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Consultoria de amamentação oferece apoio a mães com dificuldades no aleitamento em Salvador

Por Victor Hernandes

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Mulheres que enfrentam dificuldades para amamentar os filhos ganharam uma nova ferramenta de apoio durante a gestação e o período pós-parto: a consultoria em amamentação. O serviço consiste em um atendimento especializado realizado por profissionais capacitados, como enfermeiras, obstetrizes e fonoaudiólogas, com o objetivo de orientar e acompanhar a mãe e a família nas diferentes etapas do aleitamento materno.

 

Em Salvador, parte dessas profissionais atua de forma independente, oferecendo atendimentos individualizados, inclusive em domicílio. Para entender melhor como funciona o serviço, o Bahia Notícias conversou com Loise Chamusca, que trabalha há mais de 25 anos como consultora em amamentação.

 

Segundo ela, o sucesso do aleitamento não depende apenas da disposição da mãe em amamentar. A saúde materna, a anatomia da mama e as condições do bebê também podem interferir diretamente no processo. Entre os fatores estão a prematuridade, doenças preexistentes da mãe e disfunções orais que podem dificultar a pega correta do bebê.

 

“O preparo é para entender todo o processo. A consultoria vem exatamente porque muita gente desmama precocemente pela falta de entendimento, pela falta de orientação. Hoje, com o avanço da ciência, a gente sabe da importância do aleitamento humano quando pensa em viver mais e com melhor qualidade de vida”, explicou.

 

Para Loise, a amamentação está longe de ser simplesmente colocar o bebê no peito. O ambiente, a cultura familiar e as informações recebidas pela mãe também podem influenciar na experiência.

 

“Não é só colocar o bebê no peito e está tudo bem. Depende da mãe e do bebê. Existem muitos fatores que interferem diretamente para o sucesso da amamentação, desde a ambientação até a cultura das pessoas que, às vezes, acabam atrapalhando a mãe que amamenta”, afirmou.

 

A consultora também destaca que algumas condições de saúde da mulher podem repercutir na produção de leite, enquanto alterações na boca ou na sucção do bebê podem dificultar a retirada adequada do leite da mama.

 

“Muita gente tem algumas doenças pré-existentes que podem repercutir também na produção do leite. Tem bebê que não pega a mama direito, que não abocanha por alguma disfunção oral. Hoje, a consultoria trabalha em cima desse processo, avaliando quem é essa mulher e quais são os fatores de risco”, disse.

 

Durante o atendimento, a profissional avalia, entre outros aspectos, o formato da mama e a forma como o bebê deve fazer a pega para evitar ferimentos e garantir uma transferência eficiente de leite.

 

“Não existe leite fraco. Existe o bebê que não mama direito”, resumiu.

 

ACOMPANHAMENTO 
De acordo com Loise, o ideal é que o acompanhamento comece ainda durante a gestação. A consulta pré-natal permite identificar possíveis fatores de risco e preparar a mulher para os desafios que podem surgir após o nascimento do bebê.

 

“Faço uma consulta pré-natal e avalio, oriento essa mulher e já identifico quais são os possíveis riscos dela. Claro que vai depender também do bebê depois que ele nascer. Oriento todo o processo e atendo essa mulher se ela tiver qualquer complicação, se machucar a mama ou se o bebê não estiver ganhando peso de forma eficiente”, contou.

 

O acompanhamento também pode continuar durante o puerpério e em outras fases da amamentação, principalmente quando surgem problemas como dor, fissuras, obstrução da mama ou dificuldades na pega.

 

“Vou avaliar todo o processo junto com essa mulher no período pós-parto ou em alguma fase da amamentação em que ela tenha alguma obstrução. Tudo isso a gente acolhe no puerpério também, que é quando ela fica muito vulnerável, fragilizada, e auxilia nesse processo de amamentação, de ajuste”, afirmou.

 

ATENDIMENTO INDIVIADUALIZADO
Cada consulta dura, em média, entre uma hora e meia e duas horas, mas o atendimento pode se estender pelo tempo necessário. Em Salvador, Loise cobra R$ 420 por sessão e atende, no máximo, quatro pacientes por dia, geralmente em domicílio.

 

A limitação da quantidade de atendimentos, segundo ela, é justamente para garantir que cada mãe e cada bebê tenham um acompanhamento individualizado.

 

“Cada mamãe e cada bebê vai requerer o seu tempo de adaptação. Às vezes eu atendo crianças prematuras, bebês com muitas dificuldades e bebês especiais. Cada mãe traz a sua necessidade”, explicou.

 

A profissional conta que trabalha com consultoria em amamentação há mais de 25 anos. Segundo ela, a maior parte das mulheres que procuram o serviço atualmente tem entre 25 e 45 anos, em um cenário no qual muitas mulheres têm optado pela maternidade mais tarde.

 

ACOLHIMENTO
Uma das mães atendidas, a médica Mirella Pelissari, de 37 anos procurou ajuda em dois momentos diferentes: no nascimento do primeiro filho, há seis anos, e novamente após o nascimento da filha caçula, hoje com seis meses.

 

Ela conta que buscou a profissional em meio ao que descreveu como um momento de “desespero” e sofrimento provocado pelas dificuldades para amamentar.

 

“Foi o desespero mesmo, de sofrimento, de uma dificuldade de amamentação. Então eu tive dois contatos com Loise, com o Socorro da Amamentação: no meu primeiro filho, há seis anos, e agora com a minha bebê, de seis meses”, relatou.

 

Para a mãe, o acompanhamento foi um “divisor de águas”. Além do conhecimento técnico acumulado pela profissional ao longo dos anos, ela destaca o acolhimento recebido durante o atendimento.

 

“Ela foi um divisor de águas na minha vida, não só tecnicamente — porque ela tem muito conhecimento, de muitos anos nessa área —, mas como ser humano. Ela é um ser humano incrível”, afirmou.

 

De acordo com ela, o atendimento não se limita a ensinar técnicas de amamentação, mas envolve também a mãe, o bebê e os demais integrantes da família.

 

“Ela acolhe a gente não só como profissional ensinando técnica, técnica, mas também como pessoa. Ela se coloca no lugar da mãe, da família da mãe, dos pais, de todo mundo, e consegue integrar e entregar isso com muito carinho para todos nós”, completou.