Jaques Wagner diz que votação sobre sigilo de Lulinha foi manipulada
Por Paulo Dourado / Edu Mota, de Brasília
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou nesta quinta-feira (26) que a votação que aprovou a quebra de sigilo de Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na CPMI do Instituto Nacional do Seguro Social foi “manipulada”.
“Houve uma manipulação, prefiro não adjetivar e, portanto, não sei exatamente como esse imbróglio vai terminar”, disse o senador à CNN Brasil.
A sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) foi suspensa após bate-boca e empurrões entre parlamentares. Durante a entrevista, Wagner classificou o episódio como “absurdo”, mas afirmou que não poderia “se calar”.
“Um absurdo. Realmente foi-se às vias de fato porque as pessoas ficaram indignadas com a proclamação do presidente Carlos Viana sobre o resultado. Não há como negar que o número nosso era 14 e não 7, e quem ganha é a maioria”, declarou.
“Na minha opinião, um horror, porque eu acho que o tratamento dentro do Congresso deveria se dar de outra forma, mas não há como se calar”, completou.
A ministra de relações institucionais, Gleisi Hoffman (PT), protestou contra a aprovação da quebra de sigilo de Lulinha pela CPMI do INSS. A ministra disse ao SBT News que o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), deu um "golpe".
Gleisi disse que o governo tinha votos suficientes para barrar a medida, mas Viana colocou o requerimento para ser votado de forma simbólica, sem atender pedidos para apuração nominal dos votos.
"Foi golpe do presidente da CPMI. Temos maioria. Tínhamos ganhado a votação anterior. Ele não contou os votos. Fez votação simbólica, e tratorou ao anunciar o resultado.. Vamos recorrer disso”, declarou Gleisi.
Segundo a ministra, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) vai recorrer ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para reverter a votação do requerimento que promoveu a quebra de sigilos bancário e fiscal de Fábio Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.
O presidente da CPMI, Carlos Viana, disse que na hora da votação, o governo só contava com sete votos entre os presentes. O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), entretanto, divulgou imagem em suas redes sociais do momento da votação do requerimento, e apontou 14 parlamentares presentes a favor do governo e contra a quebra de sigilo.
