Lídice critica mudança nas regras eleitorais e cita Fabíola Mansur: “Atualmente não discutimos ideias, discutimos matemática”
Por Francis Juliano / Eduarda Pinto
A deputada federal e presidente estadual do PSB, Lídice da Mata, teceu críticas ao novo formato de filiação e domicílio eleitoral, promovido pelas atualizações da legislação. Presente no evento oficial da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às obras de implantação do VLT em Salvador, nesta quinta-feira (2), a líder partidária destaca que, com a redução do tempo de migração entre os candidatos na janela partidária, de 1 ano para 6 meses, as discussões políticas foram substituídas pelas análises matemáticas.
“Isso é o resultado de um sistema absolutamente esquizofrênico que criamos na Câmara dos Deputados, que define como prazo de filiação seis meses antes da eleição. Isso é um absurdo. Sempre foi, historicamente, um ano. Não tem partido que se organize dessa maneira. Vai ser a maior mudança de cadeiras de um partido para outro, de toda a história política do país. Então, se isso está acontecendo, obviamente está errado”, afirmou a deputada.
Segundo Lídice, a nova modalidade complexifica e dificulta discussões relacionadas a ideologias e projetos partidários. “Fala-se que era para fortalecer os partidos, estão enfraquecendo os partidos, porque ninguém mais discute qual é a ideia do partido. A pessoa senta e quer saber onde eu vou me eleger. Claro que não pode se eleger todo mundo, todo partido vai eleger meia dúzia, e olha lá”, destaca.
Especialmente sobre a organização dentro do PSB, liderado nacionalmente pelo prefeito de Recife, João Campos, a representante baiana afirma que buscou ir na contramão da “tendência”, privilegiando a formação de uma chapa conceitualmente sólida.
“O PSB entrou nessa discussão com uma chapa, com pessoas que queriam vir para o partido e depois cada um foi mudando seus planos de acordo com o seu interesse particular, porque o processo indica que os interesses coletivos são minoritários. É isso, eu estou lutando muito, acho que vou conseguir, porque não vou parar de lutar, vamos fazer uma chapa e vamos disputar”, garante.
Ela ainda comenta sobre a saída de um forte quadro do PSB baiano, Fabíola Mansur, apontada como novo quadro do PSD. Sobre a desfiliação da ex-correligionária, Lídice aponta que “as pessoas estão compreendendo que esse é o resultado desse sistema". "Fabíola foi, nessa mesma lógica. Ela saiu do PSB, mas ainda nem decidiu qual é o partido para o qual vai. Então, está fazendo conta. Nós atualmente não discutimos ideias, discutimos matemática”, conclui.
