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Vagão Lilás no metrô de Salvador: Secretária detalha bastidores jurídicos e aprovação do público feminino

Por Mauricio Leiro / Rebeca Menezes / Daniel Araújo

Foto: Daniel Araújo / Antena 1 Salvador

A implantação do Vagão Lilás no sistema metroviário de Salvador foi uma resposta direta ao aumento de denúncias de assédio e coroa um trabalho de monitoramento que já durava mais de um ano. A afirmação é da Secretária Estadual de Políticas para as Mulheres, Camilla Batista, que detalhou os bastidores do projeto em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, nesta segunda-feira (31).

 

Antes de o vagão exclusivo se tornar realidade, a Secretaria implantou duas salas de acolhimento para mulheres vítimas de violência nas estações Iguatemi e Pirajá. Em apenas um ano, esses espaços registraram mais de 140 atendimentos. Segundo a secretária, a urgência de uma ação dentro dos trens ficou evidente pela própria mobilização popular. "A gente começou a ter casos de importunação dentro do metrô, com a própria sociedade filmando, participando do processo e denunciando. Então, a gente viu a necessidade de ter um vagão específico para as mulheres", explicou Camilla Batista.

 

ENTRAVES JURÍDICOS

Apesar da sanção da lei municipal que garantia o espaço exclusivo, a medida enfrentou resistência inicial na Justiça por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN). Para não atrasar a proteção às passageiras, o Governo do Estado adotou uma manobra estratégica, lançando o projeto no mês do "Agosto Lilás" com um caráter flexível. "Nesse processo, a gente disse: vamos implantar pelo Governo do Estado como preferencial, como ação educativa. A gente tensionou esse processo e conseguimos que, na vara judicial, a ADIN fosse indeferida por incompetência da associação que entrou", revelou a titular da pasta, destacando que agora o vagão passa pelo processo de consolidação legal definitiva.

 

ALÍVIO E SEGURANÇA

Durante o período de adaptação, a Secretaria e outros institutos realizaram pesquisas de campo para medir a eficácia da ação. O retorno das usuárias, segundo a secretária, validou a importância da iniciativa no combate aos abusos cotidianos no transporte público. "Elas falando o quanto foi importante a ação. Primeiro, que garante segurança para elas. Muitas disseram: 'vai ser até um vagão mais cheiroso, a gente não tem mais a importunação de, às vezes, encostar'. Até muitas mulheres não sabiam se elas eram importunadas ou não, mas sentiam incômodo", concluiu a secretária, ressaltando que a política pública segue no sistema metroviário da capital baiana.

 

Para conferir a entrevista completa: