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No Brasil, jovens entram no ensino médio, mas 1 em cada 5 não conclui a etapa

Por Redação

Foto: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil

Um em cada cinco estudantes que ingressam no ensino médio no Brasil não chega à conclusão da etapa e não permanece matriculado até dois anos após o tempo previsto para o término, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O número representa 20% dos alunos da etapa no país, contra 12% na média dos países analisados pela organização.

 

No Brasil, 79% dos novos ingressantes concluem o ensino médio nesse período, enquanto a média internacional é de 85%. Ou seja, a proporção de estudantes que chega à conclusão da etapa é 6 pontos percentuais menor no país.

 

Os dados fazem parte do relatório Education at a Glance 2026, publicação da OCDE que reúne indicadores dos sistemas educacionais. A comparação mostra que o Brasil tem uma parcela maior de estudantes que não concluem o ensino médio e já não estão matriculados dois anos após o prazo previsto.

 

A situação varia entre os países considerados no levantamento. A Dinamarca, por exemplo, registra 75% de conclusão até dois anos após o tempo previsto para o término do ensino médio, percentual inferior aos 79% do Brasil. Canadá, Colômbia e Irlanda apresentam taxas de conclusão de 90% ou mais.

 

Entre os estudantes brasileiros, outros 1% ainda permanecem matriculados dois anos após o tempo previsto para a conclusão. Os outros 20% não haviam concluído a etapa e não estavam mais matriculados.

 

MULHERES TEM PROBABILIDADE MAIOR DE CONCLUIR ENSINO MÉDIO

O levantamento também mostra uma diferença entre homens e mulheres na conclusão da etapa. 14% dos homens deixam o ensino médio sem obter uma qualificação até dois anos após o tempo previsto para a conclusão, enquanto entre as mulheres o percentual é de 10%.

 

No Brasil, a diferença é ainda mais acentuada na etapa: 23% dos homens deixam o ensino médio sem diploma, a maior taxa registrada entre os países analisados nessa modalidade.


Com isso, o Brasil, juntamente a Israel, também lidera na diferença entre homens e mulheres na taxa de abandono da educação geral: 8 pontos percentuais. O dado está em linha com outro indicador do relatório, segundo o qual as mulheres têm probabilidade 7 pontos percentuais maior de concluir o ensino médio do que os homens.

 

A diferença de gênero não aparece apenas na educação geral. Na média dos países analisados, homens também abandonam mais os cursos de formação profissional: a taxa é de 22%, contra 18% entre as mulheres. Na educação geral, os percentuais médios são de 9% para homens e 7% para mulheres.

 

A OCDE ressalta que o abandono escolar raramente é resultado de um único acontecimento. Segundo o relatório, ele costuma ser consequência de um processo cumulativo de afastamento dos estudos, no qual diferentes fatores pessoais, relacionados à escola e ao próprio sistema educacional podem se combinar.


Entre os fatores de risco citados estão baixo desempenho acadêmico, faltas frequentes e baixa motivação, frequentemente associados às condições socioeconômicas e às experiências educacionais anteriores. O ambiente e as práticas da escola também podem contribuir para o afastamento, especialmente quando os estudantes não se sentem apoiados. No nível do sistema, políticas como a repetência e a oferta limitada de oportunidades de formação profissional podem aumentar o risco de abandono.

 

Por isso, segundo a OCDE, estratégias para prevenir o abandono precisam considerar tanto os sinais imediatos de afastamento quanto as condições mais amplas que podem, gradualmente, levar os estudantes a deixar a educação.

 

NÚMEROS EM QUEDA

Outro indicador do relatório mostra uma redução na parcela de jovens adultos que não concluíram o ensino médio.

 

Entre os brasileiros de 25 a 34 anos, 26% não haviam concluído a etapa em 2024. Em 2016, eram 35%.

 

A diferença representa uma queda de 9 pontos percentuais no período. O indicador, porém, considera uma faixa etária diferente daquela usada no dado sobre conclusão do ensino médio e, por isso, não permite dizer que a redução entre os jovens de 25 a 34 anos decorra diretamente da taxa de conclusão dos novos ingressantes.