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BN na China: Shenzhen, a cidade do futuro que pode inspirar a revolução na Bahia

Por Rebeca Menezes, da China

Foto: Rebeca Menezes, da China / Bahia Notícias

Cerca de 40 anos separam o pequeno vilarejo de Shenzhen, na província de Guangdong, da referência em tecnologia que hoje ostenta. Mas é preciso mais visão de futuro e investimento de recursos, vontades políticas e participação da população para esse processo. E a cidade onde nasceu a BYD, gigante chinesa que agora ocupa um espaço estratégico em Camaçari, pode ensinar sobre o que a Bahia tem potencial para se tornar.

 

Há dois fatores preponderantes para o crescimento exponencial da cidade. O primeiro, e mais relevante, foi a decisão do governo chinês de transformar essa área ao sul na primeira Zona Econômica Especial do país, no início dos anos 1980. A segunda foi a proximidade com Hong Kong, que já vivia o boom econômico, impulsionado pelo fortalecimento da indústria própria que a transformou em uma potência comercial e um dos principais centros financeiros do globo. Este momento foi crucial para transformar Shenzhen em um campo de testes para a abertura econômica, atraindo investimento estrangeiro, indústria e, posteriormente, tecnologia.

 


Foto: Rebeca Menezes, da China / Bahia Notícias

 

A cidade se transformou drasticamente. Do vilarejo de pescadores, com 30 mil pessoas, focado na manufatura, a região viu seus cerca de 2 mil m² serem ocupados por quase 18 milhões de habitantes, chegando, em 2025, a um PIB de US$ 560 bilhões - comparável ao de países como Bélgica e Suécia.

 

Não é por acaso que a cidade respira inovação. É fácil encontrar robôs servindo café ou um drone sobrevoando. Aliás, os drones estão em alta por aqui. Além de ser a sede da DJI - empresa responsável pela fabricação de 70% do mercado mundial de aeronaves remotamente pilotadas -, Shenzhen começou a testar no ano passado a entrega de comida por drones. Diversas marcas chinesas de alimentos e bebidas, e até gigantes como Mc Donald’s, estão a alguns minutos de entrega. Basta pedir a comida pelo aplicativo, fazer o pagamento, e aguardar a chegada enquanto aproveita a vista da Baía de Shenzhen. A entrega é feita apenas para quem tem o código, e a caixa é reaproveitada para novas encomendas. São tantos pedidos que os drones chegam a “engarrafar” em determinados momentos. Mas não se preocupe, porque eles foram programados para esperar.

 



Foto: Rebeca Menezes, da China / Bahia Notícias

 

E onde aparece a Bahia? Na janela de oportunidades que se apresenta com a instalação da fábrica de veículos de passeio eletrificados, em Camaçari. Além de R$ 5,5 bilhões em recursos aplicados pela própria BYD, o debate sobre veículos elétricos atrai o olhar do estado para mais investimentos em tecnologia, além de desenvolvimento de infraestrutura - algo estratégico para um estado que quer crescer. É necessário ter uma visão de futuro que pense no desenvolvimento de portos, rodovias e ferrovias, incremento do setor elétrico, incentivos à geração de energia renovável e conexão dos principais atores da indústria baiana, gerando impacto real - e muito mais rápido do que se imagina.

 

Explicar a formação de Shenzhen é importante para o contexto do que traremos nos próximos dias nessa expedição - que nesta terça (5) acompanha de perto o encerramento da turnê da Orquestra Neojiba na China. E a escolha da cidade para o evento não foi um acaso. Aqui está a sede global da BYD, patrocinadora do projeto, e que nos convidou para esta viagem. E após as passagens pelas cidades de Pequim, Xi?an e Tianjin, os 100 talentosos jovens baianos concluem a maior turnê já realizada por uma orquestra brasileira no país asiático. E vamos acompanhar tudo de perto para traduzir essa experiência para vocês.

 


Foto: Rebeca Menezes, da China / Bahia Notícias