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Idosos baianos superam média nacional em renegociação de dívidas, mas inadimplência na faixa etária acende alerta

Por Daniel Araújo

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

Nos oito primeiros meses de 2026, os idosos baianos deram um passo importante para regularizar a vida financeira. Consumidores com 65 anos ou mais no estado fecharam 49.903 acordos de dívidas, um salto expressivo de 26,59% em comparação ao mesmo período de 2025. O índice baiano superou tanto o crescimento nacional da mesma faixa etária (23,1%) quanto a média geral do país (17,2%). No entanto, esse esforço de regularização esbarra em um dado preocupante: a inadimplência entre brasileiros com 60 anos ou mais avançou 10,7% no último ano, a maior alta entre todas as idades, segundo o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa.

 

Para Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira, o aumento simultâneo das negociações e da inadimplência não é um cenário contraditório. “Eles mostram, na verdade, que existe uma pressão maior sobre o orçamento dessa população, mas também uma disposição para buscar a regularização”, explica.

 

Uma pesquisa recente da Serasa ilustra o aperto financeiro enfrentado por esse público: 46% dos aposentados dizem que o valor do benefício não é suficiente para manter o padrão de vida anterior e metade já precisou recorrer ao crédito para pagar contas. Destes, 35% utilizam o crédito inclusive para gastos essenciais. Além das contas do dia a dia, a segurança é outro fator de desequilíbrio: quatro em cada dez idosos relataram já ter sofrido golpes com prejuízo financeiro.

 

ARMADILHAS DO ORÇAMENTO

A especialista aponta que a volta à inadimplência na terceira idade é multifatorial. A renda que não acompanha a inflação, o alto comprometimento da aposentadoria com o crédito consignado, o uso do cartão de crédito para despesas rotineiras e o apoio financeiro a familiares são os principais vilões.

 

Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira |  Foto: Serasa

 

Para que a tentativa de limpar o nome não vire uma nova dor de cabeça, Aline Vieira orienta cautela na hora de fechar um acordo. “O cuidado central é garantir que a parcela caiba na renda mensal sem comprometer as despesas essenciais, como moradia, alimentação e, especialmente, medicamentos e saúde”, alerta. A recomendação é priorizar dívidas com juros mais altos (como o cartão de crédito), observar o Custo Efetivo Total (CET) do acordo e jamais contrair um novo empréstimo para pagar outro.

 

NOME LIMPO

Após renegociar os débitos, o desafio passa a ser a manutenção das contas em dia, sobretudo para quem conta com renda fixa. O primeiro passo, segundo a especialista da Serasa, é construir um orçamento realista, mapeando tudo o que entra e sai, separando o supérfluo do que é essencial.

 

"Sempre que possível, vale construir uma pequena reserva para imprevistos, como despesas médicas", orienta Aline. A Serasa recomenda ainda o monitoramento constante do CPF e do Score de crédito, redobrar a atenção contra abordagens suspeitas para evitar fraudes e ter muito cuidado com o volume de parcelas atreladas ao crédito consignado.

 

Oportunidades de negociação na Bahia

Para os idosos — e consumidores de outras faixas etárias — que desejam aproveitar o momento para reorganizar as finanças, o Feirão Serasa Limpa Nome reúne atualmente mais de 43 milhões de ofertas de negociação apenas na Bahia. O cenário de busca por equilíbrio financeiro ganha uma camada extra de relevância nesta quinta-feira (1º), data em que é celebrado o Dia do Idoso.