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Vilma Reis classifica como “revolucionária” possível candidatura de Margareth à Prefeitura de Salvador: "Convite está aberto"

Por Mauricio Leiro / Daniel Araújo

Fotos: Antena 1 Salvador e Agência Brasil

A deputada estadual eleita Vilma Reis (PT) defendeu a possibilidade de a ministra da Cultura, Margareth Menezes, disputar a Prefeitura de Salvador nas eleições municipais de 2028. Em entrevista ao Bahia Notícias, a petista classificou a eventual candidatura como revolucionária e afirmou que as portas do Partido dos Trabalhadores estão abertas para a filiação da artista, cujo nome começa a circular nos bastidores como uma possível alternativa para a disputa na capital baiana.

 

A defesa de Margareth ocorre em meio à articulação do PT para conquistar a Prefeitura de Salvador em 2028, objetivo apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como uma das prioridades políticas do grupo. Durante a convenção eleitoral realizada em 1º de agosto, Lula cobrou maior empenho das lideranças petistas para vencer a disputa na capital, que permanece fora do comando do partido apesar de a legenda governar a Bahia há duas décadas.

 

Na avaliação de Vilma, a conquista do Palácio Thomé de Souza deve mobilizar as principais lideranças da base governista estadual, especialmente aquelas com atuação política e eleitoral em Salvador. A deputada eleita afirmou que o grupo já trabalha com esse objetivo e defendeu uma agenda voltada às regiões mais populosas da cidade, como o Subúrbio Ferroviário, Cajazeiras, Liberdade e Itapuã, que, segundo ela, enfrentam problemas históricos relacionados à oferta de serviços públicos e à infraestrutura.

 

Nesse cenário, Vilma apontou Margareth Menezes como um nome capaz de contribuir para o projeto político do PT na capital. A parlamentar destacou a trajetória de 36 anos da artista e o trabalho desenvolvido antes de sua chegada ao Ministério da Cultura, com iniciativas de impacto social e formação de jovens em comunidades de Salvador. 

 

Entre os exemplos citados está o Mercado IAÔ, na Península de Itapagipe, iniciativa que, segundo Vilma, contribuiu para a formação de jovens de bairros como Uruguai, Massaranduba e Jardim Cruzeiro. Para a deputada, a atuação da ministra demonstra uma experiência que vai além da carreira artística e nem sempre recebeu a devida visibilidade pública. "Eu penso que a presença de Margareth Menezes nessa disputa para a 2028 é revolucionária, porque Margareth, ao longo de 36 anos, abriu o mercado IAO criou possibilidade num lugar que era abandonada, a Península de Itapagipe, toda aquela juventude, era largada", defendeu.

 

MINISTÉRIO DA CULTURA E CRÍTICAS A ATUAL GESTÃO MUNICIPAL
Vilma Reis também elogiou a atuação de Margareth à frente do Ministério da Cultura (MinC), destacando o trabalho de reconstrução da pasta, a execução dos recursos da Política Nacional Aldir Blanc e a articulação em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Cultura.

 

A proposta prevê a destinação de recursos públicos para o financiamento do setor cultural, com percentuais de 2% do orçamento da União, 1,5% dos estados e 1% dos municípios. Segundo a deputada, a medida poderá ampliar significativamente o financiamento da cultura no país. Vilma também mencionou mudanças relacionadas ao Microempreendedor Individual (MEI) para trabalhadores da área cultural como parte das ações que considera relevantes na atual gestão.

 

Ao defender a possibilidade de Margareth entrar na política municipal, a petista fez críticas à atual administração de Salvador. Para ela, a cidade precisa ampliar as políticas públicas destinadas à população de baixa renda e não pode continuar, em sua avaliação, sendo governada prioritariamente para a classe média alta e os mais ricos.

 

Vilma também lamentou o êxodo de aproximadamente 258 mil pessoas da capital baiana, número que associou à falta de oportunidades. Nesse contexto, defendeu a necessidade de lideranças com capacidade de formular políticas para enfrentar desigualdades sociais e ampliar as perspectivas econômicas da população. "Dói muito no nosso coração quando a gente sabe que nessa cidade de Salvador, 258 mil pessoas foram embora por falta de oportunidade, a gente precisa de mentes brilhantes, exatamente como Margareth Menezes. Viva a potência das mulheres negras na política", declarou.

 

A deputada relacionou essa agenda às prioridades anunciadas pelo PT para 2028, especialmente a aproximação com comunidades historicamente menos atendidas pelas políticas municipais. Em entrevistas anteriores, ela já havia defendido maior presença do grupo político no Subúrbio Ferroviário e em outras regiões periféricas, além de destacar a necessidade de ampliar a oferta de creches e fortalecer as políticas voltadas à primeira infância. 

 

CONVITE AO PT E TEMPO DE MARGARETH
Questionada sobre a possibilidade de formalizar um convite para que Margareth Menezes se filie ao PT e entre na disputa municipal, Vilma confirmou que o espaço está aberto, mas ressaltou que a decisão depende do momento da ministra.

 

A deputada eleita afirmou compreender que Margareth precisa avaliar o próprio tempo, considerando a carreira artística, as responsabilidades à frente do Ministério da Cultura e a liderança que exerce no setor. Apesar disso, demonstrou otimismo em relação à possibilidade de a ministra assumir um novo papel na política baiana.

 

A parlamentar concluiu que a possibilidade de Margareth disputar a Prefeitura de Salvador permanece no horizonte político do grupo. A eventual entrada da ministra na corrida eleitoral, no entanto, ainda depende de uma definição pessoal e partidária, enquanto o PT começa a organizar suas articulações para tentar conquistar o comando da capital baiana em 2028. "Esse convite (do PT) está aberto a ela, mas eu entendo que ela como artista, com as tarefas que ela tem também e a liderança que ela tem, ela deve estar se dando um tempo, e eu acho bonito também que as pessoas se dêem esse descanso não vão numa coisa assim muito frenética", concluiu.