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Mineração para Todos: Projeto especial estreia com debate sobre terras raras e potencial da Bahia em área estratégica para o mundo

Por Rebeca Menezes

Foto: Bahia Notícias

As terras raras têm atraído cada vez mais atenção do debate global. Energias renováveis, carros elétricos, robôs, formas de armazenamento de energia… Hoje, as principais tecnologias do mundo incluem também a preocupação do fornecimento desses elementos, que na verdade não são terras, nem mesmo raras. Para explicar o termo, seu impacto no mundo e a posição estratégica da Bahia nesse processo, o Bahia Notícias lança hoje o primeiro episódio do projeto especial “Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão”.

 

 

Patrocinado pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), o conteúdo em formato de podcast tem o objetivo de traduzir a importância da pesquisa e da indústria mineral para o desenvolvimento do estado e para a atração de novos investimentos e de pesquisas científicas. A proposta é detalhar como a extração mineral tem um impacto real na vida da população, e desmistificar informações que muitas vezes cercam o tema.

 

Os episódios vão levantar o debate com especialistas sobre o cenário da Bahia e a posição estratégica do estado neste mercado. O primeiro deles tem o tema “Terras raras não são terras nem raras”, e vai ao ar às 12h desta segunda-feira (8), no canal do Youtube do Bahia Notícias.

 

Para o primeiro bate-papo, o Bahia Notícias recebe o presidente da CBPM, Henrique Carballal; o diretor técnico da companhia, Williame Cocentino; e o consultor especialista em terras raras, Antonio Vitor. Ao longo da conversa, os convidados explicam o que são terras raras, seu uso na indústria - e como elas chegam à rotina das pessoas -, além do que essa extração representa em relação a impactos ambientais, sociais e econômicos.

 

MAS AFINAL, O QUE SÃO TERRAS RARAS?
As terras raras são 17 elementos químicos metálicos. Apesar de estarem na tabela periódica aprendida por estudantes em todo o mundo, eles têm nomes ainda pouco conhecidos da população: escândio, ítrio, lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio e lutécio.

 

Henrique Carballal explicou que o nome foi dado por esses elementos serem encontrados no solo, especialmente a argila iônica, e terem uma difícil forma de extração - apesar de estarem presentes de forma curiosamente abundante no mundo. "Só na Bahia, hoje, já existem mais de 1.200 requerimentos de áreas que foram identificadas que possuem os elementos de terras raras", exemplificou o presidente.

 

"A dificuldade que existe para você conseguir obter essas terras raras é a característica principal delas, porque elas estão 'unidas', em um óxido único - que é o que a gente procura quando vai identificar essas áreas. Como eles têm uma composição química muito semelhante, é difícil individualizá-los", complementou Cocentino, explicando que, em quantidade, outros elementos como ouro são muito mais raros.

 

Quem trouxe o exemplo prático da presença no nosso dia a dia foi Antonio Vitor. O consultor apontou que o próprio podcast seria inviável sem a aplicação desses elementos químicos: "Esse podcast não existiria, e mesmo que existisse o ouvinte não seria capaz de ouvir, porque o autofalante é feito de neodímio e praseodímio. O que faz o som sair desse microfone, passar por esse fio e estar lá no autofalante em qualquer lugar do mundo é o imã que ecoa os pulsos". Outro exemplo, mais antigo, são os faróis de dínamo em bicicletas.

 

Mas o debate atual é ainda mais urgente por causa da demanda cada vez mais alta para atender as grandes indústrias, especialmente as Big Techs. Não por acaso, o tema tem sido citado em reuniões de líderes mundiais, como Donald Trump, assunto que também foi abordado no projeto.


Com as informações de terras com potencial de exploração, identificadas pelos pesquisadores da CBPM, o governo do estado passou a atuar também na atração de grandes empresas capazes de extrair esses elementos do solo baiano, permitindo que a Bahia seja pioneira no processo de refino fora da China.

 

"Graças às terras raras, nós todos iremos assistir nos próximos 5, 10 anos, uma transformação muito grande na vida humana. Porque você vai ter robôs responsáveis por atividades que hoje são praticadas por humanos. Já existem em várias cidades do mundo em que carros andam sem motoristas. Eu começo a perceber que muito em breve você não vai precisar dirigir um carro. É uma revolução que está acontecendo", avaliou Carballal. 

 

Com estas indústrias chegando ao estado, o tema ganha ainda mais relevância no dia a dia da população. Por isso, o podcast "Mineração para Todos" debate também o trabalho da CBPM na geração de pesquisas, no acompanhamento dos eventuais impactos ambientais, e na identificação do potencial do estado em uma área estratégica para o globo.