Sindicalista confirma adesão à greve dos garis na Bahia: “Estão fazendo pouco caso dos trabalhadores”
Por Lucas Vieira / Eduarda Pinto
O sindicalista de Limpeza Urbana, Luiz Carlos Suíca, confirmou que os garis e margaridas da Bahia devem aderir à greve nacional da categoria, prevista para o dia 22 de junho. Ao BN, o ex-vereador de Salvador afirmou que a decisão de realizar uma nova mobilização é mais uma tentativa de pressionar a votação do Projeto de Lei 4.146/2020, conhecido como PL dos Garis e Margaridas, no Senado Federal.
Para o sindicalista, a greve nacional “talvez seja a única forma de eles possam perceber que a saúde de uma cidade, de um país, de um estado, ela primeiro entra pela mão dos trabalhadores de limpeza urbana”. Na Bahia, o Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza do Estado da Bahia (SindilimpBA) já confirmou a adesão. “Então, os dirigentes e os sindicatos vão seguir a determinação que os trabalhadores tomaram nas assembleias de fazer uma greve geral”, explica.
O PL dos Garis e Margaridas regulamenta a atividade dos trabalhadores da limpeza urbana, incluindo garis e margaridas que atuam em serviços de varrição, coleta e destinação de resíduos. Entre os pleitos da categoria que estão contidos no texto, estão: a fixação do piso salarial nacional de R$ 3.036,00 mensais, mais que o dobro do piso atual em Salvador, no valor de R$1.693,78 por 44 horas semanais; e adicional de insalubridade em grau máximo, o equivalente a 40% do salário-base.
A nova mobilização ocorre após uma primeira paralisação nacional, realizada dia 15 de maio, que não obteve resultado. “Só para falar, não mudou nada. A paralisação do dia 15 de maio… [para] chamar a atenção lá do Alcolumbre. Ele pouco se importa com os trabalhadores de uma categoria que já tem mais de 150 anos. Eles acham que o trabalhador de limpeza urbana é a base da pirâmide. Portanto, o trabalhador decidiu, e as entidades decidiram, por uma greve por tempo indeterminado”, diz Suíca.
O ex-vereador diz ainda que o objetivo da categoria é pressionar ainda mais a pauta no Congresso, podendo estender a greve por tempo indeterminado. “Uma greve geral, ela pode começar e terminar em um dia, ou pode não terminar, não ter tempo de terminar”, afima.
Ao BN, Luiz Carlos resume que a mobilização se faz importante pois demonstra um retrato social do país: “Um trabalhador que é importante para a cidade não é considerado profissional. Então, como é uma categoria formada por negros e negras, eles acham que os trabalhadores são escravos. Então, rumo à greve”, finaliza.
