Contador do Careca do INSS prestava serviços também para escritório de Flávio Bolsonaro, afirma site
Por Edu Mota, de Brasília
Após a revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu notas fiscais de seu escritório de advocacia a uma empresa que recebeu repasses do Banco Master, veio a público nesta sexta-feira (24) a informação de que o pré-candidato a presidente utiliza os serviços da mesma firma de contabilidade contratada pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
De acordo com a coluna da jornalista Andreza Matais, do site Metrópoles, no cabeçalho da nota fiscal emitida pelo escritório Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, é possível visualizar a citação ao endereço de e-mail “joyce@vogasc.com.br”. O domínio pertence à Voga Serviços Contábeis, empresa de Alexandre Caetano dos Reis contratada pelo Careca.
A colunista Andreza Matais afirma ainda que nos dados da Receita Federal, consta o nome de Letícia Caetano dos Reis como administradora do escritório de Flávio Bolsonaro. Letícia é irmã de Alexandre Caetano.
Segundo o relatório final da CPMI do INSS, Alexandre Caetano dos Reis era o responsável técnico pela Brasília Consultoria Empresarial S.A., a principal empresa do Careca.
“O contador Alexandre Caetano dos Reis exerce funções contábeis em empresas diretamente relacionadas ao núcleo empresarial de Antônio Carlos Camilo Antunes (o Careca do INSS)”, diz o relatório final da CPMI do INSS.
Durante o funcionamento da CPMI, parlamentares apresentaram requerimentos de convocação e de quebra de sigilo de Alexandre Caetano dos Reis. Foi o caso da deputada Bia Kicis (PL-DF), cotada para ser candidata a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro.
No seu requerimento, a deputada Bia Kicis pediu a quebra dos sigilos bancário e fiscal tanto de Alexandre Caetano dos Reis quanto da Voga Serviços Contábeis. A deputada do PL afirma no pedido que a Voga era responsável pela contabilidade terceirizada das empresas vinculadas ao “Careca do INSS”, principal investigado por comandar uma rede de desvio de recursos e lavagem de dinheiro envolvendo associações e entidades representativas de aposentados.
Bia Kicis cita depoimentos à Polícia Federal sobre as movimentações que atingiam cerca de R$ 10 milhões mensais, cabendo à Voga a emissão e controle de notas fiscais e lançamentos financeiros das empresas ligadas ao “Careca”.
“Investigações conduzidas pela Polícia Federal, corroboradas por matérias publicadas em veículos de imprensa, indicam ainda que a Voga Serviços Contábeis manteve relações financeiras diretas com a empresa Prospect Consultoria Empresarial, identificada como uma das principais engrenagens utilizadas para movimentar recursos provenientes de descontos indevidos e repassar valores ilícitos a servidores do INSS”, diz o texto do requerimento de Bia Kicis.
“Esses elementos, em conjunto, configuram fortes indícios de interconexão entre a Voga Serviços Contábeis Sociedade Simples LTDA, operadores financeiros do esquema criminoso e pessoas politicamente expostas, justificando a adoção de medidas excepcionais de investigação patrimonial”, conclui a deputada do PL. O requerimento de Bia Kicis não chegou a ser votado pela CPMI.
Em dezembro passado, Alexandre Caetano dos Reis foi preso pela Polícia Federal (PF), por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além do “Careca do INSS”, Alexandre Caetano é contador de empresas do senador Weverton Rocha (PDT-MA).
A relação de Flávio Bolsonaro com o escritório Voga foi citada ainda pelos parlamentares de oposição que apresentaram um relatório alternativo na CPMI. O relatório não colocado em votação pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (PSD-MG).
O documento da oposição pediu o indiciamento do senador do PL alegando o envolvimento dele com Letícia Caetano dos Reis, irmã de Alexandre Caetano e apresentada no texto como "administradora do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro".
De acordo com o deputado Rogério Correia (PT-MG), um dos autores do relatório alternativo, a base governista tentou aprofundar a investigação contra Flávio, mas não conseguiu vencer o bloqueio dos parlamentares de oposição.
