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VÍDEO: Após ameaças, juiz responsável por acompanhar caso de fuga em Eunápolis passa a usar colete à prova de balas

Por Redação

Foto: Divulgação / Seap

O juiz Otaviano Sobrinho, titular da 1ª Vara Criminal de Eunápolis, responsável por afastar toda a diretoria do Conjunto Penal e julgar o esquema de fuga de detentos no Extremo Sul, precisou se proteger com colete à prova de balas dentro do fórum.

 

Em entrevista à TV Bahia nesta quinta-feira (30), o magistrado relatou que a medida de segurança se deve por conta de ameaças após estar à frente do caso. 

 

"Chegaram informações de que seriam praticadas ações que pudessem, de alguma forma, causar, escandalizar a sociedade, mostrar o poderio frente ao Estado. Inclusive com ameaças severas às autoridades constituídas que estariam nesse projeto de expansão, entre as quais eu fui incluído", relatou. 

 

O juiz revelou ainda que recebeu apoio do Tribunal de Justiça e agora conta com segurança reforçada, incluindo colete à prova de balas e policiais armados 24 horas por dia, algo inédito em seus 36 anos de carreira.

 

“Tive que contar com o apoio do TJ-BA, uma parte relativa da segurança institucional, e desde então adotado medidas severas de segurança pessoal”, disse. 

 

Confira vídeo:

 

“Isso não esteve presente antes da minha vida. Já sou magistrado há 36 anos, fui promotor de Justiça há 9 anos. Nunca me ocorreu um quadro semelhante para trazer a necessidade de adoção dessas medidas. Não consigo pensar que vou tomar alguma providência decorrente do medo ou preocupado com o medo. Essa é uma palavra que não passa no meu vocabulário”, completou. 

 

ENTENDA O CASO    
A fuga de 16 detentos no Conjunto Penitenciário de Eunápolis, no Extremo Sul da Bahia, virou alvo de investigação da Justiça. O crime veio à tona e ganhou holofotes no estado após a ex-diretora da unidade, Joneuma Silva Neres, fazer um acordo de delação premiada para dar detalhes sobre o esquema na unidade prisional, ocorrida em dezembro de 2024. O depoimento dela trouxe mostrou sua relação com o ex-deputado federal Uldurico Júnior, à época no MDB e atualmente filiado ao PSDB, e as negociações com o líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), Ednaldo Pereira Souza, conhecido como “Dada”.

 

Na delação ao MP-BA, Joneuma Silva Neres contou que conheceu Uldurico Júnior por meio da deputada estadual Claudia Oliveira (PSD). Segundo o depoimento, eles se encontraram pela primeira vez quando ela trabalhava em um cargo administrativo na unidade prisional de Teixeira de Freitas. A data não foi especificada, mas a reportagem apurou que ela é concursada e chegou ao cargo em 2016. 

 

Conforme a delação premiada, Uldurico já frequentava a unidade para realizar reuniões a portas fechadas com os detentos, o que era tratado como algo "normal" pelos colaboradores. O ex-deputado federal seria acompanhado por David Loyola, secretário de Desenvolvimento Econômico de Teixeira de Freitas e irmão do secretário estadual de Relações Institucionais (Serin), Adolpho Loyola, além do vereador do município, Jonatas dos Santos (MDB).

 

O MP-BA indicou que, em 2024, quando Joneuma foi nomeada diretora em Eunápolis, Uldurico Júnior já possuía forte influência dentro da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP). Desde a época, a pasta era comandada por indicação do MDB, partido do ex-deputado federal no período.

 

O depoimento não detalhou quando a relação amorosa entre Joneuma e Uldurico teria se iniciado, mas a ex-diretora afirmou que enxergou sua nomeação à Diretoria do Conjunto Penal de Eunápolis como uma “promoção”. As investigações do MP-BA afirmam que Uldurico já planejava ter uma pessoa de sua confiança instalada na unidade penitenciária, visando viabilizar seus interesses e propósitos ilícitos.

 

A oficialização de Joneuma como diretora em Eunápolis ocorreu em posse no dia 14 de março de 2024, sendo a primeira mulher na chefia de um presídio masculino no estado.

 

A fuga foi concretizada e ocorreu na noite de 12 de dezembro de 2024, envolvendo uma ação coordenada dentro e fora do Conjunto Penal de Eunápolis. Segundo as investigações, 16 detentos que estavam na cela 44 usaram uma furadeira para abrir um buraco no teto e acessar outra área da unidade.

 

Joneuma acabou sendo afastada do cargo em 17 de dezembro de 2024, por decisão da 1ª Vara de Eunápolis, exonerada no dia 7 de janeiro de 2025 e presa duas semanas depois.