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Sem citar “Dark Horse” ou nomes de políticos, Vorcaro diz que proposta de delação se resume a pessoas do “atual governo”

Por Redação

Foto: Reprodução/SAP

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em depoimento prestado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a delação premiada que pretendia fazer tinha como objetivo denunciar pessoas ligadas ao “núcleo do atual governo”. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de São Paulo e g1 nesta quinta-feira (3). 

 

"Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo. E aí, nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar", disse.

 

Ainda em depoimento, o banqueiro não citou a possibilidade de contar sobre sua relação com demais autoridades políticas ou sobre a participação no financiamento da cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “Dark Horse”.

 

Segundo o gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo envolvendo o caso Master no STF, o depoimento foi prestado a um juiz auxiliar que acompanha o caso, após um pedido dos advogados do ex-dono do Banco Master.

 

"O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar", diz o gabinete do ministro.

 

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras. A PF estima que o esquema teria desviado ao menos R$ 12 bilhões no BRB, mais de R$ 40 bilhões no FGC e outras centenas de milhões em fundos de previdência de estados e municípios.

 

Nesta quarta-feira (2), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu o arquivamento de denúncias feitas por Daniel Vorcaro durante o depoimento e afirmou que o banqueiro não apresentou provas durante o depoimento.

 

"[...] constata-se que o declarante não noticiou fato concreto ou juridicamente delimitado capaz de impulsionar providências investigativas próprias, tampouco conferiu o mínimo elemento de verossimilhança às assertivas ali formuladas", diz a PGR.

 

Sem apresentar provas, Vorcaro fez leituras pessoais e desconectadas do devido processo legal até mesmo de sua prisão. No depoimento, Vorcaro ainda afirmou que teria desistido de seguir com a delação por se sentir ameaçado pelo que ele chamou de "pessoas do poder", que, segundo ele, o querem ver preso.