PF aponta viagens em aeronaves ligadas ao Master como vantagens a Jaques Wagner
Por Redação
A Polícia Federal identificou viagens de Jaques Wagner (PT-BA) e de pessoas próximas ao senador em aeronaves ligadas a empresários do Banco Master. Os episódios, registrados em 2023 e 2024, foram incluídos pelos investigadores como parte de uma relação de proximidade entre o parlamentar e os empresários Augusto Ferreira Lima e Daniel Vorcaro.
Segundo informações do Globo, um dos casos ocorreu em outubro de 2023, quando Maria de Fátima Carneiro de Mendonça, mulher de Wagner, foi levada de helicóptero à chamada Ilha da Paixão, propriedade de Augusto Ferreira Lima no litoral de Candeias, na Bahia. O passeio foi combinado após o próprio senador confirmar a participação da esposa.
Em mensagem enviada a Lima, Wagner afirmou que Fátima provavelmente participaria da viagem. O empresário, então, disponibilizou um helicóptero e encaminhou o prefixo da aeronave. Após chegar ao destino, Fátima enviou mensagens de agradecimento ao empresário. Entre os registros encontrados no celular de Lima estão as frases “Chegamos”, “Tudo lindo !!!” e “A gente ama vcs”, conforme o relatório.
O Metrópoles também revelou que a PF encontrou mensagens de setembro de 2024 que indicam preocupação de Daniel Vorcaro com a discrição de outro voo envolvendo Wagner. Nas conversas, o banqueiro questionou o atraso da aeronave e recebeu a informação de que o senador já havia decolado com destino à Bahia.
Depois de saber que os passageiros haviam desembarcado, Vorcaro orientou que o avião fosse levado para um hangar reservado e retirado rapidamente do estado. Segundo as mensagens, o empresário recomendou que a aeronave fosse colocada em um espaço “que ninguém conheça”. A propriedade formal da aeronave não foi identificada pela PF, mas os investigadores apontam que Vorcaro exercia controle sobre o equipamento. As mensagens também indicam que quatro pessoas estavam a bordo durante o deslocamento, entre elas Wagner.
Para a Polícia Federal, os episódios fazem parte de um padrão em que o senador teria utilizado aeronaves privadas controladas por empresários ligados ao Banco Master sem registro de pagamento pelos deslocamentos. O relatório sustenta ainda que os benefícios estariam relacionados a uma suposta atuação política de Wagner em pautas legislativas e regulatórias de interesse da instituição financeira.
A investigação apura se os voos e outras vantagens integrariam um esquema de “contrapartidas recíprocas”. Os documentos vieram a público após o ministro André Mendonça, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo da investigação.
