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Mãe Senhora de Ewá, uma das ialorixás mais antigas do Brasil, morre aos 104 anos em Salvador

Por Daniel Araújo

Foto: Reprodução

A ialorixá Elza Bahia de Araújo, conhecida como Mãe Senhora de Ewá, morreu na madrugada deste sábado (17), aos 104 anos, em Salvador. Uma das filhas de santo mais antigas do Terreiro do Gantois (Terreiro Ilê Iyá Omi Axé Iyamassê), ela dedicou mais de sete décadas ao candomblé e comandava o Ilê Axé Omí Ewá, localizado no bairro de Praia Grande, no Subúrbio Ferroviário da capital baiana.

 

A morte foi comunicada pela Associação de São Jorge Ebé Oxóssi e pelo Terreiro do Gantois, por meio de uma nota de pesar. A causa da morte e as informações sobre velório e o sepultamento não foram divulgadas.

 

Mãe Senhora deixou cinco filhos, além de netos, bisnetos e tataranetos. Ao longo da trajetória religiosa, atuou na preservação das tradições de matriz africana, na transmissão dos conhecimentos do candomblé e no acolhimento de filhos e filhas de santo. Também ficou conhecida pelo trabalho junto a mulheres em situação de vulnerabilidade social e pela defesa da autonomia feminina e do enfrentamento à intolerância religiosa.

 

A ialorixá Elza Bahia de Araújo, conhecida como Mãe Senhora de Ewá, morreu na madrugada deste sábado (17), aos 104 anos, em Salvador. Uma das filhas de santo mais antigas do Terreiro do Gantois, ela dedicou mais de sete décadas ao candomblé e comandava o Ilê Axé Omí Ewá, localizado no bairro de Praia Grande, no Subúrbio Ferroviário da capital baiana.

 

CRIAÇÃO NO GANTOIS E INICIAÇÃO NO CANDOMBLÉ

Elza Bahia de Araújo perdeu a mãe durante o parto e foi levada ao Terreiro do Gantois quando tinha apenas um mês de vida. Ela cresceu sob os cuidados de Mãe Menininha do Gantois e de Mãe Laura, referências que tiveram papel importante em sua formação pessoal e religiosa.

 

Em 1950, foi iniciada no candomblé por Mãe Menininha para a orixá Ewá. A partir daí, construiu uma trajetória marcada pela dedicação ao sagrado e à comunidade religiosa. Mais tarde, assumiu a liderança do Ilê Axé Omí Ewá, onde continuou a exercer suas funções sacerdotais e a orientar gerações de praticantes.

 

Sua história permaneceu ligada à do Gantois, uma das casas tradicionais do candomblé na Bahia. Para a comunidade religiosa, segundo nota do Gantois, Mãe Senhora representava um elo com a ancestralidade e com os ensinamentos transmitidos por Mãe Menininha, além de contribuir para a continuidade das tradições da casa.

 

RECONHECIMENTO E HOMENAGENS

Em 11 de setembro de 2022, Mãe Senhora comemorou 100 anos de vida. A data foi celebrada por familiares e amigos, e a ialorixá recebeu uma placa da Federação Nacional do Culto Afro-Brasileiro em reconhecimento à sua trajetória.

 

Em dezembro daquele ano, a Câmara Municipal de Salvador aprovou um projeto de resolução para conceder à sacerdotisa a Comenda Maria Quitéria, honraria destinada a mulheres que se destacam pelos serviços prestados à cidade. A homenagem foi concedida em 2023 e reconheceu sua contribuição à cultura afro-brasileira, à religiosidade e à comunidade soteropolitana.

 

Na justificativa da homenagem, Mãe Senhora foi apresentada como referência no enfrentamento à intolerância religiosa e na luta pela autonomia das mulheres.

 

LEGADO RELIGIOSO

Na nota de pesar, a Associação de São Jorge Ebé Oxóssi e o Terreiro do Gantois comunicaram o falecimento de Mãe Senhora com referência ao retorno ao Òrun, termo utilizado para se referir a morte nas tradições iorubás para designar o mundo espiritual.

 

A instituição destacou que a ialorixá dedicou mais de 70 anos ao sagrado, ao axé, ao Gantois e à formação de centenas de filhos e filhas de santo, que ajudou a criar e orientar.

 

O comunicado também ressaltou a importância de sua trajetória para a preservação da memória e dos ensinamentos da casa religiosa.

 

“Uma das mais antigas filhas desta Casa, sua história representa um elo precioso com a ancestralidade, com os ensinamentos de Mãe Menininha e com a preservação de nossas tradições”, diz a nota.

 

A associação e o terreiro manifestaram solidariedade aos familiares, amigos e irmãos de santo, além de agradecer pela trajetória e pela contribuição da sacerdotisa à comunidade.

 

Ao final, a instituição pediu que os ancestrais recebessem Mãe Senhora e que os orixás a acolhessem em seu seio sagrado, desejando serenidade e paz aos familiares e amigos.