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Artigos

Gustavo Falcón
O Paraguaçu sob ataque
Foto: Acervo pessoal

O Paraguaçu sob ataque

O rio Paraguaçu é o mais longo rio baiano. Ele nasce na cidade de Barra da Estiva e desagua em Salinas das Margaridas após um longo percurso de cerca de 600 km. Irriga plantações, serve de bebedouro para os animais, fonte de renda para pescadores, corta povoados e cidades, incorpora muitos afluentes e em Cachoeira, já próximo a sua foz, majestoso e imponente, se transforma num imenso lago represado na Barragem de Pedra do Cavalo. Dali manda água para abastecer milhares de pessoas, no interior e principalmente na capital do estado.

Multimídia

Alex Santana revela convite de ACM Neto para assumir secretaria

 Alex Santana revela convite de ACM Neto para assumir secretaria
Em entrevista ao Projeto Prisma, com Fernando Duarte, o secretário de Relações Institucionais de Salvador e deputado federal licenciado, Alex Santana (Republicanos), afirmou que a decisão de não disputar a reeleição em 2026 foi motivada exclusivamente por razões pessoais.

Entrevistas

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto
Foto: Divulgação / Agência AL-BA
De volta à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) desde janeiro, após assumir a vaga aberta com a morte do deputado Alan Sanches, Luciano Ribeiro (União) concedeu entrevista ao Bahia Notícias na última semana e falou sobre a produtividade do Legislativo para 2026, ano que será marcado pela disputa eleitoral, e o cenário político para a corrida ao governo da Bahia. O deputado também tratou da formação da chapa de oposição e afirmou que, neste momento, descarta disputar a reeleição. Desde o seu retorno, Luciano passou a ocupar a vice-liderança da oposição e a vice-presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

terras raras

Mineração para Todos: Com EUA “de olho” em terras raras brasileiras, CBPM quer ser sócia "da mina ao refino" em projetos da Bahia
Foto: Bahia Notícias

O interesse mundial em terras raras tem levado o tema às principais reuniões entre líderes de todo mundo. A demanda é tão alta que, nas últimas reuniões realizadas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi citada tanto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quanto pelo seu principal opositor nas urnas nas eleições de 2026, Flávio Bolsonaro. E as terras raras devem entrar também em pauta nas plataformas de campanha, que possuem visões bem distintas de política internacional.

 

 

Questionado sobre este cenário durante o podcast "Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão", o  presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Henrique Carballal, reforçou que o governo de Jerônimo Rodrigues acompanha o discurso adotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que "entende que a riqueza do nosso povo deve ser utilizada para o desenvolvimento da nossa sociedade". "Nós não vamos entregar nada para ninguém. Todo o patrimônio numeral do Brasil, neste governo, pertence ao povo brasileiro. Não existe nenhuma discussão de 'entregar', seja para o governo americano, [...] seja para chineses, cubanos, russos...", garantiu.

 

"Alguém que ainda defenda políticos que defendam entregar a Amazônia e entregar o patrimônio mineral do nosso povo para qualquer político... Eu só consigo compreender porque eles bebem detergente", criticou Carballal. 


O gestor da companhia destacou que tem atuado para buscar, por outro lado, parcerias com outros países, mas colocou que essas relações têm seguido uma premissa fundamental: "A CBPM faz parceria com qualquer nação do mundo, desde que nós, em primeiro lugar, sejamos protagonistas desse processo". Para aproveitar o momento em que essas terras raras estão no centro do debate, a proposta dos baianos é buscar quem já tenha a tecnologia necessária para a extração e processamento, garantindo o compartilhamento dessas pesquisas e também do retorno financeiro dos projetos. E é este caminho que deve ser seguido, inclusive, com as plantas industriais que farão o processamento de terras raras no estado. "Não significa dizer que nós estamos entregando as riquezas da Bahia, entregando as terras raras da Bahia, para nenhum grupo estrangeiro. Até porque a CBPM será sócia do processo, da mina ao refino".

 

Como exemplo dessa postura, ele citou ainda um processo judicial movido pela companhia contra uma empresa canadense, que tinha um contrato assinado para explorar ouro no município de Santa Luz. "Eu já comecei a brigar com eles porque a ação social deles era ensinar as crianças do sertão a jogar críquete", explicou, apontando que o problema se agravou posteriormente. "Eles venderam essa área por US$ 1,015 bilhão pra uma empresa chinesa. Nós entramos na Justiça e conseguimos uma liminar, um desembargador depois suspendeu os efeitos da liminar, e a gente espera que a Justiça da Bahia - e conclamo as outras instituições, o Ministério Público - que entre na defesa do nosso patrimônio. Porque a CBPM entrou nessa luta para defender os interesses do nosso povo".

 
AS PROFISSÕES DO FUTURO?
Com a atenção do mundo voltada para a mineração, também se abrem portas do mercado de trabalho em diversas áreas envolvidas, desde o momento de identificação dos depósitos. O diretor técnico da CBPM, Wiliame Cocentino, apontou quais profissões que, em sua visão, devem ter mais oportunidades nos próximos anos. E claro que a sua formação, de geólogo, é uma das mais promissoras.


"Você tem diversos países que falam que o grande gargalo deles são os profissionais associados à mineração: geólogos, engenheiros de mina, de produção, engenheiros químicos...", frisou. Cocentino adicionou, contudo, que uma das dificuldades do setor é que os profissionais não conseguem trabalhar "perto de casa": "O depósito está onde ele está, e geralmente não está ao lado dos grandes centros urbanos".

 

"O seu início tende a ser mais desafiador, mas é uma profissão da qual me orgulho muito, porque me colou em lugares que eu não imaginava, me permitiu conhecer lugares que eu não pensava em conhecer", defendeu o diretor.

 

Por outro lado, talvez haja um outro estímulo para quem pensa em progressão de carreira: os salários de quem trabalha no setor estão entre os mais altos em todo o mundo. "Os melhores salários são da mineração. Não existe no mercado melhor salário", cravou Carballal.

 

Consultor especialista em terras raras, Antônio Vitor fez ainda um adendo: mesmo as profissões de outras áreas já são impactadas por esse debate, já que esses elementos químicos também têm levado a grandes transformações na rotina de profissões como a medicina, por exemplo.

 

MINERAÇÃO PARA TODOS
Nesta semana, o Bahia Notícias lança o projeto especial “Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão”, patrocinado pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), com o objetivo de traduzir a importância da pesquisa e da indústria mineral para o desenvolvimento do estado e para a atração de novos investimentos e de pesquisas científicas. A proposta é detalhar como a extração mineral tem um impacto real na vida da população, e desmistificar informações que muitas vezes cercam o tema.

 

Os episódios, gravados em formato de podcast, vão levantar o debate com especialistas sobre o cenário da Bahia e a posição estratégica do estado neste mercado. O primeiro deles tem o tema “Terras raras não são terras nem raras”, e vai ao ar às 12h desta segunda-feira (8), no canal do Youtube do Bahia Notícias.

 

Para o bate-papo, o Bahia Notícias recebe o presidente da CBPM, Henrique Carballal; o diretor técnico da companhia, Williame Cocentino; e o consultor especialista em terras raras, Antonio Vitor. Ao longo da conversa, os convidados explicam o que são terras raras, seu uso na indústria - e como elas chegam à rotina das pessoas -, além do que essa extração representa em relação a impactos ambientais, sociais e econômicos.

Mineração para Todos: Qual é o impacto ambiental da exploração de terras raras? Entenda por que Bahia pode ser “privilegiada”
Área de extração de terras raras em MG| Foto: Divulgação/Meteoric Resources

Uma das principais preocupações da população quando se fala de mineração é o impacto ambiental. A imagem de enormes “buracos” em terrenos, e o receio em relação aos resíduos e aos riscos de contaminação do solo permeiam o imaginário coletivo. Por isso, o debate sobre os grandes depósitos de terras raras na Bahia acendem um alerta em quem acompanha o assunto. Mas algumas características específicas dos depósitos baianos podem minimizar as consequências. Ao menos é o que garantem os especialistas ouvidos no primeiro episódio do projeto especial “Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão”.

 

De acordo com o diretor técnico da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Williame Cocentino, cada mina tem uma maneira diferente de instalação, mas os projetos esperados para a Bahia devem ter um menor impacto ambiental do que os associados a outros tipos de solos. "Geralmente, os depósitos associados à argila iônica são os que têm o menor impacto. [...] Posteriormente, você nem vai perceber que aquilo ali foi uma mina. Quando você pensa em uma mina, você vê aquele 'buraco'. [Mas nesse processo] Você não tem essa alteração de paisagem para esse tipo de depósito que a gente está trabalhando", adiantou.

 

Além disso, um outro ponto favorece algumas áreas mapeadas no estado: o acompanhamento próximo da companhia, que é vinculada ao governo da Bahia. O diretor explica que , apesar de a fiscalização das áreas de exploração mineral ser uma atribuição da Agência Nacional de Mineração, a CBPM tem um “compromisso maior” nas áreas da Bahia, com maior rigor nos contratos: “Quando a CBPM está associada, você tem uma camada a mais de segurança para a população”.

 

“É só você olhar as minas que estão em atividade associadas à CPBM - que não são todas da Bahia -, e em que a relação com as comunidades é a melhor possível, existem diversos projetos sociais apoiados, todas as licenças são requeridas de maneira correta e sem nenhum tipo de atalho. É um carimbo de maior segurança para a população", garantiu Williame.

 

“FILÉ MIGNON” DAS RESERVAS
O presidente da CBPM, Henrique Carballal, compartilhou durante a gravação que a instituição tem focado no que eles apelidaram de "filé mignon" dessas reservas, que são os depósitos com as melhores condições de extração e que não oferecem nenhum risco de radioatividade.

 

"É muito comum as terras raras estarem associadas a minerais portadores de urânio. Então é um cuidado que a gente tem. Mas não é uma condição 'sine qua non'. Ou mesmo quando ela está associada ao urânio, nem sempre é uma quantidade que vai trazer algum risco para a população. [...] Nas áreas que a CBPM tem esse trabalho, a concentração de urânio, os valores associados a urânio e tório - que é um outro elemento radioativo - são mais baixos. Então traz um risco menor, não teria uma condição de licenciamento mais rígido, e seria mais seguro de desenvolver um projeto", detalhou Williame. 

 

Apesar da palavra “radioatividade” ser mais um gatilho para quem se preocupa com as consequências de um projeto como este, o consultor e especialista em terras raras, Antônio Vitor, tranquiliza com uma comparação que exemplifica os níveis de exposição nesse caso: "Um caminhão de banana indo para a Ceasa tem mais urânio do que as terras raras da CBPM".

 

"Não existe nada que não tenha nenhum impacto ambiental. Todavia, não é o impacto que se imagina quando você pesquisa 'terras raras na China'. Aquilo é uma refinaria de terras raras, o que é completamente distinto da extração in situ", reforçou o consultor, trazendo uma previsão do que poderia acontecer na Bahia, como no depósito que é encontrado no Piemonte de Jequié. "Por exemplo, Poções, que é um agreste, quase um sertão, e fizer uma extração de terras raras com lixiviação in situ, quando vier a próxima chuva, vai fertilizar aquela terra muito mais do que antes e trazer um benefício para aquela região, porque o solo vai ficar rico em ureia”, avalia.

 

Antônio Vitor complementou ainda sobre uma dúvida comum quando se fala de terras raras: a possibilidade de reciclar esses elementos de produtos descartados, como os próprios celulares. "Reciclar ainda é muito mais caro do que produzir, por uma questão de escala. Reciclar depende de uma cadeia de retornar esses elementos, uma série de pessoas nesse processo, o envolvimento de milhões de pessoas, talvez bilhões no mundo. Então reciclar é muito mais complexo e mais caro", justificou. Ainda assim, o consultor compartilhou que já há iniciativas em alguns lugares do mundo que trabalham com a perspectiva de reciclagem dos elementos de terras raras e também de outros elementos associados à produção de eletrônicos.


MINERAÇÃO PARA TODOS
Na última segunda-feira (8), o Bahia Notícias lançou o projeto especial “Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão”, patrocinado pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), com o objetivo de traduzir a importância da pesquisa e da indústria mineral para o desenvolvimento do estado e para a atração de novos investimentos e de pesquisas científicas. A proposta é detalhar como a extração mineral tem um impacto real na vida da população, e desmistificar informações que muitas vezes cercam o tema.

 

Os episódios, gravados em formato de podcast, vão levantar o debate com especialistas sobre o cenário da Bahia e a posição estratégica do estado neste mercado. O primeiro deles tem o tema “Terras raras não são terras nem raras”, e está disponível no canal do Youtube do Bahia Notícias.

 

Para o bate-papo, o Bahia Notícias recebeu o presidente da CBPM, Henrique Carballal; o diretor técnico da companhia, Williame Cocentino; e o consultor especialista em terras raras, Antonio Vitor. Ao longo da conversa, os convidados explicam o que são terras raras, seu uso na indústria - e como elas chegam à rotina das pessoas -, além do que essa extração representa em relação a impactos ambientais, sociais e econômicos.

Mineração para Todos: Projeto especial estreia com debate sobre terras raras e potencial da Bahia em área estratégica para o mundo
Foto: Bahia Notícias

As terras raras têm atraído cada vez mais atenção do debate global. Energias renováveis, carros elétricos, robôs, formas de armazenamento de energia… Hoje, as principais tecnologias do mundo incluem também a preocupação do fornecimento desses elementos, que na verdade não são terras, nem mesmo raras. Para explicar o termo, seu impacto no mundo e a posição estratégica da Bahia nesse processo, o Bahia Notícias lança hoje o primeiro episódio do projeto especial “Mineração para Todos: Do solo à palma da sua mão”.

 

 

Patrocinado pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), o conteúdo em formato de podcast tem o objetivo de traduzir a importância da pesquisa e da indústria mineral para o desenvolvimento do estado e para a atração de novos investimentos e de pesquisas científicas. A proposta é detalhar como a extração mineral tem um impacto real na vida da população, e desmistificar informações que muitas vezes cercam o tema.

 

Os episódios vão levantar o debate com especialistas sobre o cenário da Bahia e a posição estratégica do estado neste mercado. O primeiro deles tem o tema “Terras raras não são terras nem raras”, e vai ao ar às 12h desta segunda-feira (8), no canal do Youtube do Bahia Notícias.

 

Para o primeiro bate-papo, o Bahia Notícias recebe o presidente da CBPM, Henrique Carballal; o diretor técnico da companhia, Williame Cocentino; e o consultor especialista em terras raras, Antonio Vitor. Ao longo da conversa, os convidados explicam o que são terras raras, seu uso na indústria - e como elas chegam à rotina das pessoas -, além do que essa extração representa em relação a impactos ambientais, sociais e econômicos.

 

MAS AFINAL, O QUE SÃO TERRAS RARAS?
As terras raras são 17 elementos químicos metálicos. Apesar de estarem na tabela periódica aprendida por estudantes em todo o mundo, eles têm nomes ainda pouco conhecidos da população: escândio, ítrio, lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio e lutécio.

 

Henrique Carballal explicou que o nome foi dado por esses elementos serem encontrados no solo, especialmente a argila iônica, e terem uma difícil forma de extração - apesar de estarem presentes de forma curiosamente abundante no mundo. "Só na Bahia, hoje, já existem mais de 1.200 requerimentos de áreas que foram identificadas que possuem os elementos de terras raras", exemplificou o presidente.

 

"A dificuldade que existe para você conseguir obter essas terras raras é a característica principal delas, porque elas estão 'unidas', em um óxido único - que é o que a gente procura quando vai identificar essas áreas. Como eles têm uma composição química muito semelhante, é difícil individualizá-los", complementou Cocentino, explicando que, em quantidade, outros elementos como ouro são muito mais raros.

 

Quem trouxe o exemplo prático da presença no nosso dia a dia foi Antonio Vitor. O consultor apontou que o próprio podcast seria inviável sem a aplicação desses elementos químicos: "Esse podcast não existiria, e mesmo que existisse o ouvinte não seria capaz de ouvir, porque o autofalante é feito de neodímio e praseodímio. O que faz o som sair desse microfone, passar por esse fio e estar lá no autofalante em qualquer lugar do mundo é o imã que ecoa os pulsos". Outro exemplo, mais antigo, são os faróis de dínamo em bicicletas.

 

Mas o debate atual é ainda mais urgente por causa da demanda cada vez mais alta para atender as grandes indústrias, especialmente as Big Techs. Não por acaso, o tema tem sido citado em reuniões de líderes mundiais, como Donald Trump, assunto que também foi abordado no projeto.


Com as informações de terras com potencial de exploração, identificadas pelos pesquisadores da CBPM, o governo do estado passou a atuar também na atração de grandes empresas capazes de extrair esses elementos do solo baiano, permitindo que a Bahia seja pioneira no processo de refino fora da China.

 

"Graças às terras raras, nós todos iremos assistir nos próximos 5, 10 anos, uma transformação muito grande na vida humana. Porque você vai ter robôs responsáveis por atividades que hoje são praticadas por humanos. Já existem em várias cidades do mundo em que carros andam sem motoristas. Eu começo a perceber que muito em breve você não vai precisar dirigir um carro. É uma revolução que está acontecendo", avaliou Carballal. 

 

Com estas indústrias chegando ao estado, o tema ganha ainda mais relevância no dia a dia da população. Por isso, o podcast "Mineração para Todos" debate também o trabalho da CBPM na geração de pesquisas, no acompanhamento dos eventuais impactos ambientais, e na identificação do potencial do estado em uma área estratégica para o globo.

Lula impõe condição para terras raras: "Não queremos ser meros exportadores"
Foto: Reprodução / CanalGov

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou um tom de firmeza ao falar sobre o futuro da mineração de minerais críticos no Brasil durante coletiva de imprensa na Embaixada do Brasil, em Washington, nesta quinta-feira (7). Questionado sobre o interesse estrangeiro nas terras raras brasileiras, Lula alega que o país não aceitará um papel de simples fornecedor de matéria-prima.

 

“O que vocês devem saber é que essa questão é muito importante nos armamentos dos países. O Brasil tem a obrigação de conversar com quem quer participar conosco. O que nós não queremos é ser meros exportadores dessas coisas”, declarou o presidente.


Em sua fala, o presidente traçou um paralelo histórico para justificar a nova postura do governo brasileiro em relação aos seus recursos naturais, citando os ciclos extrativistas que marcaram a história do continente. “Não podemos permitir o que aconteceu com a prata ou com o ouro na América Latina. Com as terras raras, vamos mudar de comportamento; as terras raras são geradoras dessa riqueza para o Brasil”, enfatiza o líder brasileiro. 

 

A declaração ocorre no contexto de uma visita oficial de três horas à Casa Branca, em que a pauta econômica e a transição energética foram temas centrais. Mais cedo, o presidente já havia classificado o encontro com Donald Trump como um “passo importante da consolidação histórica entre Brasil e Estados Unidos”, destacando o papel das duas maiores democracias do continente.

 

Vale lembrar que a Bahia não está fora desse jogo de interesses, pesquisadores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) já mapearam esses materiais dentro do interior do estado. Nestes casos, bem como em outros estados, empresas transnacionais atuam diretamente.  

 

Confira a transmissão da coletiva ao vivo abaixo:

Câmara aprova marco legal da exploração de minerais críticos na véspera do encontro entre Lula e Donald Trump
Foto: Reprodução Redes Sociais

Na véspera do encontro que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá na Casa Branca, em Washington, com o líder norte-americano Donald Trump, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que cria, no país, o Marco Legal dos Minerais Críticos. O projeto foi aprovado de forma simbólica na sessão desta quarta-feira (6) e agora segue para ser apreciado pelo Senado.

 

O tema dos minerais críticos e as terras raras deve ser um dos pontos fortes da conversa entre Lula e Trump nesta quinta-feira (7). O governo brasileiro tenta aproveitar o interesse global crescente por minerais usados em baterias, chips, carros elétricos e datacenters para ampliar o peso do Brasil na nova geopolítica da energia e da tecnologia.  

 

A proposta analisada na Câmara, o PL 2780/2024, cria um marco legal para minerais como lítio, cobalto, nióbio, grafite e terras raras. Entre os minerais abrangidos estão matérias-primas usadas na fabricação de:

 

  • Smartphones
  • Carros elétricos
  • Baterias
  • Equipamentos eletrônicos
  • Sistemas militares

 

O projeto foi relatado pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que antes da votação fez novas mudanças no seu parecer, retirando do marco legal a menção à “anuência prévia” de Conselho Ministerial para a eventual mudança de controle societário de empresa titular de direitos minerários neste segmento. 

 

De acordo com o texto, o colegiado terá o condão “homologar” tal operação. Ou seja, validar um ato já realizado. A mudança foi justificada sob o risco de litígio comercial. 

 

O Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE) proporá políticas e ações públicas com vistas ao desenvolvimento da cadeia produtiva dos minerais críticos e minerais estratégicos no país. Haverá 15 representantes de órgãos do Poder Executivo. Haverá ainda representante dos Estados e do Distrito Federal, representante dos Municípios e do setor privado.

 

Pelo projeto, o Conselho Nacional, vinculado à Presidência da República, irá gerir os recursos e será responsável por aprovar projetos alinhados a essa política, além de monitorar transferências e mudanças de controle acionário no setor. Caberá ao conselho homologar contratos, acordos ou parcerias internacionais que envolvam o fornecimento desses minerais.

 

Com a criação do Conselho, o deputado Arnaldo Jardim atendeu a um pedido do governo federal, o que gerou discordâncias nos bastidores. Por um lado, o governo quis garantir um papel do Estado de gerenciar a atividade nas reservas brasileiras, sob a justificativa da soberania nacional. Já as empresas criticaram a intervenção estatal e a falta de critérios para embasar a decisão do Conselho de eventualmente barrar decisões empresariais.

 

“O Brasil não pode ser mero exportador de commodities minerais, deve ter estratégia política, determinação de agregar valor,fazer o seu beneficiamento,fazer a transformação e usar isso, que é um atributo nosso, geológico, como um instrumento claro de desenvolvimento”, disse o relator ao defender as mudanças no texto. 

 

Após a aprovação do projeto, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), comemorou a construção de um consenso sobre o texto e o diálogo entre os partidos que permitiu o avanço sobre o tema que, para ele, é de interesse mundial. 

 

“Trata-se de um assunto que está para o futuro assim como o petróleo, há alguns anos, esteve para o desenvolvimento de diversos países importantes, porque não há tecnologia sem a exploração das terras raras e dos minerais críticos”, disse Motta.

 

O texto aprovado pela Câmara prevê R$ 5 bilhões em créditos fiscais entre 2030 e 2034 para estimular a cadeia de minerais críticos no país. O benefício é limitado a até 20% dos investimentos e condicionado a processos concorrenciais para a produção de insumos estratégicos. O projeto também autoriza a criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), voltado a viabilizar o financiamento de projetos no setor.

 

A proposta prevê ainda outros incentivos, como a emissão de debêntures incentivadas e de infraestrutura para financiar projetos de beneficiamento, transformação mineral e mineração urbana. O relatório aprovado de forma simbólica inclui atividades no escopo do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), ampliando os benefícios fiscais para obras em setores como transporte, portos, energia, saneamento e irrigação, além da cadeia de minerais críticos e estratégicos.

 

Para viabilizar os incentivos fiscais, o governo vai propor ao Congresso uma mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que veda neste ano a concessão de novos incentivos fiscais ou a prorrogação de benefícios existentes e a criação de fundos para financiamento de políticas públicas.
 

Câmara vota projeto sobre terras raras com foco em consolidar o Brasil como potência na exploração de minerais
Foto: Divulgação/Serra Verde

Dois dias depois do anúncio da compra, pela empresa americana USA Rare Earth, de participação na mineradora Serra Verde, responsável por uma mina de terras raras em Minaçu (Goiás), transação avaliada em US$ 2,8 bilhões, a Câmara dos Deputados votará um projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A votação acontecerá na sessão plenária desta quarta-feira (22).

 

O projeto em pauta é o PL 2.780/2024, de autoria do deputado Zé Silva (Solidariedade-MG), que busca regulamentar a pesquisa, a lavra e a transformação de minerais críticos e estratégicos de maneira sustentável no país. Entre esses minerais estão os chamados de terras raras. 

 

Esses minerais de terras raras são essenciais para a fabricação de tecnologias como veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Atualmente, a maior parte da produção global está concentrada na Ásia, especialmente na China, e projetos fora desse eixo, como no Brasil, por exemplo, têm ganhado importância geopolítica e econômica.

 

O Brasil tem a segunda maior reserva de minerais críticos do mundo, mas ainda produz pouco, o que coloca o país como uma potência ainda consolidada no setor. O objetivo do projeto que será votado nesta quarta é evitar que o país fique só na exportação de matéria-prima, perca soberania sobre um insumo estratégico e flexibilize controles ambientais para atrair investimentos. 

 

De acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o marco legal das terras raras e minérios críticos será uma das prioridades nas votações do Congresso neste primeiro semestre. 

 

“O projeto protege a soberania nacional e coloca o país não só como exportador de minerais críticos, mas sim grande produtor de tecnologia, e isso vai fazer com que tenhamos condição de exportar matérias-primas com valor agregado, para que isso incentive a educação com formação de mão de obra e, consequentemente, gere riqueza”, defendeu Motta.
 

Bahia tem 61 áreas com potencial para exploração de terras raras, afirma presidente da CBPM
Foto: Reprodução / Giro em Ipiaú

O presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Henrique Carballal, afirmou que a Bahia tem 61 áreas com potencial para exploração de terras raras. A declaração foi feita durante a inauguração das atividades do Projeto Underground na Mina Santa Rita, em Itagibá, no Médio Rio de Contas.

 

Segundo nota desta terça-feira (31) do Giro em Ipiaú, parceiro do Bahia Notícias, Carballal declarou que as áreas identificadas apresentam viabilidade não apenas para a atividade de mineração, mas também para abastecimento de processos industriais associados.

 

Para ele, o principal desafio relacionado às terras raras não está na localização dos minerais, mas na tecnologia necessária para sua extração. De acordo com o presidente da CBPM, esses minerais podem ser encontrados em diferentes formações geológicas, como argila iônica e rocha dura. Ele afirmou que o governo estadual, por meio da companhia, já dispõe de tecnologia para realizar esse tipo de extração.

 

Carballal também relatou que a Bahia busca atrair três tipos de plantas industriais voltadas ao processamento desses minerais: unidades de purificação, oxidação e separação.

 

A instalação dessas estruturas pode viabilizar o desenvolvimento de uma cadeia produtiva mais ampla, incluindo indústrias voltadas à fabricação de ímãs, equipamentos de transmissão elétrica, dispositivos tecnológicos e componentes utilizados em sistemas de inteligência artificial.

 

As terras raras são consideradas estratégicas para a produção de tecnologias modernas. 

Lula fala sobre expectativas para encontro com Donald Trump e diz esperar conversa "altamente respeitosa"
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Minerais de terras raras, comércio exterior, investimentos, crime organizado, cooperação na área de segurança pública. Esses serão alguns dos temas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende discutir com o norte-americano Donald Trump, em encontro que ainda não tem uma data marcada.

 

O presidente Lula falou sobre suas expectativas para esse encontro durante entrevista coletiva neste domingo (22). Lula está na Índia desde quinta (19), onde participou de um fórum sobre inteligência artificial e realizou reuniões bilaterais com outros líderes presentes no evento. Neste domingo Lula foi para Seul, na Coreia do Sul, onde se reúne com o presidente Lee Jae Myung e executivos de grandes empresas sul-coreanas. 

 

Na entrevista coletiva, Lula disse que a pauta da reunião com o presidente dos Estados Unidos terá uma pauta longa, e que a cooperação na área de segurança é um dos pontos centrais. O presidente brasileiro afirmou estar “muito otimista” com o encontro e defendeu uma relação “altamente civilizada, altamente respeitosa" entre os dois países. 

 

Para Lula, o combate ao crime organizado é uma área em que Brasil e Estados Unidos podem atuar conjuntamente. 

 

“Se tem uma coisa que nós precisamos trabalhar juntos é no combate ao narcotráfico, ao tráfico de armas e à lavagem de dinheiro”, declarou.

 

Sobre a questão da segurança pública, o presidente Lula disse que  pretende levar para a reunião com Trump representantes da Receita Federal, da Polícia Federal, do Ministério da Justiça e do Ministério da Fazenda. Segundo ele, o objetivo é estruturar uma cooperação mais ampla no combate ao narcotráfico, ao tráfico de armas, à lavagem de dinheiro e ao crime organizado internacional.

 

“Vou levar minha Polícia Federal, meu ministro da Justiça, a Receita. Eles levam o FBI, a CIA, o Departamento de Justiça deles”, afirmou.

 

Lula classificou o crime organizado como uma “empresa multinacional altamente sofisticada”, com atuação em diversos países e infiltração em diferentes esferas da sociedade. “Tem braço no poder Judiciário, tem braço no futebol, tem braço na política, tem braço no empresariado”, colocou.

 

Segundo ele, o Brasil já criou estruturas específicas para reforçar o combate a ilícitos na fronteira amazônica, com cooperação entre países vizinhos, e está disposto a ampliar a articulação com os Estados Unidos.

 

Ainda sobre questões de segurança pública, Lula disse na entrevista que já tratou do tema por telefone com Trump ao menos três vezes e que o Brasil enviou às autoridades norte-americanas documentos, fotografias e nomes de investigados. O presidente citou como exemplo um caso envolvendo contrabando de combustíveis e afirmou que o governo brasileiro encaminhou informações detalhadas sobre suspeitos que estariam nos Estados Unidos.

 

“Eu não quero recebê-los. Eu quero prendê-los”, declarou, ao rebater questionamento de jornalista sobre eventual pedido de repatriação de brasileiros. Segundo o presidente, a intenção é que pessoas investigadas por crimes no Brasil sejam entregues para responder à Justiça.

 

O presidente brasileiro afirmou ainda que espera restabelecer um diálogo direto e estável entre os dois países. 

 

“Eu espero que depois dessa reunião a gente possa garantir que volte a ter uma relação altamente civilizada, altamente respeitosa e que a gente não vai deixar de conversar por telefone quando tiver qualquer novidade entre Brasil e Estados Unidos. E eu quero também dizer ao presidente Trump que nós não queremos uma nova guerra fria”, disse.

 

Lula também fez um apelo direto ao diálogo pessoal com Trump. “Nós somos as duas maiores democracias da América Latina, nós somos dois homens com 80 anos de idade, portanto a gente não pode ficar brincando de fazer democracia. A gente tem que tratar com muita seriedade. Eu disse por telefone ao presidente Trump: é preciso a gente pegar um na mão do outro, olhar um no olho do outro pra gente ver o que a gente quer entre Brasil e Estados Unidos. E não tem veto, não tem nada proibido na mesa de negociação. Vamos colocar todos os temas na mesa de negociação”, explicou.

 

Ao comentar ainda a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre tarifas de comércio exterior, o presidente Lula disse que não cabe a ele julgá-la. 

 

“O que eu quero conversar com o Trump é a relação entre Brasil e Estados Unidos. Temos uma relação diplomática de 201 anos. Somos duas grandes democracias. Não tem veto, não tem nada proibido na mesa de negociação. Vamos colocar todos os temas na mesa”, disse Lula. 
 

Brasil e Índia assinam acordo estratégico sobre terras raras e minerais críticos
Foto: Reprodução / Ricardo Stuckert

Brasil e Índia assinaram neste sábado (21), em Nova Delhi, um acordo sobre minerais críticos e terras raras. O ato ocorreu durante encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o primeiro-ministro Narendra Modi.

 

Segundo o governo indiano, o documento visa a formação de cadeias de suprimento entre os dois países. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses minérios, superado pela China. Outras áreas de cooperação Os governos também assinaram memorandos de entendimento nos seguintes setores: comércio, empreendedorismo, defesa e saúde e setor farmacêutico.

 

Narendra Modi afirmou que o trabalho conjunto na saúde focará no fornecimento de medicamentos para o Brasil. O presidente Lula declarou que a cooperação abrange áreas de tecnologia da informação, inteligência artificial e biotecnologia. As informações são da Agência Brasil.

UE negocia acordo de terras raras com o Brasil, diz presidente de comissão 
Foto: Ricardo Stuckert / PR

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou, nesta sexta-feira (17), que o bloco negocia um acordo com o Brasil para investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras. As terras raras são recursos minerais considerados estratégicos para a transição energética, a digitalização da economia e a segurança geopolítica.

 

A fala de Von Der Leyen ocorreu em evento que celebrou o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, negociado ao longo dos últimos 25 anos, no Rio de Janeiro, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, a líder da entidade europeia explicou que a futura cooperação em matérias-primas críticas será um dos pilares da relação entre os dois lados. 

 

“Isso vai moldar nossa cooperação em projetos de investimento conjunto em lítio, níquel e terras raras. É a chave para a nossa transição digital e limpa, e também para a independência estratégica, num mundo em que os minerais tendem a ser instrumento de coerção”, afirmou.

 

O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, mas ainda exporta grande parte desses minerais sem processamento, o que reduz o valor agregado capturado pelo país.

 

No discurso, von der Leyen classificou o acordo Mercosul–UE como um arranjo de “ganha-ganha” e encerrou a fala em português. “Todo mundo beneficiado é realmente um ganha-ganha. Esse é o jeito europeu de fazer negócio. E quero dizer, do fundo do meu coração: obrigada, amigo. O melhor está por vir”, disse, antes de se despedir.

 

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para turbinas eólicas, carros elétricos, chips, equipamentos médicos e tecnologias militares. As informações são do g1.

Na Exposibram, Henrique Carballal exalta Bahia como “locomotiva do desenvolvimento da mineração” no Brasil
Foto: André Carvalho / Bahia Notícias

 

O presidente da Companhia Baiana de Produção Mineral (CBPM), Henrique Carballal, destacou o potencial de crescimento da Bahia frente a transição energética e exploração mineral no Brasil. Durante a cerimônia da Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM) 2025, que ocorreu no Centro de Convenções de Salvador, nesta segunda-feira (27), o gestor da estatal baiana revelou que o enorme acervo baiano de minérios já despertou o interesse de potências internacionais, como os Estados Unidos. 

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, Carballal detalha que o governo americano solicitou informações sobre as áreas baianas de exploração de grafita, mineral composto de carbono puro amplamente utilizado em baterias. “Na reunião que o governo brasileiro e o governo dos Estados Unidos teve, o Ministério das Minas e Energia entrou em contato conosco [a CBPM] a interesse do governo estadunidense acerca de áreas de grafita que nós possuímos aqui na Bahia, até porque acho que eles não sabem das áreas de terra rara que a gente tem.”

 

No evento, a CBPM montou um stand imersivo para detalhar todo o catálogo da mineração baiana. “Então, essa é uma oportunidade na EXPOSIBRAM para anunciar que a gente tem grafita, tem terra rara, cobre, cobalto, nós temos praticamente todos os minerais da transição energética com um teor muito elevado, com grandes quantidades”, explica o presidente da entidade. 

 

O gestor destaca ainda que esse potencial do país dá ao governo “a possibilidade real de transformar a Bahia na locomotiva do desenvolvimento da mineração e da transição energética no Brasil e atender as expectativas do mundo”. E com intenção de trazer investimentos para o estado neste setor, Carballal destaca a atuação da CBPM em oferecer um ambiente propício para os negócios. 

 

“A nossa expectativa é exatamente poder atrair os investimentos. Nós mudamos, inclusive, a nossa forma de atuação, tanto que estamos abertos, portanto, a outras formas de negócio onde a gente espera, com a iniciativa privada e a presença do Estado através da CBPM, encurtar o tempo, que normalmente é de até 15 anos, para você conseguir iniciar um processo de exploração”, aponta. 

 

Ele explica que com o novo formato de atuação e contratos, os resultados da exploração de minério do estado podem chegar 10 anos mais cedo: “Desde que você tenha um conhecimento acerca de uma área geológica para a exploração, de uma larva propriamente dita, a gente pode encurtar no mínimo em 12 ou 13 anos. A gente espera em 2 ou 3 anos já estar desenvolvendo minas, produção mineral em áreas que levariam 20 anos, por exemplo, para você conseguir iniciar um processo de exploração”, completa.

Jerônimo Rodrigues destaca “terras raras” na Bahia em meio a negociação entre Lula e Trump
Foto: Paulo Dourado / Bahia Notícias

O governador Jerônimo Rodrigues compareceu, nesta segunda-feira (27), a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM) 2025, que ocorre no Centro de Convenções de Salvador. No evento, que é o maior evento de mineração da América Latina, o gestor estadual destacou as potencialidades da Bahia na extração de terras raras, especialmente em um contexto de negociações internacionais, como no caso dos Estados Unidos. 

 

Em sua fala, Jerônimo destacou a realização do evento em Salvador. “Fazer um evento aqui é chamar a atenção do potencial que nós temos, até as terras raras que nós disponibilizamos a outros minérios. É nos colocar a luta dizendo: ‘Nós queremos apresentar o que a Bahia tem, queremos dialogar com vocês um formato de exploração que seja responsável, sustentável, que possa envolver ações de ciência, tecnologia e inovação’. O  tempo inteiro foi montando uma estratégia para que o mundo e o Brasil pudessem ver o potencial mineral que a Bahia tem”. 

 

Jerônimo compareceu à cerimônia de abertura da Exposição, ao lado do presidente da Companhia Baiana de Produção Mineral (CBPM), Henrique Carballal. A estatal baiana conta com um stand para a divulgação do potencial da mineração baiana. 

 

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Ao citar as terras raras, o governador comentou ainda as negociações entre o Brasil, na figura do presidente Lula, e o governo de Donald Trump nos Estados Unidos. “O setor empresarial aguardava por isso, para evitar qualquer trauma, qualquer transtorno na relação de exportação e de importação. E a Bahia tem interesse, sim [na negociação]. Nós exportamos produtos minerais, de petróleo, frutas, nós exportamos pescado. Por isso, temos interesse que essa relação se tranquilize”, explica. 

 

Mas ainda assim, Jerônimo se disse otimista no resultado do diálogo bilateral entre os países: “O próprio Trump reconhece o papel do presidente do Brasil e fora dele. E eu espero que essa relação seja ratificada porque houve de má interpretação. Os Estados Unidos são um país importante na economia mundial, precisam de nós e nós precisamos dele. O bom é quando essa relação diplomática acontece”, finaliza. (Atualizada às 20h26)

Pesquisadores da UFRB revelam reservas de Terras Raras no interior baiano e cobram atenção do governo
Foto: Montagem / Bahia Notícias

Uma discussão reacendida pela disputa global é a busca por Terras Raras — elementos que hoje movem a tecnologia global, de celulares a carros elétricos — e que estão ali, silenciosamente guardados. O Brasil é o segundo na lista de países com maior número de reservas, porém exploradas, na maioria por outros países. No caso da Bahia, esse padrão não é diferente: parte do interior baiano possui reservas exploradas por empresas, sobretudo em municípios como Belmonte, Jequié, Ubaíra, Jiquiriçá e Prado

 

As chamadas “Terras Raras” são um grupo de 17 elementos químicos, incluindo os lantanídeos, além do escândio e do ítrio. Apesar de o nome sugerir escassez, esses elementos estão presentes em diversas regiões do planeta — o verdadeiro desafio está em localizá-los em concentrações que viabilizem a exploração econômica.

 

“Apesar do nome, Terras Raras não são assim tão raras [no nosso estado]. O problema é que estão, na maioria das vezes, dispersas na crosta terrestre e exigem processos sofisticados para separação e purificação”, explica o professor Jorge Menezes, que lidera o Grupo de Materiais Fotônicos da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia).

 

Atualmente, a China domina a produção mundial, com mais de 270 mil toneladas extraídas em 2024, enquanto o Brasil, apesar de ter a segunda maior reserva do mundo, segundo o U.S Geology Survey 2024 (cerca de 21 milhões de toneladas), produziu apenas 20 toneladas no mesmo ano. 

 

Veja em gráfico:

 

 

Na Bahia, pelo menos seis municípios estão na mira de projetos de mineração com participação de empresas estrangeiras do Canadá, Austrália e Estados Unidos, conforme informações do Grupo de Materiais Fotônicos da UFRB. Como em depósitos de monazita em minerais pesados nas praias históricas do Extremo Sul Baiano, especialmente na região de Cumuruxatiba em Prado e partes de Alcobaça.

 

 

Para o professor Jorge Menezes, os benefícios podem ser significativos, desde que a Bahia melhore sua estrutura justamente na questão dos materiais.

 

“Não basta exportar o minério bruto. A Bahia pode e deve pensar em toda a cadeia: da prospecção ao produto final. Isso inclui produção de ímãs, dispositivos fotônicos, motores elétricos e outros materiais estratégicos”, ressalta o pesquisador.

 

MATERIAIS CRÍTICOS x ESTRATÉGICOS
É preciso explicar uma diferença essencial, entre os materiais críticos e estratégicos. Os chamados "minerais críticos" são essenciais para setores como tecnologia, energia e defesa, e apresentam alto risco de escassez devido à concentração da produção em poucos países e à dificuldade de substituição — como o cobalto, tungstênio e grafite natural.

 

Já os minerais estratégicos são definidos pelo Estado como vitais para a soberania nacional, segurança e desenvolvimento industrial de determinados países. Enquanto os críticos envolvem análise econômica e de risco, os estratégicos refletem interesses geopolíticos sobretudo em exportação.

 

Dentro da geopolítica dos minerais, uma distinção importante deve ser feita entre minerais críticos e minerais estratégicos. Entre eles estão: terras raras, nióbio, urânio, manganês, grafite, cobre, fosfato e lítio. Para o grupo de pesquisa ainda é preciso fornecer apoio melhor a questão. 

 

“No Brasil, terras raras são ambas as coisas: críticas e estratégicas. Estão no centro de disputas econômicas globais, mas também representam uma chance de autonomia tecnológica e industrial”, explica o professor.

 

A UFRB tem buscado o cenário nacional por seu trabalho de pesquisa aplicada voltada às terras raras. O grupo liderado por Menezes desenvolve desde sensores inteligentes até dispositivos ópticos baseados em materiais sustentáveis.

 

Entre os projetos em andamento estão:

  • Nanoceluloses dopadas com íons de európio, aplicadas em sensores e embalagens inteligentes;

  • Filmes finos luminescentes, utilizados em dispositivos ópticos, produzidos por técnicas de baixo custo.

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, o orientador do projeto pela UFRB revela conversas entre acadêmicos e autoridades que envolve a criação de uma rede de estudo de Terras Raras com parcerias com instituições como UFBA, IFBA, SENAI Cimatec e universidades internacionais, além de publicações científicas e participação em congressos no exterior.

 

“O objetivo é claro: transformar conhecimento científico em desenvolvimento econômico e social. A Bahia pode ser protagonista, com tecnologia própria, formação de especialistas e fortalecimento de sua cadeia produtiva”, conta o professor.

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
Na era da IA, será Gargamel o último que mostra a verdade nas redes? Tudo bem que não é lá uma verdade muito bonita, mas... Enquanto isso, o Soberano devia parar de focar no cozido de Card e ficar de olho nas chapas que estão montando pra ele por aí. E teve prefeito brilhando também essa semana. É anúncio emocionado de São João, é #tápago com post sobre buraco na rua... Mas o amor mesmo está no Detalhes! Saiba mais!

Pérolas do Dia

João Roma

João Roma

"A lei não pode ter lado político".

 

Disse o presidente estadual do PL na Bahia e pré-candidato ao Senado Federal pelo estado, João Roma, utilizou as redes sociais nesta sexta-feira (19) para comentar a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal (PF), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), que teve como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado.

Podcast

Deputado Rosemberg Pinto (PT) é o entrevistado do Projeto Prisma desta segunda

Deputado Rosemberg Pinto (PT) é o entrevistado do Projeto Prisma desta segunda
Foto: Projeto Prisma
O deputado estadual Rosemberg Pinto (PT) é o entrevistado do Projeto Prisma desta segunda-feira (15). O podcast é transmitido ao vivo a partir das 16h no YouTube do Bahia Notícias.

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