Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Notícia
/
Geral

Notícia

BYD avalia operar no Estaleiro Enseada, mas infraestrutura em Maragogipe gera preocupação

Por Mauricio Leiro

Foto: Divulgação

A BYD Auto do Brasil segue em busca de um espaço portuário para conseguir a viabilidade de sua operação. A gigante chinesa já havia demonstrado o interesse na operação do Porto da Ford, porém, agora, uma alternativa tem sido buscada pela empresa: o Terminal de Uso Privado (TUP) Enseada, localizado no município de Maragogipe. 

 

O Bahia Notícias apurou junto com lideranças governistas que, segundo a empresa, a medida visa dar suporte às operações logísticas da montadora vinculadas à sua unidade fabril no estado. Em documento oficial direcionado à Enseada Indústria Naval S.A., no qual o BN teve acesso, a fabricante formalizou a intenção de avaliar parcerias para a realização de serviços de recebimento, movimentação, armazenagem temporária e posterior destinação de cargas voltadas à fábrica baiana. A proposta inclui o manuseio de cargas de projeto acondicionadas em contêineres fechados e lacrados.

 

O documento prevê ainda a possibilidade de contratação de logística reversa para contêineres vazios, mediante o retorno do material da fábrica ao terminal para armazenagem temporária e posterior exportação.

 

Segundo a BYD, a busca pelo TUP Enseada surge como uma alternativa operacional complementar e emergencial. A empresa aponta que a necessidade decorre de limitações enfrentadas na região para o escoamento, movimentação e armazenagem de contêineres com cargas de projeto, provocadas sobretudo pela restrição de áreas disponíveis no terminal atualmente utilizado em Salvador. Apesar disso, alguns questionamentos têm surgido dentro do setor produtivo. 

 

Um dos pontos seria a infraestrutura para o desembarque da empresa na região, já que o entorno da cidade ainda não possui acesso terrestre adequado para levar e trazer os contêineres. A principal rodovia é a BA-001, tronco viário que interliga a região ao restante do estado, desviando a partir da BA-001, conectando-se à BA-514, rodovia estadual que passa por São Roque do Paraguaçu e vai até a localidade de Enseada.

 

Exemplos semelhantes pelo país já demonstraram a dificuldade da alteração de uma operação, como em Florianópolis, em Santa Catarina, que por conta de uma reconfiguração específica, teve as vias de acesso ao Porto impactadas de forma direta. Desde quilômetros de congestionamentos em diversas rodovias, até o impacto direto na qualidade das pistas, já que os veículos que operam o embarque e desembarque de contêineres possuem peso elevado, dificultando ainda mais a qualidade do asfalto das rodovias. 

 

Desde a chegada da BYD na Bahia, a empresa costura um acordo para conseguir operar o Porto da Ford, que possui melhor rota e formato para operação da empresa. Apesar disso, a chinesa ainda não conseguiu, através do governo da Bahia a autorização para a gestão do espaço. O governo da Bahia prorrogou por mais seis meses o contrato de estudos de exploração do Terminal Portuário Privativo Miguel de Oliveira, o chamado Porto da Ford. A previsão é de um custo de R$ 584,7 mil pela iniciativa. O espaço fica no Porto de Aratu, em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador (RMS).

 

A Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), inclusive, é resistente a mudança. A empresa pública contestou formalmente na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) os pedidos para liberar a movimentação de contêineres no Terminal Enseada, em Maragogipe, medida solicitada para atender às demandas logísticas da fabricante de veículos BYD.

 

A autoridade portuária alega que o Porto de Salvador possui infraestrutura especializada e capacidade operacional imediata para absorver a carga projetada de 28 mil TEUs anuais, rebatendo as alegações de gargalos ou saturação no porto público.

 

No documento, a Codeba pede o sobrestamento cautelar do pedido de autorização emergencial e defende que conveniências comerciais não justificam atropelar as etapas do processo regulatório ordinário. A estatal adverte que a concessão precária sem o devido aprofundamento técnico pode causar impactos predatórios aos investimentos na infraestrutura pública, destacando a necessidade de comprovar o cumprimento prévio de exigências ambientais, fiscais e aduaneiras antes de qualquer liberação.