Weverton prega união na disputa por vaga no gol da Seleção: "Somos um só"
Por Thiago Tolentino
Weverton foi mais um jogador a conceder entrevista coletiva nesta quinta-feira (28), na Granja Comary, em Teresópolis. Aos 38 anos, Weverton foi chamado pelo técnico Carlo Ancelotti para disputar sua segunda Copa do Mundo.
A convocação surpreendeu parte da torcida, já que nomes como Hugo Souza e Bento também estavam no debate pela terceira vaga de goleiro. O jogador, no entanto, afirmou que recebeu o chamado como resultado de um momento pessoal e profissional de transformação.
"Acho que a minha comemoração, o meu pequeno desmaio, disse tudo se eu sabia ou não. Eu não sabia. Eu vivi aquela emoção. Coração acelerado. Brincadeiras à parte, a minha queda ali é de alívio, de emoção, de tudo que se passa nesse período. Você pegar sua família. Minha filha já tem 9 anos, eu tinha muito medo dela não se adaptar. Fui muito bem recebido pelo torcedor gremista. Tive a decisão de pedir, de buscar esse novo desafio, e fui premiado com mais uma Copa do Mundo pela minha coragem. Estou muito feliz e grato", contou.
Weverton também falou sobre a concorrência entre os goleiros da Seleção Brasileira. O jogador destacou que a disputa interna precisa fortalecer o grupo e afirmou que todos os convocados estarão prontos para apoiar quem for escolhido por Ancelotti.
"Quem for escolhido vai fazer o seu melhor, e quem não for, no momento, também vai continuar trabalhando e apoiar quem estiver dentro de campo. Porque somos uma só Seleção, todo mundo vai ganhar. A gente vai fazer sempre o que for preciso para dar o melhor e trazer essa competitividade no dia a dia para quem for escolhido para jogar, sabendo que o nosso goleiro vai representar todo o país", afirmou.
O goleiro também comentou as cobranças recebidas após a convocação. Segundo ele, a pressão é parte natural do ambiente da Seleção, especialmente em uma posição historicamente marcada por grandes nomes.
"É muito normal. Hoje, nós estamos vivendo diante de uma nova realidade, principalmente em relação a redes sociais. A gente tem que se adaptar a ela, tem que ter a nossa mente saudável e entender e saber julgar a nossa performance com tranquilidade. Encaro, encarei, de forma natural. A Seleção sempre teve grandes goleiros que ajudaram muito em conquista de Copa, então é normal a cobrança. Mas não tenho dúvida de que quem foi escolhido para estar aqui vai ajudar", avaliou.
Weverton também relembrou a participação na Copa do Mundo de 2022, quando foi o terceiro goleiro do Brasil e entrou em campo na goleada sobre a Coreia do Sul, pelas oitavas de final. Na ocasião, Tite promoveu sua entrada nos minutos finais, permitindo que todos os convocados da Seleção atuassem naquela edição.
"Vivi algo muito especial naquela Copa. Naquele momento, era o único jogador que não tinha entrado em campo, e o fato de ele pensar em mim daquela maneira, para que eu pudesse também participar da Copa, foi algo que vai ficar marcado para sempre na minha vida."
Sobre o ambiente atual da Seleção, o goleiro afirmou que encontrou um grupo leve, mas consciente da responsabilidade de representar o Brasil em uma Copa do Mundo.
"Neste momento agora, o que eu tenho visto é uma alegria muito grande. São jogadores que estão muito felizes de estar aqui; é um ambiente muito leve, muito alegre. Nós sabemos o tamanho da responsabilidade que é vestir a camisa da Seleção e representar um país e uma nação em uma Copa do Mundo. Então, ninguém aqui foge da sua responsabilidade, mas não deixa de ser um ambiente alegre, de satisfação e de prazer, para podermos desfrutar de um momento tão importante na vida de cada um aqui."
Natural do Acre, Weverton também falou sobre a importância da fé em sua carreira. O goleiro atribuiu à mãe a principal influência religiosa e afirmou que a trajetória até a segunda Copa do Mundo não pode ser explicada apenas por esforço individual.
"Essa minha fé veio da minha mãe. Acho que, de tudo o que ela poderia me deixar na vida, de todos os bens e de tudo de mais precioso, essa foi a maior herança que ela me deu. Foi me apresentar Jesus, me dar a oportunidade de conhecê-lo e de ver como Ele transformou a minha vida. Ele me tirou do Acre, de uma cidade e de um estado de onde é muito difícil sair um jogador de futebol, para hoje estar disputando a minha segunda Copa do Mundo. Eu não posso achar que é só o meu esforço ou só o meu talento, se não for Deus para direcionar os caminhos, para ajustar tudo, para que tudo corra bem", explicou.
A Seleção Brasileira segue em preparação na Granja Comary para o amistoso contra o Panamá, marcado para domingo (31), às 18h30, no Maracanã. Depois, a delegação viaja para os Estados Unidos, onde dará sequência aos últimos ajustes antes da estreia na Copa do Mundo.
