Trump amplia cota isenta de tarifa para importação de carne moída nos EUA; medida beneficia frigoríficos brasileiros
Por Redação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (21) que permitirá a importação de até 300 mil toneladas de carne destinada à produção de carne moída dentro de uma cota isenta de tarifas alfandegárias. A medida, válida por 90 dias, visa conter a alta dos preços ao consumidor americano no período que antecede as eleições de meio de mandato, programadas para novembro.
Apesar de a Casa Branca não ter detalhado a origem exata dos embarques, o Brasil figura atualmente como o segundo maior fornecedor de carne bovina para o mercado norte-americano. A decisão do governo americano impulsionou o valor das ações dos principais frigoríficos brasileiros na Bolsa de Valores.
“Hoje, concluí um acordo para reduzir substancialmente o preço da carne moída para as famílias trabalhadoras americanas”, alega Trump em suas redes sociais. O mandatário assegurou ainda que o produto será comercializado a um valor 25% inferior ao praticado no mercado atual.
REBANHO DOS EUA
A cota autorizada equivale a cerca de 2% do consumo doméstico anual de carne bovina nos EUA, estimado em aproximadamente 13 milhões de toneladas. A intervenção busca combater a disparada de preços provocada por uma severa escassez de gado no país, decorrente do aumento nos custos de produção e de secas em áreas de pastagem.
Segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os principais fornecedores de carne bovina para o mercado americano no primeiro semestre de 2026 foram:
- Austrália: 250 mil toneladas
- Brasil: 234 mil toneladas
- Canadá: 178 mil toneladas
- México: 156 mil toneladas
- Nova Zelândia: 126 mil toneladas
- Uruguai: 68 mil toneladas
- Nicarágua: 46 mil toneladas
- Argentina: 46 mil toneladas
- Paraguai: 43 mil toneladas
A carne importada, de corte tipicamente mais magro, é combinada à matéria-prima de maior teor de gordura produzida nos EUA para atingir a composição ideal da carne moída. Adicionalmente, o país prepara a retomada da importação de gado vivo do México, suspensa por mais de um ano em razão de um surto de parasitas
