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Bruno Monteiro faz balanço da gestão na Secult-BA e alega reorganização interna com maior infraestrutura

Por Ronne Oliveira

Fotos: Eduarda Pinto / Bahia Notícias / GovBA

Em entrevista ao Projeto Prisma, do portal Bahia Notícias, o secretário de Cultura do Estado da Bahia, Bruno Monteiro, apresentou nesta segunda-feira (27) um balanço do período em que esteve à frente da pasta. Afastado temporariamente de suas funções, o gestor apontou três eixos centrais como pilares de sua atuação: a reorganização administrativa interna da secretaria, a democratização do acesso aos recursos e ações culturais e os investimentos estruturais na rede de equipamentos do estado.

 

Ao contextualizar a conjuntura política e social de sua gestão, Monteiro ressaltou a importância do retorno do presidente Lula da Silva (PT) ao governo federal para o fortalecimento da área. Segundo o secretário, a mudança na esfera federal contribuiu para consolidar uma nova perspectiva sobre a relevância do setor produtivo da cultura.

 

"A gente começou a ter um entendimento crescente na sociedade e nessas figuras públicas sobre o papel da cultura, não somente mais como entretenimento, como preservação de identidades, mas também como motor do desenvolvimento, geração de emprego, de renda", relata.


Ao detalhar a situação administrativa encontrada quando assumiu a Secretaria de Cultura (Secult-BA), Monteiro revelou que a pasta acumulava mais de dois mil processos de prestação de contas pendentes. O saneamento desse passivo e a reestruturação dos fluxos internos foram apontados como vitais para a regularidade do órgão, sem direcionar críticas às gestões anteriores, cujos contextos eram distintos.

 

"Eu cheguei na secretaria assumindo com mais de dois mil processos com prestações de contas atrasadas. A gente zerou isso, conseguiu resolver, conseguiu reorganizar as estruturas da secretaria", ressalta.

 

Além da regularização contábil e processual, o balanço incluiu a atualização da legislação estadual e a reordenação do Fundo de Cultura da Bahia, instrumento que, de acordo com o secretário, encontrava-se com regras e dinâmicas defasadas antes das reformas promovidas na atual gestão.

 

O PAPEL DOS EDITAIS
Monteiro defendeu que a eficiência dos editais de fomento depende diretamente da existência e da qualidade da infraestrutura cultural física nos municípios. Segundo observou, as comunidades com centros culturais ativos e integrados apresentaram maior índice de concorrência e engajamento nos editais públicos.

 

"Onde tem equipamento atuante, a gente percebeu isso nos editais; onde nós tínhamos centros de cultura mais organizados, mais integrados à comunidade, havia muito mais inscrição e participação", explica.

 

Entre os empreendimentos do período, foram destacadas as intervenções de reforma em centros culturais do interior baiano e a ampla reestruturação do Complexo do Teatro Castro Alves (TCA), classificado por Monteiro como o principal equipamento cultural do estado.
 

No ciclo mais recente da Lei Aldir Blanc na Bahia, a Secult-BA contabilizou 10 mil inscrições para mil projetos contemplados. O volume de inscritos demonstrou, segundo o secretário, tanto o alcance das convocatórias quanto a permanente demanda represada do setor.

 

"É uma participação grande, mas é também muita gente que fica de fora", pondera Monteiro, ressaltando os limites inerentes ao modelo de fomento direto. "Você aumenta edital, aumenta o apoio ao projeto, mas vai ter sempre gente querendo mais", acrescenta. 

 

Para o gestor, esse cenário reforça a necessidade de aliar o repasse financeiro de editais com a manutenção e expansão contínua da infraestrutura física. Por fim, Bruno Monteiro atribuiu o andamento das pautas ao apoio do governador Jerônimo Rodrigues (PT). "Não há registro na história de um governador tão presente na pauta da Cultura como Jerônimo foi", conclui.


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