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Bruno Barreto revela bastidores de documentário sobre Michel Temer e explica escolha por filme sem narrador

Por Nathalí Brasileiro/ Julia Estrela/ Melissa Carlos

Foto: André Carvalho/BN Hall

O diretor Bruno Barreto revelou detalhes da produção de “963 Dias — A história de um presidente que recolocou o Brasil nos trilhos”, documentário sobre os 963 dias de Michel Temer à frente da Presidência da República. O cineasta esteve em Salvador nesta sexta-feira (14) para a sessão especial do filme, realizada no Shopping da Bahia, e conversou com a imprensa sobre o projeto.

 

Uma das escolhas de Barreto foi deixar a obra sem narrador. O diretor explicou que a decisão buscou permitir que os próprios entrevistados conduzissem a narrativa, sem que uma voz externa apresentasse um único ponto de vista sobre os acontecimentos retratados. “Não tem narrador, ao contrário da maioria. Esse não tem, porque o narrador sempre dá um partido, dá um ponto de vista. Eu queria que as entrevistas falassem por si só”, explicou.

 

A construção do filme levou cerca de dois anos de entrevistas. Barreto trabalhou ao lado de Elsinho Mouco e Maurício Magalhães para reunir depoimentos de diferentes pessoas que acompanharam ou analisaram o governo Temer, entre 2016 e 2019.

 

A proposta, segundo o diretor, surgiu do desejo de estimular uma análise sobre o período e sobre as transformações políticas ocorridas no país a partir daquele momento. Barreto considera o governo Temer um período marcado pela busca do consenso e questiona as razões pelas quais a gestão recebeu oposição de diferentes setores políticos.

 

“Eu queria fazer um convite à reflexão sobre o último governo que buscou o consenso. A Nova República se encerra com o governo Temer (…) Eu fiquei intrigado. Por que esse governo que estava arrumando a casa foi implodido tanto pela direita quanto pela esquerda?”, questionou.

 


Foto: André Carvalho/BN Hall

 

Para o cineasta, os depoimentos reunidos no documentário permitem que diferentes perspectivas sejam apresentadas sem que a produção determine uma interpretação única. A proposta também se relaciona, segundo ele, ao atual momento político brasileiro.

 

“Eles refletem sobre o que está acontecendo. Eu acho que o que mais precisamos, sobretudo agora, nessa época de eleição, é refletir. Precisamos votar com a cabeça e não com o fígado”, defendeu.

 

A sessão especial em Salvador foi promovida pela Associação Comercial da Bahia (ACB) em parceria com o BN Hall, coluna social do Bahia Notícias, e integrou a agenda comemorativa pelos 215 anos da instituição. 

 

Com 50 anos de carreira, Bruno Barreto acumula 20 filmes dirigidos, entre eles “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1978) e “O Que É Isso, Companheiro?”, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1998.

 

“963 Dias” tem estreia oficial prevista para setembro, em dez capitais brasileiras, ainda não divulgadas. O documentário também deve chegar às plataformas de streaming no segundo semestre deste ano.

 

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