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Abin alerta governo e TSE sobre nível 'crítico' de escalada de pressão dos EUA contra o Brasil nas eleições

Por Redação

Foto: Molly Riley / Official White House

Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) avaliou que as "ameaças ao processo eleitoral de 2026" está em "nível de criticidade". Segundo informações da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, divulgadas neste sábado (19), o documento foi enviado à Presidência da República, ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ao Ministério da Justiça no fim de agosto.

 

O texto vê uma "tendência de escalada de pressão sobre o Brasil" e alerta que "observa-se intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA" sobre o país, "sem ruptura de um padrão estrutural de influência já existente".

 

Citando documentos estratégicos do governo norte-americano divulgados entre novembro de 2025 e maio de 2026, a Abin afirma que os objetivos de Trump são a "redução da influência de potências rivais dos EUA na América Latina e de negação do acesso dessas potências a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas na região, em favor de seu controle, direto ou indireto, pelo governo dos EUA ou pelo capital privado estadunidense".

 

O relatório diz que o Brasil tem hoje um "governo com maior disposição política e meios para defender sua autonomia estratégica, ante as pressões estadunidenses por concessões e realinhamento geopolítico", e, por isso, teria virado alvo de pressões e retaliações norte-americanas em diversas frentes.

 

A agência brasileira destaca que as sanções práticas já realizadas pelos EUA contra o Brasil exemplificam o aumento da interferência americana. O documento cita o anúncio, em julho, de sanções contra dois brasileiros e três empresas sediadas no Brasil e uma em Portugal por supostos vínculos com redes de lavagem de dinheiro associadas ao PCC.

 

"Com isso, a ação de interferência externa dos EUA passa a incidir diretamente sobre relações financeiras, reputação empresarial, acesso ao dólar, operações internacionais e exposição de terceiros a riscos de sanções secundárias", segue o relatório.

 

Os EUA, com isso, "ampliam o potencial de efeitos extraterritoriais sobre bancos, fintechs, empresas, prestadores de serviços e cadeias produtivas brasileiras". O Secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional, Marco Rubio também foi mencionado no relatório.

 

Nele, a Abin afirma que Rubio "atribuiu ao presidente brasileiro [Lula] a responsabilidade pela imposição de tarifas" contra produtos brasileiros, "sob o argumento de que o Brasil não teria 'negociado de boa fé'".

 

Para a agência, "a declaração insere caráter personalista à ação política estadunidense e tem potencial de impactar o debate púbico sobre o tema no Brasil, uma vez que a narrativa passou a ser reproduzida e amplificada por veículos de comunicação, agentes econômicos, analistas e atores políticos nacionais".

 

A revelação em torno do relatório da Abin ocorre dias após o jornal O Estado de São Paulo revelar que o governo de Donald Trump exigiu, em um documento enviado ao Itamaraty, que o Brasil permitisse que "dissidentes políticos" concorressem às eleições de 2026.

 

As fontes não disseram se Washington especificou quais seriam os "dissidentes políticos" em questão — no ano passado, no entanto, Donald Trump acusou o Brasil de "caça às bruxas" e mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em carta enviada a Lula.