Mulher denuncia israelense por assédio sexual e acusações de xenofobia na Barra
Por Eduarda Moitinho
Uma denúncia de assédio sexual foi realizada pela jornalista Carolina Carvalho, de 33 anos, no início da tarde desta sexta-feira (6), na Barra, em Salvador. Segundo a vítima, que compartilhou o em vídeo no Instagram, dois homens, um israelense e outro de nacionalidade desconhecida, a abordaram de forma invasiva e, posteriormente, proferiram xingamentos sobre sua pessoa.
Na gravação, ela relata que estava retornando do Hospital Português, localizado na Avenida Princesa Isabel, quando um dos homens atravessou a rua para falar com ela, que respondeu em inglês. A partir do contato, ele passou a ter um comportamento invasivo, segundo relato.
“Eu respondi porque poderia ser, né, um turista procurando alguma informação, respondi ‘Hi’. E ele já veio de uma forma super invasiva se aproximando muito de mim, colocando o corpo e falando: ‘Você é muito linda, onde você mora?’. Eu não dei muita ousadia e continuei andando, e ele continuou fazendo esse tipo de pergunta: que eu era muito linda, onde eu morava…”, conta.
A situação ficou mais grave quando Carolina retribuiu a pergunta e quis saber de onde ele era. Ao receber a resposta “Israel” a publicitária diz ter virado o corpo para seguir andando em direção a sua casa, “como eu faria com qualquer pessoa que estivesse me importunando sexualmente”, disse.
A partir da ação, os homens a acusaram de ser racista, xenofóbica e até mesmo antissemita.
As acusações vieram acompanhadas de xingamentos em inglês, por parte do israelense, e em português, ditas pelo amigo que o acompanhava, com um “sotaque diferente”, segundo o que a vítima disse ao Bahia Notícias (BN) em entrevista. A violência seguiu até que ela chegasse à porta da 14ª Delegacia Territorial, na Barra.
Lá, Carolina prestou boletim de ocorrência e foi orientada a ir até o consulado de Israel, onde poderá identificar o agressor. Ela diz que planeja tornar a denúncia um movimento de conscientização contra casos semelhantes.
“Eu fiquei indignada com o poder de impunidade que ele tem em um território que não é o dele. Não significa que ele não seja bem-vindo, mas tem que entender que existem regras, e que aqui, turismo sexual é crime”, declarou.
Em nota, a 14ª Delegacia Territorial (DT/Barra) diz investigar a denúncia e afirma que diligências são realizadas pela unidade policial para “identificar os suspeitos e esclarecer as circunstâncias do caso".
