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"Falta vontade política": Secretária critica ausência de Casa Abrigo municipal em Salvador e cobra prioridade no orçamento

Por Mauricio Leiro / Rebeca Menezes / Daniel Araújo

Foto: Daniel Araújo / Antena 1 Salvador

Para a Secretária Estadual de Políticas para as Mulheres, Camilla Batista, a destinação de recursos para a prevenção e o combate à violência contra a mulher esbarra, muitas vezes, na ausência de prioridade dos gestores municipais. Em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, a secretária foi categórica ao apontar a "falta de vontade política" e usou a capital baiana como exemplo de lacuna na rede de proteção.

 

O principal ponto de alerta levantado pela secretária foi a ausência de uma Casa Abrigo gerida pelo município de Salvador. O equipamento, de caráter sigiloso, é vital para acolher mulheres e seus filhos que se encontram em risco iminente de morte. "Nós temos três [Casas Abrigo] no estado: uma em Feira de Santana, uma em Juazeiro e uma em Itabuna (...). Salvador não tem. E para a gente era fundamental ter um em Salvador. Isso passa pela política de gestão do município, estado e governo federal, e aqui foi uma opção de não ter pelo município", disparou Camilla Batista.

 

A ausência do equipamento municipal na capital agrava o cenário estadual, já que, segundo a titular da pasta, mais de 70% das vítimas que necessitam desse abrigamento de urgência são moradoras de Salvador.

 

INTERIORIZAÇÃO E REDE DE APOIO

Para ilustrar como a decisão política afeta a ponta, a secretária traçou um paralelo com o avanço da rede no interior. Hoje segundo a titular da pasta, 108 municípios baianos possuem organismos estruturados de políticas para mulheres. Em parceria com as prefeituras, o Estado já entregou mais de 20 salas de acolhimento de pequeno porte e instalou 24 núcleos da Ronda Maria da Penha.

 

No âmbito estadual, Batista destacou que o atual governo aportou R$ 121 milhões exclusivamente para as atividades-fim da Secretaria. O montante tem sido direcionado para evitar que a polícia seja a única resposta ao problema, apostando na quebra do ciclo de abusos através do auxílio-aluguel e de programas de empreendedorismo. "Quando eu falo de orçamento, é priorizar o que é esse orçamento para prevenir, para coibir os crimes contra as mulheres e para garantir a autonomia econômica (...). Uma mulher que sai do círculo de violência não permite que seus filhos e filhas passem por isso. É uma mudança geracional", finalizou.

 

Para conferir a entrevista completa: