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Artigos

Luciana Santos
Pesquisa, diagnóstico e dignidade: o compromisso do MCTI com a saúde da mulher
Foto: Rodrigo Cabral / MCTI

Pesquisa, diagnóstico e dignidade: o compromisso do MCTI com a saúde da mulher

Governar com sensibilidade é transformar o conhecimento científico em dignidade e qualidade de vida para as pessoas. Por muito tempo, as dores e os desafios da saúde menstrual e da endometriose foram tratados sob o manto da invisibilidade, relegados a um silêncio que penaliza milhões de mulheres, trabalhadoras e estudantes brasileiras. Neste mês de junho, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em um esforço conjunto com o Instituto Alana, deu um passo histórico para mudar essa realidade.

Multimídia

Rosemberg prevê vitória de Jerônimo contra ACM Neto no 1º turno

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Em entrevista ao podcast Projeto Prisma, com Fernando Duarte, o deputado estadual Rosemberg Pinto (PT) afirmou ter confiança na vitória do atual governador Jerônimo Rodrigues na disputa contra ACM Neto (União) pelo governo do estado.

Entrevistas

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto

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Foto: Divulgação / Agência AL-BA
De volta à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) desde janeiro, após assumir a vaga aberta com a morte do deputado Alan Sanches, Luciano Ribeiro (União) concedeu entrevista ao Bahia Notícias na última semana e falou sobre a produtividade do Legislativo para 2026, ano que será marcado pela disputa eleitoral, e o cenário político para a corrida ao governo da Bahia. O deputado também tratou da formação da chapa de oposição e afirmou que, neste momento, descarta disputar a reeleição. Desde o seu retorno, Luciano passou a ocupar a vice-liderança da oposição e a vice-presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

amamentacao

“Pacote” de incentivo à amamentação e doação de leite humano chega à Câmara, e hospitais buscam fortalecimento de bancos em Salvador
Foto: Sandro Araújo / Agência Saúde

O incentivo à amamentação e a promoção da doação de leite humano são dois dos temas discutidos em projetos recém-protocolados na Câmara Municipal de Salvador (CMS). As temáticas foram incluídas em quatro textos apresentados pela vereadora Isabela Sousa (Cidadania). Entre as principais proposições, está um projeto de indicação para a criação de um banco de leite humano a ser construído na Maternidade Municipal de Salvador.

 

Foram quatro projetos sobre o tema. Entre eles, o Projeto de Indicação (PIN) n° 257/2026, no qual a vereadora indica ao prefeito de Salvador e à Secretaria Municipal da Saúde (SMS) a criação, implantação e funcionamento de um Banco de Leite Humano na Maternidade Municipal de Salvador, evidencia que o equipamento pode fortalecer as ações de atenção integral à saúde materno-infantil, o suporte técnico às mães lactantes e a assistência nutricional na capital.

 

Os outros textos, como o Projeto de Indicação (PIN) n° 289/2026, indicam ao Executivo Municipal a criação e implantação de Salas de Apoio à Amamentação nas escolas e creches da rede municipal de ensino de Salvador. O texto 288/2026, também como PIN, dá a mesma sugestão ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, mas no âmbito das universidades e instituições públicas estaduais.

 

Chama a atenção, no entanto, o Projeto de Lei (PL) 171/2026, que institui diretrizes de combate à desinformação e às fake news relacionadas à doação de leite materno no âmbito do Município de Salvador. Na justificativa do texto, a vereadora reforça a necessidade de “combater conteúdos falsos ou enganosos que possam comprometer a confiança da população nos Bancos de Leite Humano e nos serviços de apoio ao aleitamento materno”, assim como garantir que sejam realizadas ações educativas sobre o tema.

 

Os projetos foram protocolados pouco antes de a legisladora dar à luz a filha, Maria Ísis. Ao Bahia Notícias, a vereadora contou que a maternidade foi um importante incentivo para levar as pautas ao Legislativo Municipal.

 

 

“Sem dúvida, a maternidade trouxe um olhar ainda mais sensível para essa pauta. Quando a gente vivencia a amamentação na prática, entende a importância do leite materno para o desenvolvimento dos bebês e também os desafios que muitas mães enfrentam nesse processo. Mas esse projeto vai além da minha experiência pessoal. Ele nasce da preocupação com a saúde materno-infantil e da necessidade de fortalecer uma cultura de informação correta, acolhimento e solidariedade”, explica.

 

Segundo a vereadora, o projeto de indicação do banco municipal de leite humano é uma forma de ampliar o debate sobre a amamentação e a saúde neonatal. “Ao mesmo tempo, apresentei uma indicação para a criação de um Banco de Leite Humano na Maternidade Municipal de Salvador, porque acredito que precisamos ampliar tanto o acesso ao leite humano quanto o apoio às mães que desejam doar”, diz Isabela.

 

Espacialmente no que tange ao PL 171/2026, de combate à desinformação relacionada à doação de leite materno, a proposta prevê ações permanentes de conscientização e educação, utilizando os canais institucionais da Prefeitura, unidades de saúde, maternidades e campanhas públicas para levar informação de qualidade à população.

 

A legisladora explica que o projeto atua de forma complementar à indicação do banco de doação. “Essa iniciativa dialoga diretamente com a proposta que apresentei para a implantação do Banco de Leite Municipal. Não basta apenas criar a estrutura física; é preciso também fortalecer a cultura da doação e garantir que as mães recebam apoio, orientação e segurança durante todo esse processo”, ressalta.

 

O objetivo é garantir que as mães tenham acesso a orientações baseadas em evidências científicas, desmistificando boatos e incentivando a doação de leite humano. “Infelizmente, ainda circulam muitas informações falsas dizendo que a doação faz mal à mãe, que reduz o leite do próprio bebê ou que o processo não é seguro. Nada disso é verdade. Essas fake news acabam gerando medo e insegurança justamente entre mulheres que poderiam ajudar a salvar vidas”, expõe Isabela.

 

A vereadora afirma ainda que grande parte das dificuldades de estoque nos bancos estaduais de leite pode ser atribuída às fake news. “O resultado é uma redução no número de doadoras e, consequentemente, nos estoques disponíveis para atender recém-nascidos prematuros ou internados em UTIs neonatais”, destaca.

 

Como parte de uma iniciativa própria de garantir que a amamentação e a doação de leite humano sejam debatidas com seriedade na Câmara e na sociedade civil, Isabela conta que realizou o próprio registro no Banco de Leite do Hospital Roberto Santos.

 

“Eu, inclusive, já iniciei meu processo de doação de leite humano. É um processo muito simples e acolhedor: a equipe vai até a casa da doadora, orienta todo o procedimento e faz a coleta do leite. Na semana passada, recebi a primeira visita e agora vou começar minhas doações. Como mãe, sei da importância desse gesto e fico feliz em poder ajudar outros bebês que precisam desse cuidado tão essencial”, garante.

 

Atualmente a rede de doação de leite humano na Bahia inclui quatro bancos e um posto de coleta em Salvador, sendo eles: o Hospital Geral Roberto Santos, a Maternidade Climério de Oliveira, o Instituto de Perinatologia da Bahia (Iperba), a Maternidade de Referência Professor José Maria de Magalhães Netto e na Maternidade Tsylla Balbino (posto de coleta). Além de outros quatro no interior do estado, sendo eles: o Hospital Estadual da Criança e o Hospital Municipal Inácia Pinto dos Santos, em Feira de Santana; o Hospital Manoel Novaes, em Itabuna; e o Hospital Municipal Esaú Matos, em Vitória da Conquista.

 

Para dar mais detalhes processuais sobre a doação, o Bahia Notícias conversou com as especialistas Ana Paz, pediatra e neonatologista responsável pelo Banco de Leite Humano do Instituto de Perinatologia da Bahia (Iperba); e a enfermeira Ana Carolina Meireles, coordenadora do Banco de Leite Humano do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS).

 

DA MAMA AO LEITO
O primeiro passo para avançar no debate sobre a doação de leite humano é a garantia da transparência dos processos, por mais simples que pareçam. Ao BN, a pediatra Ana Paz destaca que todo o processo, da ordenha até o atendimento dos pequenos pacientes dos hospitais, é permeado por etapas de avaliação, segurança e acolhimento de doadoras e pacientes.

 

De cara, a médica, que é presidente da Sociedade Baiana de Pediatria, reforça que o procedimento de doação depende do voluntariado das mães. “Uma mulher saudável, que tem um excedente de leite e que esteja amamentando o filho pode se candidatar a ser doadora. Ela pode entrar em contato com o Banco de Leite que existe na cidade e se cadastrar”, afirma.

 

Após se voluntariar, a pessoa apta a doar deve “responder a um questionário padrão sobre as suas condições sociais”. “É um questionário que fala sobre condições de armazenamento do leite, como foi feito o pré-natal, saúde prévia, se ela fuma, se usa algum tipo de droga ou de medicamento e, depois disso, ela precisa enviar alguns exames que fez durante o pré-natal”, explica a médica.

 

As doadoras precisam apresentar exames de hemograma, sífilis, HIV, HTLV e hepatite B, realizados durante o pré-natal. No perfil de doação, é indicado que a pessoa doadora deve: ser saudável; apresentar exames pré ou pós-natal compatíveis com a doação de leite ordenhado; não fumar mais que 10 cigarros por dia; não usar medicamentos incompatíveis com a amamentação; não consumir álcool ou drogas ilícitas; e realizar os exames citados.

 

A responsável pelo banco de leite do Iperba destaca que, “caso ela não tenha esses exames, pode fazê-los aqui na unidade”. “A gente se predispõe a fazer esses exames e, uma vez com esse material na mão, ela pode passar a ser doadora”, afirma.

 

“Se estiver tudo ok, ela recebe os frascos estéreis aqui no Banco de Leite, ou em qualquer banco de leite em que pretenda doar. São frascos de vidro com tampa plástica, geralmente de no máximo 500 ml, para facilitar o armazenamento dentro do congelador ou do freezer. Por questão de segurança, esses frascos são enviados pela própria unidade”, explica a médica.

 

A segurança é uma das prioridades dos bancos de leite, especialmente considerando que o “público final” da doação é composto por bebês frágeis, com histórico de prematuridade, baixo peso e baixa imunidade. Ana Paz, que também atua como Consultora Internacional de Aleitamento Materno, narra o processo a ser seguido por cada doadora.

 


Foto: Divulgação / Agência Pará

 

“Ela deve fazer a ordenha dentro deste frasco e não deve permitir que ele seja cheio até a boca. [É necessário] Deixar um espaço de mais ou menos um ou dois dedos, sem encher completamente, para que, quando congelar, o frasco não estoure. Ela pode fazer a primeira ordenha, anotar a data e o horário em que tirou aquele leite, que será a validade daquele frasco”, explica.

 

Segundo ela, o nível de estoque da rede de doação de leite humano já opera, historicamente, em déficit, já que, na maioria das vezes, a oferta não supre a demanda. “A gente está sempre precisando de mais. Temos que fazer sempre um mapeamento de quanto vamos precisar por dia, porque não podemos usar todo o leite em um dia e no outro deixar faltar”, explica.

 

Ana Paz destaca que as doações são necessárias continuamente, porque nem todo o leite que entra no banco é utilizado. Ainda na esfera de processos de segurança, “o leite passa por vários testes de triagem; desde a embalagem em que ele vem, precisa chegar de uma forma adequada”. “Às vezes vem com alguma sujidade e é descartado. Então, se não passar em todos os testes de triagem, não poderá ser utilizado”, diz a médica.

 

Ainda como forma de incentivo à doação, a médica explica que os bancos de leite contam com veículos especiais e o apoio do Corpo de Bombeiros, por meio do Projeto Bombeiro Amigo do Peito, para a coleta dos frascos nos domicílios das pacientes.

 


Projeto Bombeiro Amigo do Peito, desenvolvido pelo Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBM-BA). Foto: Marcia Santana

 

Para a pediatra, todo esse trabalho vale a pena por “saber que a gente pode estar oferecendo o melhor alimento que existe para um bebê cuja mãe, naquele momento, está impedida totalmente ou parcialmente”, destaca. “Então, é um gesto de solidariedade, é um gesto de amor ver alguém doando, repartindo um pouco do seu leite para alimentar o bebezinho naquele momento, o que vai fazer uma diferença muito grande na vida dele”, completa.

 

CORRENTE DE AMOR
Quem acompanha de perto essa rotina de planejamento e acolhimento de pacientes e doadoras à frente do banco de leite é a enfermeira Ana Carolina Meireles, coordenadora do Banco de Leite Humano do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), um dos hospitais de maior rotatividade da capital baiana. Em entrevista ao Bahia Notícias, a profissional de saúde destaca a importância da doação de leite humano frente aos mitos que afastam diversas doadoras em potencial.

 

“O nosso escopo são mães que estejam amamentando ou que estejam retirando para os seus próprios bebês e que tenham excedente de leite. Aquele bebê que está dando conta do leite e não está sobrando, a gente não quer tirar dele para que ela doe, entendeu? Ela não pode dar a fórmula para o bebê dela e doar leite para mim. Ela precisa estar alimentando o filho com o seu leite e ter sobra”, explica a enfermeira.

 


Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

 

A especialista em Neonatologia conta que muitas mães não compreendem o que configura esse “excedente” e temem que, ao doar o que sobra, a amamentação seja prejudicada. Ana Carolina explica que o processo é justamente o contrário.

 

“Isso é fisiológico: quanto mais a gente retira leite do peito, mais o peito produz. É a lei da oferta e da demanda”, brinca a enfermeira. “Da mesma forma, quando estamos no início da amamentação, a mãe tem muita dúvida se o leite é pouco. ‘Ah, meu leite é fraco, meu leite é pouco’, mas quanto mais colocar o bebê para mamar, mais se produz leite. É a mesma coisa: quanto mais eu retiro, mais eu produzo. Então, não vai faltar para o bebê dela”, garante Ana Carolina.

 

A responsável pelo banco explica ainda que o processo de doação é totalmente voluntário e deve respeitar a necessidade das doadoras e de seus próprios filhos. “Quando a gente vê que o bebê está se adequando à quantidade, ou que por conta de tempo não está dando para tirar o excedente, a gente faz o acompanhamento com as doadoras e permite que elas deem uma pausa ou deixem a doação”, explica.

 

Ao lidar com um “insumo” de oferta reduzida, Ana comenta que, em alguns momentos, a gestão dos bancos de leite costuma ficar mais prejudicada. No HGRS, ela cita que meses como junho, conhecido pelos festejos juninos, tradicionalmente provocam maior fragilidade nos estoques.

 

“A gente tem uma queda de doação nos períodos festivos. Agora, por exemplo, é um período em que entramos em baixa, porque tem muita viagem, férias escolares e recessos. No final do ano, conseguimos ver um impacto ainda maior, justamente por ser um período longo de festas. Então, temos uma redução”, narra.

 

Segundo ela, a solução é garantir as doações com antecedência, especialmente por meio de campanhas. “A gente tem dois momentos cruciais no ano em que fazemos mais campanhas: maio, o mês da doação, que passou recentemente; e agosto, o mês de incentivo ao aleitamento materno. Então, tentamos ao máximo, nessas campanhas de maio e agosto, criar um estoque para que não passemos sufoco”, explica Carolina.

 


Foto: Divulgação / HGRS / Sesab

 

Ainda sobre o banco de leite humano do Hospital Geral Roberto Santos, Ana Meireles relata que “cada gota importa” para garantir que o maior número de pequenos pacientes possa ser atendido. “O estoque que a gente tem atende todos os bebês que eu tenho no Roberto Santos? Não. Eu tenho cerca de 50 bebês nas unidades neonatais que estão internados. Para atender todos os 50, eu deveria ter mais ou menos entre 6 e 8 litros de leite por dia. Hoje, eu distribuo 3,5 litros”, relata.

 

Segundo a coordenadora, a estratégia é priorizar os pacientes mais frágeis. “Todos esses 50 precisariam de leite de banco? Não, mas seria bom que eu tivesse uma retaguarda, porque há mães que estão produzindo, mas o volume demandado nas unidades às vezes aumenta. Mesmo com 3,5 litros, eu não consigo atender a todos os bebês que porventura precisarem. Consigo atender os menores e, a partir daí, tenho uma escala de prioridade. Sempre os prematuros e os que têm baixo peso ou risco vêm primeiro, até porque os volumes que eles mamam são menores”, afirma.

 

Em um cenário tão complexo quanto uma Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal, Carolina explica que assistir ao impacto da doação de perto é um sentimento único.

 

“É uma corrente de amor, como costumamos falar. A doação faz com que esse seja o nosso sentimento. Quando trabalhamos nessa corrente, até as dificuldades se transformam em obstáculos pequenos. Ver o resultado lá na ponta, daquele bebê que tomou o leite, passou pela unidade, foi para casa e a mãe depois volta dizendo: 'Olha, estou em casa, já estamos bem' ou 'Ele já está mamando no meu peito', receber esse retorno é extremamente gratificante”, conclui a enfermeira.

Maioria de recém-nascidos não têm acesso pleno ao aleitamento materno na Bahia, alerta especialista
Foto: José Cruz / Agência Brasil

 

O aleitamento materno/humano, uma das principais práticas, essencial para o começo da vida, estão com taxas em um nível inferior ao recomendado no Brasil. Segundo a fonoaudióloga Carla Steinberg a Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que 50% das crianças com até 6 meses de idade sejam amamentadas exclusivamente até este ano. 

 

No entanto, conforme a especialista, no país, a taxa ficou em 45,8%, sendo menor ainda no Nordeste. Em entrevista a reportagem,  a profissional revelou que na Bahia os números relacionados à amamentação estão menores ainda, fazendo com que grande parte dos bebês não tenham acesso ao aleitamento. 

 

“As taxas de aleitamento humano no Brasil ainda estão aquém do desejado. A OMS recomenda que 50% das crianças até 6 meses de idade sejam amamentadas exclusivamente até 2025, e a meta que sobe para 70% até 2030. Em um estudo de 2019 (ENANI 2019), últimos dados oficiais, a amamentação exclusiva até os 6 meses foi de 45,8%. No Nordeste essas taxas diminuem. Se pensarmos na realidade da Bahia, uma parcela significativa de recém-nascidos acaba não tendo acesso pleno ao aleitamento materno devido a um conjunto de barreiras que vão além da decisão individual da mãe”, explicou ao BN. 

 

Coordenadora do projeto de extensão Universitária vinculados à saúde materno infantil da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Carla observou também a respeito da importância do ato na primeira hora de vida do bebê.

“A amamentação na primeira hora de vida, conhecida como Hora de Ouro, é um momento fundamental para o estabelecimento do vínculo entre mãe e bebê e para o sucesso da amamentação no futuro. Esse momento fortalece a confiança materna, o vínculo afetivo e está associado a maiores taxas e maior duração do aleitamento exclusivo. Reconhecendo sua relevância, a Hora de Ouro é garantida como um direito da mãe e da criança por políticas públicas e recomendações nacionais e internacionais de humanização do parto, devendo ser assegurada pelos serviços de saúde sempre que não houver risco imediato para a vida de ambos”, contou. 

 

A especialista apontou ainda acerca dos benefícios que podem ser gerados no processo de amamentação de um bebê. 

 

“Para o bebê, os benefícios incluem: fortalecimento do sistema imunológico, proteção contra infecções respiratórias e gastrointestinais, melhor desenvolvimento cognitivo e menor risco de desenvolver obesidade e doenças crônicas no futuro. Para a mãe, a amamentação auxilia na redução do sangramento pós-parto, contribui para o retorno do útero ao tamanho normal, ajuda no controle do peso e reduz o risco de câncer de mama e de ovário. Além disso, fortalece o vínculo afetivo com o bebê”, considerou Steinberg. 

 

Veja a entrevista completa 

Agosto Dourado: Maternidade em Salvador oferece consultoria de amamentação materna para pais adotivos e comunidade LGBTQIAPN+
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Mães  (sejam adotivas ou não) e pessoas comunidade LGBTQIAPN+ que têm filhos pela primeira vez, enfrentam em algumas ocasiões, uma certa dificuldade no processo de amamentação dos recém-nascidos. Visando a questão, a campanha Agosto dourado foi criada mundialmente para incentivar o aleitamento materno, considerado muito importante para o desenvolvimento saudável dos bebês e fortalecimento do vínculo entre mãe e filho. 

 

Segundo a fonoaudióloga Sheila Dias, a campanha serve para auxiliar também familiares, amigos e outras pessoas da rede de apoio da mãe que iniciou o processo de amamentação de seu filho. 

 

“O Agosto Dourado é uma campanha de conscientização não só para as mães dos bebês quanto para toda população. Essa conscientização também é para o esposo, companheiro, avós e avôs e toda rede de apoio que está cercado em torno daquela família. Então a orientação que a gente dá é justamente para as mães que ainda não tem tanta experiência ou conhecimento sobre como posicionar o bebê para que não venha machucar o seu peito, a melhor posição para colocar a criança, para que seja confortável tanto para ela quanto para seu filho também. Às vezes o neném pode mamar 20 minutos ou ficar 1 hora no peito. Além disso, a sucção no seio materno é de extrema importância para o desenvolvimento orgânico da criança”, explicou Dias. 

 

A especialista indicou ainda alguns métodos e procedimentos recomendados para mulheres que se deparam com dificuldade de amamentar, e também acerca da pega (ato do bebê sugar o leite materno, de forma que o peito e parte da aréola inferior da mãe estejam dentro da boca do recém nascido) ou sucção, dores, feridas, entre outras.

 

“Quando o bebê está no peito, a gente avalia se a pega está correta. Se não estiver correta e se a criança não pegar só no bico, mas pegar toda aréola do peito também, se ele fizer uma pega correta vai garantir a sucção correta. Além desta avaliação é importante que seja feito o teste da linguinha. A criança pode não segurar bem o peito e ainda pode machucar o peito da mãe, ou não mamar o suficiente. A criança ainda pode estar chorando muito e não conseguir mamar direito. Ainda tem a questão de não oferecer chupeta nem mamadeira, pois podem causar no bebê um efeito que se chama confusão de bicos, ele não vai saber a diferença entre o peito da mãe e isso causa medo”, revelou a fonoaudióloga. 

 

PAIS ADOTIVOS E COMUNIDADE LGBTQIAPN+

Além de mães cisgenero, pessoas LGBTQIAPN+ que desejam amamentar seus filhos ou pais adotivos, podem encontrar uma consultoria sobre o tema na Maternidade Climério de Oliveira, em Salvador. 

 

O Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes-UFBA/Ebserh) possui um ambulatório transexualizador e a maternidade Climério de Oliveira possui um o “Programa Trangesta”, onde é feito o pré-natal de pessoas trans gestantes. 

 

Na maternidade também é possível encontrar o Banco de Leite Humano que faz a consulta de orientação para amamentação.

 

“A gente analisa todas as situações, pois por exemplo, o homem trans que gestou, se deseja amamentar, a gente vai fazer o acompanhamento dele porque muitas vezes eles não querem amamentar então a gente faz o acolhimento e a gente respeita a decisão de querer ou não amamentar. Caso a pessoa queira, a gente faz todo o acompanhamento multidisciplinar para essa pessoa que deseja amamentar, mas só que vai depender da situação. Isso também se encaixa para uma mãe adotiva”, disse a neonatologista da unidade de saúde, Alena Jardim. 

 

“Eles começam a fazer o acompanhamento uns seis meses antes, tem que ser bem no início da gestação, pois a chance de ter um sucesso é maior. Aí a gente faz o acompanhamento, faz estímulo medicamentoso e faz uso de medicações, às vezes hormônio, e a gente tem uma medicação para estimular a produção do leite”, contou Jardim. 

 

A gente faz o atendimento voltado para a amamentação. Como a maternidade agora é referência para casal trans, por conta do ambulatório do Hupes. A pediatra Maria Helena Leal Silva, observou ainda os benefícios para o desenvolvimento de crianças ocasionado pelo o aleitamento materno. 

 

“A amamentação materna tem uma série de benefícios. Fortalece os nutrientes, fortalece o sistema imunológico, ajuda a prevenir alergias, entre outros”, constatou.

Campanha de doação de leite materno beneficia 8 mil bebês na Bahia
Foto: Reprodução / Clínica SIm

O número de doadoras de leite materno em toda Bahia chegou a 8 mil, no ano passado, tendo sido coletados aproximadamente 7 mil litros de leite que beneficiaram 8 mil bebês. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Saúde, na última segunda-feira (06), quando a pasta lançou a campanha "Doe leite materno: vida em cada gota recebida". A meta é ampliar os números alcançados em 2023. 

 

De acordo com o Ministério da Saúde, em todo o país, foram doados 253 mil litros de leite humano, que ajudaram 225.762 recém-nascidos em todo o Brasil. Esse número é 8% maior do que o registrado em 2022 e representa 55% da real necessidade por leite humano no país. A expectativa da pasta é para que em 2024, a oferta de leite materno a recém-nascidos internados nas unidades neonatais cresça em mais 5%. 

 

A cada ano 340 mil bebês brasileiros prematuros ou de baixo peso nascem no Brasil, o que corresponde a 12% do total de nascidos vivos, segundo estimativas da pasta. A doação de leite humano traz benefícios aos recém-nascidos prematuros ou de baixo peso que estão internados em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) neonatais e não podem ser amamentados pela própria mãe. As chances de recuperação e de uma vida mais saudável aumentam se a alimentação exclusiva com leite humano for possibilitada.  

 

O Brasil possui 225 bancos de leite humano em todos os estados e 217 postos de coleta. A rede brasileira é uma iniciativa do Ministério da Saúde, por meio do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), e atualmente integra a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança e Aleitamento Materno (PNAISC).   

 

A doação de leite humano representa, ainda, uma importante economia de recursos para o País com a diminuição da necessidade de compra de fórmulas infantis para recém-nascidos prematuros nas maternidades do Sistema Único de Saúde (SUS).   

 

O Banco de Leite Humano dos Servidores é um desses espaços. Muitas mães com dificuldade para amamentar agendam visitas ao local para receber orientações e suporte necessário para a ordenha e o armazenamento do leite. Quando há excedente, elas doam aos recém-nascidos internados no hospital.  

 

BENEFÍCIOS DA AMAMENTAÇÃO

O Ministério da Saúde destaca que a amamentação é a forma de proteção mais econômica e eficaz para redução da morbimortalidade infantil, com grande impacto na saúde da criança, diminuindo a ocorrência de diarréias, afecções perinatais e infecções, principais causas de morte de recém-nascidos.

 

Ao mesmo tempo, traz inúmeros benefícios para a saúde da mulher, como a redução das chances de desenvolver câncer de mama e de ovário. Estima-se que o aleitamento materno seja capaz de diminuir em até 13% a morte de crianças menores de 5 anos em todo o mundo por causas preveníveis. Nenhuma outra estratégia isolada alcança o impacto que a amamentação tem na redução das mortes de crianças nessa faixa etária.

Hospital Roberto Santos e o Shopping Paralela realizam campanha de incentivo à amamentação
Foto: Fernando Vivas/GOVBA

Para conscientizar mães e futuras mamães a respeito da importância da amamentação, o Banco de Leite Humano do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), em parceria com o Shopping Paralela, realiza a campanha do Agosto Dourado, considerado o mês do aleitamento materno. A ação, iniciada nesta quinta-feira (10), vai até sábado (12), no centro de compras, localizado na Avenida Paralela, em Salvador.

 

Mãe de duas crianças, a servidora pública Daniela Calmon fala da experiência com a amamentação. Para ela, a rede de apoio é muito importante neste período. “Toda mulher precisa de pessoas que apoiem e ajudem. Porque cuidar de um filho e amamentá-lo, não é fácil e nem é tão simples assim. Envolve um conjunto de fatores. Exige muito da mãe, exige muito da mãe ter alguém ao lado, que possa apoiá-la para que ela possa amamentar o seu filho e também conseguir se alimentar bem, se cuidar, para poder nutrir bem o bebê”. 

Para promover amamentação, Pitty publica primeira foto da filha recém-nascida
Foto: Divulgação
Avessa à exposição de sua vida pessoal, Pitty abriu exceção em prol de uma causa. Após o nascimento de sua filha, em agosto deste ano, a roqueira baiana afirmou que não publicaria fotos da pequena Madalena. Nesta terça-feira (27), no entanto, a cantora mostrou uma fotografia com o bebê nos braços pela primeira vez, para promover a amamentação. “amamentar: a qualquer hora, em qualquer lugar #freetetas #amamentação #livredemanda”, escreveu na postagem.
 
 

amamentar: a qualquer hora, em qualquer lugar #freetetas #amamentação #livredemanda

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Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
Vamos ver quem vai poder cantar "Amigo estou aqui". Porque às vezes é homenagem, às vezes é premonição. Mas preocupado mesmo eu estou com Gargamel. Enquanto isso, o São João chega com os clássicos: amendoim cozido, político dançando mal e Bruno de Wagner com uma combinação questionável. Mas decidiram cantar dessa vez, e aí foi uma surpresa - negativa - atrás da outra. Saiba mais!

Pérolas do Dia

João Roma

João Roma

"A lei não pode ter lado político".

 

Disse o presidente estadual do PL na Bahia e pré-candidato ao Senado Federal pelo estado, João Roma, utilizou as redes sociais nesta sexta-feira (19) para comentar a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal (PF), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), que teve como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado.

Podcast

Deputado Rosemberg Pinto (PT) é o entrevistado do Projeto Prisma desta segunda

Deputado Rosemberg Pinto (PT) é o entrevistado do Projeto Prisma desta segunda
Foto: Projeto Prisma
O deputado estadual Rosemberg Pinto (PT) é o entrevistado do Projeto Prisma desta segunda-feira (15). O podcast é transmitido ao vivo a partir das 16h no YouTube do Bahia Notícias.

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