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Bruno Reis comenta operação do MP e transfere desgaste político para o PT

Por Eduarda Pinto / Daniel Araújo

Foto: Eduarda Pinto / Bahia Notícias

Durante o lançamento do novo programa Empreenda Salvador, realizado nesta quinta-feira no Mercado São Miguel, o prefeito Bruno Reis (UNIÃO) falou  sobre a operação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) que resultou no afastamento do seu ex-secretário, Luciano Sandes, por suspeitas de fraude e corrupção. Visivelmente desconfortável e gaguejando ao abordar o tema, o gestor municipal buscou eximir a prefeitura de culpa e aproveitou a ocasião para atacar o governo estadual.

Em sua fala, o gestor afirmou que a gestão municipal não tinha conhecimento do esquema milionário que, segundo as investigações, operava há cerca de dez anos na administração. Ele também buscou adotar uma postura de colaboração com os órgãos de controle.

"O Ministério Público pode apurar a qualquer hora. Já disse a vocês que agradeço ao Ministério Público por ter identificado as irregularidades que a Prefeitura desconhecia, e as providências serão tomadas. Então, isso tem a ver com gestão", declarou o prefeito.

 

FOCO NAS ELEIÇÕES

Apesar das denúncias envolvendo o secretariado de sua própria gestão, Bruno Reis rapidamente desviou o foco da crise institucional para a disputa eleitoral marcada para o dia 4 de outubro. Na tentativa de contrastar sua atitude com a dos adversários políticos, o prefeito proferiu críticas diretas ao Partido dos Trabalhadores (PT), que comanda o Governo do Estado.

 

Segundo o prefeito, a população saberá diferenciar quem "toma decisões firmes" de quem "passa a mão na cabeça" de aliados.

 

"As pessoas sabem quem performa, quem entrega, quem dá resultado, quem não está com maquiagem, com falsas promessas. Sabem, quando tem problemas como esse, quem toma decisões firmes e rigorosas e quem passa a mão na cabeça, acoberta, protege e dá uma postura completamente diferente da que é praticada pelo Governo do Estado", atacou.

 

Reis reforçou o discurso de fadiga do eleitorado com o grupo político adversário: "Acho que o que vai definir a eleição, volto a dizer, é um sentimento de mudança. As pessoas cansaram, 20 anos já é tempo demais, o PT teve todo o tempo e as pessoas não conseguem mais e não vão mais esperar."

 

Questionado pela imprensa ao final do pronunciamento se havia mantido algum contato com Luciano Sandes após a deflagração da operação pelo Gaeco, o prefeito foi categorico. "Não", respondeu, indicando um distanciamento imediato do ex-aliado que ocupava papel central na Secretaria de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro.