue Campos Neto por "omissão dolosa" no caso que envolve o Banco Master
Foto: Jose Cruz/Agência Brasil

Diante da revelação de que o banqueiro Daniel Vorcaro cooptou servidores da alta cúpula do Banco Central para obter informações internas da instituição e influenciar em decisões, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) anunciou ter ingressado com notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) para que seja aberta uma investigação contra o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

 

Em postagem nas redes sociais, Lindbergh disse que as informações que se tornaram públicas nesta quarta-feira (4), após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelam fatos “extremamente graves” relacionados à atuação do grupo investigado. O deputado do PT quer que a PGR investigue Campos Neto por “omissão dolosa” no caso do Banco Master.

 

“As mensagens encontradas no celular do banqueiro indicam a existência de uma espécie de milícia ultraviolenta organizada para intimidar e praticar violência contra jornalistas”, disse o deputado.

 

Lindbergh Farias citou o envolvimento do ex-diretor de Fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, e do ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do banco, Belline Santana, com a organização criminosa comandada por Vorcaro. Na decisão que autorizou a prisão de ambos, o ministro André Mendonça afirma que eles teriam recebido mesada e forjaram a prestação de serviços. 

 

“O cenário sugere subordinação da autarquia reguladora aos interesses do banco para favorecer as fraudes do Master, e isso reforça a necessidade de apurar o envolvimento pessoal de Roberto Campos Neto”, disse o deputado.

 

“Por isso, estou apresentando uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República para investigar o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, por omissão dolosa na fiscalização bancária e os indícios de que norma editada durante sua gestão teria facilitado fraudes praticadas pelo Banco Master”, completou Lindbergh Farias. 

 

Tanto Paulo Sérgio quanto Belline participavam de um grupo de WhatsApp com Vorcaro para discutir estratégias e compartilhar documentos, segundo as investigações. Agora são suspeitos de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e de participar de organização criminosa.

 

Ambos são servidores com décadas de carreira dentro do Banco Central. Paulo Sérgio foi indicado ao cargo de diretor pelo ex-presidente Michel Temer, foi sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e participava das reuniões do Copom. De 2017 a 2023, seu voto era contabilizado para a definição da taxa básica de juros.

 

Sob impacto dos juros altos, PIB desacelerou em 2025 e fechou o ano em 2,3%, bem abaixo dos 3,4% de 2024
Foto: Jaelson Lucas/AEN

Com um quarto trimestre de desaceleração, registrando aumento de apenas 0,1% em relação ao período anterior, o Produto Interno Bruto brasileiro teve um resultado de 2,3% ao final de 2025. Em valores correntes, o PIB brasileiro de 2025 alcançou R$ 12,7 trilhões.  

 

O resultado do Produto Interno Bruto do ano passado foi divulgado nesta terça-feira (3) pelo IBGE. O índice observado ficou abaixo do que foi verificado em 2024, quando o PIB fechou em 3,4%, a maior taxa desde 2021. 

 

De acordo com o IBGE, três atividades econômicas foram as principais responsáveis pelo resultado final de 2025: Agropecuária (11,7%), Serviços (1,8%) e Indústria (1,4%). Em relação ao PIB per capita, o mesmo chegou a R$ 59.687,49, com um crescimento real de 1,9% frente a 2024.

 

O Boletim Focus, que condensa as perspectivas e estimativas de mais de uma centena de instituições financeiras do país, fechou o ano de 2025 prevendo um PIB de 2,26%. No começo de 2025, o mesmo Boletim previa um PIB de 2,02%, esse cenário teve que ser corrigido durante o decorrer do ano passado. O resultado final do ano, portanto, ficou um pouco acima do que previa o mercado.

 

A pesquisa do Sistema de Contas Nacionais, divulgada hoje pelo IBGE, revela que o crescimento de 11,7% na Agropecuária em 2025 decorreu, principalmente, de aumentos na produção e ganhos na produtividade de várias culturas. Os destaques foram o milho (23,6%) e a soja (14,6%), que alcançaram recordes em 2025. 

 

Em relação ao setor industrial, o destaque positivo, segundo o IBGE, foi a extração de petróleo e gás. Outra contribuição positiva veio da Construção, que variou 0,5% no ano. Por outro lado, a Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,4%) e as Indústrias de Transformação (-0,2%) fecharam o ano com variações negativas.

 

Já o setor de Serviços seguiu aquecido em 2025, com crescimento em todas as suas atividades: Informação e comunicação (6,5%), Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,9%), Transporte, armazenagem e correio (2,1%).

 

Também houve crescimento em outras atividades de serviços como Atividades imobiliárias (2,0%), Comércio (1,1%) e Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,5%).

 

Em relação ao Consumo das Famílias, houve crescimento de 1,3% em relação a 2024, com a melhora no mercado de trabalho, o aumento do crédito e os programas governamentais de transferência de renda. Entretanto, esta taxa representa uma desaceleração em relação ao crescimento de 2024 (5,1%) devido, principalmente, aos efeitos adversos das altas taxas de juros, mantidas há alguns meses pelo Banco Central no patamar de 15% ao ano.

 

O volume de investimentos no país, sinalizados pela Formação Bruta de Capital Fixo, cresceu 2,9% em 2025, puxado pelo aumento da importação de bens de capital e pelo desenvolvimento de software, além da alta na indústria da Construção. Essas contribuições positivas compensaram a queda na produção interna de bens de capital.

 

Por fim, o IBGE constatou que a taxa de investimento em 2025 foi de 16,8% do PIB, contra 16,9% em 2024. A taxa de poupança, por sua vez, foi de 14,4% em 2025, ante 14,1% em 2024.
 

Banco Master tinha só R$ 4 milhões em caixa antes da liquidação, diz diretor do BC
Foto: Pedro França/Agência Senado

O diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton Aquino, afirmou que o Banco Master possuía apenas R$ 4 milhões em caixa quando teve a liquidação extrajudicial decretada pela autoridade monetária, em novembro do ano passado. A declaração foi feita em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), durante oitiva determinada pelo ministro Dias Toffoli, realizada em dezembro de 2025.

 

Segundo Aquino, a situação evidenciava uma grave crise de liquidez. Ele explicou que instituições do porte do Banco Master, que tinha cerca de R$ 80 bilhões em ativos, costumam manter entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em liquidez disponível. No entanto, às vésperas da liquidação, o banco contava com apenas R$ 4 milhões em caixa.

 

O diretor do BC também afirmou que o Banco de Brasília (BRB) deverá realizar uma provisão contábil de mais de R$ 5 bilhões em seu balanço, em razão de ativos inexistentes herdados do Banco Master. De acordo com Aquino, o banco estatal do Distrito Federal ainda mantém registrados cerca de R$ 2,3 bilhões em créditos do Master que não existem, além de outros ativos considerados ilíquidos ou de difícil recuperação.

 

Durante o depoimento, Aquino destacou que o impacto no balanço do BRB será significativo, com alta probabilidade de o ajuste superar os R$ 5 bilhões.

 

Ainda conforme o diretor de Fiscalização, após o Banco Central identificar que a carteira de crédito do Master adquirida pelo BRB continha créditos inexistentes, a então presidência do banco estatal iniciou um processo de internalização desses créditos. A medida previa a substituição dos ativos sem lastro por outros com garantia dentro do próprio Banco Master.

 

No entanto, segundo Aquino, o BRB não conseguiu encontrar ativos suficientes para cobrir o rombo. Mesmo após as tentativas de troca, permaneceram no balanço do BRB mais de R$ 2,3 bilhões em créditos sem lastro, já que o Banco Master não possuía ativos disponíveis para compensação. As informações são do Globo.

Copom mantém taxa de juros em 15%, mas indica possibilidade de redução nas próximas reuniões
Foto: Marcello Casal Jr. / EBC

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa de juros em 15% após reunião realizada nesta quarta-feira (28). Segundo a nota técnica, o grupo avaliou que o cenário “exige cautela”, mas indicou que poderá realizar a redução da Selic nas próximas reuniões caso a inflação mantenha índices controlados. Foi a quinta vez consecutiva que o Copom manteve os juros em 15%.

 

"O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz a nota.

 

A expectativa, conforme Boletim Focus, é que a Selic atinja 12,25% ao fim de 2026, reforçando a expectativa de flexibilização dos juros nos próximos encontros. A próxima reunião do Copom está prevista para 17 e 18 de março.

 

A taxa de 15% atual é o maior patamar desde julho de 2006, quando os juros chegaram a 15,25% ao ano, ainda no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Colunista revela que Lula e Galípolo tiveram reunião com Vorcaro no Palácio do Planalto, fora da agenda oficial
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A jornalista Andreza Matais revelou nesta segunda-feira (26), em sua coluna no site Metrópóles, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve um encontro no Palácio do Planalto com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a conversa durou cerca de uma hora e meia. O encontro teria acontecido em dezembro de 2024, e contou também com a participação do então indicado por Lula para presidir o Banco Central, Gabriel Galípolo (ele só viria a tomar posse no dia 1º de janeiro de 2025). 

 

Segundo Andreza Matais, a reunião com Vorcaro no Palácio do Planalto não foi incluída na agenda oficial do presidente Lula. Além do presidente e de Galípolo, também estiveram presentes os ministros da Casa Civil, Rui Costa, da Casa Civil, e das Minas e Energia, Alexandre Silveira. 

 

Ainda conforme Andreza Matais, o então CEO do Banco Master, Augusto Lima, também esteve presente na reunião e tratou sobre uma suposta articulação dos grandes bancos para prejudicar o Master e concentrar o poder do mercado. O ex-ministro Guido Mantega é apontado como o responsável por conseguir a reunião de Vorcaro com Lula. 

 

Uma nota publicada na coluna do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, antecipou essa informação sobre Mantega. Segundo o colunista, Guido Mantega não só conseguiu um encontro de Vorcaro com Lula, mas ainda teria feito lobby no Banco Central para a aprovação da operação de venda do Master ao BRB e também pela não intervenção no banco de Vorcaro. 

 

O Banco Master contratou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para atuar como assessor, por indicação do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A remuneração acertada teria sido de R$ 1 milhão por mês.

 

Entre julho e novembro de 2025, em sua atuação como consultor do Master, Mantega recebeu cerca de R$ 16 milhões em honorários. O ex-ministro da Fazenda nos dois primeiros mandatos de Lula só chegou ao Master após a intervenção direta de Jaques Wagner. Antes disso, o governo havia recuado da indicação do ex-ministro para o Conselho de Administração da Vale, após questionamentos do mercado. 

 

A coluna da jornalista Andreza Matais expôs ainda que o presidente Lula teria pedido a Gabriel Galípolo para tratar a situação do Master com isenção depois que ele assumisse a presidência do BC. Foi na gestão de Galípolo que o Banco Central vetou a negociação entre o Master e o BRB e decretou a liquidação da instituição financeira de Daniel Vorcaro com a alegação de uma fraude de R$ 12 bilhões.
 

Banco Central determina liquidação da Will Financeira, controlada por Daniel Vorcaro
Foto: Divulgação

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, nesta quarta-feira (21). O BC explicou que a medida chega em expansão ao comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse do Banco Master, liquidado em novembro de 2025.

 

Um dos donos do Banco Master e da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, é o empresário Daniel Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal. A Will Holding Financeira S.A,; Master Holding Financeira S.A.; 133 Investimentos E Participações Ltda.; Armando Miguel Gallo Neto; Felipe Wallace Simonsen, também eram controladores da Will Financeira. O ato do BC determinou a ‌EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda como liquidante da operação. 

 

A Polícia Federal realizou buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no útlimo dia 14. A ação ocorreu em residências ligadas ao empresário e a seus familiares na Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo. 

 

Segundo a PF, a segunda fase da operação Compliance Zero tem como alvo a investigação de um suposto esquema de fraudes financeiras no banco. Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

Após caso Master, Haddad defende projeto que impõe fiscalização e regulação de fundos de investimento pelo BC
Foto: José Cruz / Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que os fundos de investimento, atualmente sob responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), deveriam passar a ser regulamentados e fiscalizados pelo Banco Central. Em entrevista ao Uol, nesta segunda-feira (19), o ministro disse que apresentou uma proposta que prevê maior atuação do BC na fiscalização de fundos.

 

"Apresentei uma proposta, que está sendo discutida no âmbito do Executivo, para ampliar o perímetro regulatório do BC. Tem coisa que deveria estar no BC, e que está na CVM. O Banco Central tem de passar a fiscalizar os fundos, há intersecção grande hoje entre fundos e finanças. Isso tem impacto sobre a contabilidade pública, a conta remunerada, as compromissadas", afirmou.

 

Ele explicou que essa proposta, por enquanto, é uma iniciativa dele e não do governo Luiz Inácio Lula da Silva, mas acrescentou que o tema já está sendo discutido pelo Executivo. Atualmente, os fundos de investimento são regulamentados pela CVM, uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, mas com autonomia financeira, orçamentária e administrativa.

 

"Entendo que seria uma resposta muito boa nesse momento ampliarmos o poder de fiscalização sobre os fundos pelo Banco Central. Fica em um lugar só, que é mais ou menos o desenho dos BCs em países desenvolvidos", acrescentou Haddad.

 

O posicionamento do ministro ocorre após ele apontar o caso master como possível “maior fraude bancária da história do país”. A Polícia Federal tem investigado, na Operação Compliance Zero, o uso de fundos de investimento para inflar artificialmente o patrimônio do Master com o objetivo de viabilizar fraudes financeiras bilionárias do banco de Daniel Vorcaro.

 

Diante das irregularidades, o Banco Central liquidou o Master e, na semana passada, também decretou a liquidação da empresa que faz a gestão dos fundos no grupo da Reag Investimentos. A Reag, que já vinha sendo investigada pela PF por suspeitas de ligação com o PCC, entrou na mira da Operação Compliance Zero.

Semana tem reunião entre presidentes do BC e do TCU para falar sobre caso Master e Moraes no comando do STF
Foto: Edu Mota / Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia a semana nesta segunda-feira (12) em reuniões internas com sua equipe no Palácio do Planalto. Lula deve ter conversas nesta semana para definir o substituto de Ricardo Lewandowski como ministro da Justiça. 

 

Dois baianos estão no páreo para a vaga deixada por Lewandowski. Um deles é o atual ministro interino da pasta, Manoel Carlos de Almeida Neto. Secretário executivo do Ministério, o baiano de Ilhéus teve sua indicação publicada na última sexta (9) no Diário Oficial da União. 

 

O outro baiano que concorre ao posto de ministro da Justiça é o atual advogado-geral da Petrobras, Wellington Cesar Lima e Silva. A indicação dele para a pasta é defendida pela baiana do governo, formada pelo líder no Senado, Jaques Wagner (PT), pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, e pelo ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira.

 

Na agenda de Lula para esta segunda (12), depois de reunião com a secretária-Executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, o presidente terá uma conversa com o ministro da Secom, Sidônio Palmeira. Na tarde da tarde, o único compromisso oficial do presidente Lula é uma reunião com o secretário Especial para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Marcelo Weick.

 

Participarão dessa reunião o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o ministro da Fazenda substituto, Dario Durigan, e a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. No encontro é possível que seja tratada a efetivação de Dario Durigan como ministro da Fazenda, após a saída de Fernando Haddad, que vem sendo programada para o mês de fevereiro. 

 

A saída de Haddad faz parte de um pacote de mudanças no primeiro escalão do governo em razão das eleições deste ano. A expectativa é de que Lula anuncie novas indicações na Esplanada à medida em que as decisões forem anunciadas até abril, prazo para desincompatibilização para disputa eleitoral. Além de Durigan, o presidente tem sido aconselhado a indicar o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, para a vaga de número 2 da Fazenda.

 

Além da agenda desta segunda, o único compromisso oficial de Lula confirmado até o momento para a semana é uma viagem para o Rio de Janeiro na próxima sexta (15) para o lançamento da medalha de 90 anos do salário mínimo. O Palácio do Planalto acompanha ainda a movimentação para a assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que deve ocorrer no dia 17, no Paraguai.

 

Há a expectativa também em Brasília para o encontro, na tarde desta segunda (12), entre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, com o presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), ministro Vital do Rêgo Filho. O encontro será na sede do Banco Central, em Brasília, e ocorre em meio à possibilidade de uma inspeção do TCU no BC para averiguar o processo que determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master.

 

De acordo com agenda oficial de Galípolo, a reunião funcionará para “tratar de assuntos institucionais”. Além de Vital do Rêgo, também representam o TCU no encontro a secretária-geral de Controle Externo, Juliana Pontes; o secretário-geral de Comunicação, Flávio Takashi Sato; e a auditora-chefe adjunta da Secretaria-Geral de Controle Externo, Maria Bethânia Lahoz.

 

Na economia, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga nesta terça (13) o desempenho do setor de serviços no mês de novembro. Na quinta (15) será a vez de o IBGE apresentar os resultados do setor de varejo também em novembro.

 

O Congresso Nacional segue em recesso até o início do mês de fevereiro. O início dos trabalhos do Legislativo em 2026 acontecerá no dia 2 de fevereiro.

 

Apesar da apresentação de requerimentos de membros da oposição com pedidos para que o recesso parlamentar seja interrompido, o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), não deu nenhuma indicação de que acatará essa demanda. Os oposicionistas querem que Alcolumbre agende uma sessão conjunta neste mês de janeiro para analisar o veto do presidente Lula ao projeto da dosimetria de penas para condenados pelos atos do 8 de janeiro e pela trama golpista.

 

O Supremo Tribunal Federal (STF) também segue em recesso até o final do mês de janeiro. A partir desta segunda (12), o presidente, Edson Fachin, entrará em recesso, e o vice-presidente, Alexandre de Moraes, passará a comandar o tribunal até 31 de janeiro. 

 

Nesse período, o STF funciona em regime de plantão para analisar casos urgentes, tanto novos quanto em processos que já estavam em andamento.  Além de Moraes, os ministros André Mendonça, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Flávio Dino também integram o plantão. 
 

Presidente do TCU nega que liquidação do banco Master será revertida e sai em defesa da atuação do relator
Foto: Divulgação TCU

Em entrevista nesta quarta-feira (7) para a CNN, o ministro Vital do Rego, presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), afirmou que cabe somento ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma eventual decisão sobre reversão da liquidação extrajudicial do Banco Master. O ministro salientou que o TCU não tem poder de modificar a decisão do Banco Central. 

 

“Esse processo de ‘desliquidação’ do Master não cabe ao TCU, cabe ao Supremo Tribunal Federal, porque há um processo em andamento naquela Corte”, disse o ministro.  

 

Vital do Rego reforçou que o papel institucional do TCU é técnico e se restringe a fornecer subsídios ao STF. 

 

“O que o TCU pode oferecer, como já vem oferecendo ao Supremo, são elementos para a apuração da legalidade da operação”, afirmou.

 

Desde o final do ano passado, o setor financeiro e outros segmentos da economia brasileira vêm criticando a atuação do TCU na avaliação da decisão do BC sobre o caso Master. As críticas se intensificaram após o relator do caso no TCU, ministro Jhonatan de Jesus, determinar a realização de uma inspeção no BC com o objetivo de apurar os procedimentos adotados na liquidação. 

 

Além de negar publicamente a intenção do Tribunal de reverter a liquidação, Vital do Rêgo enviou mensagens aos demais ministros da Corte afirmando que o TCU está sendo alvo de ataques. O ministro argumentou que o TCU vem atuando dentro de suas prerrogativas e pedindo união em defesa da Corte, além do apoio ao relator do caso do Banco Master, ministro Jhonatan de Jesus. 

 

Segundo o presidente do TCU, o aprofundamento da investigação foi autorizado pelo ministro relator com base em fundamentos legais. Vital lembra que os resultados da investigação ainda serão submetidos ao julgamento do plenário.
 

Caso Master: Investigações podem gerar consequências para o PT
Foto: Feijão Almeida / GOVBA

O avanço das investigações envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro passou a gerar apreensão nos bastidores do Partido dos Trabalhadores. O tema chegou ao conhecimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após um alerta feito por uma liderança influente da sigla na Bahia. As informação são da coluna  de Lauro Jardim, do jornal O Globo e do parceiro do Bahia Notícias, BP Money.

 

O tema, amplamente debatido pelo setor financeiro, pode gerar desgaste ao partido. A avaliação dentro dos correligionários é direta: se as apurações da Polícia Federal avançarem de forma mais profunda, ou se houver colaboração de investigados, os efeitos políticos podem ultrapassar o sistema financeiro e atingir diretamente o núcleo partidário no Estado.


O ponto de tensão gira em torno da investigação que apura irregularidades relacionadas ao Banco Master, instituição que entrou em processo de liquidação.

 

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Segundo fontes ouvidas pela coluna, integrantes do PT baiano avaliam que o caso tem potencial de gerar desgaste político caso novas informações venham a público.

 

Nos bastidores, a leitura é que o impacto não ficaria restrito ao setor financeiro. A possibilidade de conexões políticas amplia o alcance do episódio, elevando o nível de atenção dentro do partido e no Palácio do Planalto.


Um dos próximos passos do inquérito ocorre no dia 26, quando Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Banco Master, deve prestar depoimento à Polícia Federal. Investigadores consideram essa etapa relevante para esclarecer a dinâmica interna do banco e eventuais responsabilidades.

Mesmo após inspeção, liquidação do banco Master deve ser mantida pelo TCU
Foto: Ravena Rosa / Agência Brasil

Mesmo solicitando a inspeção em documentos no Banco Central, o ministro do TCU Jonathan de Jesus sinalizou que não deve suspender a liquidação do banco Master.

 

Segundo especialistas do mercado financeiro, a inspeção pode acabar dando munição ao dono da instituição, Daniel Vorcaro, para pedir indenização e descongelamento de seus bens na Justiça.

 

Para eles, Jonathan de Jesus indicou em seu despacho levar em contza que a liquidação pode ser irreversível, mas destacando a autonomia regulatória do BC no setor financeiro. Mesmo assim, o ministro determinou a análise dos documentos para se assegurar de todos os procedimentos adotados.

 

O Banco Central decidiu entrar com recurso para questionar a decisão monocrática do ministro Jonathan de Jesus de determinar a inspeção e foi apoiado pelo setor financeiro. Até a análise do recurso, os técnicos do tribunal não poderão acessar os documentos da liquidação dentro do Banco Central.

Banco Central contesta decisão do TCU de inspecionar o órgão após liquidação do Master
Foto: José Cruz / Agência Brasil

O Banco Central (BC) contestou a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de inspecionar o órgão para investigar a liquidação do Banco Master. A instituição entrou com recurso para contestar a decisão monocrática do ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso.


A inspeção foi autorizada pelo presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo e tem o objetivo de avaliar as provas que levaram à decisão de liquidar o Master. O recurso apresentado pelo BC argumenta que decisões desta natureza devem ser tomadas de forma coletiva, através das Câmaras do tribunal, e não de maneira individual. 


O Banco Central solicita que a proposta de inspeção seja submetida à Primeira Câmara do TCU. Dentre as decisões do órgão, estão julgamentos de contas, imputação de débitos e multas, análise de atos de admissão e aposentadoria, e fiscalização de obras e contratos.


Ontem (5), entidades do setor financeiro divulgaram uma carta em defesa da independência do Banco Central e afirmaram depositar plena confiança nas decisões técnicas da instituição monetária. Entre as organizações que assinaram o manifesto, estão a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).


A  Associação Nacional dos Auditores do Banco Central também se manifestou, e destacou que a ação cria um precedente que fragiliza os fundamentos da supervisão bancária e afeta a confiança na estabilidade do sistema financeiro.

Caso Master: Ministro do TCU pode exigir cautelar contra Banco Central e suspender liquidação
Foto: Agência Brasil

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus antecipou em despacho que pode solicitar medida cautelar exigindo que o Banco Central (BC) assegure a preservação do valor da massa liquidanda do Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. A informação foi obtida pela coluna de Tácio Lorran, do portal Metrópoles.

 

Em despacho proferido nesta segunda-feira (5), o ministro determinou a inspeção nos documentos do BC que embasaram a liquidação extrajudicial do banco Master, em 18 de novembro de 2025. Na decisão, o ministro afirma que  “não se mostra adequado antecipar juízo conclusivo acerca do preenchimento (ou não) dos pressupostos para eventual medida cautelar antes de iniciada a inspeção e de reunidos elementos primários suficientes”

 

A exigência acontece após o órgão monetário enviar, na última segunda-feira (29), os detalhes solicitados pelo próprio TCU a respeito da liquidação extrajudicial do Master. De acordo com o ministro, a nota técnica do Banco Central não veio acompanhada de provas documentais. O objetivo da determinação é proteger o patrimônio da instituição financeira antes da análise completa da situação.

 

A eventual medida teria caráter preventivo, seria proporcional e teria como objetivo preservar o valor da massa liquidanda e a efetividade do controle externo exercido pelo TCU. O documento ainda ressalta que o regime de liquidação extrajudicial envolve, por natureza, atos de difícil reversão, como alienação, oneração, transferência ou desmobilização de ativos relevantes. Para o ministro, a consumação desses atos pode reduzir a utilidade de uma eventual decisão final do Tribunal, caso sejam identificadas falhas no processo decisório ou no exame de alternativas. O ministro também destaca o "caráter de alerta" da situação e risco de atos irreversíveis.

 

“Isso, contudo, não elide o caráter de alerta: diante do risco de prática de atos potencialmente irreversíveis, não se descarta que venha a ser apreciada, em momento oportuno, providência cautelar dirigida ao Banco Central do Brasil, de natureza assecuratória e com contornos estritamente finalísticos e proporcionais, voltada à preservação do valor da massa liquidanda e da utilidade do controle externo, desde que amparada em elementos objetivos, com motivação expressa e ponderação específica quanto ao perigo na demora reverso”, escreveu Jhonatan de Jesus.

Bradesco lidera ranking de reclamações no Banco Central entre bancos privados
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Dados acompanhados pelo Banco Central indicam que o Bradesco liderou, com folga, o ranking de reclamações com indícios de irregularidades no período mais recente de 12 meses analisados, de outubro de 2024 a setembro de 2025.

 

Mesmo tendo a maior base de clientes entre os bancos privados, com cerca de 110,4 milhões de correntistas, a instituição acumulou 23,9 mil reclamações consideradas procedentes. O Itaú, que possui aproximadamente 100,2 milhões de clientes, apareceu na sequência, com 15,9 mil registros. Já o Santander, com uma carteira próxima de 70 milhões de clientes, contabilizou 8,9 mil queixas no mesmo intervalo.

 

Entre as instituições públicas, a Caixa Econômica Federal, que concentra a maior clientela do país, cerca de 157 milhões de usuários, somou 14,8 mil reclamações. O Banco do Brasil, por sua vez, com 80,8 milhões de clientes, registrou 6,9 mil ocorrências apontadas como procedentes pelo Banco Central. As informações são do Globo.

Rombo das estatais alcança recorde no terceiro mandato de Lula e Correios são o principal responsável pelo resultado
Foto: Reprodução/TV Globo

Desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as empresas estatais do país acumularam um déficit primário de R$ 20,5 bilhões. Esse é o maior déficit registrado nas estatais brasileiras para o período de três anos em toda a série histórica.

 

Os dados foram compilados pela CNN a partir de informações disponibilizadas pelo Banco Central. O levantamento do BC exclui as estatais financeiras, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômicos e Social), e a Petrobras.

 

Segundo a CNN, o resultado negativo das estatais teria começado ainda em 2023, primeiro ano deste mandato do presidente Lula. Naquele ano, as estatais do país realizaram um déficit de R$ 2,2 bilhões.

 

Já em 2024, o valor quase quadruplicou, chegando a R$ 8,07 bilhões. Neste ano de 2025, entre janeiro e novembro, o saldo negativo das estatais já soma R$ 10,3 bilhões.

 

Os Correios são a empresa responsável pelo maior déficit entre todas as estatais federais. Sozinha, a empresa postal registrou déficit de R$ 6 bilhões entre janeiro e setembro deste ano. Em 2024, o rombo foi de R$ 2,6 bilhões.

 

A empresa tem situação considerada “grave” pelo Ministério da Fazenda. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, descarta a privatização, mas avalia que será necessário um plano “consistente” para recuperar a estatal.

 

Para reduzir os déficits registrados desde 2022, os Correios divulgaram nesta segunda-feira (29) um plano de reestruturação da companhia com previsão de fechar 16% das agências da estatal, o que representa cerca de mil das 6 mil unidades próprias em todo o país.

 

A estatal espera economizar R$ 2,1 bilhões com o fechamento de unidades. Considerando outros pontos de atendimento realizados por parceria, são 10 mil unidades que prestam serviços para os Correios no Brasil. 

 

Como a empresa pública tem a obrigação de cobrir todo o território nacional, o presidente da estatal, Emmanoel Rondon, destacou que o fechamento dessas agências será realizado sem violar o princípio da universalização do serviço postal.

 

O plano dos Correios prevê ainda cortes de despesas da ordem de R$ 5 bilhões até 2028, com venda de imóveis e dois planos de demissão voluntária (PDVs) previstos para reduzir o número de funcionários em 15 mil até 2027. 
 

Toffoli marca acareação sobre o Banco Master com Vorcaro e diretor do BC para o dia 30
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli marcou para a próxima terça-feira (30), uma acareação entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BrB), Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. A informação foi divulgada pelo STF, nesta quarta-feira (24), véspera de Natal, através da assessoria de imprensa. 

 

A audiência pré-agendada para o penúltimo dia de 2025, vai ocorrer mesmo com o pleno recesso do Judiciário no país. O ministro determinou ainda a acareação sem pedido prévio dos investigadores da PF que são responsáveis pela apuração do caso, no âmbito do processo sigiloso sob sua relatoria no tribunal. No último dia 15, Toffoli estabeleceu a realização, no prazo de até 30 dias, de oitivas de investigados e de dirigentes do Banco Central para a retomada das investigações sobre o banco Master.

 

O anúncio da data chega após Toffoli ser o escolhido como relator no STF do caso do banco Master, que teve a liquidação extrajudicial determinada pelo BC, no último dia 18 de novembro.

 

Foi nesta época que a Polícia Federal deflagrou a operação por suspeita de fraude bilionária no banco, onde Vorcaro foi preso e Costa afastado do BrB. Vorcaro obteve um habeas corpus do Tribunal Regional Federal da 1ª Região em 28 de novembro.

BC identificou problemas no Banco Master e seguiu todo o procedimento legal, defende Galípolo no Senado
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O Banco Central seguiu todo o procedimento legal em relação à identificação de irregularidades envolvendo o Banco Master, e foi a instituição que identificou os problemas nas operações de venda de carteiras de crédito para o BRB. A afirmação foi feita pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, nesta terça-feira (25). 

 

“Agora, tem um processo de liquidação de um banco. O BC seguiu todo o procedimento legal, trabalhou desde o primeiro minuto. Eu agradeço o MPF, PF e a Justiça. Quem tem que identificar e quem identificou foi o BC”, disse Galípolo na audiência.

 

A liquidação do Banco Master foi anunciada pelo Banco Central na semana passada, após a prisão, no mesmo dia, pela Polícia Federal, do dono da instituição, Daniel Vorcaro. A liquidação aconteceu quase um mês após o BC ter vetado a oferta de compra de uma fatia do Master pelo BRB (Banco de Brasília), operação que estava em análise desde março.

 

“Quando você tem uma dúvida se pode constituir uma fraude, não é o BC que diz. Aí entra no campo criminal. O BC precisa informar (aos órgãos competentes). E a partir dessa informação, vai cumprir este processo legal”, afirmou o presidente do Banco Central.

 

Gabriel Galípolo defendeu a importância de o BC ter seguido todos os ritos legais em relação à situação do Banco Master, como forma de evitar prejuízos aos cofres públicos. O dirigente citou que decisões passadas podem ser questionadas na Justiça e virar um grande passivo para o erário público.

 

“E depois de 20, 30 anos, quando perde apelo de clamor popular, sobra a procuradoria do BC, o erário público e meia dúzia de CPFs. Quem está no setor público não pode fazer voluntarismo com o dinheiro alheio. Por isso é tão importante cumprir o gabarito da norma legal”, defendeu.

 

Galípolo também lembrou que o Banco Master tinha balanços auditados e classificação de rating. “Por isso que é tão importante que o BC conduza o processo como conduziu”, salientou o presidente do BC.

 

Ainda sobre o caso do Banco Master, Gabriel Galípolo afirmou que vê uma confusão no debate sobre quais são as atribuições da autarquia em casos que avançam para investigações criminais. Ele enfatizou que o Banco Central identifica se há irregularidades em uma operação e, a partir disso, sua obrigação legal é informar o Ministério Público, para que a entidade siga seu processo investigativo.

 

O presidente do BC citou como exemplo uma notícia veiculada durante a Operação Carbono Oculto, que destacou que ele viajou ao exterior para participar de uma conferência no dia da operação. 

 

“Revela uma expectativa de quem escreveu aquilo, de que o presidente do Banco Central estivesse com a metralhadora na mão, dando chute em uma porta para invadir uma instituição. Não é papel do Banco Central, o Banco Central não faz isso”, afirmou.
 

Brasileiros sacaram R$ 455 milhões esquecidos em bancos no mês de setembro
Foto: Marcelo Casal Jr. / Agência Brasil

Os correntistas brasileiros sacaram R$ 455,68 milhões em valores esquecidos no sistema financeiro no mês de setembro, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Banco Central (BC). No total, o Sistema de Valores a Receber (SVR) já devolveu R$ 12,22 bilhões a clientes bancários, mas ainda há R$ 9,73 bilhões disponíveis para saque.

 

Segundo informações da Agência Brasil, o SRV é um serviço do BC no qual o cidadão pode consultar se ele próprio, sua empresa ou pessoa falecida tem dinheiro esquecido em algum banco, consórcio ou outra instituição, como financeiras e corretoras. Para a consulta, basta informar o Cadastro de Pessoa Física (CPF) e data de nascimento do cidadão ou o Cadastro de Pessoa Jurídica (CNPJ) e a data de abertura da empresa, inclusive para empresas encerradas.

 

Caso o resultado seja positivo, é preciso acessar o sistema para verificar quanto de dinheiro há a receber, a origem desse valor, a instituição que deve fazer a devolução e seus dados de contato e outras informações adicionais. Para isso, há a necessidade de login com a conta Gov.br, nos níveis prata ou ouro e com verificação em duas etapas habilitada.


O dinheiro pode ser resgatado de três formas: a primeira é entrar em contato diretamente com a instituição responsável pelo valor e solicitar o recebimento; a segunda é fazer a solicitação pelo próprio Sistema de Valores a Receber.

 

 A terceira é a solicitação automática de resgate de valores. Com ela, o cidadão não precisará consultar o sistema periodicamente nem registrar manualmente a solicitação de cada valor que existe em seu nome. Caso seja disponibilizado algum recurso por instituições financeiras, o crédito será feito diretamente na conta do cidadão. A solicitação automática de resgate é exclusiva para pessoas físicas e está disponível apenas para quem possui chave Pix do tipo CPF. A adesão ao serviço é facultativa.

 

BENEFICIÁRIOS:
As origens dos valores esquecidos são:

  • Contas-correntes ou poupanças encerradas
  • Cotas de capital e rateio de sobras líquidas de ex-participantes de cooperativas de crédito
  • Recursos não procurados de grupos de consórcio encerrados
  • Tarifas cobradas indevidamente
  • Parcelas ou despesas de operações de crédito cobradas indevidamente
  • Contas de pagamento pré ou pós-paga encerradas
  • Contas de registro mantidas por corretoras e distribuidoras encerradas
  • Outros recursos disponíveis nas instituições para devolução


As estatísticas do SVR são divulgadas pelo BC com dois meses de defasagem, com a atualização de novas fontes de valores esquecidos no sistema financeiro.

 

Em relação ao número de beneficiários, até o fim de setembro, 34.286.689 correntistas haviam resgatado valores, sendo 30.926.111 pessoas físicas e 3.360.578 pessoas jurídicas. Por outro lado, 53.374.323 beneficiários ainda não sacaram seus recursos. Destes, 48.639.667 são pessoas físicas e 4.734.656 pessoas jurídicas.

 

A maior parte das pessoas e empresas têm direito a pequenas quantias. Os valores a receber de até R$ 10 concentram 64,63% dos beneficiários. Os valores entre R$ 10,01 e R$ 100 correspondem a 23,84% dos correntistas. As quantias entre R$ 100,01 e R$ 1 mil representam 9,72% dos clientes. Só 1,81% tem direito a receber mais de R$ 1 mil.

Lula lança programa para reformas em moradias, critica taxa Selic e diz que BC vai ter que "abaixar os juros"
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

No seu pronunciamento durante o lançamento do programa “Reforma Casa Brasil”, que oferece crédito facilitado para reformas em moradias de famílias com renda até R$ 9.600, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou do Banco Central a redução da taxa básica de juros, a Selic, que atualmente está em 15% ao ano. Lula vinha poupando o presidente do BC, Gabriel Galípolo, de críticas públicas por manter os juros no maior patamar desde maio de 2006. 

 

Durante sua fala no Palácio do Planalto, nesta segunda-feira (20), o presidente Lula disse que o Banco Central precisa começar a “abaixar os juros” para permitir a expansão da economia e do crédito. 

 

“Eu quero que os empresários todos ganhem muito dinheiro, que as suas empresas possam crescer, produzir, gerar emprego. Quero que a indústria automobilística venda quantos carros necessitar, quero que banqueiros ganhem dinheiro, mas não precisa extorquir o povo”, disse o presidente.

 

Ainda no seu comentário, o presidente Lula fez referência ao que foi “herdado” da gestão passada do governo Jair Bolsonaro. No caso, a crítica se refere ao presidente anterior do BC, Roberto Campos Neto, que, segundo Lula, teria elevado os juros para prejudicar o seu governo.

 

“Ganhe dinheiro de forma tranquila, emprestando a juros razoáveis. O Banco Central vai precisar começar a abaixar os juros, porque todo mundo sabe o que nós herdamos e sabe que estamos preparando esse país para ter uma política monetária mais séria”, afirmou.

 

Recentemente, o presidente Lula teria dado aval a integrantes da Esplanada dos Ministérios a cobrar pela redução da taxa de juros. Essa cobrança foi feita recentemente pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que em entrevista a um programa de rádio do governo comentou que a taxa básica de juros da economia estaria “excessivamente restritiva”. 

 

Quem também criticou as taxas de juros após a liberação dada por Lula foi a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT). Na semana passada, Gleisi criticou a manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano, lembrou que o Banco Central é autônomo, mas reforçou que acha que a decisão é errada. Gleisi afirmou também que quem começou a alta dos juros foi Roberto Campos Neto, mas destacou que Gabriel Galípolo manteve "a escalada".

 

O presidente Lula lançou nesta segunda o programa que vai oferecer R$ 40 bilhões em crédito para reformas e melhorias de casas em todo país. Essa é uma das apostas do governo para melhorar os índices de aprovação de Lula e para a eleição de 2026.

 

Batizada de “Programa Reforma Casa Brasil”, a medida visa atender famílias que já possuem imóvel, mas enfrentam “problemas estruturais ou de adequação”. Segundo o governo, os recursos seriam para ajudar famílias cujas casas enfrentam problemas como telhados danificados, pisos comprometidos, instalações elétricas e hidráulicas precárias, falta de acessibilidade ou necessidade de ampliação.
 

BC endurece regras e coloca limitação de transferências Pix visando atingir crime organizado
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

Após operações policiais contra a lavagem de dinheiro do crime organizado por meio de fintechs, o Banco Central (BC) decidiu implementar a partir desta sexta-feira (5) medidas para proteger o Sistema Financeiro Nacional (SFN), como a limitação em R$ 15 mil para transferências via Pix e TED feitas por alguns tipos instituições. 

 

A limitação entra em vigor de imediato e atinge instituições de pagamento não autorizadas pelo BC e as empresas que se conectam à Rede do Sistema Financeiro Nacional via Prestadores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI). 

 

Tais empresas funcionam de forma provisória, enquanto aguardam a autorização. A partir de agora, contudo, novas empresas que queiram entrar nesse mercado não poderão operar antes que obtenham autorização do BC. Além disso, foi antecipado, de dezembro de 2029 para maio do ano que vem, o prazo para que as instituições de pagamento solicitem autorização para funcionamento. 

 

De acordo com o BC, há 75 instituições de pagamentos que ainda não fizeram o pedido de autorização, enquanto outras 40 empresas deram entrada no processo e aguardam autorização para operar. “Nenhuma instituição de pagamento poderá começar a operar sem prévia autorização”, alertou o BC. 

 

Conforme publicação da Agência Brasil, em caso de ter a autorização negada, a instituição de pagamento deverá encerrar suas atividades em 30 dias. “O BC poderá requerer certificação técnica ou avaliação emitida por empresa qualificada independente que ateste o cumprimento dos requisitos autorizativos”, explicou o órgão. 

 

O BC decidiu ainda excluir o acesso de cooperativas, que não podem mais figurar como responsáveis pelo Pix de instituições de pagamento. Elas terão 120 dias para adequar seus contratos. 

 

Por último, o BC decidiu impor um capital social mínimo de R$ 15 milhões para que Prestadores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI) possam obter permissão para acessar a Rede do Sistema Financeiro Nacional, por meio da qual são realizadas transações bancárias. 

"MP do tarifaço" garante alívio para exportadores brasileiros, avalia presidente da CNI
Foto: Edu Mota, de Brasília / Bahia Notícias

O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Albán, garantiu, nesta quarta-feira (13), que a medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consegue dar um "respiro" aos exportadores brasileiros que acabarem impactados com as medidas do tarifaço. Entretanto, segundo ele, esse decreto não pode ser a única ação para evitar um possível impacto na economia brasileira

 

"O respiro, mas nós precisamos, não é só respirar, nós precisamos caminhar. O ministro da Fazenda, Haddad, falou que, se as medidas não forem suficientes, não atingirem o espectro das empresas que foram atingidas na totalidade, novas medidas poderão surgir. E que a gente tem que fazer o acompanhamento mesmo dessas medidas para que elas cheguem na medida certa, no tamanho certo e nas demandas certas", declarou ele. 

 

Alban também fez criticas à participação do Banco Central em relação ao auxílio para lidar com as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

 

"Não justifica nós termos 10% de spread dentro da faixa Selic, não justifica. Não existe nenhuma racionalidade econômica, mesmo com a política fiscal não ajudando até então e um spread inadmissível, não temos outras políticas monetárias, outras ferramentas que poderiam ser usadas em administrar os juros e nos preocupa. Hoje saiu o índice que mostrou o crescimento das vendas do comércio de varejo. E se nós mostrarmos o varejo amplo, nós tivemos uma caixa de 2,5%", criticou ele.

Investimentos de brasileiros no exterior soma US$ 654,5 bilhões em 2024
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

A somatória dos investimentos de brasileiros fora do país somou US$ 654,5 bilhões em 2024. A informação foi divulgada pelo Banco Central (BC), em Brasília, nesta sexta-feira (25), com dados da organização Capitais Brasileiros no Exterior (CBE).

 

Segundo a Agência Brasil, a declaração anual é obrigatória para pessoas físicas e jurídicas residentes no Brasil, com valores, bens, direitos e ativos de qualquer natureza no exterior em valor igual ou superior a US$ 1 milhão. As informações são para fins estatísticos, para compilação de dados sobre o ativo externo da economia brasileira e a posição do investimento internacional do país.

 

No total, 29.068 brasileiros declararam ter esses ativos, na data-base de 31 de dezembro de 2024, sendo que a maioria desses, cerca de 25.208, são pessoas físicas que possuem US$ 245,4 milhões no exterior. Outros 3.860 são empresas com US$ 409,1 milhões em ativos fora do Brasil.

 

Os investimentos diretos no setor produtivo somam a maior parte dos ativos - US$ 503,9 bilhões - seguido por outros investimentos, como créditos comerciais, empréstimos e moedas (US$ 86,5 bilhões) e investimentos em carteira como ações e títulos de renda fixa (US$ 62,8 bilhões).

 

O levantamento indica que a maior parte dos investimentos está em países europeus ou ilhas caribenhas, como Países Baixos (US$ 95 bilhões), Ilhas Virgens Britânicas (US$ 83,3 bilhões), Ilhas Cayman (US$ 73,2 bilhões), Bahamas (US$ 58,1 bilhões), Luxemburgo (US$ 35,1 bilhões) 

 

Além da declaração anual de CBE, há também a declaração trimestral para brasileiros com ativos acima de US$ 100 milhões. As informações são para fins estatísticos, para compilação de dados sobre o ativo externo da economia brasileira e a posição do investimento internacional do país. As informações são da Agência Brasil.

Brasileiros sacaram R$ 315 milhões em valores a receber em maio
Foto: Marcelo Casal Jr. / Agência Brasil

Os brasileiros sacaram mais de R$ 315 milhões em valores esquecidos no sistema financeiro no mês de maio. A informação foi divulgada nesta terça-feira (8) pelo Banco Central (BC). No total, o Sistema de Valores a Receber (SVR) devolveu R$ 10,7 bilhões aos clientes bancários, mas ainda há R$ 10,1 bilhões disponíveis para saque. As informações são da Agência Brasil. 

 

O SVR é um serviço gratuito do BC no qual o cidadão pode consultar se ele próprio, sua empresa ou pessoa falecida tem dinheiro esquecido em algum banco, consórcio ou outra instituição. Caso o resultado seja positivo, é possível solicitar a devolução.

 

Para a consulta, basta informar o CPF e data de nascimento do cidadão ou o CNPJ e a data de abertura da empresa, inclusive para empresas encerradas. Já para o resgate dos valores, há a necessidade da conta Gov.Br, nos níveis prata ou ouro e com verificação em duas etapas habilitadas.

 

O dinheiro pode ser resgatado de duas formas: a primeira é entrar diretamente em contato com a instituição responsável pelo valor e solicitar o recebimento; a segunda é fazer a solicitação pelo Sistema de Valores a Receber.

 

Para ter acesso a recursos de pessoas falecidas, é preciso ser herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal. Nesse caso e no caso de empresas encerradas, o representante pode entrar no SVR com a conta pessoal Gov.br e assinar um termo de responsabilidade para resgatar os valores.

 

Recursos que podem ser recuperados pelo Sistema de Valores a Receber (SVR):

 

  • Valores disponíveis em contas-correntes ou poupanças encerradas;
  • cotas de capital e rateio de sobras líquidas de ex-participantes de cooperativas de crédito;
  • recursos não procurados de grupos de consórcio encerrados;
  • tarifas cobradas indevidamente;
  • parcelas ou despesas de operações de crédito cobradas indevidamente;
  • contas de pagamento pré ou pós-paga encerradas;
  • contas de registro mantidas por corretoras e distribuidoras encerradas;
  • e outros recursos disponíveis nas instituições para devolução.
Copom eleva Selic para 15% ao ano e taxa alcança maior patamar em 20 anos; economista critica “dose excessiva” e alerta
Foto: Edu Mota / Bahia Notícias

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (18), elevar a taxa Selic de 14,75% para 15% ao ano, dando continuidade ao ciclo de alta iniciado em 2024. A medida, segundo o BC, reflete preocupações com a inflação persistente e incertezas no cenário fiscal e internacional, mantendo o Brasil com uma das maiores taxas de juros do mundo. A decisão tomada na reunião com a participação dos diretores do BC, incluindo o presidente da instituição, Gabriel Galípolo.

 

Com a elevação, a taxa atinge o maior patamar desde julho de 2006, quando os juros chegaram a 15,25% ao ano, ainda no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

No comunicado divulgado após a reunião, o Banco Central informou que planeja pausar o aumento das taxas de juros para avaliar os efeitos dos ajustes já implementados

 

Apesar da justificativa do Banco Central, a decisão foi criticada por economistas e representantes do setor produtivo, que apontam prejuízos à atividade econômica. Para a economista Ana Georgina Dias, supervisora técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) na Bahia, a política de juros altos tem sido aplicada como uma espécie de “remédio em dose excessiva”.

 

“A taxa de juros elevada até pode ajudar a controlar a inflação, mas quando essa inflação não é impulsionada pela demanda, o efeito acaba sendo um travamento da economia. É como exagerar na dose de um remédio e comprometer a recuperação do paciente”, avaliou.

 

Segundo a economista, o patamar atual da Selic encarece o crédito, freia o consumo das famílias e desestimula investimentos em produção e geração de empregos.

 

“Empresários deixam de investir, adiaram contratações ou reduzem atividades, enquanto a população sente no bolso com parcelas mais caras e acesso mais restrito ao crédito. Isso tudo aprofunda as desigualdades e prejudica o crescimento”, pontuou.

 

Ana Georgina também criticou o que chama de “preferência estrutural” do Banco Central pelos interesses do mercado financeiro, em detrimento da economia real.

 

“Quando a taxa de juros permanece elevada por tanto tempo, ela serve mais ao rentismo do que ao desenvolvimento. Os pequenos empreendedores, a indústria e os trabalhadores acabam sendo penalizados por uma política que concentra renda e paralisa a economia”, concluiu.

Copom aumenta Selic para 14,75% ao ano e taxa de juros alcança maior patamar em 20 anos
Foto: Edu Mota / Bahia Notícias

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou nesta quarta-feira (7) a taxa básica de juros de 14,25% para 14,75% ao ano. O aumento de 0,5 ponto percentual foi aprovado por unanimidade entre os diretores do BC, incluindo o presidente da instituição, Gabriel Galípolo.

 

Com a decisão, a Selic atinge o maior nível desde julho de 2006, quando os juros chegaram a 15,25% ao ano, ainda no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

No comunicado divulgado após a reunião, o Copom atribuiu a decisão ao cenário de incerteza no ambiente externo, com destaque para a política econômica dos Estados Unidos e seus reflexos no comércio global. A guerra tarifária iniciada pelo então presidente Donald Trump foi apontada como um fator que eleva o risco inflacionário no Brasil.

 

“A política comercial alimenta incertezas sobre a economia global, notadamente acerca da magnitude da desaceleração econômica e sobre o efeito heterogêneo no cenário inflacionário entre os países, com repercussões relevantes sobre a condução da política monetária”, justificou o Copom.

 

O comitê também sinalizou que a próxima reunião deverá ser marcada por cautela, diante do avanço do ciclo de alta de juros e dos efeitos ainda não completamente sentidos na economia.

 

“O cenário de elevada incerteza, aliado ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos acumulados ainda por serem observados, demanda cautela adicional na atuação da política monetária e flexibilidade para incorporar os dados que impactem a dinâmica de inflação.”

Negociações entre Daniel Vorcaro e Joesley Batista envolvem precatórios, imóveis e até jatos privados
Foto: Divulgação | Marcelo Camargo/Agência Brasil

As negociações entre Daniel Vorcaro e Joesley Batista, acompanhadas de perto pelo Banco Central (BC), envolvem a venda de uma parte dos precatórios do Banco Master, participações em empresas e bens pessoais de Vorcaro. Entre os itens negociados estão imóveis de luxo, como o apartamento de R$ 60 milhões de Vorcaro no Itaim, em São Paulo, e sua participação na mineradora Itaminas, um de seus maiores ativos.

 

De acordo com O Globo, um dos pontos mais notáveis do negócio é a minifrota particular de jatos de Vorcaro. No entanto, apenas um avião, um Gulfstream G700 com autonomia para voar sem escalas de São Paulo a Dubai, entrará na negociação. Este jato não é totalmente de Vorcaro, mas sim parte da PrimeYou, empresa de compartilhamento de jatos e imóveis, na qual ele possui cotas. Também estão incluídos no negócio uma mansão em Trancoso (BA), avaliada em R$ 280 milhões, e uma lancha utilizada por Vorcaro, ambas pertencentes à PrimeYou.

 

Para garantir o sigilo da transação, o acordo entre os dois empresários foi codificado como "Projeto Vesúvio" nos documentos e minutas que circulavam entre um número restrito de pessoas.

No Senado, Galípolo diz que Brasil pode se beneficiar com guerra tarifária e que não há "bala de prata" para reduzir juros
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse acreditar que o Brasil pode vir a se destacar no cenário internacional caso haja uma escalada da guerra tarifária entre China e Estados Unidos. Galípolo deu a declaração nesta terça-feira (22), durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. 

 

Para Galípolo, a diversificação da pauta comercial brasileira e a força do mercado interno são fatores de forte atração para investidores internacionais.

 

“A diversificação que o Brasil possui em sua pauta comercial, somada a um mercado doméstico relevante, passou a apresentar o país como um local de proteção. Na comparação com seus pares, o Brasil pode se destacar justamente por essa diversidade”, disse o presidente do BC.

 

A audiência pública desta terça foi convocada pelo presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Na sua fala, Galípolo disse que a guerra comercial atual pode provocar uma desaceleração econômica global mais intensa do que a prevista inicialmente, com efeito sobre os preços de mercado no Brasil e no mundo. 

 

“O que estamos vendo agora é um movimento que pode caminhar para um cenário de aversão ao risco. Se essa guerra tarifária escalar, podemos ter uma desaceleração mais abrupta e mais forte da economia global”, alertou Galípolo.

 

Sobre a inflação, que se mostra em viés de alta desde o ano passado, o presidente do BC disse que há incômodo dentro do Comitê de Política Monetária (Copom) pelo fato de a inflação estar acima da meta estipulada. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou 2024 em 4,83%, acima da meta de 3% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

 

“Obviamente, estamos todos no BC incomodados por não estarmos cumprindo a meta”, revelou o dirigente. 

 

Ele salientou que, em relação às altas taxas de juros, sempre é questionado no exterior como é possível o país mostrar um dinamismo tão grande na economia mesmo com a Selic em patamares elevados. “Talvez existam alguns canais entupidos na política monetária, que acabam exigindo doses mais elevadas do remédio, ou seja, juros mais altos, para se obter o mesmo efeito”, afirmou.

 

Nesse processo de aumento da taxa de juros, Galípolo brincou dizendo que ao Banco Central sobra o papel de ser o “chato da festa” para tentar derrubar a taxa básica de juros.

 

"Quando a festa está ficando muito aquecida e o pessoal está subindo em cima da mesa, tira a bebida da festa. Mas também quando o pessoal está querendo ir embora, você fala: ‘Fica, está chegando mais bebida, fiquem tranquilos, vai ter música, podem continuar na festa’. Então você tem esse papel meio chato de ser o cara que está sempre na contramão", disse Galípolo.

 

Para o presidente do BC, a solução para o recuo na taxa de juros passa por reformas estruturais de longo prazo, muitas delas fora da alçada do Banco Central.

 

“Não vamos ter uma bala de prata. Vai ser preciso bastante debate com a sociedade”, colocou.

 

Ainda sobre os desafios estruturais para o funcionamento da política monetária no país, Gabriel Galípolo reforçou que um dos pilares da agenda do Banco Central é a normalização da política monetária, que ainda enfrenta entraves.

 

“Existe um debate fora do Brasil sobre como a economia brasileira segue dinâmica mesmo com uma taxa de juros restritiva. Isso sugere para nós que os mecanismos da política monetária no país talvez não tenham a mesma fluidez que em outras economias”, explicou.
 

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
Do jeito que as coisas vão, não sei se o Soberano chega inteiro em outubro. Mas não foi o único que levou bola nas costas também. Tiveram que recorrer até ao passado pra lembrar da conexão entre o Pernambucano e o Capitão, por exemplo. Enquanto isso, o passado deixa outros tristes. Não é, Ferragamo? Mas o futuro também tira o sono de alguns. Alice no País das Maravilhas, por exemplo, já tem seu plano B. Saiba mais!

Pérolas do Dia

André Viana

André Viana
Foto: Antena 1 Salvador

"Quando você tem o monitoramento nos parlatórios, onde não é possível efetuar essa difusão de tratativas, determinações por parte da liderança para o mundo aqui fora, você traz o isolamento para o crime e nos ajuda por demais no enfrentamento à criminalidade". 


Disse o delegado-geral da Polícia Civil da Bahia (PC-BA), André Viana ao defender a ampliação do monitoramento nos parlatórios dos presídios de segurança máxima do estado. Em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, nesta sexta-feira (18), o delegado afirmou que a medida ajudaria a bloquear a comunicação entre detentos e integrantes de organizações criminosas do lado de fora das unidades prisionais.

Podcast

Vota BN: Projeto Prisma entrevista o candidato ao governo da Bahia Ronaldo Mansur (PSOL) nesta segunda

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A sabatina faz parte da série especial "Vota BN", dedicada a sabatinar as principais lideranças políticas na disputa pelo Executivo estadual e pelo Senado nas eleições de 2026. O programa é transmitido ao vivo a partir das 16h no YouTube do Bahia Notícias.

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