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Prefeitura mapeia mais de 1,3 mil terreiros em Salvador para direcionar políticas públicas, revela secretária

Por Daniel Araújo

Foto: Thiago Tolentino / Antena 1 Salvador

Nesta quarta-feira (4), a secretária municipal de Reparação de Salvador, Isaura Genoveva, participou do programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, onde detalhou os esforços da gestão municipal para mapear e atender os terreiros de candomblé da capital baiana. Durante a entrevista, a titular da pasta ressaltou a importância de reconhecer a contribuição histórica da população negra para a formação da cidade como o primeiro passo para a transformação e a reparação.

 

"Salvador é uma cidade negra, ela foi construída, edificada, ela é mantida pelo povo negro", afirmou a secretária, destacando que essa herança se reflete na cultura, na culinária e no modo de ser caloroso do soteropolitano. Para ela, a missão da secretaria é aproximar a gestão das pessoas, que muitas vezes têm dificuldade de confiar no poder público devido a distanciamentos históricos.

 

A iniciativa de mapear os espaços religiosos surgiu a partir de uma demanda direta do prefeito. Isaura relatou o momento em que recebeu a missão: "O prefeito disse: 'Isaura, você não tem condições de me dizer quantos terreiros de candomblé a gente tem em Salvador. Então eu preciso que você descubra. Porque no final do dia eu sei que a maioria da população é negra e a maioria dos recursos é para esse povo, mas a gente não pode fazer errado'".   

 

A partir dessa diretriz, foi criado o Programa Baobá, com foco no fortalecimento das religiões de matriz africana. A secretária explicou que é impossível estruturar políticas públicas adequadas sem saber quem são essas pessoas, onde moram e quais são suas reais necessidades. Com equipes nas ruas, a prefeitura tem levado ações integradas aos templos religiosos. "A gente fez o Viver Salvador Terreiros, levando saúde, levando educação, levando cursos de empregabilidade", explicou, citando também parcerias com outras secretarias para serviços como poda de árvores e cursos de empreendedorismo, a exemplo da fabricação de sabão com azeite de dendê.

 

A secretária também atualizou os dados do levantamento municipal. "A gente já chegou na marca de 1.352 terreiros", revelou. No entanto, ela ponderou que esse número não será um valor fechado, pois as comunidades religiosas estão em constante expansão, com terreiros "tendo filhos" e abrindo novas casas. Além disso, o mapeamento busca identificar demandas de regularização fundiária e conscientizar as lideranças religiosas sobre direitos como a imunidade tributária, garantida por lei federal para templos de qualquer culto.

 

Confira a entrevista completa: