Iphan anuncia licitação para elaboração de projeto para Solar Berquó e Casa dos Sete Candeeiros em Salvador
Por Maurício Leiro / Eduarda Pinto
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) anunciou, por meio de publicação no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (21), a abertura de uma licitação para contratação de uma empresa responsável pela elaboração de projetos arquitetônicos para os dois prédios históricos tombados e administrados pela autarquia no Centro Histórico de Salvador.
Os imóveis em questão são o Solar Berquó, imóvel do século XVII, localizado entre a Rua Visconde de Itaparica e a antiga Rua da Vala, uma das ladeiras que conduzem à Baixa dos Sapateiros, que funciona como a sede da Superintendência do Iphan na Bahia; e a Casa dos Sete Candeeiros, imóvel também do século XVII, localizado na Rua de São Francisco. O local funciona como um escritório técnico do Iphan e abriga um Museu em “formato original” do prédio.
Conforme a publicação do anúncio de licitação, a concorrência prevê a “contratação de serviços especiais de engenharia e arquitetura para elaboração dos projetos básicos e complementares da Casa dos Sete Candeeiros e atualização dos projetos executivos e complementares do Solar Berquó”, com recursos no âmbito do PAC Seleções.
A data de abertura do prazo para apresentação das propostas começou ainda nesta segunda-feira (21), às 8h, de forma eletrônica. Já a data de abertura da licitação está marcada para o dia 12 de novembro às 08h59.
O valor da licitação foi estimado em R$ 863.548,52. O edital, assinado pelo superintendente do Iphan na Bahia, Hermano Queiroz, prevê que os projetos sejam entregues por etapas, tendo como base estudos técnicos preliminares da estrutura histórica e relatórios detalhados da edificação.
A servidora membro da Equipe de Planejamento da Contratação do Iphan será responsável pelo acompanhamento dos processos do certame. O Bahia Notícias entrou em contato com a Superintendência do Iphan na Bahia para obter mais detalhes sobre quais mudanças ou reformas arquitetônicas estão previstas nos prédios, mas não obteve um retorno no prazo estimado. A reportagem segue à disposição para inclusão das informações.
HISTÓRIA DOS CASARÕES
A Casa dos Sete Candeeiros é um imóvel considerado modelo de uma casa nobre urbana do século XVII (17). O local pertenceu aos jesuítas, mas, com a expulsão dos religiosos, foi leiloado. Já no século XIX (19), abrigou uma comitiva nobre do rei D. João VI a Salvador, em 1806.
Essa estadia de nobres no local deu o nome do imóvel: os “Sete Candeeiros” é uma referência aos sete lampiões de azeite que eram pendurados em frente ao prédio durante a ocupação da comitiva real.
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Museu da Casa dos Sete Candeeiros com móveis originais e imagem do laborátório de restauração | Foto: Maria Eduarda Pinto
Atualmente, o local abriga um museu em “formato original” da casa e os aposentos sociais e pessoais dos moradores, além de um subsolo reestruturado, onde hoje funciona um auditório aberto ao público, e o Laboratório de Restauração de Obras de Arte e de Bens Móveis e Integrados do Iphan, um projeto colaborativo com a Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
O Solar Berquó, por sua vez, é um prédio datado de 1691, conforme uma gravação disposta no próprio prédio. A propriedade, que inclui uma extensa área verde, já atuou como residência de nobres, quartel de tropas durante o processo de independência na Bahia e como sede do Colégio São Salvador.
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Fachada da área verde do Solar Berquó e placa histórica reformada | Foto: Maria Eduarda Pinto
O local foi nomeado em referência a um dos habitantes da residência, Francisco Antônio Berquó da Silveira, então Ouvidor do Crime (cargo equivalente à combinação de um delegado e magistrado à época), que residia no local por volta do século XVIII (18). O espaço, que já foi anteriormente reformado e parcialmente restaurado, abriga a sede do Iphan no estado e a maior parte de seus servidores da capital baiana, desde 1988.
Ambos os imóveis foram tombados pelo Instituto do Patrimônio em 1938, primeiro ano de atuação da autarquia após sua criação em 1937.
