Custo do gás natural na Bahia pode afastar usina de R$ 250 milhões
Por BP Money
Uma usina termelétrica de 60 megawatts (MW), com investimento estimado em R$ 250 milhões, colocou o gás natural na Bahia no centro de uma decisão que envolve custo, infraestrutura, emprego e arrecadação. A Green Energy Ventures avalia onde instalar o empreendimento contratado para entrar em operação em outubro de 2028, e a Bahia está entre as alternativas consideradas pela companhia.
As informações foram divulgadas pelo portal BP Money
O estado reúne pontos que pesam a favor da instalação, como acesso à rede de gás, conexão ao sistema elétrico e enquadramento integral na área de atuação da Sudene. Entretanto, segundo Luiz Felipe Herrmann, sócio da Green Energy Ventures, o custo de distribuição do gás pode mudar a conta.
“O principal hoje, em termos de dinheiro e viabilidade do negócio, é o custo do gás”, afirmou o executivo durante entrevista ao BP Money. De acordo com ele, o projeto ainda não definiu onde ficará. “A gente está finalmente nessa definição. Não está definido ainda. A gente tem algumas opções”, disse.
A escolha importa porque o estado selecionado receberá a instalação da usina, parte dos gastos da construção, postos de trabalho, contratação de serviços e a atividade econômica ligada à operação do empreendimento durante o contrato.
TARIFA DE GÁS ENTRA NA CONTA DO PROJETO
O custo do gás natural pago por uma termelétrica não se resume à molécula consumida. A conta inclui fornecimento, transporte e distribuição. Para uma usina contratada em um leilão de capacidade, uma parcela do custo existe mesmo nos períodos em que o equipamento não gera energia.
Isso ocorre porque a térmica precisa manter capacidade disponível para receber o gás quando for acionada.
No caso da Green Energy Ventures, Luiz Felipe afirma que a companhia precisa contratar capacidade para atender à usina, embora o uso efetivo fique perto de 10%.
“Como eu tenho que contratá-lo 100%, mas eu só uso ele próximo de 10%, eu pago muita coisa por usar pouca coisa”, afirmou. Na entrevista, ele comparou a situação a contratar um pacote de celular acima da utilização necessária.
Essa estrutura ganha peso porque o contrato da usina nova terá prazo de 15 anos. O edital do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência de 2026 prevê justamente contratos desse prazo para novos empreendimentos termelétricos com início de suprimento a partir de 2028.
Segundo Luiz Felipe, nas simulações realizadas pela empresa, o componente tarifário da Bahiagás considerado para o projeto estava em torno de três vezes o menor valor encontrado entre as alternativas analisadas na área da Sudene.
“No caso da tarifa deles, eles estavam três vezes mais caros, até mais, um pouco, do que o mais barato”, afirmou. Questionado se o item seria o principal impeditivo para a escolha da Bahia, ele ponderou: “Eu não diria que é o maior, mas é um, dois, com certeza”.
A entrevista não informa o volume diário de gás que seria contratado pela usina nem apresenta os valores unitários utilizados nas propostas comparadas. Portanto, não é possível calcular, com os dados disponíveis, quanto o diferencial tarifário representaria em reais por ano ou ao longo dos 15 anos de contrato.
Os R$ 250 milhões citados representam o investimento estimado no projeto, e não o custo adicional provocado pela tarifa baiana.
R$ 250 MILHÕES ENTRAM NA DISPUTA ENTRE ESTADOS
A usina da Green Energy Ventures terá 60 MW e deve demandar cerca de R$ 250 milhões em investimentos, segundo Luiz Felipe.
“Nossa usina tem 60 megawatts. A gente vai ter um investimento de mais ou menos R$ 250 milhões”, afirmou.
A empresa estima entre 30 e 50 trabalhadores no período de maior atividade da construção. Na fase operacional, a projeção é manter entre 30 e 40 profissionais, com funcionamento 24 horas por dia.
A dimensão do mercado é maior quando considerados os demais projetos contratados no País. A CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) informou que o 4º Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 terminou com 100 usinas vencedoras e 18.977 MW de potência contratada. Os investimentos declarados no certame somaram cerca de R$ 64,5 bilhões, enquanto a receita total dos contratos alcançou R$ 515,7 bilhões ao longo dos períodos de suprimento.
Na entrevista, Luiz Felipe estima que o conjunto de obras e estruturas necessárias ao redor dos projetos poderá movimentar bilhões no estado.
BAHIA JÁ CONCENTRA PROJETOS DE TERMOELÉTRICAS
A discussão sobre o custo ocorre em um estado que já recebe investimentos relacionados ao gás.
A própria Bahiagás informou, em março de 2026, que dez termelétricas localizadas na Bahia saíram vencedoras do LRCAP 2026. Segundo a distribuidora, esses empreendimentos representam demanda potencial de aproximadamente 5,98 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Para atendê-los, a companhia estima cerca de R$ 64 milhões em gasodutos e expansão de aproximadamente 22,3 quilômetros da rede.
A infraestrutura existente também entra na conta. A Bahiagás encerrou 2025 com mais de 1.350 quilômetros de rede de gasodutos. Para 2026, a companhia prevê aproximadamente R$ 259,6 milhões em investimentos e a implantação de cerca de 101 quilômetros de dutos.
Essa estrutura é um dos motivos citados pelo sócio da Green Energy Ventures para manter a Bahia entre as opções.
De acordo com Luiz Felipe, a disponibilidade de gás e de pontos de conexão elétrica reduz etapas para um empreendimento que precisa começar a operar em 1º de outubro de 2028. “A Bahia tem a capacidade de ser muito boa em tudo”, afirmou ao explicar a combinação entre gás e conexão elétrica.
