Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Notícia
/
Política

Notícia

Temer defende legado administrativo, alerta para crise fiscal e prega pacificação em exibição de documentário

Por Victor Hernandes / Daniel Araújo

Foto: Bahia Notícias

Durante o evento de exibição especial do documentário “963 Dias - A história de um presidente que recolocou o Brasil nos trilhos”, na capital baiana, o ex-presidente Michel Temer avaliou o legado de sua gestão, relembrou polêmicas e analisou o atual cenário político e econômico brasileiro, utilizando a ocasião para defender o debate de ideias em detrimento dos ataques pessoais.

 

Avaliando seus dois anos e meio de mandato, Temer afirmou que um dos principais méritos de seu governo foi devolver "uma certa tranquilidade no país", apesar de enfrentar "uma oposição muito acentuada". Destacou o avanço de reformas fundamentais que permitiram "reduzir a inflação, reduzir os juros e recuperar o produto interno bruto, assim como recuperar as estatais".

 

O ex-presidente frisou que a obra audiovisual "não é chapa branca" e que "não era para me elogiar, mas apenas para contar os fatos". Ele pontuou, contudo, que o documentário acabou deixando de fora medidas importantes iniciadas em sua gestão, como a primeira medida de saneamento e o Pix, que "foi gestado com Ilan [Goldfajn] no Banco Central" e aplicado posteriormente.

 

POLÊMICA MINISTÉRIO DA CULTURA

Questionado sobre a extinção temporária do Ministério da Cultura em seu governo, Temer explicou o contexto da decisão: "O que nós pensávamos era reduzir o número de ministérios. Eram quase 40 ministérios, nós reduzimos na época a 23".

 

A ideia original era fundir a pasta à Educação, mas o ex-mandatário admitiu o erro estratégico. "Eu verifiquei logo em seguida, pela reação de artistas e de toda a área da cultura, que não foi uma boa medida administrativa", declarou. "Logo em seguida eu recuperei o Ministério da Cultura, até porque eu sou sempre fui um cultor da arte, um cultor do livro, um cultor da música."

 

ALERTA FISCAL E FUTURO POLÍTICO

Temer demonstrou grande preocupação com o controle de gastos públicos. Criticando a flexibilização do teto de gastos que ele mesmo havia instituído, deixou um alerta incisivo para o próximo gestor do país: "Quem assumir, seja o eleito ou reeleito, vai ter que fazer um ajustamento fiscal pesadíssimo. Vai pegar com essas tais bondades eleitorais todas que se verificaram ao longo do período". Segundo ele, a falta de um teto rígido resultará em "um problema seríssimo no próximo governo".

 

Sobre a polarização nas próximas eleições presidenciais, ele avaliou que existe hoje uma "radicalização já muito corporificada, muito estratificada", mas lembrou que "eleição é uma coisa sempre muito surpreendente" devido ao "chamado imponderável". Temer argumentou que o documentário sobre sua gestão serve para inspirar "uma certa tranquilização do país, uma certa pacificação", reforçando a "ideia de que o debate é entre programas, projetos, temas, e não debates pessoais".

 

FORÇA NAS PREFEITURAS 

Analisando o tamanho do MDB no cenário atual, o ex-presidente admitiu que o partido "diminuiu um pouco no Congresso Nacional", mas destacou a sua sustentação nas bases: "É o segundo maior partido na questão dos prefeitos [...] tem uma capilaridade muito grande no país".

 

Evitando opinar sobre o cenário estadual baiano ("não posso dar palpite aqui no estado"), Temer fez questão de enaltecer sua relação com ACM Neto, chamando-o de "um grande parceiro" de longa data: "Sempre me auxiliou muitíssimo naquele período, tenho muito apreço por ele". Por fim, questionado sobre sua relação atual com a ex-presidente Dilma Rousseff e o ex-deputado Eduardo Cunha, foi categórico: "Eu não tive mais contato com eles [...] desde que saí da vida pública".