Federação da Noruega questiona gestão de Infantino e aciona órgãos internos da Fifa; entenda
Por Redação
A Federação Norueguesa de Futebol (NFF) apresentou duas ações formais à FIFA envolvendo o presidente da entidade, Gianni Infantino. Os documentos foram encaminhados ao Comitê de Ética e ao Comitê de Governança, Auditoria e Compliance (GACC) e pedem apurações sobre três episódios ocorridos nos últimos meses.
As iniciativas tratam da criação e entrega do Prêmio da Paz da FIFA ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, da condução do processo disciplinar envolvendo o atacante norte-americano Folarin Balogun durante a Copa do Mundo de 2026 e do projeto FIFA Forward Enterprise (FFE).
A decisão de apresentar as duas manifestações foi aprovada por unanimidade pelo conselho da federação norueguesa em 7 de agosto. Os documentos foram enviados nesta segunda-feira (5), e a NFF tornou o conteúdo público nesta terça (6).
Apesar de serem tratadas como uma dupla denúncia, as medidas possuem objetivos diferentes. Ao Comitê de Ética, a Noruega pede uma investigação independente para determinar se Infantino ou outros dirigentes violaram o Código de Ética da FIFA. Já ao GACC, o pedido é para que sejam analisados os processos de decisão, fiscalização e controle interno da entidade.
PRÊMIO DA PAZ A DONALD TRUMP
O primeiro ponto envolve o Prêmio da Paz da FIFA, criado em 2025 e entregue a Donald Trump no fim daquele ano.
A federação norueguesa quer esclarecimentos sobre como a premiação foi criada, quem autorizou a iniciativa e se o Conselho da FIFA deveria ter participado da decisão. A NFF também questiona se a criação e a entrega do prêmio respeitaram as regras de neutralidade política previstas pela entidade.
CASO BALOGUN NA COPA DO MUNDO
Outro episódio citado é o caso de Folarin Balogun durante a Copa do Mundo de 2026. O atacante dos Estados Unidos recebeu um cartão vermelho e, inicialmente, estaria suspenso para o compromisso seguinte.
A controvérsia surgiu após relatos de que Donald Trump teria entrado em contato com Infantino e pedido uma revisão do caso. Posteriormente, a suspensão de Balogun foi retirada, permitindo que o atacante enfrentasse a Bélgica.
A NFF quer que a FIFA esclareça quem participou das conversas, se houve interferência externa na decisão disciplinar e se a independência do processo foi preservada.
FIFA FORWARD ENTERPRISE
O terceiro ponto envolve o FIFA Forward Enterprise, projeto que previa a criação de uma estrutura comercial responsável por parte dos direitos das principais competições da FIFA, com participação de investidores privados.
A proposta previa a venda de uma participação de até 20% da nova empresa. O projeto recebeu forte resistência de entidades do futebol e acabou retirado pela FIFA no fim de julho.
A Noruega questiona como a proposta avançou sem conhecimento ou participação prévia do Conselho da FIFA e também pede que sejam analisados os contatos entre dirigentes da entidade e potenciais investidores.
Entre os investidores relacionados ao projeto estava a Thrive Capital, fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro de Donald Trump. A ligação também aparece entre os pontos de atenção levantados nas discussões sobre o projeto.
INVESTIGAÇÃO INDEPENDENTE
Presidente da Federação Norueguesa, Lise Klaveness afirmou que o objetivo não é antecipar uma conclusão sobre a conduta de Infantino, mas fazer com que os órgãos independentes da FIFA estabeleçam os fatos.
“Cada um desses casos deve ser avaliado com base em seus próprios fatos”, afirmou a dirigente.
A NFF também solicitou que documentos e comunicações relacionados aos três episódios sejam disponibilizados às federações filiadas.
Até o momento, as manifestações representam pedidos de investigação e não significam que Infantino tenha sido considerado culpado de qualquer violação. A abertura de procedimentos formais e eventuais punições dependerão da análise dos órgãos da FIFA.
Em manifestação anterior sobre críticas à sua gestão, a FIFA afirmou que Infantino foi eleito democraticamente pelas federações filiadas e classificou acusações contra o presidente como parte de uma tentativa de enfraquecer a entidade e sua liderança.
